Desde o inicio da década de 1980 que prevaleceu em Portugal a valorização do político que “rouba mas faz obra”.
Eu ouvi muitas vezes o dito popularucho do “ele rouba mas faz obra” — referindo-se a um qualquer político.
Era tacitamente permitido ao político roubar em pequenas coisas (ao estilo de Luís Neves) em determinadas condições, e a própria fiscalização policial e judicial era propositadamente relaxada.
Era o tempo em o Tuga roubava bicicletas em Amesterdão; mas esse tempo acabou — com excepção do actual político que “rouba meia dúzia de sulipas, mas faz obra”.
Com a golpada de José Sócrates, a mentalidade da maioria do povo mudou — mas o Luís Monta-o-negro não se deu conta da mudança.
José Sócrates não se contentou com pequenos roubos: deu uma golpada de milhões de Euros no Estado. E o povo acordou: com José Sócrates, já não se tratava de roubar bicicletas ou sulipas como acontecia até aí, mas a classe política passou a entrar numa de “desbundar” com o património do Estado.
A recente eleição de Isaltino Morais (2021) para presidente da Câmara Municipal de Oeiras veio revelar que o povo ainda premeia o político “ladrão mas que faz obra”.
E, em geral, a classe política aplaudiu a eleição de Isaltino Morais, porque esta veio revelar que o caso de José Sócrates tinha caído no esquecimento ou sido desvalorizado por uma parte do povo: afinal, continua a ser legitimado que o político “roube mas faça obra”.
Luís Monta-o-negro representa a continuidade da mentalidade da classe política que se norteia pelo princípio do “ele rouba, mas faz obra”.
Por detrás de Luís Monta-o-negro está a maçonaria que coordena o sistema de privilégios políticos à margem da lei.
Assim como, nas empresas, existe um organograma oficial (para inglês ver) e outro real (que é o que realmente conta), também em Portugal existe um sistema de privilégios políticos oficial, e outro real que está à margem da lei escrita: o sistema de privilégios real é uma tradição do sistema político vigente que extrapola a lei escrita. Esse sistema real (não legal) de privilégios é controlado pela maçonaria.
Por isso é que o Luís Neves é protegido pelo Partido Socialista de José Luís Carneiro e pelo PSD de Luís Monta-o-negro: o respeitinho dos partidos políticos pela maçonaria é coisa linda.
O Luís Neves é o arquétipo do político que rouba sulipas mas que ajuda os maiorais nepotistas a fugir ao fisco e a roubar prolificamente.
Os ladrões de bicicletas acabaram em Amesterdão, mas os ladrões de sulipas continuam em Portugal com o beneplácito da maçonaria. Mas não perdem pela demora: chegará o momento do ajuste de contas — tão certo como o destino.


