segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Pacheco Pereira : a Direita é toda nazi

Dei com este texto de Rui Moreira que se refere a um texto do José Pacheco Pereira no jornal Púbico que eu não li porque não assino esse pasquim.

jpp-vesgo-webRui Moreira contraria o Pacheco que defende a ideia segundo a qual as ideias do judeu Leo Strauss contribuíram para “alimentar o nazismo”.

Desde logo, folgo em saber que o Pacheco reconhece a influência das ideias em relação à evolução dos movimentos políticos: para quem escreveu (ipsis verbis) que “o marxismo cultural nunca existiu” — ignorando (propositadamente) a existência de Gramsci, Lukacs, Marcuse, Horkheimer, Sartre, e mais tarde os soixante-huitards e o Pós-estruturalismo da década de 1970 com Foucault, Lacan, Deleuze, Habermas, etc. —, parece que o Pacheco retornou ao bom-senso que implica a aceitação da Realidade.

Pacheco Pereira só aceita aquilo que não o comprometa ideologicamente. A partir do momento em que a realidade o compromete (ou o contrarie), ele recusa-a — na linha dos intelectuais marxistas, como por exemplo Lukacs e sobretudo Althusser. Trata-se de um mecanismo de protecção: ao negar a existência de algo real ou facto, o Pacheco protege-se dos ataques merdosos provenientes da Realidade.

É claro que Leo Strauss não promoveu o nazismo, nem as suas ideias ou mundividência contribuíram para a promoção do nazismo. Aconselho a leitura do livro do historiador inglês Laurence Rees com o título “The Nazi Mind” (2025).

familia do pacheco 650 web

Na boa tradição marxista, o Pacheco — que diz que “o PSD é um partido de Esquerda” — procura identificar tudo o que é Direita com o nazismo, embora o faça com uma pretensa sofisticação ideológica.

Neste contexto, o Pacheco identifica o Trump, por um lado, e toda a Direita europeia, por outro lado: subliminar- e implicitamente, “toda a Direita europeia é trumpista”, utilizando um maniqueísmo que o Pacheco atribui aos seus inimigos políticos.

De modo semelhante, para o Pacheco, toda a Direita das décadas de 1920 e 1930 era nazi; mas não vemos o Pacheco incluir Heidegger no rol dos “influenciadores” do nazismo, pela simples razão de este ser hegeliano: tudo o que é hegeliano merece o respeito do Pacheco.

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Donald Trump nem copula, nem sai de cima

O octogenário Donald Trump tem notoriamente problemas de consumação de coito: tentou acomadrar-se ao Canadá, mas o rabujo e o peso da idade ditou-lhe o desaprumo. Vai daí, decidiu ele que nem copula nem sai de cima, condenando o Canadá a uma forçada abstinência.

Como diria o Nicolau Breyner: “nem o velho morre nem a gente almoça”.

nem fode nem sai de cima

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

O Luís Monta-o-negro e a mentalidade de “ele rouba, mas faz obra”

Desde o inicio da década de 1980 que prevaleceu em Portugal a valorização do político que “rouba mas faz obra”.

Eu ouvi muitas vezes o dito popularucho do “ele rouba mas faz obra” — referindo-se a um qualquer político.

Era tacitamente permitido ao político roubar em pequenas coisas (ao estilo de Luís Neves) em determinadas condições, e a própria fiscalização policial e judicial era propositadamente relaxada.

Era o tempo em o Tuga roubava bicicletas em Amesterdão; mas esse tempo acabou — com excepção do actual político que “rouba meia dúzia de sulipas, mas faz obra”.

Com a golpada de José Sócrates, a mentalidade da maioria do povo mudou — mas o Luís Monta-o-negro não se deu conta da mudança.

José Sócrates não se contentou com pequenos roubos: deu uma golpada de milhões de Euros no Estado. E o povo acordou: com José Sócrates, já não se tratava de roubar bicicletas ou sulipas como acontecia até aí, mas a classe política passou a entrar numa de “desbundar” com o património do Estado.

A recente eleição de Isaltino Morais (2021) para presidente da Câmara Municipal de Oeiras veio revelar que o povo ainda premeia o político “ladrão mas que faz obra”.

E, em geral, a classe política aplaudiu a eleição de Isaltino Morais, porque esta veio revelar que o caso de José Sócrates tinha caído no esquecimento ou sido desvalorizado por uma parte do povo: afinal, continua a ser legitimado que o político “roube mas faça obra”.

Luís Monta-o-negro representa a continuidade da mentalidade da classe política que se norteia pelo princípio do “ele rouba, mas faz obra”.

Por detrás de Luís Monta-o-negro está a maçonaria que coordena o sistema de privilégios políticos à margem da lei.

Assim como, nas empresas, existe um organograma oficial (para inglês ver) e outro real (que é o que realmente conta), também em Portugal existe um sistema de privilégios políticos oficial, e outro real que está à margem da lei escrita: o sistema de privilégios real é uma tradição do sistema político vigente que extrapola a lei escrita. Esse sistema real (não legal) de privilégios é controlado pela maçonaria.

Por isso é que o Luís Neves é protegido pelo Partido Socialista de José Luís Carneiro e pelo PSD de Luís Monta-o-negro: o respeitinho dos partidos políticos pela maçonaria é coisa linda.

O Luís Neves é o arquétipo do político que rouba sulipas mas que ajuda os maiorais nepotistas a fugir ao fisco e a roubar prolificamente.

Os ladrões de bicicletas acabaram em Amesterdão, mas os ladrões de sulipas continuam em Portugal com o beneplácito da maçonaria. Mas não perdem pela demora: chegará o momento do ajuste de contas — tão certo como o destino.

sábado, 5 de setembro de 2026

Os brasileiros que me perdoem, mas isto não é língua portuguesa

A elite “intelectual” portuguesa está a trabalhar afincadamente para transformar a cultura portuguesa em um deserto — ou, neste caso, numa mancha de floresta amazónica que não distingue a diversidade da vegetação.

Chamo aqui à colação um tal Carlos Rocha, que, alegadamente, é «Licenciado em Estudos Portugueses pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, mestre em Linguística pela mesma faculdade e doutor em Linguística, na especialidade de Linguística Histórica, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Professor do ensino secundário, coordenador executivo do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, destacado para o efeito pelo Ministério da Educação português.»

unesp web

Este senhor “intelectual” português classifica, como sendo uma expressão linguística de bom português, a expressão “em meio a”apenas porque uma universidade brasileira sanciona a expressão. Ou seja, se um dia a UNESP vier a terreiro dizer que “o Tupi Guarani faz parte da língua portuguesa”, o senhor Carlos Rocha, como bom “intelectual” português, irá dizer “ámen” e assinar por baixo (com as duas mãos).

russia em meio a web

É isto que temos. O Ciberdúvidas transformou-se em organismo acrítico que se limita a ratificar as decisões brasileiras acerca da língua que é suposta ser portuguesa. Não é aceitável que um “mestre em Linguística” português sancione uma qualquer expressão idiomática como sendo “portuguesa”, apenas porque consta de um dicionário brasileiro mais ou menos obscuro.

A expressão “em meio a” é tão portuguesa como a expressão “toda semana” que vemos aqui em baixo.

airbus toda semana web

O jornalismo brasileiro começa já a ter problemas com o plural sintáctico: em vez de “todas as semanas”, o intelectual brasileiro já adopta “toda semana”: de uma assentada, o jornalista e o intelectual brasileiro eliminam o plural e o artigo definido.

Os intelectuais portugueses, maioritariamente de Esquerda, estão a trabalhar para a desertificação da língua portuguesa: por isso é que a literatura portuguesa actual é um deserto: vou a uma livraria e só se edita e publica esterco como sendo “literatura portuguesa”.

Ou, como escreveu Virgílio na Eneida, “apparent rari nantes in gurgite vasto”: os escritores portugueses de qualidade desaparecem num mar vasto de mediocridade onde impera agora a vulgaridade confrangedora da língua brasileira.

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Donald Trump, Milei, e as ilhas Falkland

Voltou a estar na moda atacar o Reino Unido utilizando as ilhas Falkland. Desta vez, é Donald Trump que apoia Milei que falhou a sua revolução na economia Argentina; e como a revolução de Milei falhou, vira o disco e toca o mesmo: fazer uma nova guerra para ocupar as ilhas Falkland.


Donald Trump está por detrás de várias guerras no planeta — para além das guerras que ameaça empreender. Ontem soube-se, por um almirante americano, que Donald Trump planeia atacar militarmente o Canadá; e já sabemos que também pretende invadir e ocupar a Gronelândia — para além de já ter retirado o apoio político e militar à Coreia do Sul, desrespeitando os militares americanos mortos na guerra da Coreia.

O movimento MAGA (Make America Great Again) de Donald Trump não é um movimento político conservador: faz parte de uma certa “direita” revolucionária de tipo AfD (Alternative für Deutschland) na Alemanha, ou Marine Le Pen em França, que são claramente apoiadas pela Rússia do cripto-comunista Putin.

Políticos conservadores na Europa temos, por exemplo, Jacob Rees-Mogg em Inglaterra, Giorgia Meloni em Itália, André Ventura em Portugal, e pouco mais. Tenho dúvidas em relação ao conservadorismo de Santiago Abascal do VOX (Espanha) e a Péter Magyar da Hungria, que me parecem adeptos de uma certa “direita” revolucionária financiada por Putin.


As ilhas Falkland foram descobertas e ocupadas pelos ingleses em 1690, pelo capitão John Strong, que lhes chamou “Ilhas Falkland” em homenagem ao Visconde Falkland.

Em 1764, o francês Louis de Bougainville — o mesmo que deu o nome às buganvílias da América do Sul — estabeleceu a primeira cidadela nas ilhas, a que chamou de “Port Louis”, e chamou às ilhas de “Malouines”. No ano seguinte (1765), o capitão inglês John Byron atracou na ilha Saunders e fundou a cidadela de “Port Egmont”, reclamando as ilhas para a coroa britânica.

Em 1767, os espanhóis deram o ar de sua graça e compraram a colónia das “Malouines” aos franceses, e mudaram o nome da cidadela de Port Louis para “Puerto Soledad”; e a seguir expulsaram os ingleses da cidadela de Port Egmont.

Em 1811, os espanhóis abandonaram as ilhas “Malouines” (devido às guerras peninsulares) e os ingleses voltaram a ocupar as ilhas Falkland.

Em 1820, pela primeira vez, a Argentina reclama a posse das ilhas a que chamou “Malvinas”.

Em 1845, o Reino Unido designou, como capital das ilhas Falkland, a cidade de Stanley.

Em 1982, a junta militar Argentina invadiu as ilhas, e a Argentina foi derrotada pelas forças armadas britânicas num conflito armado que durou 74 dias, resultando na morte de 649 argentinos, 255 britânicos, e 3 habitantes civis das ilhas.

Margaret Thatcher, primeira-ministra do Reino Unido, instituiu o British Nationality Act 1983 que garantia a nacionalidade britânica aos ilhéus. A nova Constituição das Falkland, instituída em 2009, atribuiu plena autonomia ao governo das Falkland.

Num referendo realizado em 2013 supervisionado por observadores internacionais, 99,8% dos ilhéus votaram a favor da permanência das Falkland no Reino Unido.

Apesar do voto do povo das Falkland, Milei e Donald Trump estão se borrifando para a democracia e pretendem ocupar as ilhas.

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

A filha-da-putice de Aguiar-Branco

O presidente do paralamento,

«José Pedro Aguiar-Branco, assinala "insuficiências na delimitação do objecto e dos fundamentos" inerentes ao inquérito parlamentar requerido pelo Chega, que "não permitem, na sua actual formulação, determinar a constituição obrigatória da comissão".

Nesse sentido, o presidente da Assembleia da República solicita à bancada do partido de André Ventura que proceda "à reformulação do objecto e dos respectivos fundamentos, suprindo as insuficiências identificadas, sob pena de rejeição" da admissão do requerimento.»

Aguiar-Branco rejeitará comissão de inquérito sobre Luís Neves se Chega não alterar requerimento

Isto significa o seguinte:

Se, por exemplo, no decurso do processo da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do CHEGA, existirem indícios noticiados pela Comunicação Social segundo os quais o Luís “Al Capone” Neves terá alegada- e eventualmente assassinado alguém, esses novos indícios noticiados pela Comunicação Social não poderão ser considerados pela CPI em curso, porque o “objecto e o fundamento” da CPI não tinham sido previamente identificados aquando da admissão do requerimento por Aguiar-Branco, algum tempo antes.

A ser verdade esta limitação imposta a uma investigação de uma CPI, o Aguiar-Branco é um filho-de-p*ta requintado e de alto coturno — porque encontrou uma forma de limitar e restringir a liberdade de uma qualquer investigação parlamentar. Já vivemos em um Totalitarismo de Veludo.

Além de ser um filho-de-p*ta, a exigência que o Aguiar-Branco faz é ilegal, à luz da Constituição.

domingo, 23 de agosto de 2026

Acerca do anonimato dos serviços do Estado

Há dias fui a uma repartição de Finanças para resolver um problema de pagamento de impostos indevido, e a funcionária que me atendeu pessoalmente disse-me que ela não me poderia ajudar a resolver o problema, e indicou-me o sítio das Finanças na Internet para “tentar”  (sic) resolver o referido problema.

Ou seja, na função pública em geral, e nas Finanças em particular, as pessoas já não contam — nem as pessoas que estão dentro do balcão, nem os utentes e contribuintes.

A impessoalização dos serviços de impostos é a melhor forma que o Estado encontrou para roubar impunemente o cidadão vulgar — porque a elite (a ruling class) está salvaguardada por um sistema político nepótico e corrupto, controlado à distância pela maçonaria.

Ora, uma sociedade em que a lei não se aplica igualmente a toda a gente é uma sociedade altamente corrupta — como é o caso de Portugal.

Uma das características dos sistemas políticos totalitários é precisamente a impessoalização do Estado, onde os direitos do cidadão são alienados por intermédio (desta feita) de um novo tipo de burocracia mais sofisticada.

A retirada do ser humano das decisões que afectam directamente o cidadão (a retirada propositada do pensamento lógico no que respeita às decisões administrativas) é uma forma de burocracia mascarada de “informatização do sistema”; é uma nova burocracia que a classe política actual encontrou para poder governar de forma arbitrária e discricionária, com desrespeito manifesto e visível pelo Estado de Direito.

Quando um político de relevo levar um tiro na testa, pode ser que a elite acorde.