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domingo, 19 de abril de 2026

O Tiago Freitas e a generalização da culpa

O senhor Tiago Freitas escreveu isto no intróito de um seu texto:

“Durante anos vivemos sob o que muitos apelidaram de “opressão woke”. Seguiu-se uma reacção que começou por ser higiénica, mas que rapidamente resvalou para um contrawokismo excessivo, por vezes boçal. O resultado? Um barómetro reputacional completamente desalinhado, onde o que é “bom” ou “aceitável” varia consoante o campo ideológico. Ainda assim, há sinais que atravessam essas trincheiras.”

Vamos tentar “descodificar” (laborar em um pequeno exercício de hermenêutica freudiana) este pequeno trecho do senhor Freitas — por exemplo, o que significa «um barómetro reputacional completamente desalinhado, onde o que é “bom” ou “aceitável” varia consoante o campo ideológico».

Repare-se como o Freitas atribui a responsabilidade do “desalinhamento do barómetro” ideológico igualmente aos “wokistas” e aos “contrawokistas” — o senhor Tiago Freitas gosta de estar em cima do muro; ou, como dizia Ivone Silva: “com um vestido preto, não me comprometo”. O senhor Freitas faz o possível por não se comprometer, como bom comissário político do Totalitarismo de Veludo que é. douglas murray-marxismo cultural web

O senhor Freitas tira partido da alienação do público em geral, quando dá a entender aos seus leitores que o Wokismo é uma coisa que caiu do céu, sem qualquer nexo causal ideológico e histórico, e que os contrawokistas são uma espécie de toscos intelectuais que também e igualmente contribuem para o “desalinhamento do barómetro reputacional” e ideológico.

“Wokistas” e “contrawokistas” são (implicitamente e segundo o senhor Freitas) igualmente culpados pelas guerras culturais e pelos desalinhamentos ideológicos e axiológicos.

Para o senhor Freitas, o Wokismo não tem nada a ver com Lukacs; e sobretudo não tem nada a ver com o italiano Gramsci. O Wokismo caiu do céu, foi (implicitamente) uma invenção da Mariana Mortágua ou das universidades americanas. Para o senhor Freitas — na esteira da opinião “objectiva” do José Pacheco Pereira —, dizer que o Wokismo tem alguma coisa a ver com a Escola de Frankfurt (por exemplo, Marcuse e a sua “tolerância repressiva”; ou Theodore Adorno) é uma flagrante Teoria da Conspiração.

Para o senhor Freitas, assim como para o “intelectualíssimo” José Pacheco Pereira, a Utopia Negativa não existiu: é uma invenção dos “fassistas”.

Mas o Freitas iria mais longe: afirmar que os pós-modernistas, aka desconstrutivistas, ou pós-estruturalistas (por exemplo, Jean-François Lyotard, Deleuze, Foucault, Derrida, etc.) têm alguma coisa a ver com o Wokismo, só pode vir da cabeça de um maluco (como eu). Por isso, eu sou tão culpado pelo “desalinhamento do barómetro” ideológico quanto o é a Mariana Mortágua. Somos todos culpados.

A generalização da culpa só pode servir para a trivializar: podemos sentir-nos exonerados de culpa se não somos mais responsáveis do que os outros. É isto que o comissário Freitas pretende: generalizar a culpa.

sexta-feira, 13 de março de 2026

Diogo Faro, o grande macho

“Boa parte dos homens, quando perguntados sobre que mulheres admiram, não conseguem nomear nenhuma para além das que fazem parte do círculo familiar.

Creio até haver machos tão machos que nem a própria mãe admiram, e que acham que tudo o que a senhora faz não é mais do que sua obrigação (incluindo fazer-lhes as marmitas todos os dias, apesar de já terem 40 biscas).

Quer dizer, claro que estes machos, incríveis portentos de macheza que são, conseguem nomear uma data de mulheres porque “são mesmo boas” e conseguem admirar os seus corpos, não conseguem é admirá-las para lá do binómio supra intelectual mamas – cu.”

Diogo Faro, o grande macho

diogo-faro-web

sábado, 7 de março de 2026

A indignação do liberal Henrique Pereira dos Santos com a falta de “liberdade de contratação”


Trabalhei numa empresa têxtil na década de 1980 cujo patrão tinha muitas estórias contadas pelos empregados mais antigos. Um exemplo de uma estória recorrente que me contaram: a do felatio (vulgo “broche”) como castigo para as operárias.

Foi admitida uma nova operária, “boa como o milho”, casada e com filhos; e, vai daí, o patrão deu ordens ao senhor Brites, que era o chefe de produção: “Ó Brites!, castiga-a!”.Mas castigo-a por que razão?”, retorquiu o Brites. “Inventa qualquer razão!” — responde o patrão.

Assim, o Brites castigou a operária “boa como o milho” por “dá cá aquela palha” com uma suspensão e ameaça de perda do posto de trabalho; mas o patrão, magnânimo e benevolente, mandou chamar a operária ao seu gabinete para uma entrevista para se evitar o despedimento.

Era aí que o patrão confrontava a operária “boa como o milho”: “ou me fazes um broche, ou és despedida”. Naturalmente que a operária tinha uma família, marido, e filhos para sustentar.

É este tipo de Portugal que os liberais, o PSD e o CDS de Henrique Pereira dos Santos muito subliminarmente defendem. E como o CHEGA se opõe à decadência moral do patronato em nome de uma putativa “liberdade de contratação”, o Henrique Pereira dos Santos indigna-se.

sábado, 20 de dezembro de 2025

A Direitinha Educadinha ou os “católicos” do papa Chico

OJoão Távora é um exemplo da Direitinha Educadinha que marcou o consulado da Assunção Cristas no CDS.

É aquela "Direitinha" que não diz “caralho” para não ser malcriada. É a "Direitinha" da Linha de Cascais que nega concordar com a visão económica do Cotrim, porque lhe fica mal: afinal, o papa Chico discordava do Cotrim apenas na área da economia; em tudo o resto, estavam de acordo.

Quando penso na Assunção Cristas fico com os cabelos em pé.

Não me esqueço que a Isabel Moreira (Partido Socialista) mandava calar a Assunção e esta vinha logo a terreiro pedir desculpa por ter falado. É esta, a "Direitinha" da Assunção Cristas e do João Távora: vomita para cima dos da Direita propriamente dita, e absorve e recupera os da Esquerda.

Na esteira da "Direitinha" politicamente correcta da Assunção Cristas (e da "Direitinha" paneleira de Paulo Portas e de Adolfo Mesquita Nunes), João Távora pretende obliterar o CHEGA — não vá a Esquerda ficar chateada com ele, e mandá-lo calar.

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Pedro Neto, o esquerdoido da Amnistia Internacional, critica Cristiano Ronaldo


O esquerdoido Pedro Neto, ex-director (em Portugal) da esquerdopata Amnistia Internacional, criticou (hoje, na rádio TSF) o Cristiano Ronaldo por este ter sido recebido na Casa Branca por Donald Trump.

O esquerdoido enfatizou que não gosta de Donald Trump, mas não explicou por quê: não gosta dele, e pronto! E por isso, as pessoas que gostam das pessoas que o esquerdoido não gosta devem ser criticadas por terem liberdade de gostar de quem quiserem.

Ou seja, o mote do esquerdalho é o seguinte:

“Se pensas que pensas, pensas mal; quem pensa por ti é o comité central”.

O pensamento da esquerdalha pós-estruturalista (ou Pós-modernista) é (maioritariamente) dogmático.

Eu fiz aqui (no blogue) fortes críticas a Donald Trump, mas isso não significa que eu considere Donald Trump pior presidente do que foi Joe Biden.

As minhas críticas, a um e a outro, são objectivas; e apesar das minhas críticas a Donald Trump (por exemplo, o culto da personalidade, a política de apoio ao imperialismo russo e à guerra putinista) — ainda assim considero que Joe Biden foi muito pior presidente do que é Donald Trump, por exemplo, quando aquele fomentou a Ideologia de Género nas escolas americanas, e apoiou claramente a violência racista e comunista da Antifa e do Black Lives Matter.

A minha crítica a Donald Trump é objectiva; a crítica do esquerdoido Pedro Neto a Donald Trump e ao Cristiano Ronaldo é puritana, dogmática e ideológica.

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Um filho-de-puta chamado Pedro Almeida Vieira

grunho vieira web

O ADN mitocondrial do Vieira revelaria certamente uma ascendência bordeleira, na medida em que a sequência do seu (dele) ADN-Y multigeracional seria interrompido a cada geração, desde a Idade da Pedra — o que faz da sucessão milenar do seu ADN-Y uma característica de grunhos existenciais.

Para o Vieira, ser descendente de grunhos, por um lado, e descendente sistémico de mulheres de alcouce, por outro lado, é uma característica familiar atávica, é uma tradição que vem de longe.

E vem daí a necessidade de projecção (em relação a outrem) da sua (dele) própria condição ontológica. Um grunho de lupanar nunca gosta de estar só, e por isso projecta a sua condição de “grunho” em relação a outrem.

Nota: já estou arrependido de ter doado dinheiro para o Página Um. Um jornal não é um blogue.

domingo, 26 de outubro de 2025

Filipe Santos Costa, o Rabeta do Trombeta


Existe, na rua do Trombeta em Lisboa, uma sauna “gay” frequentada pelo rabeta Filipe Santos Costa, melhor conhecido pelo Rabeta do Trombeta.

Como afirmou o Álvaro Cunhal em uma entrevista para a RTP com Carlos Cruz: “é uma coisa muito triste” um rabeta entrar numa sauna gay para “bater scóvias” a indivíduos que ele nunca viu e nem sabe quem são!
A que ponto chega o Rabeta do Trombeta!

E é este Rabeta do Trombeta que diz que os votantes do CHEGA são “labregos” e “batem nas mulheres”...!

Sempre que a CNN lhe dá acoito, o Rabeta do Trombeta parece sempre deprimido, desgostoso e até próximo do suicídio — mas é normal que a maioria dos "gays" esteja deprimida e desgostosa: eu sentir-me-ia exactamente da mesma forma se tivesse de chupar machos, “bater scóvias” no Trombeta ou ser enrabado algumas vezes por semana!

“Quando a perversão se transforma em convenção, surge a ilusão da familiaridade”.

→ (G. K. Chesterton)

domingo, 5 de outubro de 2025

As Siglas BCE e CE : a estupidez do laicismo cultural esquerdóide e globalista


Em nome do “ateísmo científico” (positivismo), por um lado, e em nome também do relativismo cultural (“todas as culturas são iguais”, dizem eles), por outro lado, a elite ocidental globalista esquerdóide substituiu a sigla “a.C.” (antes de Cristo) pela sigla BCE (Before Common Era), e em vez da sigla d.C. (depois de Cristo) usam agora a sigla CE (Common Era).

Porém, em termos práticos, nada mudou: as siglas substitutas significam exactamente o mesmo que as siglas substituídas — porque o marco temporal de referência nos dois casos é exactamente o mesmo: o nascimento de Jesus Cristo.

Ora, se a significância simbólica é a mesma, ¿por que razão os intelijumentos mudaram apenas as siglas dos símbolos?

Seria como se eu começasse a chamar a um “pau” de “Lazdelė” — sendo que “Lazdelė” significa “pau” na língua lituana.

“Lazdelė” e “pau” têm o mesmo significado / representado. Agora imaginem que a elite portuguesa, em vez de “pau”, começava a usar o termo “Lazdelė” em nome de um qualquer sacrifício cultural considerado proeminente.

Por exemplo: “atirei o pau ao gato” passaria a ser “atirei o Lazdelė ao gato”.

Neste caso, o representado é o mesmo (o felino): o que muda é o símbolo (o nome do pedaço de madeira) — o que é um perfeito absurdo, porque normalmente o representado desaparece quando o símbolo muda ou se desvanece; a não ser que não se trate de um símbolo, mas apenas de um sinal que pode ser mudado, porque os sinais são escolhidos arbitrariamente (por exemplo, os sinais de trânsito).

Um símbolo nunca se muda, porque isso resultaria também na dissolução do seu significado / representado; em contraponto, um sinal pode ser mudado mantendo-se o seu significado anterior.

As siglas “a.C” e “d.C” são símbolos; as novas siglas “CE” e “BCE” são sinais que se referem aos símbolos que os estúpidos laicistas pretendem fazer desaparecer ao mesmo tempo que os invocam sistematicamente.

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

1/3 dos russos não tem cagadeira em casa

Alguém escreveu aqui o seguinte, acerca da morte de Iryna Zarustka:

russos sem cagadeira

Para este opinante, a Rússia é um país mais desenvolvido do que os Estados Unidos.


Ora, acontece que cerca de 30% dos russos não tem cagadeira em casa — ou vão cagar a uma casinha fora de casa com um buraco no chão (sem saneamento básico), ou vão cagar ao monte entre o milho (com o ar puro que faz muito bem à saúde).

Por aqui vemos como a a ideologia deforma a mente humana, cristalizando o cérebro no sistema ortorrômbico ou triclínico. Para a ideologia, os factos não têm qualquer relevância.

Nos Estados Unidos temos os sem-abrigo que também cagam nas ruas das cidades (principalmente em São Francisco e Los Angeles), mas aqui é menos um problema económico do que um problema cultural (drogas, por exemplo). Ademais, os sem-abrigo americanos estão muito longe dos 30% da população do país.

sábado, 16 de agosto de 2025

O pensamento silogístico e científico da SIC Notícias acerca de Pinto Balsemão




Para o canal SIC Notícias, “quando não se prova que uma informação é falsa, então deve-se concluir que essa informação é verdadeira”.

Por exemplo: eu recebo a informação de que o Pinto Balsemão é um grandessíssimo filho-de-p*ta.

Ora, e segundo a SIC Notícias, se não se provar que esta informação recebida seja falsa, então devemos inferir que essa informação é verdadeira.

Aristóteles não diria melhor.

A conclusão silogística e científica da SIC Notícias é a de o Pinto Balsemão é um grandessíssimo filho-de-p*ta, porque não se provou ser falsa a asserção acerca da filha-da-putice da referida criatura.

sexta-feira, 27 de junho de 2025

Miguel Sousa Tavares envelheceu amargo


Miguel Sousa Tavares é de opinião de que os portugueses são malandros e preguiçosos (exactamente a mesma opinião que o falecido Belmiro de Azevedo — que a terra lhe pese como chumbo! — tinha dos portugueses), e que os imigrantes (ao contrário dos portugueses) são trabalhadores.

Perante o facto de Miguel Sousa Tavares me ter chamado de “malandro” e de “preguiçoso”, manifesto aqui o meu interesse de que ele vá para a grande Puta-que-o-pariu!

A opinião de Miguel Sousa Tavares acerca dos portugueses coincide exactamente com a opinião de Joana Mortágua, e com a de Belmiro de Azevedo. Les bons esprits se rencontrent...

Grande filho-de-puta!

sábado, 21 de junho de 2025

O Emplastro de Lisboa tem opinião


«Sobre a fase aguda do conflito entre o Irão e Israel que ocorre por estes dias, Pedro Gomes Sanches faz uma pequena e lúcida crónica no Expresso, que acaba assim: "Sobre isto, o Presidente da República Portuguesa disse que, na ausência de posição oficial do Governo, ia dar uma "opinião pessoal": o ataque ao Irão foi para "desviar a atenção da Palestina". Corei de vergonha. Espero que o próximo presidente não diga estas barbaridades".»

Corar de vergonha



quinta-feira, 22 de maio de 2025

Os libertários que defendem o totalitarismo da liberdade


O Ludwig Krippahl escreve aqui um textículo que diz, mutatis mutandis, basicamente o seguinte:

1/ “se Donald Trump é corrupto, é evidente que o André Ventura também é corrupto”. André Ventura é considerado corrupto por associação [falácia ad Trumpum].

2/ O Ludwig Krippahl escreve o seguinte (sic):

“Este mandato de Trump mostra também o erro de procurar empresários para a política.” [falácia da generalização].

Por exemplo, se há coisa que Fidel Castro, Hitler , Mao Tsé Tung ou Estaline não foram, foi serem empresários; e Konrad Adenauer e Friedrich Merz foram empresários. Porém, posso conjecturar que o Ludwig Krippahl considera estes dois últimos como sendo “fassistas”.

3/ o Ludwig Krippahl escreve o seguinte:

“O progresso tecnológico está a tornar cada vez mais difícil obter capital vendendo trabalho e cada vez mais fácil investir capital sem comprar trabalho. Isto está a desequilibrar a economia e a dificultar a redistribuição pelo trabalho. Nestas condições é preciso reforçar o papel do Estado na redistribuição.”

Através deste tipo de raciocínio, o “libertário” Ludwig Krippahl condiciona “progressivamente” a liberdade do indivíduo. O Ludwig Krippahl é como o Rui Tavares: só é libertário para algumas poucas coisas: no resto, é a favor do “progresso” do reforço do poder do Estado.

Por isso é que o Ludwig Krippahl (e o Rui Tavares) defendem o multiculturalismo trazido pela imigração massiva e desenfreada: colocando as diferentes comunidades umas contra as outras, enfraquecendo a coesão social, iremos alegremente construindo um Estado totalitário que sirva de árbitro entre culturas muitas vezes irreconciliáveis.

O Ludwig Krippahl tem um arquétipo mental totalitário, mas, alegadamente, em nome da liberdade. A liberdade serve-lhe para impôr um Estado totalitário.

O erro do Ludwig Krippahl — também o erro de gente como Isabel Moreira — é pensar que o Direito Positivo, por si só, resolve os problemas da sociedade.

A verdade é que o Direito Positivo apenas organiza as premissas metajurídicas que estão subjacentes ao Direito e à herança da cultura antropológica — ao contrário do que defendeu Karl Marx, a Cultura não preencherá, jamais, o ócio do trabalhador, porque é apenas trabalho do ocioso.

Quando o Direito Positivo ignora as suas raízes metajurídicas, acontece a actual arbitrariedade americana com Donald Trump: o Direito passa a ser arbitrário, uma espécie de folha Excel em que o governo escreve o que quiser, reorganiza os Valores e os Fundamentos do Direito, discricionariamente e a seu bel-prazer [ver Carl Schmitt, Max Weber].

Ou seja, gente como Ludwig Krippahl critica Donald Trump, mas adopta exactamente os mesmos princípios da elaboração do Direito que o Trump adopta para fazer as asneiras que faz.

Quando definem a propriedade como função social, é certo que se avizinha o confisco. E quando definem o trabalho como função social, vislumbra-se nitidamente a escravatura.

O Ludwig Krippahl, defendendo o reforço do poder do Estado, defende o socialismo que é a economia que monta, meticulosa- e laboriosamente, os mecanismos (outrora) espontâneos do capitalismo.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

Se não existisse, o Henrique Pereira dos Santos teria que ser inventado


Montesquieu escreveu que “se Deus não existisse, teria que ser inventado”; só Deus sabe por que razão o Montesquieu escreveu aquilo. Porém, há pessoas que, se não existissem, teriam que ser inventadas — como, por exemplo, a Lili Caneças, ou o Henrique Pereira dos Santos — porque nos animam a alma com truísmos histriónicos.



O Henrique Pereira dos Santos, que se diz da Não-Esquerda, desata a defender a descolonização soarista de uma forma ilógica — porque a única forma de defender logicamente a descolonização soarista é adoptando princípios de valorização marxista.

O que [André Ventura] disse é duplamente injusto porque está a aplicar a um tempo passado pontos de vista do presente (nisso se aproximando da lógica woke) e a concentrar em Mário Soares aquilo que foi uma opção colectiva: a de sacrificar a liberdade de guineenses, angolanos e moçambicanos à defesa da liberdade de portugueses.”

Em primeiro lugar, é impossível sacrificar a liberdade (básica) de outrem para obtermos a nossa liberdade (básica): uma liberdade obtida por intermédio da opressão de outrem, está condenada ao fracasso.

Hannah Arendt (“A Crise da Cultura”) demonstrou como, sem uma vida pública politicamente garantida, a liberdade, sob qualquer forma que a perspectivemos, não pode ter qualquer realidade mundana. Sacrificar a liberdade de outrem para, por esse facto, sermos nós livres, é uma contradição em termos.

Ora, a ideia (do Henrique Pereira dos Santos) segundo a qual os portugueses conscientemente escolheram sacrificar a liberdade de outros povos para poderem ser livres, só pode vir de uma mente formatada com os valores da Lili Caneças. É deste tipo de mentalidade histriónica que é feita a "Direitinha" fofinha: não me admiraria que o Henrique Pereira dos Santos criticasse a celebração, no parlamento, do 25 de Novembro.

Ademais, o pensamento do Henrique Pereira dos Santos está (¿inconscientemente?) imbuído de princípios rosseaunianos (que caracterizaram a Esquerda): aquilo a que ele chama de “opção colectiva” do povo português — que é diferente de “vontade da maioria” — é uma tradução, para a linguagem comum, da “vontade geral” de Rousseau. Rousseau baseou-se na filosofia política de Hobbes que considerou a sociedade civil com uma “pessoa” — com tudo o que isso implica: personalidade, carácter, vontade, etc. E a vontade dessa pessoa colectiva (segundo Rousseau) é o resultante da soma das diferenças existentes entre os cidadãos.

«Se quando o povo, bem informado, toma deliberações, os cidadãos não comunicam entre si, a soma das pequenas diferenças daria sempre a "vontade geral" e a decisão seria boa.»

— “Contrato Social”, Livro III, cap. I

Rousseau parte do princípio de que, em um povo bem informado, os cidadãos não comunicam entre si (!).

Acrescenta, Rousseau:

“Isto [a obediência à "vontade geral"] significa nada menos do que obrigá-lo [ao cidadão] a ser livre”.

Foi o que, mutatis mutandis, aconteceu em Portugal: o povo português foi obrigado a ser livre através da “vontade colectiva” de que nos fala o Henrique Pereira dos Santos. E, para que o povo português fosse obrigado a ser livre, teve que se sacrificar a liberdade de outros povos mediante a imposição política de uma “vontade colectiva” que nada mais é do que um eufemismo de "Vontade Geral".

Se isto é liberdade, “vou ali e venho já”.

Finalmente, o Henrique Pereira dos Santos diz que a interpretação, com lentes actuais, do que se passou há 40 anos, é uma expressão da falácia de Parménides. Esta posição é, em si mesma, uma falácia — porque quatro décadas não são séculos.
A esmagadora maioria das pessoas vive mais do que 40 anos.

segunda-feira, 11 de novembro de 2024

Polícia bom é polícia morto


O Ludwig Krippahl escreveu o seguinte:

“A lei obriga a obedecer à autoridade da polícia e proíbe a polícia de disparar sobre pessoas desarmadas.”

(…)

“A defesa [do agente da polícia] só é legítima se for proporcional, não se pode matar a tiro uma pessoa desarmada...”.


O Código Penal, no seu Art.º 40 § 3, diz o seguinte:

“A medida de segurança só pode ser aplicada se for proporcionada à gravidade do facto e à perigosidade do agente” [meliante].

Vem daqui o tal “princípio da proporcionalidade” invocado pelo Ludwig Krippahl.

Só que o Ludwig Krippahl não sabe interpretar a lei (se calhar, nem a conhece): a agressão a um polícia, mesmo que só através de murros na tola, depois de uma perseguição automóvel e destruição de propriedade privada de outrem, revela em si mesma a “gravidade do facto e à perigosidade do agente”.

O Odair tinha cerca de 1,90 de altura, e uma compleição física assustadora; mas o Ludwig Krippahl pensa que o Odair tinha o direito de arrebentar o focinho ao polícia e ficar sem resposta — em nome da “proporcionalidade”.


O que o Ludwig Krippahl quer dizer é o seguinte:

Se um meliante utilizar os punhos para reduzir a cabeça do polícia a um molho de brócolos, o polícia tem que levar porrada e não reagir — porque 1/ o pretinho tem sempre razão, e porque 2/ se o polícia utilizar a arma em legítima defesa para não ficar com a cabeça num 8, não é “proporcional”.

Em suma, segundo Ludwig Krippahl, nestes casos, o polícia deveria deixar o Odair enfardá-lo no focinho e ficar quietinho — para ser “proporcional”.

Só falta ao Ludwig Krippahl dizer que “polícia bom é polícia morto”. É caso para dizer: “quem te manda a ti, sapateiro, tocar tão mal rabecão”. Ó Krippahl!: mais valia estares calado.

quinta-feira, 24 de outubro de 2024

São só as “sensações” do Ricardo “Chamuças” Costa



Não se deixem enganar! São só “sensações” de aumento de criminalidade!