Antes de mais nada, há que ver este vídeo de Olavo de Carvalho, e também este texto dele — para que se compreenda o raciocínio que se segue.
«Karl Marx descrevia assim o Lumpemproletariado:
“Libertinos, arruinados, com duvidosos meios de vida e de duvidosa procedência, junto a descendentes degenerados e aventureiros da burguesia, vagabundos, licenciados de tropa, ex-presidiários, fugitivos da prisão, escroques, saltimbancos, delinquentes, batedores de carteira e pequenos ladrões, jogadores, alcaguetes, donos de bordéis, carregadores, escrevinhadores, tocadores de realejo, trapeiros, afiadores, caldeireiros, mendigos.” »
A Cristina Miranda escreve o seguinte:
“... como se pode ver pelas notícias que nos chegam todos os dias, hoje aplaude-se os criminosos mais depressa do que se enaltece um agente [da polícia] que arrisca a vida todos os dias pela nossa segurança.
(…)
Como se explica que, depois de tanta luta por uma polícia que fosse respeitada e impusesse a ordem necessária ao bom desenvolvimento de uma sociedade, se chegasse a este retrocesso, com os políticos e a comunicação social sempre mais do lado dos agressores e esquecendo o total apoio aos policiais?”
Uma das distinções ideológicas importantes entre o Partido Comunista, por um lado, e a restante Esquerda contemporânea, por outro lado, é a posição em relação ao Lumpemproletariado.
Por exemplo, li há tempos um texto da Raquel Varela em que se verificava (nela) a posição ideológica marxista clássica em relação ao Lumpemproletariado. A posição da Raquel Varela, em relação ao Lumpemproletariado, é a posição marxista clássica; mas não é a posição normalizada pela Esquerda actual, em geral.
O Lumpemproletariado foi “recuperado”, por assim dizer, pelo marxismo cultural (Escola de Frankfurt), e é considerado — por esta corrente ideológica — o estrato populacional revolucionário por excelência.
É neste contexto que podemos compreender a “política identitária” e a chamada “interseccionalidade” da actual Esquerda marxista cultural oriunda dos Estados Unidos (Herbert Marcuse viveu e morreu nos Estados Unidos).
Para o Bloco de Esquerda, o partido dito “Livre”, o Partido Socialista de António Costa, etc., a classe operária já não é a classe revolucionária: foi substituída pelo Lumpemproletariado.
O estrato social revolucionário, segundo o Bloco de Esquerda, é constituído por libertinos, arruinados, com duvidosos meios de vida e de duvidosa procedência, junto a descendentes degenerados e aventureiros da burguesia, vagabundos, licenciados de tropa, ex-presidiários, fugitivos da prisão, escroques, saltimbancos, delinquentes, batedores de carteira e pequenos ladrões, jogadores, alcaguetes, donos de bordéis, carregadores, escrevinhadores, tocadores de realejo, trapeiros, afiadores, caldeireiros, e mendigos.
Quem manda hoje em Portugal é o Bloco de Esquerda que controla o Partido Socialista através de António Costa.