Circula, entre os me®dia, a ideia segundo a qual os Estados Unidos não devem atacar alvos civis no Irão — por exemplo, pontes, centrais eléctricas, etc. — alegadamente porque esses ataques constituem “crimes de guerra”.
Temos aqui montado um argumento sinistro transformado em lei internacional, porque o que distingue as duas (ou mais) facções de uma guerra é o de saber quem se defende (legítima defesa), por um lado, e quem pretende ocupar território sem legitimidade necessária para o fazer (“legitimidade” não é necessariamente “legalidade”), por outro lado.
O argumento de “não atacar alvos civis” retira, a quem se defende, os meios necessários para ter sucesso.
Na II Guerra Mundial, os aliados — Estados Unidos, Reino Unido, Canadá, Austrália — só tiveram sucesso porque destruíram cidades alemãs inteiras, como foi o caso de Dresden que ficou em ruínas; Hamburgo foi bombardeada até à Idade da Pedra, e a monumental catedral da cidade de Colónia só escapou por mero acaso porque chegou a ser atacada.
Durante a II Guerra Mundial, ninguém pensou que “atacar alvos civis” era coisa ilegal ou desnecessária.
Porém, uma coisa é “atacar alvos civis”; outra coisa é “atacar civis”.
“Alvos civis” são infra-estruturas, paredes, muros, pontes, etc. ; “civis” são seres humanos. Convém não confundir as duas coisas.
A pergunta que se faz é a seguinte: ¿os Estados Unidos pretendem ocupar (fisicamente) o território do Irão? A resposta é não. Os Estados Unidos apenas pretendem que o regime totalitário do Irão não disponha de uma arma nuclear; e neste contexto é legítimo o ataque dos Estados Unidos a infra-estruturas iranianas (o que não significa “ataque a pessoas”).
Há quem seja estúpido o suficiente para fazer comparações estúpidas — como por exemplo: “os russos também atacam infra-estruturas ucranianas”. Só um estúpido congemina uma comparação destas.
Em primeiro lugar, os russos atacam propositadamente hospitais ucranianos. Sublinho propositadamente, porque numa guerra podem sempre existir “danos colaterais” que matem gente. Depois, os russos atacam propositadamente edifícios de habitação urbana — não se trata aqui de ataque a infra-estruturas, mas de ataques directos contra pessoas. E, por último, a Rússia conduz uma guerra de agressão ilegítima de ocupação de território alheio, na linha do que Alemanha nazi fez em relação à Polónia, à Chéquia, à Bélgica, Dinamarca e França.
A Rússia é hoje o que de mais parecido temos com a Alemanha nazi.
