
sábado, 20 de dezembro de 2025
quarta-feira, 26 de novembro de 2025
André Ventura: “Portugal pertence à O.T.A.N., mas não muito...”
Segundo depreendi das palavras de André Ventura de ontem, Portugal deverá permanecer na O.T.A.N., mas se um país da organização for atacado pela Rússia, Portugal não terá nada a ver com isso.
Ou seja, segundo Ventura, Portugal está na O.T.A.N.; mas não está na O.T.A.N..
A posição de André Ventura em relação à Ucrânia não é muito diferente da posição de Marine Le Pen, da AfD (Alternative für Deutschland) e de Viktor Órban; e é muito diferente da posição de Giorgia Meloni, por exemplo.
A pequena diferença entre André Ventura, por um lado, e Viktor Órban ou Marine Le Pen por outro lado, é que o primeiro diz que está solidário com a Ucrânia, embora conclua que não está solidário com a Ucrânia — ao passo que os dois últimos dizem que são claramente a favor da Rússia e contra a Ucrânia. A diferença é uma questão de retórica.
A posição do André Ventura em relação à possibilidade de haver tropas europeias da O.T.A.N. na Ucrânia é um NIN: é como o Melhoral, não faz bem nem faz mal.
Nota: O Portugal de Salazar foi neutral na II Guerra Mundial, mas foi antes de entrar na O.T.A.N..
segunda-feira, 24 de novembro de 2025
É preciso reformar a União Europeia; ou acabar com ela
A Cristina Miranda faz aqui uma crítica à União Europeia. Embora eu esteja genericamente de acordo com a crítica, gostaria de colocar aqui uma frase de Nicolás Gómez Dávila:
“O pensamento que quer ser sempre justo, paralisa-se. O pensamento progride quando caminha entre injustiças simétricas, como entre duas filas de enforcados”.
1/ A União Europeia caminha hoje (metaforicamente, “entre duas filas de enforcados”) entre injustiças simétricas, a ver: por um lado, Donald Trump e o seu ódio visceral à União Europeia, a quem acusa de querer destruir os Estados Unidos; e por outro lado, a Rússia, que pretende destruir a União Europeia para reconstruir o velho império russo.
Portanto, a União Europeia está a ser objectivamente acossada por duas potências militares de nomeada.
Perante este acosso, a União Europeia tem duas soluções: ou se desintegra — que é o que deseja ardentemente uma certa elite trumpista aliada a Putin —, ou se defende através de mecanismos políticos que, por vezes, não são consensuais e até podem ser controversos (como podemos ver através da opinião da Cristina Miranda).
Quando a Cristina Miranda critica a União Europeia pelo “caso recente da Roménia, com eleições anuladas e candidatos detidos”, ela não mencionou a claríssima interferência da Rússia nas ditas eleições — porque “o pensamento que quer ser sempre justo, paralisa-se”. O pensamento da Cristina Miranda paralisa-se porque não “caminha entre injustiças simétricas, como entre duas filas de enforcados”.
A alternativa preconizada pela Cristina Miranda (face à Rússia) seria a dissolução progressiva da União Europeia, cumprindo assim os critérios de “justiça” do liberalismo que ela preconiza. É uma solução negativa (a dela). Aplica-se aqui a célebre frase de Edgar Morin:
« (…) a lógica do liberalismo político leva-o a tolerar ideias ou movimentos que têm como finalidade destruí-lo. A partir daí, perante a ameaça, o liberalismo está condenado, quer a tornar-se autoritário, isto é, a negar-se ― provisória ou duradouramente ― a si mesmo, quer a ceder o lugar à força totalitária colocada no poder por meio de eleições legais (Alemanha, 1933) »
→ Edgar Morin (“Pour sortir du XX siècle”, 1981)
Ou o liberalismo europeu se nega, aqui e ali e pontualmente, ou a União Europeia é destruída. Pelo que se vê, a Cristina Miranda defende a sua destruição.
2/ A Cristina Miranda tem razão em três pontos: a) a protecção da União Europeia em relação ao lóbi radical climático (os melancias), b) o fomento por parte da União Europeia da Ideologia de Género na cultura, nas escolas e nos me®dia, e c) a imigração em massa patrocinada pela União Europeia.
Contudo, não nos esqueçamos que estes três aspectos nefastos foram importados dos Estados Unidos.

- O Aquecimentismo é um fenómeno cultural anglo-saxónico por excelência baseado em pseudo-ciência e no relativismo próprio do Pós-estruturalismo.
- A Ideologia de Género também tem origem anglo-saxónica e é uma tentativa neomarxista (marxismo cultural) de levar a igualdade entre seres humanos ao nível do absurdo — não nos esqueçamos que em nome de uma estratégia supostamente infalível para promover a justiça e a igualdade, milhões morreram em dezenas de revoluções socialistas que, em última análise, sempre falharam.
A vida é o lugar das hierarquias; só a morte é democrata. - A imigração em massa, promovida por uma certa elite composta pela maçonaria irregular que controla ideologicamente a política e os me®dia, é própria de uma sociedade pós-revolucionária cujas elites abominam os conceitos de “nação” e de “fronteiras”. Podemos falar de simbiose entre o Pós-Trotskismo, por um lado, e, por outro lado, a utopia da “Paz Perpétua” de Kant.
A única forma de combater estes três vectores negativos da política da União Europeia é através do voto na Direita que exclua partidos patrocinados pela Rússia de Putin e Dugin — como é o caso da AfD (Alternative für Deutschland) na Alemanha, ou o partido francês da Marine Le Pen, ou ainda o partido de Viktor Órban na Hungria.
Continuamos, aqui, a caminhar entre duas filas de enforcados: num dos lados, a Esquerda utopista e pós-estruturalista que comanda actualmente os destinos dos países da União Europeia; e, por outro lado, a Direita russófila (de Dugin e Putin, aliados a Trump) que pretende claramente a destruição da União Europeia.
quarta-feira, 22 de outubro de 2025
quinta-feira, 11 de setembro de 2025
1/3 dos russos não tem cagadeira em casa
Alguém escreveu aqui o seguinte, acerca da morte de Iryna Zarustka:

Para este opinante, a Rússia é um país mais desenvolvido do que os Estados Unidos.
Ora, acontece que cerca de 30% dos russos não tem cagadeira em casa — ou vão cagar a uma casinha fora de casa com um buraco no chão (sem saneamento básico), ou vão cagar ao monte entre o milho (com o ar puro que faz muito bem à saúde).
Por aqui vemos como a a ideologia deforma a mente humana, cristalizando o cérebro no sistema ortorrômbico ou triclínico. Para a ideologia, os factos não têm qualquer relevância.
Nos Estados Unidos temos os sem-abrigo que também cagam nas ruas das cidades (principalmente em São Francisco e Los Angeles), mas aqui é menos um problema económico do que um problema cultural (drogas, por exemplo). Ademais, os sem-abrigo americanos estão muito longe dos 30% da população do país.
sábado, 15 de abril de 2023
As inconsistências tipicamente americanas
A companhia americana de tabaco Philip Morris continua a operar na Rússia — apesar das sanções impostas pelo Congresso americano.
Só em 2022, a Philip Morris pagou ao Estado russo cerca de 5 mil milhões de US Dollars em impostos e, em Março passado, recebeu de Putin o prémio de “Verdadeiro Amigo da Rússia”.
Se fosse o caso da empresa portuguesa Corticeira Amorim vender meia dúzia de rolhas à Rússia, o governo americano enviava imediatamente a CIA. Mas sendo a Philip Morris a furar o bloqueio comercial imposto pelo próprio governo dos Estados Unidos, nada acontece.
São estas inconsistências americanas que aborrecem. Aliás, já vêm de longe: Rockefeller financiou o governo de Estaline, e a empresa de Henry Ford apoiou o movimento político eugenista que influenciou o holocausto nazi, apoiou o isolacionismo americano na I Guerra Mundial, e financiou directamente a Alemanha de Hitler. Tudo isto está documentado.
sábado, 4 de março de 2023
A Hungria não se integra na Europa
Até há muito pouco tempo, eu fui um apoiante indefectível de Viktor Órban — mas não tanto do seu (dele) partido político, o Fidesz; mas já não sou.
Eu tenho seguido as opiniões de Viktor Órban nas redes sociais e nos jornais internacionais. As suas (dele) posições políticas actuais são aviltantes e repugnantes.
O envolvimento político / retórico de Orbán na guerra da Ucrânia tem como objectivo:
- dividir a União Europeia nas suas posições em relação à Rússia; o apoio de Viktor Órban ao expansionismo russo é claríssimo (“Em política, o que parece, é”).
- mudar o eixo da política europeia (mudar o “fuso horário”), de Londres/Paris, para Berlim/Moscovo, fazendo com que Budapeste assuma um papel central na nova economia política;
- dividir os países da NATO no seu apoio à Ucrânia;
- anular qualquer tipo de influência dos Estados Unidos na União Europeia, colocando a Europa militarmente à mercê da Rússia;
- defender a ideia de que os territórios ocupados por Putin na Ucrânia pertencem à Rússia (fait accompli).
Podemos aceitar, obviamente, que o Viktor Órban defenda aquilo que ele pensa serem os interesses da Hungria; o que ele não pode fazer — mas não pode mesmo! — é defender os alegados “interesses da Hungria” sacrificando os interesses de outros países — seguindo o exemplo da Rússia de Putin —, nomeadamente os interesses de auto-defesa da Ucrânia.
O que está a acontecer na Hungria de Orbán é extraordinário! — a União Europeia e a NATO deixaram entrar no seu seio uma “Quinta Coluna” de Putin! E Viktor Órban mantém-se activo nas redes sociais, lançando a dúvida sistemática acerca da real legitimidade da defesa da Ucrânia, pedindo para “compreendermos Putin” (sic), afirmando que os Estados Unidos devem sair da NATO — mas nem uma palavra acerca do assassinato de Boris Nemtsov, por exemplo.
Viktor Órban é o branqueador oficial de Putin, uma espécie de “OMO lava mais branco” do regime russo. As atrocidades do regime russo passam ao lado de Orbán, como se não existissem.
Chegou a hora de a União Europeia e a NATO reflectirem acerca do que significa ter a Hungria de Orbán no seu seio; e chegou a altura de o partido CHEGA esclarecer as suas relações com o partido Fidesz de Viktor Órban.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023
A RTP vai convidar o general Agostinho Costa para defender a Terra Plana
O personagem é burro; ¿como é que a cavalgadura chegou a general?
Eu tive a pachorra de o ouvir ontem em duas estações de televisão: primeiro, na RTP3; depois na CNNP.
O referido animal salta de conceito em conceito sem se fixar em algo de concreto: fala de alhos, e salta para bugalhos sem que haja qualquer nexo causal que justifique a mudança de argumentação: é o modus ponens à Agostinho Costa: elimina o Antecedente sem concluir alguma coisa a partir dele:
A → B
A
-----
∴ C
Por exemplo:
“A Rússia (A) tem direito ao território da Ucrânia (B); por isso, quando falamos de Ucrânia (B), está subentendido o território do Afeganistão (C)”.
Dá CNNP já espero tudo; mas ¿como é que a RTP, com o dinheiro dos nossos impostos, chama uma besta cavalar destas para comentar seja o que for?!
O argumento utilizado para trazer aquela alimária à ribalta, é o da “liberdade de expressão”.
Bom... se aquele espécime de muar defendesse a ideia segundo a qual 2+2=5, ¿também seria convidado pela RTP para comentar aritmética?!
segunda-feira, 9 de maio de 2022
Os crimes da Rússia contra a Humanidade
Vemos, aqui no mapa, os campos de concentração na Rússia para onde os cidadãos ucranianos (os que falam ucraniano, e não russo) são deportados, logo que os russos ocupam os territórios do leste da Ucrânia.
quinta-feira, 5 de maio de 2022
O marxista Jürgen Habermas é um dos 12 notáveis alemães manipulados por Putin
Vejam quem são os outros 11 notáveis alemães que foram “comidos de cebolada” por Putin.
quinta-feira, 28 de abril de 2022
A Raquel Varela e o branqueamento do Holodomor
Um bom comunista, que se preza como tal (ou um cripto-comunista, como é, por exemplo, Putin) nega a existência do Holodomor. É o caso da Raquel Varela.
A Raquel Varela chama ao Holodomor estalinista de “colectivização forçada”. É assim que os “historiadores” branqueiam a História. Não é “genocídio”!: é “colectivização forçada”. Desta não se lembrou o George Orwell!
Para a Raquel Varela, a teoria segundo a qual não teria existido “genocídio” na Ucrânia estalinista, mas antes apenas uma “colectivização forçada”, revela uma incapacidade de moldar os factos aos seus (dela) propósitos. E, a esta incapacidade, ela chama de “contexto”. E disto tudo, a Raquel Varela sai cada vez mais descredibilizada.
Comentar os textos da Raquel Varela é um exercício penoso, chegando por vezes a ponto de causar náusea.
As chamadas “ciências humanas” contemporâneas estão a estrangular a História, porque constroem esquemas atemporais que, de uma forma sub-reptícia, restauram o “homem abstracto” do século XIX — que os “reaccionários” populares actuais chamam de NPC (Non Personal Character).
A ideia segundo a qual “a bandeira portuguesa é (para o CHEGA) um símbolo fassista”, só poderia vir da cabecinha oca da Raquel Varela — ou então, a utilização da bandeira nacional só pode ser feita pela Esquerda e, portanto, a utilização simbólica da bandeira portuguesa por parte do CHEGA é ilegítima, senão mesmo ilegal, porque, para a Raquel Varela, o CHEGA é um partido “fassista”. Não há como contornar este problema.
Um historiador que investiga “causas”, “estruturas”, ou “leis” na História, acaba por se fechar na sua própria subjectividade: é o caso da Raquel Varela.
A ambição de transcender (ir para além delas) as representações empíricas e extrínsecas da consciência alheia, transforma a História em uma mera projecção do historiador: se tenta ir “para além” da consciência dos sujeitos históricos, o historiador não descobre senão a sua própria consciência.
A maioria dos “historiadores” crê que os critérios de verosimilhança, prevalecentes no seu tempo, são universais.
A complexidade dos factos históricos é de tal forma, que as teorias mais estapafúrdias encontram sempre justificações aplicáveis — como é o caso da redução da ligação simbólica da “cruz de ferro” ao nazismo, ou da redução simbólica da bandeira nacional ao alegado “fassismo do CHEGA”. Na História, abundam exemplos para ilustrar as teorias mais heterodoxas da Raquel Varela.
Para Raquel Varela, o totalitarismo cripto-comunista de Putin deve ser exclusivista: segundo a Raquel Varela, a Ucrânia não tem o direito de se defender utilizando meios políticos semelhantes aos de Putin.
Por isso, “a abolição de partidos políticos, jornalistas, perseguições a gente de esquerda e imposição da censura nos media ucranianos” (sic) são atributos e meios de acção a que só o Putin tem direito legítimo: para a Raquel Varela, a utilização destes expedientes “fassistas” para defesa da Ucrânia, não é legítima.
Para Raquel Varela, o “fassismo” do cripto-comunista Putin é tolerável; mas o “fassismo” semelhante, o do Zelensky, já não é.
É este o “contexto” histórico defendido pela Raquel Varela que transforma a sua (dela) análise histórica (da invasão russa da Ucrânia) em uma projecção da sua própria (dela) ideologia.
A Raquel Varela não se dá conta — porque o QI não ajuda, por um lado, e porque ela teria que ter estudado filosofia muitos anos a fio, por outro lado — de que um “historiador” estrangeiro, por mais sagaz que seja, transcreve sempre a “sinfonia histórica” da Ucrânia em uma partitura para flauta. E, a esta simplificação da História daquele país, a Raquel Varela chama de “contexto”.
quarta-feira, 27 de abril de 2022
sábado, 23 de abril de 2022
O blogue “Estátua de Sal” e os textos de José Pacheco Pereira
O blogue “Estátua de Sal” publica sistematicamente os textos “me®diáticos” de José Pacheco Pereira; mas fez vista grossa em relação a este texto, porque não cumpre os requisitos obrigatórios da narrativa cripto-comunista ortodoxa.
“Quem legitima e favorece o PCP com o seu discurso contorcido sobre a guerra? Os russos. Façam-nos justiça de perceber que nós percebemos.
Nem a Polónia, em 1939, nem a Ucrânia, em 2022, eram democracias perfeitas, mas havia um agressor e um agredido.
O PCP, para além de se ter perdido a si mesmo, acabou por fazer, nas suas palavras, o maior frete possível ao ‘patronato’.
Falar em guerra sem nomear o agredido e o agressor, e tirar daí consequências, é colocar-se do lado do agressor. Quem beneficia na apresentação neutral da “guerra”? O agressor.
Quem beneficia numa defesa da “paz” que trata os beligerantes como iguais? O agressor.
Quem fala em detalhe dos males de “uns” (os ucranianos) e genericamente e sem pormenores dos males dos “outros” (os russos) não está do lado da “paz”, mas da guerra. Quem justifica, legitima, favorece, protege o PCP com o seu discurso contorcido sobre a guerra? Os russos. Toda a gente percebe, a começar por muitos eleitores, simpatizantes e militantes do PCP, por isso é que esta situação é devastadora para o PCP. Façam-nos justiça de perceber que nós percebemos.”
→ José Pacheco Pereira (ler aqui em PDF)
quinta-feira, 21 de abril de 2022
Não metam o Soljenítsin onde não é chamado
A ideia segundo a qual Soljenítsin defenderia a anexação da Ucrânia pela Rússia, é duplamente abusiva: desde logo porque não há nada, na obra dele, que possa fazer crer na defesa da conquista armada russa de territórios de povos com outras culturas; e depois porque Soljenítsin está morto desde 2008, e portanto ele não pode emitir opinião sobre a actual tentativa de anexação russa da Ucrânia.
O único “intelectual” notório do actual regime russo, aqui revelado, é o Duguin (ou Dugin), que foi literalmente “cilindrado” por Olavo de Carvalho em um debate realizado entre os dois.
A doutrina de Dugin tem como fundamento/base a dialéctica de Hegel (da qual foi deduzida, mais tarde, a teoria do materialismo dialéctico de Karl Marx); e por isso é que, para Dugin, a concepção de “religião oficial” russa (Ortodoxa) é um monismo de tipo hegeliano: o “transcendentalismo russo” segundo Dugin, é imanente — em um país em que a religião oficial coincide exactamente com o Estado russo. E se o Estado russo se expande, a religião oficial ortodoxa russa expande-se com ele — ao contrário do que aconteceu com a Igreja Católica que possui uma dinâmica autónoma (muitas vezes em conflito com os Estados).
A ideologia de Dugin defende a hegemonia e a superioridade do povo russo sobre todos os outros povos do mundo; e defende esta ideia recorrendo à dialéctica de Hegel. Não é difícil desmontar esta ideologia.
terça-feira, 19 de abril de 2022
O dogmatismo travestido de cepticismo
Um indivíduo de Esquerda admite a imutabilidade da Natureza Humana, o que é extraordinário: em bom rigor, ele não é propriamente de Esquerda — ou não é revolucionário, o que vai dar no mesmo: todos os revolucionários são de Esquerda.
E a contra-revolução permanente consiste em raspar sistematicamente o verniz da inteligibilidade (com que os revolucionários pretendem permanentemente ocultá-la) que cobre o Mistério da Existência e da Natureza (trata-se de um Mistério positivo, que é sombra da Realidade, e não propriamente um Mistério negativo que é sombra da nossa condição de ignorantes).
Chama-se “burguesia progressista” à classe revolucionária que tomou o Poder no Ocidente (não confundir com o “burguês tradicional”, que se extinguiu no início do século XIX).
Ao burguês actual, podemos inculcar-lhe — em nome do “progresso” — qualquer patranha, e vender-lhe, em nome da arte, qualquer mamarracho.
Chama-se a isto “cultura”, que não pode ser confundida com “Natureza Humana”.
Hoje, os “intelectuais” (por exemplo, os pachecos) defendem a ideia segundo a qual “a Natureza Humana mudou porque mudou a cultura”: são os mesmos que dizem que “a lógica evoluiu e progrediu”.
O tal indivíduo de Esquerda (de seu nome Carlos Matos Gomes) começa por constatar um facto que Fernando Pessoa descreveu sucinta- e poeticamente:
“A velhice do eterno novo”.
Só os estúpidos não sabem que o novo é tão velho quanto o mundo.
E contrapõe (o tal indivíduo) o dogmatismo ao cepticismo; mas o dogmatismo que ele critica é o dogmatismo moderno, dito “racionalista”, que tem uma confiança quase absoluta no poder da Razão.
Contudo, convém que se diga que a experimentação (ou a experiência) não confirma nem refuta os axiomas matemáticos ou/e os dogmas religiosos — portanto, há uma diferença abismal entre o “dogma racionalista”, combatido por David Hume e depois por Bertrand Russell, por um lado, e, por outro lado, o “dogma religioso” que não é uma especulação da consciência religiosa, mas antes é uma fórmula canónica de enigmas experimentais que pretende evitar que a doutrina católica se evapore em metafísica.
Porém, o momento de maior lucidez do ser humano é aquele em que ele duvida da sua própria dúvida.
Mais do que razões para crer, ele há melhores razões para duvidar da dúvida. O crente pode saber como se duvida; mas o incréu não sabe como se crê.
Portanto, o cepticismo, que o tal indivíduo apoia e contrapõe ao “dogmatismo racionalista”, não é um bem em si mesmo.
Aliás, o cepticismo moderno (o de Hume e Bertrand Russell) pode assumir uma forma dogmática, na medida em que o céptico recuse colocar em causa a validade da sua própria visão céptica da realidade — e é esse o dogmatismo do tal indivíduo, quando nega a evidência de que a Rússia violou o Direito Internacional ao invadir a Ucrânia: trata-se de um dogmatismo travestido de cepticismo.
domingo, 27 de março de 2022
Agora é que a Raquel Varela vai defender a morte dos neonazis em todo o mundo
Ao fazer “zapping” na televisão, dei com a cara furibunda da cripto-comunista Raquel Varela porque os seus (dela) colegas de programa da RTP3 não aceitavam a ideia de que “toda a gente nas Forças Armadas da Ucrânia é neonazi”.
Os russos deram como justificação, para a invasão da Ucrânia, a “desnazificação” deste país — e a Raquel Varela claramente aceita o argumento russo como válido.
Agora, o parlamento russo pretende levar a cabo a “desnazificação” dos países bálticos, da Polónia, e do Cazaquistão.
Aposto que a Raquel Varela se enche agora de jubilo e de felicidade: os russos vão eliminar os nazis da Letónia, da Lituânia, da Estónia, da Polónia, e do Cazaquistão — quiçá com umas bombinhas atómicas para aquecer o ambiente frio da Primavera.
Não tarda nada, os russos (amigos da Raquel Varela) poderão lançar uma bombinha atómica no Terreiro do Paço para liquidar os “nazis do CHEGA”.
quarta-feira, 23 de março de 2022
Algumas notas acerca dos putativos “neonazis” na Ucrânia
1/ A defesa da Ucrânia é compostas por duas forças distintas:
- as Forças Armadas, propriamente ditas, com os seus três ramos, que dependem do ministério da Defesa;
- e a Guarda Nacional, que depende do ministério do Interior e que compõe cerca de 40% das forças de defesa da Ucrânia.
2/ Da Guarda Nacional da Ucrânia, uma parte dela é composta por milícias para-militares (tipo mercenários) que desde 2014 (desde a anexação da Crimeia pela Rússia) são financiadas pelos Estados Unidos (Joe Biden), França (Macron), Reino Unido (Boris Johnson), e Canadá (Trudeau). Existem milícias para-militares (mercenários) provenientes de 19 países e nacionalidades.
3/ Passam em alguns me®dia e blogues de extrema-esquerda “notícias” de que a) a Guarda Nacional ucraniana é toda composta por milícias para-militares (o que é absolutamente falso), e que b) as milícias para-militares são todas de extrema-direita (o que também é falso).
Existem batalhões de milícias para-militares controlados por mercenários de extrema-direita (nomeadamente na região do Donbass e em Mariupol), mas é totalmente falso que se diga que “toda a Guarda Nacional ucraniana é controlada pela extrema-direita”.
A razão por que aparecem estes combatentes de extrema-direita na Ucrânia (é absurdo dizer deles que são “neonazis”, porque o seu anti-semitismo é cultural, e não político) serão eventualmente explicados noutro verbete.
Com jeitinho, “os russos fizeram muito bem em invadir a Ucrânia”.
Falta pouco. Mais um cadinho, e “os russos não têm culpa nenhuma por terem invadido a Ucrânia”.
É a inversão da culpa (a inversão do sujeito-objecto): a culpa dos actos de horror causados pelo exército ocupante é das vítimas, porque estas não compreenderam a missão revolucionária das tropas soviéticas, quero dizer, russas, que as libertaria dos neonazis que controlam a Ucrânia e libertariam este país do imperialismo gringo.
« As vítimas mortais da acção revolucionária soviética, digo, russa, não foram assassinadas: em vez disso, suicidaram-se, porque não compreenderam a missão revolucionária das tropas soviéticas, quero dizer, russas — e a acção revolucionária soviética, quer dizer, russa, é a que obedece sem remissão a uma verdade dialéctica imbuída de uma certeza científica que clama pela necessidade de um futuro dos “amanhãs que cantam”, sem o controlo neonazi na Ucrânia e livre do imperialismo americano.
A luta continua! »
terça-feira, 22 de março de 2022
Vou fazer um desenho, a ver se os burros entendem
Imaginem que, em Espanha, acontece um golpe-de-estado que coloca um ditador do Poder. Segue-se que as tropas espanholas, comandadas por esse ditador, invadem Portugal.
Imaginem depois, e por absurdo, que três (poderiam ser mais ou menos) partidos políticos portugueses defendem a legitimidade da invasão espanhola, e apregoam essa legitimidade em público, inclusivamente defendendo a aniquilação da nação portuguesa.
Acto continuo, o presidente da república portuguesa e o Tribunal Constitucional decidem ilegalizar esses três partidos políticos.
¿O que aconteceria nos me®dia portugueses?
Veríamos o Miguel Sousa Tavares e a Raquel Varela a reagir à ilegalização desses três partidos políticos, afirmando que o regime político português é autoritarista, intolerante e “fassista”.
Não são só idiotas úteis, nem se trata apenas de má-fé!: são mesmo estúpidos!
sábado, 19 de março de 2022
Mais uma “posta” da Carmo Afonso no jornal Púbico
Já muita tinta se gastou acerca das escrevinhações no jornal Púbico de um outro estafermo causídico, que dá pelo nome de Carmo Afonso. Neste texto (ler em PDF) acerca da invasão russa da Ucrânia, o estafermo causídico incorre em diversas falácias, a começar pela
1/ falácia do NIN, ou a tipologia da “esquerda pré-diluviana”:
“Neste caso da invasão [da Ucrânia pela Rússia], não é que gostem do Putin, esse “capitalista”, como grazinou o Avô Jerónimo, mas o Putin é russo, era do KGB e da URSS, e o Sol do Mundo era lá para os lados de Estalinegrado, foi naquelas longitudes que eles foram formatados a esperar o “Homem Novo”, enfim, faz parte do seu sistema operativo.”
2/ depois, o referido estafermo “intelectual” invoca, como argumento, um maniqueísmo inexistente (uma falsa dicotomia) — porque o que está em causa com a reacção negativa à invasão russa não é, fundamentalmente, uma putativa luta moral do bem contra o mal, mas antes é o respeito (ou desrespeito) pelo Direito Internacional que está em causa.
3/ uma advogada que parece ter dificuldade em compreender a perigosidade da violação gritante do Direito Internacional, só pode ser indigente cognitiva.
4/ o argumento Tu Quoque: o estafermo diz, de uma forma implícita e subjacente, que a invasão da Ucrânia por parte da Rússia pode ter sido justificada (por exemplo) pela invasão do Iraque pelas potencias ocidentais. Ou seja, para aquela trampa com olhos, um mal pode justificar outro mal.
5/ finalmente, o argumento dos “nazis da Ucrânia” (que é, de facto, um dos “argumentos” de Putin para invadir a Ucrânia) — um país com um presidente da república judeu.
Trata-se de uma falácia da generalização (e simultaneamente uma falácia da composição): basta que exista um só neonazi na tropa ucraniana, para que (segundo aquela avantesma) todos os membros das Forças Armadas se tornarem suspeitos de serem nazis.
A família do falecido Belmiro de Azevedo deveria ter vergonha do papel que desempenha na comunicação social em Portugal.