terça-feira, 14 de abril de 2026

A troca de mimos entre André Ventura e José Pacheco Pereira

Falar de José Pacheco Pereira é-me penoso, por uma questão de vergonha alheia.

Não me esqueço, por exemplo, que o Pacheco escreveu que “o marxismo cultural não existe” — quando um dos expoentes máximos da Escola de Frankfurt, o alemão Habermas recentemente falecido, escreveu exactamente o contrário. Ou seja, parece que o Pacheco sabe mais acerca da Escola de Frankfurt do que o próprio Habermas saberia.

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O Pacheco foi, desde 1974, sendo apaparicado pela elite política de Esquerda que malgovernou este país pelo menos até final da década de 1980, e tornou-se em uma espécie de “símbolo de resgate ideológico” da Esquerda, em uma luminária feita às canhas com uma arrazoação modelar e sistémica (a cassete).

Todo o “intelectual” esquerdista vive das genuflexões da elite política em relação às suas próprias virtudes.

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Separar o Pacheco e o maoísmo foi um esforço “inconseguido” de uma vida inteira.

O esquerdista que se preze grita que “a liberdade perece!” quando as suas vítimas recusam-se a financiar o seu próprio assassinato. O fenómeno do partido CHEGA passou ao Pacheco a ideia segundo a qual “as vítimas recusam-se a morrer”. Ora, esta recusa da morte é, para o Pacheco, inadmissível. Seria suposto que os “fassistas” / vítimas morressem com alegria...

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No debate com André Ventura, o esquerdista José Pacheco Pereira demonstrou que consegue refutar uma opinião acusando o seu adversário de “imoralidade”. Claro que o André Ventura respondeu-lhe na mesma moeda.

O José Pacheco Pereira, como todo o esquerdista estratega, diz-se “parte” mas sente-se juiz. O ar professoral com que o Pacheco se dirigiu a André Ventura emulou a figura superior do magistrado ante o agente de ministério.

O argumentário do Pacheco perdeu a sua clareza heteronómica e acabou em onanismo sentimental (coitadinho do pretinho!) acerca da História do colonialismo português. O discurso do Pacheco acerca de Portugal em muito pouco se distingue do do esquerdalho ressabiado do Brasil que ainda hoje (passados séculos) culpa o povo português pelo atraso estrutural brasileiro.

Como bom marxista, o Pacheco não atribui o seu fracasso (e o fracasso da Esquerda) a erros de diagnóstico, mas antes à perversidade dos factos — como escreveu Lenine: “os factos são teimosos”.

É assim que o Pacheco afirmou que ninguém, da Esquerda abrileira, errou — nem Mário Soares nem Álvaro Cunhal erraram em relação à descolonização: a culpa, segundo o Pacheco, foi da perversidade dos factos (os factos teimosos) herdados de Salazar.

O Pacheco culpa o Salazar não só dos crimes do Estado Novo mas também dos crimes perpetrados pela Esquerda depois da revolução abrileira. familia do pacheco 650 web

Na sua relação com o fenómeno revolucionário abrileiro, o esquerdista Pacheco comporta-se como o devoto católico que continua a venerar a relíquia do santo depois de ter a prova da impostura do milagre. Contudo, o Pacheco diz-se “ateu”; é um ateu dogmático.

terça-feira, 7 de abril de 2026

O carro eléctrico e o jornalismo mercenário

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Está montada a maior fraude ao consumidor europeu de que há memória, que pretende (essencialmente) duas coisas: a sinificação da Europa, e a limitação de liberdade de locomoção do cidadão.

O argumento segundo o qual “o carro eléctrico é mais ecológico” faz parte da maior vigarice que as elites incutiram no povo. O processo de fabrico do carro eléctrico (desde a produção das baterias) é extremamente poluente.

O único argumento válido e a favor do carro eléctrico é o incremento da autonomia em relação Médio Oriente e aos seus produtos petrolíferos — mas, ainda assim, não podemos dispensar o diesel: imaginem, por absurdo, um camião TIR com baterias eléctricas, carregado com 20 toneladas de mercadorias, a viajar 2.000 quilómetros por essa Europa fora... uma viagem Lisboa / Copenhaga demoraria, no mínimo, 20 dias... ou um avião eléctrico de passageiros a fazer a viagem Sidney / Nova Iorque...

A notícia acima é própria de um jornalismo fraudulento, e de jornalistas vigaristas e mercenários (a maioria deles), inimigos do povo — desde logo porque ignora o mercado de automóveis usados que são esmagadoramente de motores a combustão. E isto até faz sentido, porque o carro eléctrico não terá jamais um mercado de usados que seja digno desse nome.

O carro eléctrico é automóvel de rico: ao fim de 7 anos (no máximo), deita fora o carro e compra um novo; ou então substitui as baterias exaustas, o que vai dar praticamente no mesmo.

Em contraponto, um carro com motor a diesel pode durar décadas (eu falo por experiência própria). Por exemplo, o Volkswagen Golf TDi dura há 25 anos, sem problemas. Esta é a principal razão por que os fabricantes de automóveis querem acabar com os motores a diesel: os carros a diesel não são bom negócio para os fabricantes cada vez mais ávidos de lucros — o carro a diesel é inimigo da obsolescência programada.

Quem ler aquela parangona e não viver em Portugal, pode pensar que 70% dos carros em circulação em Portugal são eléctricos. A parangona é mentirosa, própria do jornalismo de merda que temos.

Por outro lado, as marcas europeias de automóveis já não vendem carros com motores diesel, e já estão a limitar a produção de carros com motores a gasolina — isto é, a indústria automóvel obedece à ideologia da actual política que pretende a sinificação da Europa e a limitação da liberdade de circulação dos cidadãos.

Se 70% de carros novos vendidos em Portugal são eléctricos, é porque já não se vendem carros novos com motores a combustão, porque estes desapareceram (propositadamente) do mercado de carros novos.

E isto significa que, dentro de poucos anos, apenas as elites económicas poderão ter automóvel privado — e é isto que a elite política (de Esquerda, acolitadas pela maçonaria) pretendem: transformar a Europa numa espécie China, com câmaras de vigilância a cada esquina, com “Cidades 15 Minutos” e limitação drástica de locomoção em automóvel privado.

sábado, 4 de abril de 2026

O fundamento natural da estética

O substantivo e/ou adjectivo “estética” provém da palavra grega “aisthètikos” que significa “aquilo que os nossos sentidos podem captar”. Por isso, reduzir a estética à obra de arte (humana) — como faz aqui o Clive Bell — é de uma estupidez atroz.

O fundamento da estética não é a criação artística do Homem, que apenas cria arte em função de uma base estética pré-existente na Natureza. A estética refere-se à Beleza em todas as acepções do termo, e a arte é apenas um epifenómeno da Natureza.

Por exemplo, a espiral de Fi (ou espiral áurea) pré-existe conceptualmente na Natureza através da espiral de Fibonacci, e é uma curva geométrica simbolizada pela letra grega phi (ϕ ≈ 1,618): trata-se de uma espiral logarítmica que se expande por um factor de ϕ a cada quarto de volta (90º). Nada disto foi inventado ou criado pelo ser humano.

Metaforicamente: tenham em conta as três cores primárias existentes na Natureza: o azul, o vermelho e o amarelo. A partir destas três cores pré-existentes, centenas de milhares (senão milhões) de outras cores podem ser criadas. A arte é (isto é uma metáfora) a criação de muitos milhares de cores (formas) por parte do ser humano; mas as cores primárias são (metaforicamente) o fundamento natural da arte (humana).

A separação da obra de arte da sua relação com a Natureza foi introduzida por Hegel; basta este facto para “estarmos conversados”. O Romantismo, enquanto corrente ideológica, foi o pior que poderia ter acontecido à cultura ocidental.

Hegel introduziu a “morte” da arte quando decretou a “ascensão da arte” a praticamente toda a actividade humana. Segundo Hegel, a Natureza nem é bela nem é feia — o que causou todo um historial de aberrações conceptuais como, por exemplo, a de Jean-Paul Sartre que escreveu que “o real nunca é belo”; ou a frase de Paul Valery: “a estética não existe”.

É dentro deste contexto hegeliano que se desenvolveu a corrente do Estudo das Formas em si mesmas (por exemplo, Clive Bell, Wolffin, Panofsky) e (em oposição) a corrente do relacionamento da arte com o seu criador/artista e com a História (por exemplo, os estetas marxistas). Ambas as correntes são vergônteas de Hegel.

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Os burrinhos da Direita apoiam Trump incondicionalmente

Existe uma certa Direita dos Burrinhos que são os idiotas úteis de Donald Trump. São os Burrinhos da Direita que tiram proveito dos fundos da União Europeia e, simultaneamente e seguindo as directrizes do mestre Trump, dizem que a União Europeia é uma merda.

São os burrinhos que cospem na sopa que lhes oferecem.

Donald Trump odeia a União Europeia; mas não só: infelizmente, a maioria dos republicanos americanos (por exemplo, John Bolton) odeia a União Europeia. Mas uma coisa é odiar a União Europeia; outra coisa é trabalhar diária- e afanosamente para a destruir (como faz Donald Trump).

Donald Trump já afirmou publicamente, várias vezes, que “a União Europeia foi formada para f*der os Estados Unidos” (sic). O ódio de Trump à União Europeia é visceral.

A concepção que Donald Trump tem do mundo é de Soma Zero: o bem de que possa usufruir qualquer país, ou grupo de países, traduz-se sempre e invariavelmente em mal para Estados Unidos.

Para Donald Trump, quando outros países estão bem, isso é mau para os Estados Unidos que devem sempre trabalhar para o mal dos outros. O mote de Donald Trump não é “com o mal dos outros posso eu bem”; o mote dele é “só estou bem com o mal dos outros”.

Ora, é este mundo de Soma Zero que os Burrinhos da Direita (ou a Direita dos Burrinhos) adopta. São os mesmos Burrinhos da Direita que defendem a ideia segundo a qual os europeus devem perder a dignidade e ser emasculados para assim agradar a Donald Trump.

A Direita dos Burrinhos é aquela que compõe uma determinada percentagem da base eleitoral do CHEGA.

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Discurso de André Ventura a propósito da Constituição de 1976

Eu era adolescente quando a Constituição de 1976 congeminou o PREC [Processo Revolucionário em Curso]. Ainda assim, sou testemunha viva de que o que André Ventura diz, no seu discurso, é verdadeiro.

Com esta Constituição, passámos de uma ditadura para uma ameaça séria de implantação de um regime totalitário que, por definição, conseguiria ser pior do que a ditadura do Estado Novo.

Após várias revisões / remendos politicamente correctos, a Constituição de 1976 manteve contudo os seus traços anti-liberdade, até aos nossos dias. Vai ser preciso rever esta Constituição, extirpando dela as influências e componentes “totalitarizantes”.


terça-feira, 31 de março de 2026

O CHEGA exige a expulsão do embaixador do Irão


CHEGA EXIGE EXPULSÃO DO EMBAIXADOR IRANIANO DE PORTUGAL

A repressão dos protestos no Irão chegou ao Parlamento português. O CHEGA apresentou uma proposta que recomenda ao Governo a expulsão do embaixador iraniano em Portugal, acusando o regime de Teerão de violar direitos fundamentais e reprimir violentamente manifestações pró-democracia.”

Porém, eu nunca vi, da parte do CHEGA, a defesa da expulsão (por exemplo) do embaixador da Rússia — o embaixador do regime de Putin que ameaça militarmente os países vizinhos (não só invadiu a Ucrânia, mas ameaça militarmente os países bálticos e a própria Finlândia) e a União Europeia em geral.

Parece que, para o CHEGA, há dois tipos de ditaduras: a ditadura má (Irão) e a ditadura boa (Rússia).

Eu não consigo perceber uma certa Direita que adula o regime de Putin — a Direita comandada por Donald Trump e Viktor Órban, com extensão ao VOX espanhol e a Marine Le Pen em França.

Não é uma Direita conservadora: em vez disso, é uma Direita revolucionária (ver mente revolucionária).

Para aturar o comissário Tiago Freitas, é preciso paciência de chinês


S. Tomás de Aquino escreveu que “não devemos respeitar quem não merece respeito”; mas um tal Tiago Freitas — que, aparentemente, mete o Santo numa algibeira — diz-nos que devemos não só respeitar, mas também demonstrar reverência em relação a gente desprovida de bom-senso.

Na questão da Ideologia de Género (e na lei dos “transgéneros”), as posições da Esquerda (e da Isabel Moreira, por exemplo) são, a todos os níveis, indefensáveis.

Vai daí, o Freitas faz um “spin-off” (“dá a volta ao texto”): diz ele que a maluquice da Ideologia de Género não está apenas na Esquerda, mas está também em quem critica as posições da Esquerda em matéria de “identidade de género” — trata-se da aplicação da falácia lógica "Tu Quoque": a melhor forma de anular o valor de uma crítica é dizer que quem critica também não tem razão.

“Nesse domínio , a sugestão de Isabel Moreira de que aqueles que aprovaram a alteração da lei de 2018, e por essa razão, são cúmplices retroactivos da morte de Gisberta, é de um capciosismo intelectual raramente visto, e que merecia outra censura pública.

Do outro [da Direita], um discurso trocista, que reduz vidas humanas a cromossomas, piadas sobre “XX e XY” ou comentários de mau gosto sobre corpos e parte da fisionomia humana.

Ambos os lados falham o essencial: o respeito.”

Convém dizer que a palavra “capciocismo” não existe no dicionário de Língua Portuguesa. Existe, outrossim, a palavra “capciosidade” que deveria ter sito utilizada em seu lugar.

Este tipo de "spin-off”, que atenua a crítica ao Delírio Interpretativo próprio da Esquerda mediante a extensão, à Direita, da “culpa” (“são todos culpados”), é próprio dos comissários do Totalitarismo de Veludo que actuam nos me®dia — por exemplo, o Freitas, o Daniel Oliveira, Clara Ferreira Alves, Pedro Marques Lopes, etc. —, que se encarregam de universalizar a merda produzida pela Esquerda, por um lado (por exemplo, quando o Daniel Oliveira dizia que o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista eram “partidos da social-democracia”), e por outro lado atacar a Direita mesmo quando esta tem razão mediante uma qualquer Falsa Dicotomia e do sofisma "Tu Quoque".

Se o Imperador Calígula vivesse hoje, o Freitas diria que ele mereceria respeito em nome da “complexidade”.

A “complexidade” é a palavra mágica que resgata a psicose de Esquerda. A “complexidade” significa, aqui, a intelectualização da maluqueira: “não devemos criticar o maluco porque ele é complexo”.

Escreve, o Freitas:

“No desporto, por exemplo, a questão da equidade não pode ser ignorada: diferenças biológicas são reais e relevantes.

Já em contextos como concursos de beleza, onde não existe essa vantagem estrutural, a participação de mulheres trans não levanta o mesmo tipo de problema, podendo até ser motivo de reconhecimento. No fundo, o problema não está na diversidade. Está na incapacidade de a discutir com nuance.”

Reparem como o comissário Freitas começa por aplicar o termo auto-contraditório “mulheres trans”, que desafia o Princípio de Identidade — princípio fundamental segundo o qual uma mesma proposição não pode ser, ao mesmo tempo, verdadeira e falsa e sob a mesma relação, e enuncia-se: A = A.

Uma mesma pessoa não pode ter cromossomas XX e cromossomas XY. A proposição “mulheres trans” é uma contradição em termos.

Por outro lado, o comissário Freitas extirpa, da beleza, a genuinidade que é própria e é intrínseca da beleza. Seria como se o Freitas comparasse uma flor de plástico com uma flor natural, e dissesse que têm o mesmo valor.

Aquilo que é genuíno tem sempre mais valor do que o que é artificial. Como bom esquerdóide, o comissário Freitas menospreza a Natureza, em geral, e a Natureza Humana em particular.

O "spin-off” do comissário Freitas pretende justificar o absurdo da Ideologia de Género, mas alternativamente de uma forma mais “complexa”. Pretende salvar as aparências, está em missão de resgate das Isabéis Moreiras deste país.