Dei com este texto de Rui Moreira que se refere a um texto do José Pacheco Pereira no jornal Púbico que eu não li porque não assino esse pasquim.
Rui Moreira contraria o Pacheco que defende a ideia segundo a qual as ideias do judeu Leo Strauss contribuíram para “alimentar o nazismo”.
Desde logo, folgo em saber que o Pacheco reconhece a influência das ideias em relação à evolução dos movimentos políticos: para quem escreveu (ipsis verbis) que “o marxismo cultural nunca existiu” — ignorando (propositadamente) a existência de Gramsci, Lukacs, Marcuse, Horkheimer, Sartre, e mais tarde os soixante-huitards e o Pós-estruturalismo da década de 1970 com Foucault, Lacan, Deleuze, Habermas, etc. —, parece que o Pacheco retornou ao bom-senso que implica a aceitação da Realidade.
Pacheco Pereira só aceita aquilo que não o comprometa ideologicamente. A partir do momento em que a realidade o compromete (ou o contrarie), ele recusa-a — na linha dos intelectuais marxistas, como por exemplo Lukacs e sobretudo Althusser. Trata-se de um mecanismo de protecção: ao negar a existência de algo real ou facto, o Pacheco protege-se dos ataques merdosos provenientes da Realidade.
É claro que Leo Strauss não promoveu o nazismo, nem as suas ideias ou mundividência contribuíram para a promoção do nazismo. Aconselho a leitura do livro do historiador inglês Laurence Rees com o título “The Nazi Mind” (2025).

Na boa tradição marxista, o Pacheco — que diz que “o PSD é um partido de Esquerda” — procura identificar tudo o que é Direita com o nazismo, embora o faça com uma pretensa sofisticação ideológica.
Neste contexto, o Pacheco identifica o Trump, por um lado, e toda a Direita europeia, por outro lado: subliminar- e implicitamente, “toda a Direita europeia é trumpista”, utilizando um maniqueísmo que o Pacheco atribui aos seus inimigos políticos.
De modo semelhante, para o Pacheco, toda a Direita das décadas de 1920 e 1930 era nazi; mas não vemos o Pacheco incluir Heidegger no rol dos “influenciadores” do nazismo, pela simples razão de este ser hegeliano: tudo o que é hegeliano merece o respeito do Pacheco.



