terça-feira, 28 de abril de 2026

O Carlos Moedas, o Rui Tavares e a Mariana Mortágua devem estar felizes e radiantes

radar de okupaOs socialistas espanhóis começaram a instalar uma nova geração de radares nas estradas de Espanha que não controlam a velocidade, mas antes filmam os interiores dos veículos que passam: são os chamados “radares de ocupação” com câmaras de inteligência artificial capazes de fazer prova de que o condutor circula sozinho dentro do carro, implicando uma multa de 200 Euros em caso de prevaricação.

Imaginem a felicidade de Carlos Moedas se a moda pega em Lisboa! Se juntarmos os “radares de ocupação”, por um lado, e a “cidade 15 minutos”, por outro lado, temos o homenzinho orgásmico.

O Conservador deve evitar a confusão entre “género “ e “sexo”

Estando eu a ler um livro de autoria de uma pessoa conservadora, ligada à Igreja Católica, verifiquei que utilizava amiúde o termo “género” em lugar de “sexo”. Ou seja, até os mais conservadores já estão contaminados pela linguagem desconstrucionista do pós-modernismo (ou do marxismo cultural).

Convém recordar aqui um conceito de Eric Voegelin segundo o qual, para podermos criticar a linguagem ideológica (neste caso, a linguagem ideológica do marxismo cultural), temos que criar uma comunidade de linguagem:

«Qualquer pessoa com uma mente informada e reflectiva que viva no século XX a partir do fim da primeira guerra mundial ― como é o meu caso ― acaba por se se sentir cercada ― senão oprimida ― por todos os lados por uma inundação da linguagem ideológica.

Essa pessoa não consegue lidar com os utilizadores da linguagem ideológica como parceiros de uma discussão, mas terá antes que fazer destes o objecto de investigação.

Não existe uma comunidade de linguagem entre os representantes das ideologias dominantes. Por isso, a comunidade da linguagem que essa pessoa pretende usar para criticar os utilizadores da linguagem ideológica deve ser, em primeiro lugar, descoberta e, se necessário, estabelecida.»

→ Eric Voegelin.

Ora, a nossa comunidade de linguagem não pode substituir o conceito de “sexo” pelo de “género”: o conservador que o faz cedeu já, na sua posição, em relação ao desconstrucionismo comunista ou cripto-comunista; já não é um conservador propriamente dito, mas antes é uma espécie de “progressista paralisado”.

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), “o género refere-se às características das mulheres, homens, raparigas e rapazes que são socialmente construídas. Isto inclui normas, comportamentos e papéis associados a ser mulher, homem, rapariga ou rapaz, bem como as relações entre as pessoas. Como construção social, o género varia de sociedade para sociedade e pode mudar ao longo do tempo.”

Ora, esta definição de “género” é "pau-para-toda-a-colher", porque pode ser utilizada pelos desconstrucionistas para (tentar) desconstruir / destruir a própria Natureza Humana.

Porém, se tudo passa a ser “construção social”, então nada é “construção social”.


E se a noção de “construção social” é verdadeira (no sentido absolutista dado pelos neomarxistas), então segue-se que a noção de “construção social” é, ela própria, uma construção social.

E quando alguém diz que “o género é uma construção social e que pode ser mudado para acomodar a igualdade de género”, então segue-se que a “igualdade de género” é também uma construção social. E sendo a “igualdade de género” uma construção social, temos também o direito de a rejeitar seguindo os mesmos pressupostos de quem a defende.

Quando se diz que “o género é uma construção social”, o que se pretende dizer é que “o género é uma convenção”. A convenção opõe-se à Natureza. E toda a convenção pressupõe a linguagem, e por isso, pressupõe já a sociedade.

No sentido lógico e comum, “género” é o termo que designa uma categoria de realidades ou de ideias que os seus caracteres essenciais comuns autorizam a reagrupar sob a mesma denominação geral (por exemplo, na gramática, os “diferentes géneros” literários).

Porém, o que está implícito no conceito de “género é uma construção social”, é que “o género é independente do sexo biológico” — o que é um absurdo lógico, porque o género não pode ser simultaneamente dependente e independente do sexo biológico: ou é independente do sexo biológico, ou é dependente deste. É óbvio, e mesmo evidente, que o “género” depende da categoria do sexo biológico.

Em determinadas culturas (fora da Europa), os homens podem ser temporariamente considerados “mulheres”, ou determinadas mulheres ser consideradas “homens”.

Mas, nessas sociedades, essa “troca de papéis de géneros” acontece por razões funcionais e de interesse colectivo — ou seja, essa “troca de papéis de géneros” entre os dois sexos é convencionada, por um lado, e por outro esse fenómeno cultural revela que a “troca de papéis de géneros”, entendida em si mesma, significa que o “normal desejável” não são os géneros trocados, mas antes que o que é normal é a coincidência simbólica entre o género e o sexo.

Nessas culturas, a “troca de papéis de géneros” é uma excepção circunstancial que serve exclusivamente o interesse colectivo; nessas culturas, as funções, códigos e estatutos estão em primeiro plano, e o indivíduo apaga-se diante dos sistemas que o clã, a tribo ou a família formam; nessas culturas, as relações entre seres humanos são nitidamente menos individualizadas e menos personalizadas, quando comparadas com a cultura europeia e ocidental.

Na cultura europeia, de raiz cristã, onde a dimensão afectiva e individual é muito importante, a relação de cada um com a sua identidade pessoal tem uma importância enorme. Na cultura ocidental (de origem cristã), ser “homem” ou “mulher” não pode ser produto de uma decisão do grupo social.

Na cultura ocidental, em que o indivíduo (enquanto tal) ganha uma importância que não existe em outras culturas, não podemos dizer — como dizem os intelectualóides neomarxistas — que “o meu género é construído pelos outros”. Ademais, a ideia de que “o género não é senão uma construção social” (ou seja, é uma convenção) é anti-científica.

Vários estudos científicos recentes sugerem que os comportamentos individuais feminino e/ou masculino não são um mero reflexo de pressões sociais (ou de convenções). Tanto a biologia como a sociedade afectam o comportamento de meninas e meninos.

Quando se categoriza os “géneros” masculino e feminino de acordo com os respectivos sexos biológicos, fazemos isso em consequência da própria categorização de sexo que a Natureza determina desde o início da existência. Por isso é que, por exemplo, damos o nome de Maria a uma menina, e de Manuel a um menino: ao distinguir a nomenclatura em função dos dois sexos, nada mais fazemos do que seguir a categorização sexual que a própria Natureza já determinou a priori.


Ao contrário do que diz o marxismo cultural — que diz defender a validade da diferença entre seres humanos — este debate acerca da identificação entre o “género” e o “sexo” é sintoma da nossa actual dificuldade cultural em assumir a diferença.

Dizer que a diferenciação implica discriminação, ou que hierarquia é sinónimo de desigualdade, corrobora a ideia de “Totalitarismo Doutoral” de Alexis de Tocqueville (a que eu chamo de “Totalitarismo de Veludo”) em que indivíduos intermutáveis formam uma massa indistinta — por exemplo, a “intermutabilidade dos dois géneros” conduz necessariamente à negação da existência dos dois sexos...!, através da confusão propositadamente criada entre “género” e “sexo”. Tudo isto tem a sua âncora ideológica no conceito de “família” de Engels... é preciso ir às origens!

Em suma: todo o conservador deve evitar a confusão, induzida na nossa cultura pelos neo-marxistas, entre “género “ e “sexo”.

domingo, 26 de abril de 2026

Rui Tavares é perigosíssimo; temos um substituto à altura da Mariana Mortágua


Rui Tavares é certamente o político mais perigoso, porque pega em factos, manipula-os, altera-os e depois, a coberto daquela aura de intelectual de urinol e com a ajuda de jornalistas analfabetos funcionais, impõe uma realidade paralela ao mesmo tempo que acusa os outros de “fake news”.

É o político espertalhão da nossa praça. Pior do que ele só o José Pacheco Pereira.

Vejamos esta “notícia”:

«O porta-voz do Livre Rui Tavares acusou hoje o presidente do Chega de ter citado Adolf Hitler e um mito nazi no discurso da sessão solene do 25 de Abril quando repetiu diversas vezes a expressão "apunhalado pelas costas".»

Rui Tavares acusa André Ventura de citar Adolf Hitler e mito nazi na sessão solene

Segundo o historiador inglês Laurence Rees, no seu livro “The Nazi Mind” e logo no primeiro capítulo (eu tenho o original em língua inglesa), a frase “fomos apunhalados pelas costas” foi de autoria do marechal Paul Von Hindenburg, que de “nazi” tinha absolutamente nada, e foi proferida numa Comissão Parlamentar de investigação das causas da derrota alemã na I Guerra Mundial, e imediatamente a seguir ao fim da guerra — ainda não existia o partido nazi.

Independentemente de a frase do marechal Paul Von Hindenburg (“fomos apunhalados pelas costas”) constituir uma teoria da conspiração, ou não (eu penso que Hindenburg se baseou em factos concretos), a frase não é de autoria de Hitler ou do partido nazi que ainda não existia naquele momento.

Seria o mesmo que se disséssemos que o conceito nazi e de “super-homem”, da década de 1920, foi criado por Nietzsche que morreu em 1900: esta ideia só pode vir de uma mente deturpada, distorcida e formatada no sistema ortorrômbico, como a de Rui Tavares.

terça-feira, 21 de abril de 2026

A Isabel Moreira e a Realidade Normativa

«Isabel Moreira partilhou na sua conta do X o "parecer" da CIG - um antro de trans-activistas durante anos -, que conclui que a actual lei da autodeterminação de género é fantástica. Isto apesar da actual lei permitir a qualquer jovem mentalmente descompensado, o acesso imediato a uma identidade e um marcador de género diferente, sem qualquer diagnóstico rigoroso com todas as consequências imprevisíveis e trágicas que resultam daqui.

Desde que ela postou, chovem comentários na conta dela. São centenas e centenas a contestá-la. Dá gosto ver que o Wokismo acabou. Os portugueses já não receiam demonstrar de forma clara que não vão ficar calados perante os perigos desta gente alucinada.

Que o Presidente da República tenha bem noção disso. »

MOMENTO RELAX PARA QUEM NÃO SUPORTA A ISABEL MOREIRA

O dimorfismo sexual é uma característica da Realidade Normativa, mas a Isabel Moreira não concorda com a normatividade da realidade implícita no dimorfismo sexual.

Por exemplo, a Isabel Moreira acredita que se cortarem uma perna a 51% dos carneiros do mundo inteiro, os carneiros deixam de ser quadrúpedes. É uma crença. Mas toda a gente normal sabe que, ainda que os seres humanos cortassem as pernas aos carneiros, estes não deixariam de ser quadrúpedes.

O que está aqui em causa é o bom-senso, por um lado, e o senso-comum, por outro lado. A Isabel Moreira não tem nem uma coisa nem outra. A Isabel Moreira é doente mental.

domingo, 19 de abril de 2026

O Tiago Freitas e a generalização da culpa

O senhor Tiago Freitas escreveu isto no intróito de um seu texto:

“Durante anos vivemos sob o que muitos apelidaram de “opressão woke”. Seguiu-se uma reacção que começou por ser higiénica, mas que rapidamente resvalou para um contrawokismo excessivo, por vezes boçal. O resultado? Um barómetro reputacional completamente desalinhado, onde o que é “bom” ou “aceitável” varia consoante o campo ideológico. Ainda assim, há sinais que atravessam essas trincheiras.”

Vamos tentar “descodificar” (laborar em um pequeno exercício de hermenêutica freudiana) este pequeno trecho do senhor Freitas — por exemplo, o que significa «um barómetro reputacional completamente desalinhado, onde o que é “bom” ou “aceitável” varia consoante o campo ideológico».

Repare-se como o Freitas atribui a responsabilidade do “desalinhamento do barómetro” ideológico igualmente aos “wokistas” e aos “contrawokistas” — o senhor Tiago Freitas gosta de estar em cima do muro; ou, como dizia Ivone Silva: “com um vestido preto, não me comprometo”. O senhor Freitas faz o possível por não se comprometer, como bom comissário político do Totalitarismo de Veludo que é. douglas murray-marxismo cultural web

O senhor Freitas tira partido da alienação do público em geral, quando dá a entender aos seus leitores que o Wokismo é uma coisa que caiu do céu, sem qualquer nexo causal ideológico e histórico, e que os contrawokistas são uma espécie de toscos intelectuais que também e igualmente contribuem para o “desalinhamento do barómetro reputacional” e ideológico.

“Wokistas” e “contrawokistas” são (implicitamente e segundo o senhor Freitas) igualmente culpados pelas guerras culturais e pelos desalinhamentos ideológicos e axiológicos.

Para o senhor Freitas, o Wokismo não tem nada a ver com Lukacs; e sobretudo não tem nada a ver com o italiano Gramsci. O Wokismo caiu do céu, foi (implicitamente) uma invenção da Mariana Mortágua ou das universidades americanas. Para o senhor Freitas — na esteira da opinião “objectiva” do José Pacheco Pereira —, dizer que o Wokismo tem alguma coisa a ver com a Escola de Frankfurt (por exemplo, Marcuse e a sua “tolerância repressiva”; ou Theodore Adorno) é uma flagrante Teoria da Conspiração.

Para o senhor Freitas, assim como para o “intelectualíssimo” José Pacheco Pereira, a Utopia Negativa não existiu: é uma invenção dos “fassistas”.

Mas o Freitas iria mais longe: afirmar que os pós-modernistas, aka desconstrutivistas, ou pós-estruturalistas (por exemplo, Jean-François Lyotard, Deleuze, Foucault, Derrida, etc.) têm alguma coisa a ver com o Wokismo, só pode vir da cabeça de um maluco (como eu). Por isso, eu sou tão culpado pelo “desalinhamento do barómetro” ideológico quanto o é a Mariana Mortágua. Somos todos culpados.

A generalização da culpa só pode servir para a trivializar: podemos sentir-nos exonerados de culpa se não somos mais responsáveis do que os outros. É isto que o comissário Freitas pretende: generalizar a culpa.

sábado, 18 de abril de 2026

Entre a Cristina Ferreira e a Isabel Moreira, venha o diabo e escolha

Aconteceu recentemente um confronto político e ideológico entre o liberalismo levado às suas últimas consequências (Cristina Ferreira), por um lado, e por outro lado o cientificismo de Esquerda (Maria João Faustino, Isabel Moreira, etc.).

cristina ferreira web

No liberalismo (representado aqui por Cristina Ferreira), o negócio está em primeiro lugar; o negócio é o mais importante, e independentemente das consequências sociais, culturais e éticas.

O liberal dá valor ao Estado de Direito porque este promove a liberdade de mercado — em contraponto à posição do cidadão conservador que dá valor à liberdade de mercado porque esta promove o Estado de Direito.

O que me separa da Cristina Ferreira é que eu gosto da liberdade de mercado porque promove o Estado de Direito — ao passo que a Cristina Ferreira inverte as premissas da equação: para ela, a liberdade de mercado é um fim em si mesmo, e não apenas um meio. Para a Cristina Ferreira, a liberdade de mercado é mais importante do que o Estado de Direito.

Porém, o grupo de pessoas que se opõe à Cristina Ferreira nesta carta aberta (Maria João Faustino, Isabel Moreira, Francisco Louçã, Marta Crawford, entre outros) não é composto de cidadãos conservadores que prezam a liberdade e o Estado de Direito, mas antes é composto por agentes políticos de Esquerda para-totalitária (passo a redundância) que manipulam a ciência no sentido de impôr coercivamente a sua agenda política e ideológica.

Imaginem, por absurdo, que um grupo de pessoas ligadas à ala radical do Partido Socialista, e ao Bloco de Esquerda, afirma o seguinte:

“A ciência demonstra-nos que os “fassistas” têm que ser mortos”.

E, recorde-se que, em nome da pseudo-ciência já se promoveram os maiores massacres de seres humanos que a História já registou.

É neste sentido que os radicais signatários da referida carta aberta invocam a necessidade de recurso a “especialistas devidamente qualificados” — como se a ciência pudesse formatar a ética, por um lado, e moldar as relações entre os seres humanos, por outro lado: eles representam a morte da ética em nome da imposição da pseudo-ciência como modelo de formação política e ideológica para-totalitária.

Aquilo que é eticamente auto-evidente para um cidadão conservador, passou a ser necessariamente passível de “prova científica” arbitrária, para um radical de Esquerda. A ética foi, alegadamente e para estes radicais, substituída pela ciência (como se isto fosse possível).

A ideia de “responsabilidade moral” (ética) reside na experiência subjectiva, enquanto que a ciência só concebe acções determinadas pelas leis da natureza, e não concebe autonomia, nem sujeito, nem consciência e nem responsabilidade. A noção de “responsabilidade” é não-científica. A ética e a moral pertencem ao domínio da metafísica que se caracteriza pela falta de “bases objectivas”.

Na sua ânsia de combater a fundamentação ética herdada de milénios de cultura europeia (desde Sócrates a Nicolau Hartmann, passando por Santo Agostinho e S. Tomás de Aquino), os radicais de Esquerda do Partido Socialista, do Bloco de Esquerda e do LIVRE pretendem substituir essa fundamentação ética (que se baseia na Natureza Humana) por leis arbitrárias ditas “científicas” que corroborem a necessidade de restrição drástica da liberdade política.

Para que haja ciência é necessário postular a insignificância do universo e da natureza do ser humano — porque a neutralidade axiológica não é uma conclusão científica, mas antes é um postulado metodológico de quem faz ciência.

E é exactamente isto que os radicais de Esquerda pretendem: a manipulação da ciência (cientificismo) como meio de erradicação (na equação da Cultura e na organização social) do conceito de Natureza Humana.

terça-feira, 14 de abril de 2026

A troca de mimos entre André Ventura e José Pacheco Pereira

Falar de José Pacheco Pereira é-me penoso, por uma questão de vergonha alheia.

Não me esqueço, por exemplo, que o Pacheco escreveu que “o marxismo cultural não existe” — quando um dos expoentes máximos da Escola de Frankfurt, o alemão Habermas recentemente falecido, escreveu exactamente o contrário. Ou seja, parece que o Pacheco sabe mais acerca da Escola de Frankfurt do que o próprio Habermas saberia.

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O Pacheco foi, desde 1974, sendo apaparicado pela elite política de Esquerda que malgovernou este país pelo menos até final da década de 1980, e tornou-se em uma espécie de “símbolo de resgate ideológico” da Esquerda, em uma luminária feita às canhas com uma arrazoação modelar e sistémica (a cassete).

Todo o “intelectual” esquerdista vive das genuflexões da elite política em relação às suas próprias virtudes.

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Separar o Pacheco e o maoísmo foi um esforço “inconseguido” de uma vida inteira.

O esquerdista que se preze grita que “a liberdade perece!” quando as suas vítimas recusam-se a financiar o seu próprio assassinato. O fenómeno do partido CHEGA passou ao Pacheco a ideia segundo a qual “as vítimas recusam-se a morrer”. Ora, esta recusa da morte é, para o Pacheco, inadmissível. Seria suposto que os “fassistas” / vítimas morressem com alegria...

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No debate com André Ventura, o esquerdista José Pacheco Pereira demonstrou que consegue refutar uma opinião acusando o seu adversário de “imoralidade”. Claro que o André Ventura respondeu-lhe na mesma moeda.

O José Pacheco Pereira, como todo o esquerdista estratega, diz-se “parte” mas sente-se juiz. O ar professoral com que o Pacheco se dirigiu a André Ventura emulou a figura superior do magistrado ante o agente de ministério.

O argumentário do Pacheco perdeu a sua clareza heteronómica e acabou em onanismo sentimental (coitadinho do pretinho!) acerca da História do colonialismo português. O discurso do Pacheco acerca de Portugal em muito pouco se distingue do do esquerdalho ressabiado do Brasil que ainda hoje (passados séculos) culpa o povo português pelo atraso estrutural brasileiro.

Como bom marxista, o Pacheco não atribui o seu fracasso (e o fracasso da Esquerda) a erros de diagnóstico, mas antes à perversidade dos factos — como escreveu Lenine: “os factos são teimosos”.

É assim que o Pacheco afirmou que ninguém, da Esquerda abrileira, errou — nem Mário Soares nem Álvaro Cunhal erraram em relação à descolonização: a culpa, segundo o Pacheco, foi da perversidade dos factos (os factos teimosos) herdados de Salazar.

O Pacheco culpa o Salazar não só dos crimes do Estado Novo mas também dos crimes perpetrados pela Esquerda depois da revolução abrileira. familia do pacheco 650 web

Na sua relação com o fenómeno revolucionário abrileiro, o esquerdista Pacheco comporta-se como o devoto católico que continua a venerar a relíquia do santo depois de ter a prova da impostura do milagre. Contudo, o Pacheco diz-se “ateu”; é um ateu dogmático.