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domingo, 5 de outubro de 2025

As Siglas BCE e CE : a estupidez do laicismo cultural esquerdóide e globalista


Em nome do “ateísmo científico” (positivismo), por um lado, e em nome também do relativismo cultural (“todas as culturas são iguais”, dizem eles), por outro lado, a elite ocidental globalista esquerdóide substituiu a sigla “a.C.” (antes de Cristo) pela sigla BCE (Before Common Era), e em vez da sigla d.C. (depois de Cristo) usam agora a sigla CE (Common Era).

Porém, em termos práticos, nada mudou: as siglas substitutas significam exactamente o mesmo que as siglas substituídas — porque o marco temporal de referência nos dois casos é exactamente o mesmo: o nascimento de Jesus Cristo.

Ora, se a significância simbólica é a mesma, ¿por que razão os intelijumentos mudaram apenas as siglas dos símbolos?

Seria como se eu começasse a chamar a um “pau” de “Lazdelė” — sendo que “Lazdelė” significa “pau” na língua lituana.

“Lazdelė” e “pau” têm o mesmo significado / representado. Agora imaginem que a elite portuguesa, em vez de “pau”, começava a usar o termo “Lazdelė” em nome de um qualquer sacrifício cultural considerado proeminente.

Por exemplo: “atirei o pau ao gato” passaria a ser “atirei o Lazdelė ao gato”.

Neste caso, o representado é o mesmo (o felino): o que muda é o símbolo (o nome do pedaço de madeira) — o que é um perfeito absurdo, porque normalmente o representado desaparece quando o símbolo muda ou se desvanece; a não ser que não se trate de um símbolo, mas apenas de um sinal que pode ser mudado, porque os sinais são escolhidos arbitrariamente (por exemplo, os sinais de trânsito).

Um símbolo nunca se muda, porque isso resultaria também na dissolução do seu significado / representado; em contraponto, um sinal pode ser mudado mantendo-se o seu significado anterior.

As siglas “a.C” e “d.C” são símbolos; as novas siglas “CE” e “BCE” são sinais que se referem aos símbolos que os estúpidos laicistas pretendem fazer desaparecer ao mesmo tempo que os invocam sistematicamente.

domingo, 25 de maio de 2025

Aristóteles, e o Modernismo e Pós-modernismo



A professora Helena Serrão cita aqui Aristóteles (o ateniense) em um texto que versa os temas da política e da Justiça. Em aditamento, Helena Serrão questiona-se acerca dos actuais “líderes [políticos] que ignoram a comunidade que representam, e que se motivam pela ganância”.

O assunto é muitíssimo complexo e liga-se, em primeiro lugar, com a Modernidade; e depois com a Pós-modernidade — com a Modernidade, quando o Iluminismo é colocado em causa pelo Idealismo de Hegel e seus apaniguados coevos e futuros (como por exemplo, a cáfila da Escola de Frankfurt ou o irracionalismo de Heidegger); na Pós-modernidade, quando o Iluminismo é finalmente “assassinado” pelo irracionalismo de Derrida e pela sua tropa fandanga (entre outros notórios e notáveis malucos de Esquerda).

A actual atomização da sociedade deriva, em grande parte, da forma como o Modernismo organizou o trabalho, em que ninguém sabe concretamente para quem trabalha, nem quem concretamente trabalha para si. E a Esquerda foi uma das grandes beneficiárias deste Modernismo.

A classe política é sempre produto das ideias prevalecentes no Zeitgeist. Sempre.

E o Zeitgeist actual é maioritariamente irracional, fruto de um acumular de erros graves — ao longo de muitas décadas — da concepção da Realidade, desde Hegel até Derrida. O corolário lógico do descalabro das ideias psicóticas desde Hegel até Fukuyama, passando por Derrida, é a actual situação internacional em que a irracionalidade impera e o subjectivismo relativista dita a prevalência impune do narcisismo exacerbado nas classes políticas.

Em Portugal, basta olhar paras as estações de televisão (e os me®dia em geral) e verificar a prevalência deste fenómeno de irracionalismo instituído nas “classes dirigentes” (os ingleses chamam-lhe “ruling class”): desde logo, desapareceu, da cultura portuguesa, o conceito de “escol” (muito bem ilustrado por Fernando Pessoa): hoje, os políticos constituem-se como uma classe social separada do comum dos mortais, em uma espécie de apartheid político, acolitada por comentadeiros e jornaleiros coordenados por gentalha como, por exemplo, Cláudia Azevedo (SONAE) que financia afanosamente o défice de exploração deste jornalixo que temos.

É uma “pescadinha de rabo-na-boca”: o jornalixo promove positivamente a classe política elitista junto da opinião pública, e a classe política, por sua vez, compensa materialmente o jornalixo e os seus patronos. “Uma mão lava a outra”. Por isso é que nunca vimos, por exemplo, o Partido Comunista a criticar abertamente os donos do pasquim “Público”.

Estamos em presença de um irracionalismo político pós-moderno potenciado por esteróides. Os tecidos sociais gangrenam, quando os deveres da maioria se transformam nos direitos de minorias.

Por exemplo, isto acontece quando a elitista Isabel Moreira defende a negação do Direito Natural, pespegado no Direito Positivo (ver ficheiro PDF), paradoxal- e contraditoriamente concebendo o “progresso anti-natural” como uma lei da natureza.

A ciência foi “tomada” / dominada pela ideologia irracionalista pós-moderna: hoje, é a classe política irracionalista que valida e chancela a ciência, e já não os cientistas propriamente ditos.

Em Portugal, é gentalha como a Isabel Moreira que carimba a “boa ciência” (através do conceito de “consenso científico” politicamente correcto) e repudia a “má ciência” que é aquela que não corrobora a ideologia do Zeitgeist.

sexta-feira, 20 de setembro de 2024

A dignidade do indivíduo é uma impressão digital cristã no barro grego


A “espiritualidade oriental” moderna, tal como a arte oriental dos últimos séculos, é um artigo de bazar. Para o conceito budista de “compaixão”, o indivíduo é apenas uma sombra que se desvanece [no nirvana].


No Islamismo (enquanto doutrina) não existe a noção cristã de “compaixão”: existe, outrossim, a lei que impele e impõe o perdão:  o perdão islâmico decorre da lei islâmica (Sharia). O Islamismo é uma religião formatada em lei para disciplinar psicopatas.

A dignidade do indivíduo, enquanto tal, é uma impressão digital cristã no barro grego.

Podemos definir “indivíduo”, segundo o Cristianismo, como “ser existente que é transparente apenas a Deus”.

O princípio da individuação, na sociedade, está subjacente a uma cultura de crença na alma — e a alma é “quantidade” que decresce à medida que mais indivíduos se agrupam.

Para se transformar em “pessoa”, o indivíduo necessita que exista uma norma rígida, por um lado, e, por outro lado, que o cumprimento dessa norma seja livre (livre-arbítrio) — e estas duas condições só foram civilizacionalmente garantidas pelo Cristianismo na cultura antropológica da cristandade.

Os indivíduos, na sociedade actual secularizada e descristianizada, são cada vez mais parecidos uns com os outros, mas cada vez mais estranhos entre si.

Portanto, a ideia de que “a compaixão é produto de uma qualquer cultura antropológica”, é falsa.

De modo semelhante, é erróneo o conceito segundo o qual uma educação escolar baseada nas artes, só por si, induz a compaixão nas crianças.

sexta-feira, 28 de junho de 2024

sexta-feira, 21 de julho de 2023

Torna-se difícil escrever


Ainda há poucos anos, aparecia, de vez em quando, um anormal; hoje, a anormalidade é a regra.

Ora, nas actuais circunstâncias, em que quase tudo é anormal, é praticamente impossível escrever acerca da anormalidade.

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agir-webTodas as épocas exibem os mesmos vícios; mas nem todas mostram as mesmas virtudes: em todos os tempos há tugúrios, mas os palácios estão reservados apenas para algumas épocas.

Vivemos em um tempo de tugúrios morais, onde até os palácios se transformaram em fojos.

Torna-se difícil distinguir o humano, da besta. As próprias instituições tornaram-se paulatinamente irracionais — a começar pela Igreja Católica, por exemplo, quando ouvimos um recém cardeal português afirmar que “a Igreja não pretende converter os jovens”... ou quando ouvimos um primeiro-ministro dizer que “os portugueses nunca viveram tão bem como hoje”, negando assim a realidade imposta pelos factos... hoje, os factos são um instrumento de poética pessoana aplicada à política; para a classe política, em geral, não há factos: apenas há interpretações de factos — e “como vivemos em democracia, cada um interpreta os factos como quiser!”


«Narrar é enganar-se, porque narrar repousa sobre factos; e não há factos, mas apenas impressões. Certos argumentos são bem feitos; é isso que é verdade.

Não há factos, só interpretações de factos. Quem narra factos, só pode ter a certeza de que corre o risco de errar nos casos, no que narrou, e na maneira de o narrar. Quem só interpreta, dispensa um dos riscos. Certos argumentos são bem feitos, porque os factos são apenas os argumentos.»

Fernando Pessoa (“O Sentido do Sidonismo”)


o cardeal de merda webEsta ambiência, de confusão acerca dos factos, foi propositadamente criada pelas elites contemporâneas, porque sabem que o homem vulgar admira mais o que é confuso do que aquilo que é complexo. Estamos em presença de puro trabalho do Demo.

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Essa é uma das razões por que a classe política vem eliminando a matemática do currículo escolar. O cidadão anódino mistura “confusão” e “complexidade”: as ideias confusas (propaladas pelas elites, como por exemplo o conceito de “CO2 como gás perigoso”) e as águas turvas parecem, ao vulgo humano, ser profundas.

Ora, neste ambiente [cultural, político] irracionalizado torna-se difícil exercer o nosso sentido crítico — porque teríamos que criticar quase tudo e, neste contexto, a crítica deixa de fazer sentido.

A quem pergunte, angustiado: ¿o que te calha escrever hoje? — respondamos, com probidade, que hoje só nos cabe (a nós, todos) uma lucidez impotente. O pensamento que reage à irracionalidade institucionalizada é impotente, embora lúcido: para quem parece ser incapaz de renunciar à análise do absurdo, aquele que renuncia parece-lhe impotente.

terça-feira, 24 de maio de 2022

Theodore Dalrymple e o conceito de "Maoísmo Emocional"


Um recente ensaio de Theodore Dalrymple fala-nos da “cultura da emoção” — a que ele chama de "Maoísmo Emocional":

“The modern taste for emotional exposure partakes of two seemingly disparate currents: First, the kind of psychotherapy according to which all contents of the mind must be outwardly expressed for fear of turning inwards and causing a mental abscess of unexpressed thoughts and emotions that eventually bursts. Second, it reflects a kind of emotional Maoism, according to which people have the social duty to confess their emotions to the multitudes”.

non binary human webPorém, não é possível falar em "Maoísmo Emocional" sem procurar (sumariamente) as suas causas culturais (em uma espécie de “epistemologia da cultura ocidental”) com raízes na Alta Idade Média católica, nomeadamente em Pedro Abelardo (que, para o efeito, “retorceu” algumas teses de Santo Agostinho) e na sua “ética da intencionalidade”: segundo Abelardo, apenas a intenção moral é susceptível de qualificação, qualquer que seja o acto exterior.

Hiperbolizando: por exemplo, eu mato o meu vizinho e depois digo que o acto hediondo foi justificado por uma boa intenção que consistia em salvá-lo das garras da tirania da sua (dele) esposa. Ou o assassino pós-moderno que diz ao juiz: “Eu não tenho culpa, senhor dr. juiz, porque não tive intenção: a culpa é dos meus genes!”.

O “acto exterior” — segundo Pedro Abelardo —, sendo sempre moralmente indiferente, é bom ou mau apenas em função da intenção alegada pelo agente que o pratica [pro intentionis agentis]; e, por isso, nenhuma acção humana — nem mesmo a crucificação de Jesus Cristo — pode ser classificada (a priori) como “má”, “não sendo importante o que se faz, mas o espírito no qual se faz” [Dialogus].

Por outro lado, Pedro Abelardo invoca o mesmo argumento de São Bernardo de Claraval segundo o qual pode acontecer que façamos o que Deus quer sem que a nossa intenção seja a de cumprir a vontade divina [a chamada casuística”, que foi adoptada nomeadamente pelos jesuítas na Contra-Reforma, justifica um crime pelo motivo (intenção) segundo o qual se cometeu, por um lado, e por outro lado atribuiu à Providência Divina o propósito (ou a vontade) de uma determinada má acção humana (São Bernardo de Claraval)].

Quando (alegadamente, segundo São Bernardo de Claraval, Pedro Abelardo e os jesuítas, ou seja, os iluminados que conhecem antecipadamente as intenções de Deus) Deus ordena as nossas acções (mesmo contra a nossa vontade), pode acontecer que não agimos bem ainda que se realizem coisas boas segundo a vontade divina.

Este conceito (a casuística) dá muito jeito a psicopatas como o papa Chico. Aliás, praticamente toda a ética do papa Chico é baseada na casuística e no intencionalismo (doutrina da indiferença dos actos externos) de Pedro Abelardo.

De acordo com a “doutrina da indiferença dos actos externos” (de Pedro Abelardo), por mais que o ser humano faça o que Deus quer que ele faça, somente a boa intenção (que é subjectiva, por definição) torna a acção “boa” [está aqui a génese teorética, que se baseia em passagens bíblicas retiradas de contexto, do conceito de sola fide dos protestantes].

Para Pedro Abelardo e segundo a sua doutrina da indiferença dos actos externos (intencionalismo), a necessidade do desejo natural exclui a noção de “pecado”: por exemplo, (hiperbolizando) se um homem sente necessidade e um desejo natural de ter relações sexuais com um cavalo, o prazer natural que ele sentir é inocente desde que ele racionalmente não consinta [Ethica] — temos aqui a justificação do papa Chico para as relações sexuais homossexuais, invocando uma suposta  “necessidade natural”.

O intencionalismo (de Pedro Abelardo, mas não só) tem como base um cepticismo em relação ao conhecimento objectivo da ordem moral, o que, em compensação, dá lugar a uma (pretensa) autenticidade e uma (suposta) sinceridade do acto da vontade humana (subjectivismo).

O intencionalismo subjectivista esteve na base do Romantismo que surgiu na Idade Clássica e se prolongou pela Idade Moderna, e que atingiu a sua expressão mais absurda com o pós-modernismo.

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Finalmente: outra origem cultural do "Maoísmo Emocional" pós-moderno é o da tradição da confissão pública católica durante a Alta Idade Média: no fim da missa católica medieval, os fiéis católicos confessavam publicamente (alta voz e em bom som) os seus pecados aos outros membros da sua comunidade; ou seja, a confissão dos pecados era pública. Só a partir do século XVI e com a Contra-Reforma, a confissão católica passou a ser privada e secreta, com a utilização dos confessionários individuais.

Porém, a tradição católica da “confissão pública” foi retomada pelo Romantismo dos séculos XVIII e XIX (embora já despojada das vestes culturais da religião cristã) com o conceito político de “auto-crítica” pública que foi bastamente aplicada (nomeadamente) pelos regimes marxistas da modernidade.

sexta-feira, 10 de setembro de 2021

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

O prometeanismo de Emmanuel Macron, o totalitarismo suave em França, e o abaixamento do QI da população

A França do Macron transformou-se em uma sociedade em que a elite política (a que está ligada a Macron) é presentista; tem o maior desprezo pelo passado (histórico), e revela (ironia do destino!) um sincretismo ideológico entre o globalismo neoliberal, por um lado, e o marxismo cultural, por outro lado (sinificação).

numeros-romanos-webTrata-se de um presentismo que vê no passado (na História) uma ameaça ao prometeanismo pós-religioso da sociedade que se pretende construir, controlada pelo globalismo neoliberal, em aliança tácita com uma certa minoria elitista, caceteira, autóctone e marxista.

Tanto os marxistas culturais como os globalistas (não confundir “globalismo” e “globalização”), acreditam que o mundo é feito pelo ser humano, e que nada lhe é dado, à partida. Esta ideia tem raízes em Francis Bacon.

Para o ser humano prometaico, o passado (histórico) não passa de uma colecção de crimes e de loucuras, e o mundo é a matéria-prima da conquista humana (futura) da perfeição — não existem limites para o destino/futuro do Homem, nem limites para a maleabilidade da Natureza Humana; e não existe uma dimensão trágica da vida humana.

Segundo a mente prometaica (que, basicamente, é, por assim dizer, uma versão alargada da mente revolucionária), o ser humano pode fazer, de si próprio, o que quiser e é, por isso, passível de se tornar perfeito; ou seja: partindo do pressuposto de que “o Homem é aperfeiçoável”, o prometaico conclui (ou infere) que “o Homem tem que se tornar perfeito” (trata-se de uma obrigação ontológica e moral que decorre de uma condição prévia).

Esta perfeição prometaica não é espiritual: é uma perfeição Hic et Nunc (aqui e agora), inerente ao mundo material (presentismo).

A libertação — para o prometaico Macron, por exemplo — é a conquista da felicidade imutável, permanente e total; em que os escolhos (culturais) provenientes do passado, e os inconvenientes existenciais (como, por exemplo, a morte, ou os conflitos inerentes à Natureza Humana) são banidos.

É o LIMITE, entendido no Absoluto Simples, que o prometaico rejeita — e não um qualquer pequeno “limite”, subordinado, e em particular.


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O prometeanismo é uma forma de totalitarismo. Ou melhor: é a actual forma de totalitarismo.

Basta ver o que se passa actualmente em França, com o Macron a querer impôr (utilizando a força bruta do Estado) à sociedade francesa um apartheid sanitário (o carneirismo covideiro).

É um forma de totalitarismo suave e orwelliano, travestido de “libertação” (através da opressão, dizem querer “libertar o povo”).

A ideia de “libertação”, vinda das elites políticas prometaicas, é a de um Homem pós-religioso totalmente liberto de todas as circunstâncias especificas e particulares — especialmente liberto em relação ao passado, de modo a poder ser livre para ser, ele próprio, um Ente Glorioso à face da Terra.

O objectivo da libertação prometaica do Homem é a de alimentar, no ser humano, a construção de um Ego sem quaisquer limites (ou limitações).

Em vez de investir na educação dos cidadãos, a sociedade macroniana, presentista, prometaica, pretende que o ignorante se sinta feliz e livre das amarras de um passado considerado “absurdo” e “inútil”.

Tanto o marxismo cultural, como a plutocracia globalista (de que o Macron é um representante eloquente), apostam fortemente na redução de QI médio das populações do Ocidente.

É neste contexto que a numeração romana foi banida dos museus do Louvre e de Carnavalet (os dois principais museus de França); por exemplo, “Luís XIV” passa a ser escrito (no museu) “Luís 14”; ou “século XVIII” passa ser escrito “século 18”.

Esta decisão, tipicamente macroniana, prometaica, pretende adaptar a Alta Cultura ao baixo QI do actual habitante de França que não percebe, por exemplo, por que razão o símbolo “III” significa “3”.

Nos últimos 30 anos, e com a imigração massiva, o QI médio em França tem baixado de uma forma assustadora. É estimado que os estudantes finalistas do ensino secundário francês actual tenham (em média) um nível de QI e conhecimentos semelhantes ao dos finalistas da escola primária em 1950.

Em vez de investir na educação dos cidadãos, a sociedade macroniana, presentista, prometaica, pretende que o ignorante se sinta feliz e livre das amarras de um passado considerado “absurdo” e “inútil”.

quarta-feira, 12 de maio de 2021

Na luta contra o Totalitarismo de Veludo, todos os meios são justificados (para bom entendedor...)

monhe-das-cobras“Por responsabilidade de quem decide, de quem está no espaço público e mediático e do perfil de ligeireza da participação cívica e do exercício da liberdade de expressão, Portugal está a transformar-se num país intolerante.

Intolerante perante a crítica, com crescente agressividade perante a diferença e construção de narrativas inacreditáveis para responder às realidades e desculpar os protagonistas políticos pelas suas decisões, inabilidades e incompetências.

Intolerante perante a diversidade, numa deriva bipolar que consagra direitos de nichos populacionais ou temáticos enquanto pretende proibir realidades que são parte das vivências das comunidades e pilares das economias locais, também com projecções na economia nacional e na coesão territorial.

Ninguém é obrigado a gostar de touradas, a compreender a importância que têm para algumas comunidades e os impactos nas dinâmicas económicas de alguns territórios. Ninguém deveria gerir a coisa pública com base em gostos pessoais, preconceitos e tiques de arrogância urbana pseudo-modernista.

Infelizmente é o que temos na proposta de contrato de concessão do serviço público de rádio e televisão em que se exclui, proibi e segrega a possibilidade de transmissão televisiva de touradas. A manta foi curta para responder às gentes da cultura, mas para exercitar o preconceito não faltou tecido. Como ser um serviço público universal pudesse ser parcial, sectário e eivado de preconceito contra o mundo rural.”

João Galamba


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Uma cultura sem tabus é um círculo quadrado.

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

O patético Rui Rio deveria meter a viola no saco

Rui Rio é um político que defende abertamente a liberalização da eutanásia; e vem agora a terreiro criticar quem defende a restrição do aborto.

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Os liberais, por um lado, e a Esquerda marxista cultural, por outro lado (les bons esprits se rencontrent... ), adoptam — em matéria de ética, moral e costumes — sistematicamente a estratégia política de “negação do universal” ou a afirmação de um nominalismo radical, em uma primeira fase da guerra cultural; porém, em uma segunda fase da guerra aberta contra a cultura cristã, os liberais e os marxistas passam a generalizar aquilo que era anteriormente — alegadamente — um caso particular “não generalizável”.

Primeiro isolam (tratam um caso como sendo “uma excepção”); e depois generalizam.

Por exemplo: o caso do aborto, naquela criança brasileira de 10 anos, será sempre um ponto de partida da estratégia política para a legalização geral do aborto no Brasil : os liberais e os marxistas partem de um caso particular (por mais defensável que seja aquele aborto, em termos éticos), para depois generalizar esse caso e sujeitar a prática do aborto a um critério universal de puro gosto pessoal.

Os liberais e os marxistas misturam (em pura e flagrante contradição), na sua estratégia política e em proporções infinitamente variáveis, uma axiomática do interesse pessoal, por um lado, e uma axiomática sacrificialista colectiva, por outro lado: a primeira, isola o indivíduo do contexto geral (nominalismo radical), e a segunda é, alegadamente, uma apologia do altruísmo no sentido da universalização de uma determinada acção (neste caso, o aborto).

Por isso (e só por isso) é que eu compreendo a atitude dos conservadores brasileiros. A guerra cultural, levada a cabo pela aliança entre liberais e marxistas, é eminentemente irracional; e perante a irracionalidade, é inútil utilizarmos a Razão.

sexta-feira, 22 de maio de 2020

O Homem-Massa no século XXI


Um livro que deveria ser obrigatório ler no liceu (vamos pugnar pelo retorno dos liceus, que o politicamente correcto e o nacional-porreirismo abrilista aniquilou) — seja na disciplina de Filosofia ou na de Língua Portuguesa — é a "Rebelião das Massas" (1929) do filósofo Ortega y Gasset.

homem-massa-webO meu filho mais novo é doutorado em Bioquímica por uma prestigiada universidade do mundo anglo-saxónico. Eu digo-lhe, insistentemente: “tens que complementar a especialização, por um lado, com a aprendizagem (nos tempos livres) das artes tradicionais e/ou das disciplinas das Humanidades, por outro lado.”

Umas das críticas feitas por Ortega y Gasset (partilhada também por Patrick J. Deneen no seu livro "Why Liberalism Failed") é a crítica do monopólio da especialização — repito e sublinho: monopólio; porque “especialistas” sempre os houve — a que Gasset chamou de “Barbárie da Especialização” inerente a uma “Era da Auto-satisfação”.

A “Era da Auto-satisfação” e da “Barbárie da Especialização” (sic) é o tempo moderno das economias de abundância, que gerou gentinha da estirpe da Maria João Marques, a que se refere aqui o José da Porta da Loja. Esse tipo de gentinha é o que Ortega y Gasset chamou de “Homem-Massa”.

A Maria João Marques é o avesso do radicalismo esquerdopata; mas faz parte da mesma teia e trama cultural que gerou o Homem-Massa que “nunca tem dúvidas e raramente se engana” (ao Cavaco Silva, faltou-lhe o liceu) — a minha primeira crítica (civilizada) às ideias da Maria João Marques teve como consequência imediata o bloqueio no Twitter; aquela triste criatura não admite quaisquer críticas.


O Homem-Massa possui a psicologia de uma criança mimada e exibe um sentimento superioridade em relação a quem ouse contrariá-lo: tem um ego do tamanho do universo — mas o seu ego mantém-se a um nível infantil de desenvolvimento —, ao mesmo tempo que despreza os aspectos hierárquicos da sociedade, da Natureza e da cultura; e todas as instituições da sociedade são concebidas (pelo Homem-Massa) à sua precária medida (o Homem-Massa é um sofista moderno, uma espécie de Protágoras de Abdera, mas com inteligência inferior): segundo o Homem-Massa, as instituições deixaram de ter valor em si mesmas, porque são todas (igualmente) equivalentes, e porque “o homem é a medida de todas as coisas”.

O Homem-Massa está isento de restrições — esta ausência de restrições advém (não só, mas também) do preceito cultural segundo o qual “Letras são Tretas” que é assimilado nas Multiversidades (as Universidades já não existem). As “Letras são Tretas” geraram um vazio epistemológico no Homem-Massa (uma ausência de uma perspectiva histórica do conhecimento), uma ignorância acerca do passado histórico, e mais: até mesmo um desprezo por esse passado histórico aliado a uma egologia eternamente presentista.

culto-do-corpo-webO actual narcisismo exacerbado – e pior!: o culto do narcisismo!: quem não é notoriamente narcisista é desprezado pela cultura do Homem-Massa — é característico da “Era da Auto-satisfação” que alimenta a ideia endógena segundo a qual “a vida é coisa fácil e sem grandes limitações” que leva o Homem-Massa a fechar-se em relação a qualquer juízo crítico sério; e uma tendência culturalmente ingénita de impôr as suas ideias triviais e sem qualquer respeito pelas ideias dos outros. Esta vulgaridade é característica do “barbarismo espiritual” (sic) da “Barbárie da Especialização”.

O Homem-Massa acredita que a Matéria é a única realidade, por um lado, e por outro lado é adepto exclusivo do “culto do corpo”; prefere viver sob um regime que não privilegie a discussão livre — e vem daqui o fechamento em relação a qualquer juízo crítico (o Homem-Massa prefere a supressão do debate de ideias, em nome da supremacia de uma putativa “especialização”).

O Homem-Massa caminha a passos largos para a sua morte espiritual, ao mesmo tempo que frequenta freneticamente ginásios e clínicas médicas para tentar adiar a sua morte biológica.

O Homem-Massa desconhece (ou despreza) a literatura anterior ao século XX.

As grandes obras literárias (Cervantes, Shakespeare, Camões, etc.) são anti-utopias, porque acentuam as falhas humanas e demonstram a tendência inevitável do ser humano para a tragédia (o Homem-Massa ignora a categoria do “trágico”, o que o transforma em um neurótico permanente). Pelo contrário!: o Homem-Massa ignora (ou nega mesmo) a existência da Natureza Humana. E assim a literatura clássica foi praticamente banida das Multiversidades, em nome da “Barbárie da Especialização” .

Com o advento do Homem-Massa, a noção de “ser humano” foi reduzida a aspectos físicos comezinhos, como a genitália e a cor da pele (e ao feminismo estupidificante e radical da Maria João Marques). Na Era da Especialização, o Homem-Massa convenceu-se de que “eu é que sei!” (a dúvida socrática desapareceu da nossa cultura intelectual), adoptando um isolamento epistemológico e uma certeza moral invioláveis.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Eu não sei qual é a mais “inculta”: se a cultura que tolera o aborto e a eutanásia , se a cultura que permite as touradas


Uma tal Isabel A. Ferreira — que tem uma série de licenciaturas e PhD's (no nosso tempo, qualquer burra consegue um qualquer alvará de inteligente) — escreve o seguinte acerca da posição de Caiado Guerreiro no que diz respeito às touradas:


« Qual "cultura"? Está a falar de qual "cultura": a CULTA ou a INCULTA?

Sim, porque as touradas pertencem ao rol das "culturas incultas" que, à medida que a civilização avança, vão sendo abandonadas. »


Eu nunca paguei bilhete para ver uma tourada; mas não admito que a Esquerda (que inclui o PSD de Rui Rio e de José Pacheco Pereira: os mesmos que apoiam a legalização do aborto e da eutanásia em hospitais públicos e pagos com os meus impostos) pretenda proibir o espectáculo público da tauromaquia.


Caiado-Guerreiro-touradas


A “cultura culta”, a que se refere aquela troglodita titulada, é a cultura puritana que aborta à fartazana, pressiona os velhos fragilizados para o suicídio legalizado em hospitais públicos … mas pretende proibir a tourada!.

É com esta cambada de indigentes intelectuais que estamos a lidar.

Hoje, o “pecado” dos puritanos secularistas modernos já não é de natureza sexual (como acontecia com os puritanos dos séculos XVI e XVII) : em vez disso, o “pecado” dos puritanos actuais é a “pegada ecológica”, por um lado, e por outro lado é tudo o que negue as teses animalistas de Peter Singer que equipara os animais ditos “sensientes” em geral, por um lado, ao ser humano, por outro lado.

Uma das características dos puritanos secularistas (tal como aconteceu com os puritanos do século XVII) é a tentação de proibir tudo com que não concordem.

Tudo aquilo com que aquela pobre criatura não concorde é considerado por ela como sendo passível de proibição através da força bruta do Estado — com excepção do aborto e da eutanásia, como é evidente, que, segundo os puritanos secularistas, devem ser liberalizados o mais possível.

Os puritanos secularistas têm características emocionais semelhantes às dos puritanos no tempo de Cromwell: o farisaísmo em relação à imposição coerciva da lei, o moralismo exacerbado e exclusivista, e sobretudo o prazer mórbido de apontar os “pecados” àqueles com quem eles não concordam. Ou seja, os puritanos secularistas têm os vícios dos puritanos do século XVII, mas não têm as suas virtudes.

Eu prefiro viver numa cultura com touradas permitidas por lei, mas que respeite a dignidade da vida humana desde a concepção até à morte, do que viver numa cultura que fomente o aborto e a eutanásia ao mesmo tempo que proíbe as touradas.

Eu não sei qual é a mais “inculta”: se a cultura antropológica  que tolera o aborto e a eutanásia (a tal cultura que aquela criatura defende como sendo legítima), se a cultura antropológica que permite as touradas. [não confundir “cultura intelectual” com “cultura antropológica”].

Claro que o argumento de determinados puritanos secularistas espertalhões (como é o caso do José Pacheco Pereira) é (grosso modo) o seguinte:

“Eu também sou contra o aborto: quero construir uma sociedade perfeita, com uma cultura perfeita. À medida em que a civilização avança, o ser humano caminha para a perfeição, transformando-se em deus”.

Este tipo de argumento historicista, vindo do puritanismo secularista actual, é extremamente perigoso porque legitima a censura política sistémica, por um lado, e por outro lado pretende (hoje) justificar assim a limitação drástica da liberdade de expressão.

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A irracionalidade volta a estar na moda; o Iluminismo está defunto e enterrado.

Hoje, as “elites” (da trampa) são absolutamente irracionais; colocam sistematicamente as emoções acima da racionalidade— só que é um tipo de irracionalismo cujos dogmas não têm qualquer autoridade que lhes assista: os dogmas do puritanismo secularista irracional actual não respeitam qualquer autoridade de direito e/ou de facto.


quarta-feira, 12 de junho de 2019

Quando o Bloco de Esquerda e a Direitinha se abraçam

Cerca de 180 directores de empresas americanas concordam com a Esquerda radical (de tipo “Bloco de Esquerda”): “a restrição do aborto é má para o negócio”.

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Vemos como a Direitinha (tipo Insurgente) concorda com a esquerda radical (tipo Bloco de Esquerda), nesta como noutras matérias. Talvez por isso é que a Catarina Martins disse (eu ouvi) que “O Bloco de Esquerda é a salvação do capitalismo”.


Recordando um texto de Olavo de Carvalho:


« Há muitos motivos para você ser contra o socialismo, mas entre eles há dois que são conflituantes entre si: você tem de escolher. Ou você gosta da liberdade de mercado porque ela promove o Estado de Direito, ou gosta do Estado de Direito porque ele promove a liberdade de mercado. No primeiro caso, você é um “conservador”; no segundo, é um “liberal”.

(…)

Ou você fundamenta o Estado de Direito numa concepção tradicional da dignidade humana, ou você o reinventa segundo o modelo do mercado, onde o direito às preferências arbitrárias só é limitado por um contrato de compra e venda livremente negociado entre as partes.

(…)

O conservadorismo é a arte de expandir e fortalecer a aplicação dos princípios morais e humanitários tradicionais por meio dos recursos formidáveis criados pela economia de mercado. O liberalismo é a firme decisão de submeter tudo aos critérios do mercado, inclusive os valores morais e humanitários.

O conservadorismo é a civilização judaico-cristã elevada à potência da grande economia capitalista consolidada em Estado de Direito.

O liberalismo é um momento do processo revolucionário que, por meio do capitalismo, acaba dissolvendo no mercado a herança da civilização judaico-cristã e o Estado de Direito. »

— Olavo de Carvalho, “Por que não sou liberal” ; ler o resto.

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

O Bloco de Esquerda e os seus sequazes estão a ir longe demais. Tenham cuidado!

 

« Todos sabemos do caso “para maiores de 18” que Serralves instalou numa sala com algumas das fotografias feitas precisamente por Mapplethorpe.

É sábio o comentário que um ex-director de Serralves (entre 2003 e 2012), João Fernandes, fez ao Público, ao considerar a decisão censória um uso indevido pela parte do museu: ”Trata-se, simplesmente, de uma questão de cidadania, de direitos cívicos. O pai ou a mãe de um menor devem ter o direito de levar os filhos a qualquer exposição, de decidir com eles a que imagens vão expô-los, que imagens querem discutir. Não deve ser o museu – não pode ser o museu – a decidir por eles, O que um adolescente viu nesta exposição é mais explícito do que viu já, sem filtro, na Internet ou na televisão?” Evidentemente. »

Francisco Santos


O argumento do senhor Santos (e quiçá do Bloco de Esquerda) é o seguinte: os pais das crianças é que sabem que “conteúdos culturais” que os seus filhos podem ver.

Mas só às vezes!, quando convém à extrema-esquerda !

Noutras vezes, por exemplo, na escola, é o Estado que sabe o que as crianças podem ver e aprender, e tudo à revelia dos respectivos pais. Ou seja, segundo o Santos, os pais só mandam nas crianças quando convém a uma determinada agenda política da Esquerda radical.

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Para se perceber o assunto deste verbete, há que ler, em primeiro lugar, o seguinte artigo no Observador : Polémica em Serralves: chovem críticas à administração do museu.

Desde logo, o artigo referido contém informação falsa — porque de facto não houve qualquer censura em relação aos artigos a expor.

Segundo ouvi na TSF e noutras estações de rádio, o critério de selecção das obras (por parte do estafermo João Brito) a expôr não foi sujeito a qualquer tipo censura. O que aconteceu foi que, dado o cariz sexualmente explícito das fotografias expostas, a administração da Fundação de Serralves entendeu que as ditas fotos seriam expostas em uma sala reservada; e é a isto que os filhos-de-puta do Bloco de Esquerda chamam de “censura”.

Portanto, é falso que a administração da Fundação de Serralves tenha retirado / censurado fotos de “conteúdo explícito”— como diz o artigo do Observador. O que chateou o Bloco de Esquerda e os seus sequazes foi a escolha de uma sala reservada para a exposição:


« João Ribas tinha sido citado a 14 de Setembro pelo Público, dizendo que a mostra não teria “qualquer tipo de restrição a visitantes de acordo com a faixa etária”, porque “um museu não pode condicionar, separar ou delimitar o acesso às obras.” »

A ideia segundo a qual “um museu não pode condicionar, separar ou delimitar o acesso às obras”, é um absurdo! — porque se parte do princípio de que uma criança é o mesmo que um adulto. Qualquer pessoa com bom-senso percebe que uma criança não é o mesmo que um adulto!

O que está em causa aqui — com a “indignação” do Santos, do Brito, e do Bloco de Esquerda — é a nova causa fracturante do Bloco de Esquerda:

1/ o abaixamento da idade de consentimento sexual para os 10 ou 11 anos, em uma primeira fase;

2/ numa fase seguinte, a descriminalização da pedofilia.

É isto que está em causa. É isto que o Bloco de Esquerda quer. E para conseguir isto, o Bloco de Esquerda não olha a quaisquer meios.


A transformação da pornografia em “arte para todas as faixas etárias”, ou seja, em Cultura, tem o objectivo de promoção da pedofilia como “orientação sexual”. O que se pretende é a deslocação da Janela de Overton no sentido da permissão legal do sexo entre adultos e crianças. É isto que o Bloco de Esquerda pretende.

Por isso é que a comparação que o Santos faz entre “pornografia na Internet”, por um lado, e “pornografia em um museu”, por outro lado, é absolutamente estúpida — porque a pornografia exibida em um museu (como o da Fundação de Serralves) é avalizada e valorizada como sendo um conteúdo cultural de primeira grandeza, e não já o conteúdo cultural bas-fond e eticamente desprezível da pornografia na Internet. Só um estúpido como o senhor Santos não consegue ver a diferença.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

A defesa esquerdista da imigração islâmica é um instrumento de acção política totalitária

 

¿Quem é que defende a imigração livre de muçulmanos? Resposta: a Esquerda.

¿Quem é que defende a criminalização da misoginia, que é uma das características da cultura islâmica? A Esquerda.

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Aparentemente, quando defende a livre imigração de muçulmanos, a Esquerda não sabe que a cultura islâmica é radicalmente misógina — porque, de outra forma, não se compreende que a Esquerda defenda a entrada em massa de um tipo de população cuja cultura vai contra os princípios elementares defendidos pela própria Esquerda.

Mas não se trata de ignorância, por parte da Esquerda. Esta contradição esquerdista é intencional; a Esquerda entra em contradição propositadamente. A contradição e a incoerência fazem parte da estratégia política da Esquerda (estimulação contraditória).

O ideário político da Esquerda é totalitário por sua própria natureza; os seus princípios mergulham no conceito de Razão de Estado e do Absolutismo régio, por um lado, e, por outro lado, no princípio espartano de "Vontade Geral" de Rousseau.

Qualquer indivíduo que se diga de Esquerda defende (implícita- ou explicitamente) a ideia da construção de um sistema político e social totalitário — mesmo que o libertarismo circunstancial que ele defenda não passe de um meio e de uma forma de desregulamentação (por assim dizer) e de desmantelamento de uma determinada cultura antropológica.

O esquerdista vive fascinado pelo totalitarismo; e acredita que ele próprio foi escolhido (pelo destino) para pertencer à classe social ou elite que conduzirá a sociedade à sua própria salvação sob um indispensável sistema totalitário. Trata-se de uma crença soteriológica que transforma o sentimento de inferioridade endógeno do esquerdista em um complexo de superioridade.

Para conseguir impôr (paulatina- e progressivamente) o ideário totalitário na cultura antropológica, o ideólogo esquerdista necessita de reduzir toda a realidade social e cultural ao Direito Positivo (todas as normas têm que ser traduzidas em leis positivas, fazendo desaparecer as leis não-escritas que compõem a moral, e obnubilar os valores da ética vigente), por um lado; e por outro lado, o esquerdista necessita que os factos passem a ditar a construção do Direito Positivo (que é uma forma de se poder escolher discricionariamente os factos que se mostrem mais relevantes para a construção dessa sociedade totalitária, através da tentativa de legitimação do conceito político falacioso de "Vontade Geral").

Ou seja, para o esquerdista, os factos fazem o Direito Positivo — excepto aqueles factos que não interessam para a construção do totalitarismo que defendem.

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O exemplo de uma práxis esquerdista deste tipo é protagonizado pela Isabel Moreira (que está no Partido Socialista como poderia estar no Bloco de Esquerda). O aparente “libertarismo” da Isabel Moreira é circunstancial, e existe apenas como um instrumento político de desregulamentação e desmantelamento de um status quo social e cultural: o libertarismo do esquerdista produz a “terra queimada” social e cultural, sobre a qual se construirá a futura sociedade totalitária.

Quando a Esquerda defende a entrada massiva de muçulmanos, por um lado, e por outro lado defende a criminalização da misoginia, o que a Esquerda pretende é impôr, na cultura antropológica, a aceitação unânime do princípio totalitário da Absolutização do Direito Positivo (redução da cultura antropológica e da moral, ao Direito Positivo) — que é o princípio segundo o qual os valores da ética, e a própria moral, desaparecem da cultura antropológica para serem substituídos pela normalização elitista e totalitária imposta através do Direito Positivo.

Ou seja, a defesa esquerdista da imigração islâmica é apenas um instrumento de acção política totalitária.

sábado, 11 de agosto de 2018

Em Roma, sê romano!

 

Eu estou de acordo com o princípio segundo o qual deve ser proibido, por lei positiva, o uso do Niqab e da Burka em locais públicos, mas não pelas mesmas razões descritas aqui. Ou seja, podemos ter uma concordância em relação à forma, mas não no conteúdo.

A principal e mais importante razão por que a Burka ou o Niqab devem ser proibidos em locais públicos, é a preocupação da Lei com a segurança — é um problema de segurança pública. Ponto final.

Imaginemos que eu entrava embuçado em um Banco; mesmo que não tivesse a intenção de roubar, eu iria certamente parar à esquadra policial mais próxima para ser identificado.

As considerações de índole religiosa são subjectivas; o que é objectivo, na lei anti-burka, é a segurança pública.

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londres-burkas-300webOutro problema são as diferenças culturais que possam existir. Podemos não gostar da cultura dos outros, mas esta diferenciação pessoal pode não se relacionar com qualquer questão de segurança pública. Por exemplo, o Hijab muçulmano não coloca qualquer problema de segurança pública, e portanto não há nenhuma razão objectiva para ser proibido, pela lei positiva, o seu uso na via pública.

De resto, os argumentos colocados aqui são sofríveis, também porque faz comparações absurdas. Por exemplo, ao contrário do que é dito, qualquer pessoa tem o direito de escolher não ter férias, desde que o patrão concorde com isso. Ninguém pode ser obrigado por lei a não trabalhar.
Quem quiser trabalhar no dia de Natal, por exemplo, não deve ter nenhuma lei positiva que o proíba. Uma coisa são as leis não escritas (a tradição); outra coisa, bem diferente, é a lei positiva; mas, a não ser em casos muito excepcionais, a lei positiva não deve substituir a tradição.

Ora, é tradição não trabalhar no dia de Natal; e é uma tradição não trabalhar ao Domingo — e quem trabalha ao Domingo é (geralmente) ou deve ser remunerado de forma especial. Mas não deve existir uma lei positiva que proíba que se trabalhe ao fim-de-semana, como sugere o Ludwig Krippahl. E não deve ser proibido por lei positiva que uma pessoa “trabalhe sem descanso”, se ela quiser; o que pode e deve acontecer é que essa pessoa seja avisada dos inconvenientes do seu estilo de vida — assim como quem fuma deve ser avisado dos inconvenientes de fumar, mas não deve ser proibido, por lei, de fumar. Um médico pode proibir (proibição moral) um cidadão de fumar; mas o governo não pode proibir, por lei positiva, que um cidadão fume.

Em suma, o Ludwig Krippahl confunde um problema de segurança pública, por um lado, com um problema de diferenciação de tradições na cultura antropológica, por outro lado.


Contudo, é verdade que a principal tarefa da cultura (Claude Lévi-Strauss) é a de garantir a existência da coesão social, e portanto, a de substituir o “acaso” na organização da sociedade (estruturalismo). O grande inimigo da sociedade é o “acaso” (a imprevisibilidade) que, embora não possa ser totalmente debelado (Merleau-Ponty), exige a função da cultura antropológica, que é a de reduzir ao mínimo possível a influência do “acaso” na organização da sociedade.

E por isso é que, dentro do possível, as leis devem seguir os paradigmas maioritários da cultura antropológica (da tradição), salvo em casos excepcionais e racionalmente fundamentados. E por isso é que “em Roma, sê romano”.

O problema da imigração islâmica é o de que muito dificilmente é assimilável a outras culturas — porque o Islamismo não é uma religião normal: em vez disso, é uma religião política.

O muçulmano, salvo raras excepções, não se integra na cultura nos países de destino da emigração: prefere viver em guetos e zonas de exclusão comunitárias — mas aqui o problema não é o da Burka ou do Niqab: o problema é o do tipo de imigração que a Europa está a tolerar.

terça-feira, 5 de junho de 2018

A miopia presentista dos “intelectuais secularistas”

 

Temos aqui um texto curto de um tal Padre Fernando Calado Rodrigues (ver em ficheiro PDF, para memória futura), e pode ser lido num ápice. 1

Temos ali (no referido texto) um exemplo de uma “análise” presentista da realidade. Um dos enormes problemas do nosso tempo é o de que tanto queremos prever o futuro que nos esquecemos dos exemplos do passado. Existe de facto um corte epistemológico com o passado, e o surpreendente é que os sacerdotes, que supostamente têm uma formação em filosofia e em teologia, não escapam à vulgaridade que o espírito do nosso tempo nos impõe.

A ideia do Padre segundo a qual a Igreja Católica “habituou-se a coroar reis e imperadores e a impor as suas leis às sociedades” é análoga à ideia abstrusa de que “a galinha surgiu antes do ovo”, porque

1/ foi um político (o imperador Constantino) que impôs o Cristianismo a todo o império romano; a cristianização do império romano foi, antes de mais nada, um imperativo político.

2/ as relações entre a Igreja Católica e o poder político, na Europa Ocidental (as relações da Igreja Ortodoxa com o Estado foram diferentes), sempre foram marcadas por uma dissensão constante. A ideia de que “a Igreja Católica impôs as suas leis às sociedades europeias”, escamoteia o facto de os reis (o poder político) andarem constantemente “à porra e à massa” com os papas. O Cristianismo foi usado pelos políticos europeus para impôr às respectivas populações uma certa ordem política. A ideia simplista de que “foi a Igreja Católica que impôs as suas leis às sociedades” só pode vir de um radical jacobino.


“O mundo moderno parece invencível; como os dinossauros desaparecidos.”Nicolás Gómez Dávila 


A seguir, o Padre fala em “secularização” da mesma forma que os bolcheviques falavam de “revolução”: como um estádio político evolutivo, produto de uma dialéctica evolucionária da qual surgiu o secularismo soviético — que já se extinguiu. Aliás, durou menos de um século. E voltamos ao presentismo do Padre: o homem não enxerga grande coisa a dois palmos do nariz (dele).

A actual classe dita “intelectual” é míope.

Não se dão conta de que o “secularismo” é hoje uma religião política; não deixa de ser uma forma de religião. O problema é o de saber se essa forma de religião imanente  e monista  (o secularismo), entendida em si mesma e quando despreza a Lei Natural, poderá fundamentar a realidade social e cultural durante muito tempo — porque há aqui, desde logo, um problema demográfico: os secularistas, seguidores de religiões política imanentes, em geral, não se reproduzem ao mesmo ritmo dos seguidores de religiões transcendentais.

Portanto, por uma questão de ordem natural das coisas, o “secularismo” entendido como religião política, tende a desaparecer — e não o contrário disto, como diz o Padre. Aliás, já verificamos isso em alguns países europeus (Bélgica, Suécia), onde a população islâmica será maioritária dentro de duas ou três décadas.

Finalmente, está propalada a ideia de que a legalização da eutanásia não interfere minimamente com a liberdade implícita na cultura antropológica — por exemplo, quando o Padre escreve o seguinte:

“De qualquer forma, mesmo que seja lícito fazê-lo, os católicos não serão obrigados a pedir a eutanásia. Também os médicos católicos não serão obrigados a fazê-la.”

Há dias, o Supremo Tribunal de Justiça dos Estados Unidos teve que vir a terreiro defender os direitos de um padeiro cristão que se recusou a cozinhar um bolo para um "casamento" gay. Mas quando o "casamento" gay foi proposto à sociedade, disseram-nos que “a nossa liberdade não seria minimamente afectada com os casamentos dos gays”. A realidade diz-nos isso que não é verdade.

O que o Padre escamoteia — ou por ignorância, ou por estupidez, ou por malevolência — é que o próprio conceito de “católico” estará em causa a partir do momento em que a lei comum (o Direito Positivo) passe a ser anticatólica, como já vai acontecendo. Em uma sociedade em que a lei não é apenas “não-católica”, mas é sobretudo “anticatólica”, os católicos entram em espiral do silêncio e deixam de existir social- e culturalmente enquanto católicos — a não ser que se entre por uma resistência clandestina que envolverá um certo grau de violência articulada internacionalmente.

Ou seja: o que estamos a assistir na União Europeia do pós-cristianismo é a uma “sovietização” mas sem uma União Soviética.

Os maomedanos encarregar-se-ão de contradizer os jacobinos instalados nos corredores do Poder e no Vaticano.


Nota
1. Se o artigo 13 passar no paralamento europeu, terei provavelmente que pagar uma taxa por mencionar aqui a ligação para aquele artigo.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

A dialéctica do Anselmo Borges (ou “A Estratégia dos Dois Carrinhos”)

 

O Anselmo Borges faz lembrar um ministro de um governo do Partido Socialista que, quando houve uma Manif de protesto à porta do seu ministério, veio para a rua e juntou-se aos manifestantes. E quando acabou a Manif contra a sua própria política, voltou para o ministério.


A contemporaneidade é caracterizada por uma determinada esquizofrenia política, de que podemos constatar também no Anselmo Borges que, por um lado, defende ideias da esquerda hegeliana (de que faz parte o Habermas), estendendo-as mesmo ao âmago do Cristianismo; mas, por outro lado, critica as consequências (políticas e culturais) das ideias da Esquerda hegeliana na nossa sociedade.

Eu não sou nada “Habermas”; sou mais “Karl Popper”  (e mais ainda sou “Alasdair MacIntyre” e “Charles Taylor”). E, como se sabe, os dois nunca se deram bem.

Para quem não está familiarizado com a esquizofrenia política do Anselmo Borges:

Jürgen Habermas foi assistente (universitário) de Adorno, e é o continuador da Teoria Crítica da Escola de Francoforte (marxismo cultural).
A Teoria Crítica coloca em causa, por exemplo, o Iluminismo (a Teoria Crítica é uma teoria anti-científica, e por isso é que Habermas “andou de candeias às avessas” com Karl Popper), tem a sua raiz nas doutrinas de Adorno, de Horkheimer, assim como na actividade de Habermas no Instituto de Investigação Social da Universidade de Francoforte.

Por isso é que o Anselmo Borges cita o Jürgen Habermas: fazem parte da mesma equipa que corrói a sociedade e a cultura europeias.


A crítica que o Jürgen Habermas faz às redes sociais (crítica essa com que o Anselmo Borges parece concordar, através do seu — dele — texto) é apenas a continuação ideológica do livro de Habermas “Técnica e Ciência como Ideologia”, publicado em 1963, e que nada mais é do que uma actualização ideológica da Teoria Crítica da Escola de Frankfurt : Habermas critica, critica, critica, tal qual uma picareta falante, mas a solução que apresenta é um igualitarismo politicamente correcto (marxismo cultural. Não se trata da defesa de “igualdade de oportunidades”: trata-se da defesa de  uma “igualdade dos sucessos”).

Jürgen Habermas defendeu a chamada “ética discursiva” (marxismo cultural ) que levou a sociedade ao descalabro cultural actual. E o Anselmo Borges critica o descalabro cultural actual e, simultaneamente, faz a apologética de Jürgen Habermas. É aqui que reside a esquizofrenia ideológica do Anselmo Borges. A “ética discursiva”, de Habermas, implica uma “moral de negociação provisória”, em que os valores da ética são sistematicamente colocados em causa e implica uma incerteza permanente das normas morais. É isto que o Anselmo Borges defende quando faz a apologia do Habermas.


“Sem a educação, encontramo-nos no horrível e mortal perigo de levar a sério as pessoas educadas.”
— G. K. Chesterton (“The Illustrated London News”).

ANSELMO-BORGES-HOPE-WEBHá dias, vi na televisão o Miguel Sousa Tavares a criticar as redes sociais (FaceBook, Twitter, etc.), fazendo alarde orgulhoso do facto de não ter conta aberta no FaceBook ou em qualquer outra rede social. A posição do Anselmo Borges insere-se na mesma linha ideológica da do Miguel Sousa Tavares. Trata-se de gente que está a perder o poder fáctico, e isso incomoda-a. De resto, não existem hoje mais analfabetos do que os que existiam em 1963, ano em que Habermas publicou o livro supracitado.

O que incomoda o Anselmo Borges e o Miguel Sousa Tavares — entre outros mentecaptos dotados de um alvará de inteligência — é que os cidadãos actuais, em geral, já não confiam nas “elites” como acontecia não vai ainda muito tempo. Ou, parafraseando Chesterton, já não levamos a sério as “elites” ditas “educadas”. O Anselmo Borges e o Miguel Sousa Tavares defendem a existência de uma classe de uma espécie de “gnósticos” — “classe” que se distingue do conceito de “escol”, de Fernando Pessoa (o escol não quer dizer uma classe, mas antes é uma série de indivíduos). E por isso é que ambos criticam o “achismo” do povão (que horrível cheiro a povo!).

A verdade é que — e aqui concordo com Karl Popper —, ao longo da História, os povos estiveram mais vezes certos (com a razão) do que as elites. Ou seja, historicamente as elites erraram mais vezes do que a opinião emanada das massas populares.

Maioritariamente, e por instinto ou por intuição, o povo português não concorda com a legalização da eutanásia; e, implicitamente, também não concorda que o “modelo discursivo” de Jürgen Habermas (que o Anselmo Borges tanto aprecia) sirva para que o Partido Socialista e o Bloco de Esquerda legalizem a eutanásia.

Por isto é que não se percebe por que razão o Anselmo Borges defende a “ética discursiva” de Jürgen Habermas ao mesmo tempo que se coloca contra a eutanásia defendida pelos seus (do Anselmo Borges) próprios correligionários ideológicos.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

A hipocrisia puritana do Júlio Machado Vaz

 

Hoje ouvi na rádio pública (Antena 1, rádio do Estado) o Júlio Machado Vaz insurgir-se contra as touradas e, de uma forma implícita, a defender a proibição das touradas — argumentando, por exemplo, que “a tourada não é uma tradição em Portugal porque, de um total de 308 concelhos, apenas em 40 se realizam espectáculos de tourada” (este argumento é o mais estúpido que alguém poderia conceber: como se uma tradição pudesse ser considerada como tal independentemente da cultura antropológica; como se fosse necessário que a maioria dos concelhos de Portugal tivesse praças-de-touros para que a tourada fosse considerada tradição em Portugal.

julio machado vaz webO Júlio Machado Vaz, que hoje ouvi defender publicamente (implicitamente) a proibição das touradas em nome do alegado “sofrimento do touro”, é o mesmo Júlio Machado Vaz que fez campanha a favor da legalização do aborto gratuito pago pelo Estado (ou seja, abortos pagos por todos os portugueses).

Quando se trata do sofrimento de um ser em que já bate um coração, o Júlio Machado Vaz “chuta para canto”, porque entra em dissonância cognitiva, por um lado; e por outro lado porque ele adopta uma agenda política tenebrosa que pretende substituir uma série de tabus tradicionais e seculares por outros tabus anti-naturais.

Neste caso, o Júlio Machado Vaz (e a Esquerda em geral) pretende substituir um tabu tradicional, que eticamente impede o aborto, por um novo tabu que proíbe a tourada (eliminando o tabu do aborto da cultura antropológica). O Júlio Machado Vaz sabe que uma cultura sem tabus é um círculo quadrado; e por isso sabe que é imprescindível substituir os tabus tradicionais por outros tabus que permitam (ou que facilitem) o assalto totalitário ao Poder.

Este fenómeno político e cultural, de que é exemplo o Júlio Machado Vaz, ganhou um nome nos Estados Unidos : Virtue signalling”. Traduzindo em português: “Sinalização de Virtudes”. No fundo, trata-se de um tipo de puritanismo hipócrita que, na esteira cultural da Reforma protestante, se caracteriza por uma “guerra” contra a tradição.

Os esquerdistas actuais são os herdeiros culturais de Lutero e/ou Calvino. “Nietzsche, o grego; Karl Marx, o cristão protestante” (Albert Camus).

« Os puritanos detestavam os combates de ursos, não porque esses jogos causassem sofrimento aos ursos, mas porque davam prazer aos espectadores. »Thomas B. Macaulay 

Esse puritanismo hipócrita, de Sinalização de Virtudes e anti-tradicionalista que esteve sempre presente na cultura europeia cristã através do gnosticismo anti-cristão, evoluiu para o gnosticismo puritano moderno.

Ernest Sternberg, professor da universidade de Bufallo, Estados Unidos, escreveu um ensaio sobre as novas tendências da Esquerda a nível global que crescem actualmente sobre os escombros do marxismo-leninismo. O ensaio tem o título genérico de “Purifying the World: What the New Radical Ideology Stands For”“Purificando o Mundo: O que pretende a nova ideologia radical”.

Ernest Sternberg chama ao novo tipo de esquerdismo (renascido do marxismo cultural) que desponta e se organiza a nível internacional, de “Purificacionismo” (trata-se de uma religião monista !). O nome dado por Ernest Sternberg (Purificacionismo) está intimamente ligado ao movimento puritano inglês dos princípios da idade moderna, que Eric Voegelin descreve com uma minúcia surpreendente na sua obra “A Nova Ciência da Política”.