terça-feira, 16 de julho de 2024

Em bom português, não é brasileiro


“Ontem o Público tinha uma entrevista com Raquel Machaqueiro, a senhora que organizou uma formação "histórias difíceis, legados difíceis", na Fundação Gulbenkian, que pretenderia ensinar os professores de história a ensinar melhor os alunos em matérias relacionadas com a escravidão.”

Henrique Pereira dos Santos

Em português correcto, escreve-se “escravidão” quando nos referimos à condição ontológica ou de experiência subjectiva de um escravo, ou de um alegado escravo.

Quando se fala da condição social, política e cultural objectiva (no sentido de cultura antropológica) de um (alegado / eventual) escravo, escreve-se “escravatura”.

Qualquer dia, entramos, em Portugal, na diglossia própria do Brasil.

domingo, 14 de julho de 2024

Maçonaria é uma forma actualizada de gnosticismo


O livrinho “Pensamento Maçónico de Fernando Pessoa”, de Jorge de Matos (Editora Sete Caminhos), é essencial para se entender como pensa a elite maçónica portuguesa.

A maçonaria é (em juízo universal) anticatólica — mas, o anticatolicismo, entendido apenas e só em si mesmo, não é relevante: o que é relevante é o anticatolicismo (que Fernando Pessoa chama de “Cristismo”, e “igreja romana”) aliado a uma visão prometaica e evolutiva da Natureza Humana, que caracteriza o anticatolicismo maçónico.

Para a maçonaria, a Lógica e a Natureza Humana, “evoluem” — o que é extraordinário!

Fernando Pessoa chama ao catolicismo (e seus fiéis) de “forças involutivas”, por um lado, e por outro lado faz a apologia do protestantismo. Ou seja, a maçonaria é nítida- e claramente (também) uma vergôntea do protestantismo mais radical.

Ademais, há na maçonaria portuguesa uma aversão à ruralidade e à economia agrícola — vem daqui a crítica de Marcelo Rebelo de Sousa a Luís Montenegro, apodando-o de alguém com “comportamentos rurais”: apesar de Luís Montenegro ser membro da maçonaria dita “regular”, é alvo de crítica de Marcelo Rebelo de Sousa por causa do seu perfil não-coetâneo e de repúdio pela ruralidade. Para o maçon que se preze, ser “rural” é pertencer à Idade da Pedra.

A maçonaria detém um misticismo gnóstico (também por isso podemos dizer que a maçonaria é uma religião).

Devemos distinguir o misticismo teísta (catolicismo), o misticismo naturalista (monismos, panteísmo) e o misticismo personalista (gnosticismo, maçonaria): o primeiro, manifesta a experiência da realidade de Deus; o segundo, a experiência da incorrupção do mundo; e o terceiro, a experiência da sempiternidade do Eu.

O misticismo teísta (católico) é incorruptível; mas o misticismo naturalista (monismos) é pervertido em panteísmo, quando a consciência extática identifica o esplendor da criação intacta, por um lado, com o esplendor do próprio Criador, por outro lado; e o misticismo personalista (maçonaria) é pervertido em gnosticismo, quando a consciência egocêntrica identifica a eternidade da alma com a eternidade de Deus (chamado de “Arquitecto”, pelos maçons).

(a continuar, se Deus quiser).

A Verdade que as maçonarias querem proibir

quarta-feira, 10 de julho de 2024

Isabel Moreira




«Todo o indivíduo que desagrade ao intelectual de Esquerda, merece a morte.

Ser esquerdista é crer que os presságios de catástrofe são augúrios de bonança.

O mau humor é uma secreção específica do intelecto de Esquerda.

O esquerdista berra que 'a liberdade perece', quando as suas vítimas se recusam a financiar os seus próprios assassinatos.

O esquerdista vive das genuflexões que são feitas em relação às suas próprias virtudes.

O mundo burguês trata diferentemente os seus inimigos: vomita nos da Direita e absorve os da Esquerda.

Todo o mundo, hoje, é de esquerda. Que alívio!»

(Nicolás Gómez Dávila)

terça-feira, 2 de julho de 2024

A "Direitinha estercorosa" do João Távora


Convenço-me de que o João Távora é uma criatura desprezível. Aliás, já o suspeitava. É desprezível sobretudo porque escreve acerca de coisas de que não sabe, ou faz de conta que não sabe — o que vai dar no mesmo: “em política, o que parece, é”.

Escreve, ele:

«Acho muito salutar que se discuta a “cunha” e as suas potenciais perversidades numa sociedade que se quer igualitária em direitos e deveres – um mito, como sabemos

Ou seja, para aquela criatura, a luta contra a ilegalidade é um mito que decorre de uma qualquer utopia.

É esta "Direitinha estercorosa" (de que o João Távora faz parte) que se opõe ao CHEGA, e que apoia não só as teses da Esquerda mais radical, mas também as da Esquerda maçónica.


Até ao reinado de Dom Pedro II, que foi o precursor do Absolutismo em Portugal, o Rei concedia privilégios a indivíduos depois de consultadas as Cortes. Nunca, em Portugal, deixou de haver privilégios legais e dignitários desses privilégios. Ou seja, esses privilégios eram legais e até legítimos, na medida em que eram sancionados em Cortes.

Os privilégios concedidos pelo Rei poderiam ser retirados a qualquer momento, se se justificasse por qualquer motivo imperioso. Por exemplo, a traição à Pátria era motivo de retirada de privilégios pelas Cortes.


Nem na Idade Média a concessão de privilégios era ilegal. Mas esta gentalha defende a ideia segundo a qual é legítima a concessão de privilégios ilegais (vulgo “cunha”).

Dou um exemplo: até 2007, os professores descontavam para a Caixa Geral de Aposentações, em vez de descontarem para a Segurança Social. Os professores eram, então, objecto de privilégio por parte do Estado, que lhes foi retirado por José Sócrates com o apoio da "Direitinha estercorosa" liberal de que faz parte o João Távora.

À "Direitinha" liberal (PSD + CDS), incomodava-lhes os privilégios legais dos professores: e por isso juntaram-se a José Sócrates para acabar com a Caixa Geral de Aposentações.

O mesmo fenómeno uniu a "Direitinha" liberal (PSD + CDS) contra o sistema de saúde ADSE que concede privilégios legais (nomeadamente) aos professores. A ADSE tem os seus dias contados, em nome do igualitarismo ilegalista da "Direitinha estercorosa".

Ou seja, a "Direitinha estercorosa" é contra os privilégios legais, e a favor dos privilégios ilegais.

domingo, 30 de junho de 2024

O fim anunciado do CHEGA

A esmagadora maioria dos votantes do CHEGA é a favor da existência da Ucrânia como país independente, e é contra a invasão militar da Ucrânia pela Rússia de Putin.

Viktor Órban, o primeiro-ministro da Hungria, tem uma posição exactamente contrária à da maioria dos votantes do CHEGA: é contra a existência da Ucrânia como país independente, e é a favor da invasão de Putin, de quem é amigo pessoal.

André Ventura, defende agora a entrada do CHEGA em um novo grupo europeu organizado pelo Viktor Órban. Da minha parte, deixo de votar no CHEGA.

Se considerarmos que a oposição política ao CHEGA irá utilizar o argumento “Viktor Órban é amigo de Putin” para criticar André Ventura, estamos perante o fim anunciado do CHEGA.

Um erro crasso de André Ventura.