A recente votação da “lei da Burca”, em que a Esquerda em bloco votou a favor de as mulheres andarem totalmente tapadas na via pública, por um lado, e a reacção da ruling class esquerdopata lisboeta em relação ao assalto às instalações do CHEGA na assembleia da república, por outro lado — revelam que não há a mínima possibilidade de existir um entendimento com o sistema político-partidário dominante que tem como charneira o rotativismo entre o Partido Socialista e o Partido Social Democrata (o PS 1 e o PS 2).
Existe em Portugal uma “elite” política que admite, com naturalidade, o exercício da violência para calar qualquer ameaça séria de dissensão política em relação a um sistema anquilosado existente que é baseado em um nepotismo generalizado, e que faz da corrupção e do amiguismo o esteio da acção política.
Ou seja, a sociedade portuguesa está profundamente fracturada; e maioritariamente fracturada em situações que o mero senso-comum aconselhariam prudência e procura de acordo.
O sistema rotativista não aceita perder um milímetro de Poder, e recorrerá à violência se necessário for.
O assalto ao gabinete de André Ventura revela uma predisposição para a violência por parte do sistema partidário dominante; o sistema político-partidário vigente admite partir para a violência para calar qualquer oposição — e essa possibilidade de violência é apoiada pela classe bem pensante (os intelectualóides, os jornalistas, a maçonaria) e até pela cúpula das forças armadas e policiais representadas simbolicamente por gente como Luís Neves.
Existe em Portugal uma “elite” política que admite, com naturalidade, o exercício da violência para calar qualquer ameaça séria de dissensão política em relação a um sistema anquilosado existente que é baseado em um nepotismo generalizado, e que faz da corrupção e do amiguismo o esteio da acção política — o mesmo sistema político que matou Amaro da Costa e Sá Carneiro: apenas mudam, hoje, os protagonistas do sistema corrupto e da violência.

