O substantivo e/ou adjectivo “estética” provém da palavra grega “aisthètikos” que significa “aquilo que os nossos sentidos podem captar”. Por isso, reduzir a estética à obra de arte (humana) — como faz aqui o Clive Bell — é de uma estupidez atroz.
O fundamento da estética não é a criação artística do Homem, que apenas cria arte em função de uma base estética pré-existente na Natureza. A estética refere-se à Beleza em todas as acepções do termo, e a arte é apenas um epifenómeno da Natureza.
Por exemplo, a espiral de Fi (ou espiral áurea) pré-existe conceptualmente na Natureza através da espiral de Fibonacci, e é uma curva geométrica simbolizada pela letra grega phi (ϕ ≈ 1,618): trata-se de uma espiral logarítmica que se expande por um factor de ϕ a cada quarto de volta (90º). Nada disto foi inventado ou criado pelo ser humano.
Metaforicamente: tenham em conta as três cores primárias existentes na Natureza: o azul, o vermelho e o amarelo. A partir destas três cores pré-existentes, centenas de milhares (senão milhões) de outras cores podem ser criadas. A arte é (isto é uma metáfora) a criação de muitos milhares de cores (formas) por parte do ser humano; mas as cores primárias são (metaforicamente) o fundamento natural da arte (humana).
A separação da obra de arte da sua relação com a Natureza foi introduzida por Hegel; basta este facto para “estarmos conversados”. O Romantismo, enquanto corrente ideológica, foi o pior que poderia ter acontecido à cultura ocidental.
Hegel introduziu a “morte” da arte quando decretou a “ascensão da arte” a praticamente toda a actividade humana. Segundo Hegel, a Natureza nem é bela nem é feia — o que causou todo um historial de aberrações conceptuais como, por exemplo, a de Jean-Paul Sartre que escreveu que “o real nunca é belo”; ou a frase de Paul Valery: “a estética não existe”.
É dentro deste contexto hegeliano que se desenvolveu a corrente do Estudo das Formas em si mesmas (por exemplo, Clive Bell, Wolffin, Panofsky) e (em oposição) a corrente do relacionamento da arte com o seu criador/artista e com a História (por exemplo, os estetas marxistas). Ambas as correntes são vergônteas de Hegel.
Os crimes perpetrados pela Esquerda são atribuídos aos seus adversários por gentalha esquerdóide como Isabel Moreira que nunca atribui o seu fracasso aos seus erros de diagnóstico, mas antes à putativa perversidade dos factos (a culpa ou é dos outros, ou então é da Realidade).