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domingo, 14 de dezembro de 2025

O “progresso”, segundo a Esquerda : a criminalização da Bíblia


O “progresso”, segundo a Esquerda, passa pela criminalização da Bíblia: quem citar a Bíblia em público será punido criminalmente.

«passiones ignominiae », « usum contra naturam » et « turpitudinem operantes »

(Romanos 1, 26-27).

Não tarda nada, teremos uma directiva da União Europeia que criminalize os cristãos por serem cristãos, em alegada “defesa” de pequeníssimas minorias heterodoxas.

Veremos sacerdotes da Igreja Católica a serem presos por causa de homilias proferidas baseadas nas Escrituras bíblicas.

Isto, nem na extinta União Soviética aconteceu!

A política expressa a cultura, e a cultura expressa o culto. O culto é a raiz de tudo. O culto da Esquerda é luciferino, é diabólico.

domingo, 14 de setembro de 2025

O inimigo do comunismo não é o capitalismo: é o Cristianismo

O Judaísmo (religião) representa (símbolo) a génese do Cristianismo, entendido, este último, como religião e cultura.

O Cristianismo surgiu em ambiente cultural judaico; e a ponto de os discípulos de Jesus Cristo se considerarem a si próprios partes de uma vergôntea do Judaísmo. A ideia de Cristianismo como religião independente do Judaísmo só se afirmou e fundamentou com a Patrística, já no segundo século depois de Jesus.

ana colau & Mariana Mortagua web

Quando a Esquerda ataca os judeus (por exemplo, quando o Bloco de Esquerda e a Mariana Mortágua defendem abertamente o terrorismo do Hamas), pretende atacar a génese do Cristianismo.

A Esquerda, aqui, é “radical”, no sentido em que pretende ir às “raízes” do “problema cristão”. Por outro lado, na sua sanha contra o “problema cristão”, a Esquerda alia-se (escandalosamente) ao inimigo fidagal, civilizacional e histórico do Judaísmo e do Cristianismo: o Islamismo.

Quando me dizem que “há uma Direita que alinha com a Esquerda no ataque aos judeus”, eu respondo que “com a verdade me enganas”. Quando uma certa dita “direita” alinha com a Esquerda em aspectos civilizacionais e culturais, estamos em presença de uma deriva de esquerda, e não de uma Direita propriamente dita.

Nenhuma Direita digna desse nome faz o jogo anti-civilização próprio da Esquerda.

Isto não significa que tudo o que Israel faz é correcto, e que os judeus são perfeitos (ver: Grupo dos Trezentos); significa que a alternativa a Israel (enquanto génese civilizacional) é muito pior, totalitária e tenebrosa até, e está fora de questão.

Quando, em princípios do século XX, teóricos marxistas (por exemplo, Lukács ou Gramsci, Escola de Frankfurt e o marxismo cultural) chegaram à conclusão de que o grande inimigo da expansão do comunismo na Europa era o Cristianismo, abriu-se uma “época de caça” ao Judaísmo e ao Cristianismo que dura até hoje. O bastião do Cristianismo (enquanto religião) e o seu último reduto deslocou-se da Europa para os Estados Unidos, e é neste contexto que o cristão Charles Kirk foi assassinado.

Na Europa, até o Vaticano já foi neutralizado pela tripla aliança constituída pelo marxismo / maçonaria irregular / Islamismo.

Em Inglaterra, a igreja anglicana é uma palhaçada em que os edifícios das igrejas cristãs são cedidas aos imigrantes muçulmanos locais para as cinco rezas diárias do Islão — no mesmo país onde o actual rei se diz apologético do Islamismo. Pior do que isto é impossível. A Inglaterra está a cair de podre, a começar pelas elites.

A Esquerda começou por ser “Rousseau” (Revolução Francesa, socialismo utópico do século XIX); depois passou a ser “Hegel” (Karl Marx, Mussolini e Hitler); actualmente, a Esquerda mudou de táctica: adoptou a imoralidade e o incesto (Nietzsche e o Islamismo).

Assistimos hoje ao fim da Esquerda. Charles Kirk foi um mártir.

terça-feira, 24 de dezembro de 2024

sexta-feira, 20 de setembro de 2024

A dignidade do indivíduo é uma impressão digital cristã no barro grego


A “espiritualidade oriental” moderna, tal como a arte oriental dos últimos séculos, é um artigo de bazar. Para o conceito budista de “compaixão”, o indivíduo é apenas uma sombra que se desvanece [no nirvana].


No Islamismo (enquanto doutrina) não existe a noção cristã de “compaixão”: existe, outrossim, a lei que impele e impõe o perdão:  o perdão islâmico decorre da lei islâmica (Sharia). O Islamismo é uma religião formatada em lei para disciplinar psicopatas.

A dignidade do indivíduo, enquanto tal, é uma impressão digital cristã no barro grego.

Podemos definir “indivíduo”, segundo o Cristianismo, como “ser existente que é transparente apenas a Deus”.

O princípio da individuação, na sociedade, está subjacente a uma cultura de crença na alma — e a alma é “quantidade” que decresce à medida que mais indivíduos se agrupam.

Para se transformar em “pessoa”, o indivíduo necessita que exista uma norma rígida, por um lado, e, por outro lado, que o cumprimento dessa norma seja livre (livre-arbítrio) — e estas duas condições só foram civilizacionalmente garantidas pelo Cristianismo na cultura antropológica da cristandade.

Os indivíduos, na sociedade actual secularizada e descristianizada, são cada vez mais parecidos uns com os outros, mas cada vez mais estranhos entre si.

Portanto, a ideia de que “a compaixão é produto de uma qualquer cultura antropológica”, é falsa.

De modo semelhante, é erróneo o conceito segundo o qual uma educação escolar baseada nas artes, só por si, induz a compaixão nas crianças.

terça-feira, 30 de julho de 2024

A maçonaria foi longe demais





A Natureza tem horror ao vácuo. O anticristianismo maçónico impõe a supremacia islâmica na Europa — não de uma forma directa, mas indirecta. A apologia maçónica da cultura de celebração do feio e do antinatural, abre alas a uma futura hegemonia do Islamismo na Europa.

Na ânsia de atacar o Cristianismo, a maçonaria abre as portas ao Islamismo que é essencialmente um princípio de ordem política, e não propriamente uma religião. A maçonaria está a promover uma cultura que a irá liquidar radicalmente.

quinta-feira, 13 de julho de 2023

O Anselmo Borges e a teologia radical


“Para aligeirar o barco cristão que naufraga nas águas modernistas, a teologia liberal desfez-se da divindade de Cristo, e a teologia radical desfaz-se hoje da existência de Deus.”

(Nicolás Gómez Dávila)


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terça-feira, 24 de maio de 2022

Theodore Dalrymple e o conceito de "Maoísmo Emocional"


Um recente ensaio de Theodore Dalrymple fala-nos da “cultura da emoção” — a que ele chama de "Maoísmo Emocional":

“The modern taste for emotional exposure partakes of two seemingly disparate currents: First, the kind of psychotherapy according to which all contents of the mind must be outwardly expressed for fear of turning inwards and causing a mental abscess of unexpressed thoughts and emotions that eventually bursts. Second, it reflects a kind of emotional Maoism, according to which people have the social duty to confess their emotions to the multitudes”.

non binary human webPorém, não é possível falar em "Maoísmo Emocional" sem procurar (sumariamente) as suas causas culturais (em uma espécie de “epistemologia da cultura ocidental”) com raízes na Alta Idade Média católica, nomeadamente em Pedro Abelardo (que, para o efeito, “retorceu” algumas teses de Santo Agostinho) e na sua “ética da intencionalidade”: segundo Abelardo, apenas a intenção moral é susceptível de qualificação, qualquer que seja o acto exterior.

Hiperbolizando: por exemplo, eu mato o meu vizinho e depois digo que o acto hediondo foi justificado por uma boa intenção que consistia em salvá-lo das garras da tirania da sua (dele) esposa. Ou o assassino pós-moderno que diz ao juiz: “Eu não tenho culpa, senhor dr. juiz, porque não tive intenção: a culpa é dos meus genes!”.

O “acto exterior” — segundo Pedro Abelardo —, sendo sempre moralmente indiferente, é bom ou mau apenas em função da intenção alegada pelo agente que o pratica [pro intentionis agentis]; e, por isso, nenhuma acção humana — nem mesmo a crucificação de Jesus Cristo — pode ser classificada (a priori) como “má”, “não sendo importante o que se faz, mas o espírito no qual se faz” [Dialogus].

Por outro lado, Pedro Abelardo invoca o mesmo argumento de São Bernardo de Claraval segundo o qual pode acontecer que façamos o que Deus quer sem que a nossa intenção seja a de cumprir a vontade divina [a chamada casuística”, que foi adoptada nomeadamente pelos jesuítas na Contra-Reforma, justifica um crime pelo motivo (intenção) segundo o qual se cometeu, por um lado, e por outro lado atribuiu à Providência Divina o propósito (ou a vontade) de uma determinada má acção humana (São Bernardo de Claraval)].

Quando (alegadamente, segundo São Bernardo de Claraval, Pedro Abelardo e os jesuítas, ou seja, os iluminados que conhecem antecipadamente as intenções de Deus) Deus ordena as nossas acções (mesmo contra a nossa vontade), pode acontecer que não agimos bem ainda que se realizem coisas boas segundo a vontade divina.

Este conceito (a casuística) dá muito jeito a psicopatas como o papa Chico. Aliás, praticamente toda a ética do papa Chico é baseada na casuística e no intencionalismo (doutrina da indiferença dos actos externos) de Pedro Abelardo.

De acordo com a “doutrina da indiferença dos actos externos” (de Pedro Abelardo), por mais que o ser humano faça o que Deus quer que ele faça, somente a boa intenção (que é subjectiva, por definição) torna a acção “boa” [está aqui a génese teorética, que se baseia em passagens bíblicas retiradas de contexto, do conceito de sola fide dos protestantes].

Para Pedro Abelardo e segundo a sua doutrina da indiferença dos actos externos (intencionalismo), a necessidade do desejo natural exclui a noção de “pecado”: por exemplo, (hiperbolizando) se um homem sente necessidade e um desejo natural de ter relações sexuais com um cavalo, o prazer natural que ele sentir é inocente desde que ele racionalmente não consinta [Ethica] — temos aqui a justificação do papa Chico para as relações sexuais homossexuais, invocando uma suposta  “necessidade natural”.

O intencionalismo (de Pedro Abelardo, mas não só) tem como base um cepticismo em relação ao conhecimento objectivo da ordem moral, o que, em compensação, dá lugar a uma (pretensa) autenticidade e uma (suposta) sinceridade do acto da vontade humana (subjectivismo).

O intencionalismo subjectivista esteve na base do Romantismo que surgiu na Idade Clássica e se prolongou pela Idade Moderna, e que atingiu a sua expressão mais absurda com o pós-modernismo.

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Finalmente: outra origem cultural do "Maoísmo Emocional" pós-moderno é o da tradição da confissão pública católica durante a Alta Idade Média: no fim da missa católica medieval, os fiéis católicos confessavam publicamente (alta voz e em bom som) os seus pecados aos outros membros da sua comunidade; ou seja, a confissão dos pecados era pública. Só a partir do século XVI e com a Contra-Reforma, a confissão católica passou a ser privada e secreta, com a utilização dos confessionários individuais.

Porém, a tradição católica da “confissão pública” foi retomada pelo Romantismo dos séculos XVIII e XIX (embora já despojada das vestes culturais da religião cristã) com o conceito político de “auto-crítica” pública que foi bastamente aplicada (nomeadamente) pelos regimes marxistas da modernidade.

quarta-feira, 8 de julho de 2020

A Laurinda Alves está racionalmente errada


Eu não estou de acordo com a Laurinda Alves quando ela cita aquiescentemente um “teólogo” francês (hoje, damos um pontapé numa pedra e sai logo um “teólogo” da laia do Anselmo Borges).

1/ A ideia segundo a qual o conceito de “Deus” varia segundo as modas dos tempos, e que “o Deus de agora é melhor do que o Deus dos nossos avós” (falácia ad Novitatem), é uma rendição em relação à prevalência moderna da imanência no mundo; em consequência, a transcendência de Deus dissipa-se perante a força imanente das “modas de Deus”, que se sucedem.

2/ Há, no texto da Laurinda Alves, uma irracionalidade que é própria da visão feminina do mundo (em geral), e neste caso particular, da religião cristã. E essa irracionalidade não me agrada, de modo nenhum.

A própria “fé”sendo sinónimo de “confiança em Deus” — é uma expressão da racionalidade humana, e não um irracionalismo como defendem os “teólogos modernos” da laia de Anselmo Borges.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

A caridade tem que cuidar da dignidade moral do pobre

El_Greco_St_Martin_of_Tours-webO Homem moderno — incluindo os cristãos actuais — já perdeu a noção cristã medieval de “caridade”; para o homem moderno, a caridade é dar (mas) sem cuidar da dignidade moral de quem recebe.

Na Idade Média, os mendigos andavam livres nas ruas das povoações; e quando pediam esmola a um rico burguês ou nobre que passava, quem lhes dava a esmola pedia em troca uma oração pela sua alma. Ou seja, a mendicidade medieval era uma profissão socialmente útil, porque quem dava a esmola ao pobre recebia qualquer coisa em troca.

A partir do momento em que a Reforma protestante retirou à penitência religiosa, por um lado, e à acção moral individual, por outro lado, a sua importância tradicional medieval, o Estado passou a controlar a acção altruísta dos indivíduos.

E como a mendicidade não acabava, o Estado protestante — Alemanha, Inglaterra — passou a restringir a liberdade dos mendigos naquilo a que Foucault chamou de “Grande Encarceramento”: os mendigos deixaram de ser úteis à sociedade, e passaram a ser reprimidos e encarcerados.

Através da rotulagem do “pobre” e de sinais distintivos afins, a caridade da Idade Média que se caracterizava por um modo de relação, transformava-se, no mundo moderno da Reforma e dos “direitos humanos”, em um modo de segregação.


Na imagem: S. Martinho partilha a sua capa com um pobre (pintura de El Greco).

sábado, 30 de dezembro de 2017

O Anselmo Borges e o diálogo com o Islão

 

1/ É possível diálogo (entre o Cristianismo, o Budismo, o Hinduísmo, o xintoísmo, o Confucionismo, o Judaísmo, etc.) entre todas as religiões universais excepto o Islamismo, porque, em primeiro lugar, o Islamismo é um princípio de ordem política 1  (o que não acontece com nenhuma outra religião universal), e depois porque o Islamismo defende explicitamente (no Alcorão e nos Hadith) o proselitismo2  por intermédio da violência física ou da coacção (por exemplo, através da Jizya).

Qualquer comparação entre o Islamismo, por um lado, e qualquer outra religião universal, por outro lado, é pura estupidez. E por isso é que o Anselmo Borges é estúpido quando defende a ideia de um “diálogo inter-religioso com o Islamismo”. Das duas, uma: ou o Anselmo Borges não faz ideia do que é o Islamismo, ou é estúpido.

terça-feira, 14 de novembro de 2017

domingo, 29 de outubro de 2017

França recusa estátua de João Paulo II; e a Polónia quer ficar com ela

 

O Conselho de Estado de França — obviamente controlado pela maçonaria — pretende retirar a cruz a uma estátua do Papa João Paulo II na cidade de Ploërmel.

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Entretanto, a primeira-ministra da Polónia, Beata Szydło, já veio dizer no Twitter que se os franceses não querem o monumento completo (com a cruz), a Polónia está desde já disponível para ficar com o dito (monumento que foi construído pelo artista russo Zurab Tsereteli em 2006).

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A nossa consolação é que os maçons franceses irão em breve andar de cu para o ar, sodomizados pelos maomedanos maioritários: em 2050, a maioria da população em França não será europeia e será muçulmana.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

segunda-feira, 26 de junho de 2017

A confusão epistemológica pós-moderna

 

“O tonto consegue captar o subtil, mas não vê o óbvio.” — Nicolás Gómez Dávila


Este postal do Domingos Faria é o exemplo de como as “Humanidades” chegaram a um ponto de tal decadência que podemos dizer que já não existem.

« Um dos paradoxos mais interessantes em lógica epistémica é o paradoxo da cognoscibilidade. Esse paradoxo resulta da prova de Frederic Fitch (1963) de acordo com a qual um princípio aparentemente modesto da cognoscibilidade (PC), de que cada verdade é em princípio conhecível, implica uma alegação absurda de que somos omniscientes (O), de que de facto sabemos todas as verdades. Ou seja, o paradoxo da cognoscibilidade mostra que se segue da afirmação de que “todas as verdades são cognoscíveis”, que todas as verdades são conhecidas”. »

Paradoxo da Cognoscibilidade e a Doutrina da Encarnação

Mais adiante:

“Para escapar a essa conclusão absurda em vez de se negar ¬O pode-se negar PC, defendendo-se que não é o caso que todas as verdades sejam cognoscíveis ou possíveis de conhecer. Um dos problemas é que o Cristão tradicional em princípio não poderá enveredar por essa manobra, tal como defendido por Jonathan Kvanvig (2010), dado que entra em conflito com a doutrina da encarnação.”

ibidem


Em primeiro lugar, devemos saber o que significa “verdade”, neste contexto: “verdade” é a verdade positivista, ou seja, a verdade da ciência clássica segundo a qual as propriedades e o comportamento das partes determinam o comportamento do todo.

Dentro deste conceito de “verdade”, o Princípio da Cognoscibilidade é absurdo:

“As nossas teorias científicas, por melhor comprovadas e fundamentadas que sejam, não passam de conjecturas, de hipóteses bem sucedidas, e estão condenadas a permanecerem para sempre conjecturas ou hipóteses.”

→ Karl Popper, em conferência proferida em 8 de Junho de 1979 no Salão Nobre da Universidade de Frankfurt , por ocasião da atribuição do grau de Doctor Honoris Causa.

O absurdo foi inventado de uma vez para sempre; mas as ideias absurdas, como por exemplo o Princípio da Cognoscibilidade, são inventadas a cada época. Karl Popper concluiu que “cada verdade (científica) não é, em princípio, cognoscível”; e só um burro (como o Frederic Fitch) pensaria o contrário disso.


Mas se a “verdade” da ciência clássica implica que as propriedades e o comportamento das partes determinam o comportamento do todo, na “verdade” da física quântica passa-se precisamente o contrário: é a totalidade que determina o comportamento das partes. Portanto, temos aqui dois conceitos diferentes de “verdade”; mas o Domingos Faria misturou tudo no mesmo saco.

O holismo significa a visão da totalidade de um sistema. As partes estão, em certo sentido, em contacto com a totalidade. Se tudo aquilo que, no Big Bang esteve numa acção recíproca, permanece ligado, então todas as partículas elementares em todas as estrelas e em todas as galáxias “sabem” da existência de todas as restantes partículas elementares.

Assim, os componentes da matéria não devem ser vistos como unidades isoladas, mas sim como partes integradas na totalidade do universo. Naturalmente que o Domingos Faria deve pensar que eu sou maluco; por isso vamos ver o que o maluco Niels Bohr, que foi Nobel da Física, escreveu:

“O Universo pode assumir a organização dos seus componentes (…) porque a totalidade, por princípio, é constituída de tal modo que organiza as partes... Tudo está ligado entre si através de conjunções invisíveis”.

O holismo quântico também é uma “teoria humana” que se enquadra na citação supra de Karl Popper; mas pelo menos tem a virtude de conceber a “verdade” de um modo totalmente diferente da “verdade” da ciência clássica — porque não é, por si, evidente que possamos extrair convenientemente objectos da totalidade do mundo (conforme o conceito de “verdade positivista” do burro Fitch): esta extracção implica sempre um erro, visto que, na realidade, tudo está ligado com tudo.


Em 1982, Alain Aspect, da universidade de Paris, preparou uma experiência na qual um fotão (uma partícula elementar de onda luminosa), após a sua saída de uma fonte central, tinha a possibilidade de se afastar desta fonte cerca de seis metros antes de ser conduzido através de uma espécie de eclusa da luz.

Este aparelho, semelhante a um comutador basculante, conduziu o fotão num dos dois sentidos possíveis. O fotão deparou-se, em ambos os percursos, com um filtro de polarização. Aspect utilizou um truque para obrigar os fotões a revelar se se comunicam, de facto, entre si, e em que medida se realizam contactos deste tipo.

As eclusas foram concebidas de moda a mudarem periodicamente de sentido cerca de 100 milhões de vezes por segundo. Deste modo, o percurso definitivo dos fotões foi determinado acidentalmente.

Por conseguinte, um fotão não podia “saber” de antemão em que sentido se iria mover: só podia conhecer o seu percurso definitivo depois da passagem através de um dos filtros. No entanto, naquele momento, já era demasiado tarde para o respectivo fotão informar ainda o parceiro em movimento no sentido oposto sobre aquilo que lhe tinha acontecido — porque Aspect providenciou para que, nesse momento, os fotões estivessem tão afastados entre si que não houvesse tempo para a comunicação com o parceiro, nem sequer para um estabelecimento de contacto à velocidade da luz.

Alain Aspect fez uma descoberta surpreendente. Os fotões eram capazes de comunicar entre si e de informar o outro fotão sobre o filtro por onde tinham acabado de ser conduzidos.

Portanto, parecia que as partículas elementares são, de facto, capazes de comunicar entre si a uma velocidade superior à velocidade da luz — o que destruiu parcialmente a teoria de Einstein. As partículas elementares permanecem partes de um único sistema que reage, na sua totalidade, às acções recíprocas seguintes.

Na prática, tudo aquilo que podemos ver e tocar é constituído pela acumulação de partículas elementares que se encontraram, alguma vez, em uma acção recíproca com outras partículas elementares, até ao Big Bang, com o qual surgiu o universo. Os átomos no meu corpo são constituídos por partículas elementares que já estiveram concentradas no aerólito cósmico, juntamente com outras partículas elementares que são agora componentes de uma estrela afastada ou de um outro corpo humano.


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A experiência de Alain Aspect teve o condão de demonstrar como leis que são válidas para aspectos físicos parciais (a “verdade cognoscível” do burro Fitch) foram anuladas num determinado ponto. Porém, o saber como a totalidade organiza estes aspectos parciais escapa ao nosso conhecimento positivista, dado que não podemos forçar a totalidade do universo a entrar dentro de uma experiência de laboratório (do Fitch).

A ideia segundo a qual “todos os seres humanos penetram nas 'verdades holísticas' da mesma forma”, é outro absurdo, porque parte do princípio de que o ser humano é uma espécie de autómato fabricado em série. É neste sentido que não existe nenhuma contradição entre Jesus Cristo, por um lado, e o conhecimento da verdade holística, por outro lado — verdade esta que não é a verdade positivista da ciência clássica a que se refere o Fitch.

terça-feira, 6 de junho de 2017

¿Por que é que a chama do bário é verde?

 

“O crer é, por assim dizer, uma necessidade não espontânea, porém criada e alimentada pelo ser Humano como forma de aprovar ou reprovar o incrível, - sendo por isso fé, acreditar no incrível – como forma de alívio para as suas dúvidas e incertezas, para os seus temores ou alegrias. É a maneira mais fácil que encontra para justificar tudo o que lhe possa acontecer no seu decurso de vida, mas que humana ou cientificamente, à luz do conhecimento objectivo não seja explicável”.

A Crença

Normalmente dizemos que “a ciência explica as coisas”, mas a verdade é que a ciência não explica nada: a ciência descreve os fenómenos (conta uma história verídica), mas não os explica — porque a ciência parte de leis cósmicas que não são explicáveis, assim como não podemos explicar os axiomas que não são físicos.

Carl Hempel comentou o fenómeno do remo “encurvado” quando dentro de água. O padrão dedutivo da “explicação” desse fenómeno, por exemplo e entre outros, toma a seguinte forma:

Leis gerais + Enunciados de condições antecedentes ∴ Descrição do fenómeno

No caso da observação do remador, as leis gerais são a lei da refracção e a lei de que a água é opticamente mais densa do que o ar. As condições antecedentes são a do remo ser direito e a de que está imerso na água segundo um determinado ângulo.

Outro exemplo:

Todas as chamas afectadas pelo bário são verdes. Esta chama é afectada pelo bário ∴ Esta chama é verde.

A generalização da cor da chama do bário é uma consequência dedutiva dos postulados da teoria atómica. Mas os postulados da teoria atómica baseiam-se em axiomas; o sistema axiomático é, por assim dizer, uma rede suportada por “vigas” ancoradas no nível observacional da  linguagem científica 1.

É neste sentido que a ciência descreve uma determinada realidade, mas não a explica — porque, de contrário, teria que explicar também os axiomas de que parte para a descrição dos fenómenos.


“A fé do cientista é a maior que existe, porque é inconfessável.”

→ Roland Omnès, físico francês, professor de Física Teórica da Faculdade de Ciências de Orsay, Paris


O termo “crença” remete para o grau mais fraco do assentimento ou opinião (por exemplo, “eu creio que amanhã vai chover”) — ou então para o chamado “conhecimento verdadeiro”, de origem externa e transformado em hábito sem qualquer verificação ulterior → ou seja, a “crença” pode referir-se a uma verdade adquirida (dita “científica”, por exemplo). É o caso daquele texto: reflecte a crítica à “crença” mediante verdades adquiridas que são, em si mesmas, formas de crença.

Não devemos é confundir crença, fé, religião, e ideologia política ou religião política. Segundo Hannah Arendt, todo o pensamento ideológico (as ideologias políticas, ou religiões políticas) contém três elementos de natureza totalitária:

1/ a pretensão de explicar tudo;
2/ dentro desta pretensão, está a capacidade de se afastar de toda a experiência;
3/ a capacidade de construir raciocínios lógicos e coerentes que permitem crer em uma realidade fictícia a partir dos resultados esperados por via desses raciocínios — e não a partir da experiência.

Uma coisa é uma religião ser instrumentalizada pelo Poder político secular, como aconteceu com o Cristianismo sujeito ao Poder político no mundo luterano europeu, por exemplo.

Outra coisa, bem diferente, é uma religião que transporta consigo as normas e leis do Direito inerentes ao Poder político (Islamismo).

  • Uma coisa é uma religião que apenas recomenda normas éticas, deixando à sociedade a liberdade de as seguir ou não (cristianismo e o livre-arbítrio de S. Tomás de Aquino, ou o Budismo);
  • outra coisa é uma religião que impõe coercivamente leis positivas de Direito à sociedade, assumindo-se como Poder político em si mesmo (islamismo e o determinismo fatalista islâmico).

Ora, o que o escriba daquele texto tenta fazer — ou parece que pretende fazer — é “meter tudo no mesmo saco”, o que significa que não consegue fazer a distinção entre fenómenos semelhantes mas não iguais (ver Síndroma Parasítico da Avestruz) 2


Notas
1. A ciência (positivista) afirma o seguinte: “o critério da significação é a verificação”.

Isto significa que, segundo a ciência, tudo aquilo que não é passível de ser verificado empiricamente não tem significado — tudo isso é considerado pela ciência como uma “falsa questão”, uma proposição ou questão sem sentido decorrente de uma “armadilha da linguagem”.

Porém, esta proposição (“o critério da significação é a verificação”) não é, ela própria, verificável. A ciência positivista parte de um axioma (“o critério da significação é a verificação”) que não é verificável.

2.  O
Síndroma Parasítico da Avestruz  (segundo o professor canadiano Gad Saad) consiste em não reconhecer quaisquer diferenças entre objectos ou fenómenos inseridos em uma mesma categoria, o que é uma característica do politicamente correcto.

quarta-feira, 15 de março de 2017

A incoerência do esquerdalho universitário

 

Perguntam a estudantes da Universidade de Madison (Estado americano do Wisconsin, que é tradicionalmente de Esquerda):

¿Um músico muçulmano tem o direito de recusar um contrato para tocar em um evento cristão? Todos os estudantes responderam que “sim”, que o músico muçulmano tem o direito de não tocar em um evento cristão.

E, depois, outra pergunta:

¿Um fotógrafo cristão tem o direito de recusar um contrato para tirar fotografias de um "casamento" gay? Resposta dos estudantes: “a pergunta é estúpida”.

 

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Mal-entendidos da filosofia moderna

 

Temos aqui um verbete de um tal Marcos L. Mucheroni (parece-me professor de filosofia no Brasil) que me mencionou aqui. Vou tentar, desta feita, analisar o verbete em causa que aborda a questão da mundividência, ou da ausência dela na nossa sociedade.

1/ Vamos começar com Einstein:

“Mesmo que os axiomas da teoria (não interessa qual, neste caso) sejam formulados pelo ser humano, o sucesso de um tal empreendimento pressupõe uma elevada Ordem do mundo objectivo — o que não se podia esperar de maneira alguma.” [“Worte in Zeit und Raum”]

É óbvio que Einstein tem razão. Existe uma Ordem do mundo objectivo. Essa Ordem é (não só, mas também) imanente ao mundo, ou seja, é uma Ordem que a nossa inteligência pode facilmente detectar através da ciência ou das teorias científicas. Qualquer cientista honesto detecta e reconhece publicamente essa Ordem imanente. Sublinho: honesto.

Mas, por outro lado, vejamos o que escreveu o físico alemão Hans Rohrbach (1967):

“A matemática não é um produto da razão humana, mas, por assim dizer, é mais inteligente do que a razão humana”.

Ou seja a lógica matemática está para além da razão humana, aponta para o infinito que, neste caso, não é o infinito imanente dos gregos (socráticos e pré-socráticos incluídos), mas é um infinito transcendente ao espaço-tempo e ao universo.

Este infinito transcendente é a novidade do Cristianismo (com a contribuição de Plotino e Proclo).

Portanto, o Marcos pode ter alguma razão quando diz que as filosofias de Platão ou de Aristóteles eram imanentes; mas já não tem razão quando pretende dizer que a filosofia dos pré-socráticos (de acordo com Heidegger) não eram imanentes.


Em Aristóteles, o conceito de “alma” não era transcendente, e portanto qualquer analogia com a “alma” cristã, é falácia.

Para Aristóteles, a alma era o “Nous” ou “Intelecto”. Tanto Platão como Aristóteles moviam-se mais ou menos na imanência herdada das divindades intra-cósmicas do panteão grego, e não admitiam sequer a criação do mundo a partir do “Nada”.

Para Aristóteles e Platão, o esboço ideológico de um Deus não era a de um Deus Criador, mas o de um demiurgo ou arquitecto que moldou a matéria original ou Ápeiron. A noção de Ápeiron vem dos pré-socráticos (nomeadamente, Empédocles).

Como escreveu Ortega y Gasset, o mundo das Ideias de Platão ou o Nous de Aristóteles pertencem a um “quási-lugar extra-mundano, a região sobre-celeste”(¿Que es Filosofia ?, página 30, segunda edição, 1960). O lugar das Ideias de Platão e do Nous de Aristóteles não é extra-mundano (transcendente): é quase extra-mundano, ou seja, imanente.

Quando Aristóteles fala da “superioridade da alma relativamente ao corpo”, não fala da superioridade da “alma cristã” em relação ao corpo, mas antes na superioridade do Nous (intelecto) de uns em relação a outros.

A diferenciação conceptual e cultural da “alma cristã” transcendente, em relação à “alma grega” imanente (seja socrática, seja pré-socrática), aconteceu mais tarde, com a influência judaica e com o neoplatonismo (Plotino, Proclo), já na era depois de Cristo.


2/ O Marcos escreveu:

“(...) o teocentrismo tem como catarse no final da idade média exactamente o problema do movimento dos planetas e da centralidade do sol, (...)”

O Marcos incorre no mesmo erro ideológico da pseudo-ciência actual — a ideia segundo a qual o geocentrismo e o teocentrismo estão estrita- e directamente ligados, e que Galileu fez a “catarse do teocentrismo cristão” através da defesa do heliocentrismo.

Em primeiro lugar, Copérnico (um clérigo católico) defendeu o heliocentrismo antes de Galileu.

E muito antes de Copérnico, Aristarco de Samos, que viveu no século III a.C., foi simbolicamente condenado à morte — ou seja, não foi realmente morto — por ter dito que era a Terra que se movia em torno do Sol e que as estrelas não rodopiavam à volta da Terra; e foi virtualmente condenado à morte precisamente porque Aristarco colocava assim em causa a existência da morada dos deuses gregos, porque segundo a mitologia grega era suposto que a Terra fosse o centro do universo, explicando-se assim a existência do Olimpo.

Em segundo lugar, se entendermos a ciência na perspectiva actual e actualizada — que não deve incluir o cientismo —, a reacção do Papa às teses de Galileu foi absolutamente correcta, do ponto de vista científico.

As teses de Copérnico receberam o imprimatur do Vaticano porque foram formuladas como hipóteses   — o que não aconteceu com Galileu, que não quis formular hipóteses, mas antes pretendeu afirmar verdades absolutas. E a tentativa de afirmação das suas verdades absolutas aconteceu numa época em que a hipótese de Ptolomeu podia explicar melhor muitos fenómenos celestes.

Segundo a perspectiva actual não-cientificista e, por isso, racional e científica propriamente dita, a Igreja Católica do tempo de Galileu defendeu a concepção científica mais moderna (a ciência do paradigma), embora tenha errado tanto quanto erra a ciência actual.

Mal-entendidos da filosofia moderna

 

Temos aqui um verbete de um tal Marcos L. Mucheroni (parece-me professor de filosofia no Brasil) que me mencionou aqui. Vou tentar, desta feita, analisar o verbete em causa que aborda a questão da mundividência, ou da ausência dela na nossa sociedade.

1/ Vamos começar com Einstein:

“Mesmo que os axiomas da teoria (não interessa qual, neste caso) sejam formulados pelo ser humano, o sucesso de um tal empreendimento pressupõe uma elevada Ordem do mundo objectivo — o que não se podia esperar de maneira alguma.” [“Worte in Zeit und Raum”]

É óbvio que Einstein tem razão. Existe uma Ordem do mundo objectivo. Essa Ordem é (não só, mas também) imanente ao mundo, ou seja, é uma Ordem que a nossa inteligência pode facilmente detectar através da ciência ou das teorias científicas. Qualquer cientista honesto detecta e reconhece publicamente essa Ordem imanente. Sublinho: honesto.

Mas, por outro lado, vejamos o que escreveu o físico alemão Hans Rohrbach (1967):

“A matemática não é um produto da razão humana, mas, por assim dizer, é mais inteligente do que a razão humana”.

Ou seja a lógica matemática está para além da razão humana, aponta para o infinito que, neste caso, não é o infinito imanente dos gregos (socráticos e pré-socráticos incluídos), mas é um infinito transcendente ao espaço-tempo e ao universo.

Este infinito transcendente é a novidade do Cristianismo (com a contribuição de Plotino e Proclo).

Portanto, o Marcos pode ter alguma razão quando diz que as filosofias de Platão ou de Aristóteles eram imanentes; mas já não tem razão quando pretende dizer que a filosofia dos pré-socráticos (de acordo com Heidegger) não eram imanentes.


Em Aristóteles, o conceito de “alma” não era transcendente, e portanto qualquer analogia com a “alma” cristã, é falácia.

Para Aristóteles, a alma era o “Nous” ou “Intelecto”. Tanto Platão como Aristóteles moviam-se mais ou menos na imanência herdada das divindades intra-cósmicas do panteão grego, e não admitiam sequer a criação do mundo a partir do “Nada”.

Para Aristóteles e Platão, o esboço ideológico de um Deus não era a de um Deus Criador, mas o de um demiurgo ou arquitecto que moldou a matéria original ou Ápeiron. A noção de Ápeiron vem dos pré-socráticos (nomeadamente, Empédocles).

Como escreveu Ortega y Gasset, o mundo das Ideias de Platão ou o Nous de Aristóteles pertencem a um “quási-lugar extra-mundano, a região sobre-celeste”(¿Que es Filosofia ?, página 30, segunda edição, 1960). O lugar das Ideias de Platão e do Nous de Aristóteles não é extra-mundano (transcendente): é quase extra-mundano, ou seja, imanente.

Quando Aristóteles fala da “superioridade da alma relativamente ao corpo”, não fala da superioridade da “alma cristã” em relação ao corpo, mas antes na superioridade do Nous (intelecto) de uns em relação a outros.

A diferenciação conceptual e cultural da “alma cristã” transcendente, em relação à “alma grega” imanente (seja socrática, seja pré-socrática), aconteceu mais tarde, com a influência judaica e com o neoplatonismo (Plotino, Proclo), já na era depois de Cristo.


2/ O Marcos escreveu:

“(...) o teocentrismo tem como catarse no final da idade média exactamente o problema do movimento dos planetas e da centralidade do sol, (...)”

O Marcos incorre no mesmo erro ideológico da pseudo-ciência actual — a ideia segundo a qual o geocentrismo e o teocentrismo estão estrita- e directamente ligados, e que Galileu fez a “catarse do teocentrismo cristão” através da defesa do heliocentrismo.

Em primeiro lugar, Copérnico (um clérigo católico) defendeu o heliocentrismo antes de Galileu.

E muito antes de Copérnico, Aristarco de Samos, que viveu no século III a.C., foi simbolicamente condenado à morte — ou seja, não foi realmente morto — por ter dito que era a Terra que se movia em torno do Sol e que as estrelas não rodopiavam à volta da Terra; e foi virtualmente condenado à morte precisamente porque Aristarco colocava assim em causa a existência da morada dos deuses gregos, porque segundo a mitologia grega era suposto que a Terra fosse o centro do universo, explicando-se assim a existência do Olimpo.

Em segundo lugar, se entendermos a ciência na perspectiva actual e actualizada — que não deve incluir o cientismo —, a reacção do Papa às teses de Galileu foi absolutamente correcta, do ponto de vista científico.

As teses de Copérnico receberam o imprimatur do Vaticano porque foram formuladas como hipóteses   — o que não aconteceu com Galileu, que não quis formular hipóteses, mas antes pretendeu afirmar verdades absolutas. E a tentativa de afirmação das suas verdades absolutas aconteceu numa época em que a hipótese de Ptolomeu podia explicar melhor muitos fenómenos celestes.

Segundo a perspectiva actual não-cientificista e, por isso, racional e científica propriamente dita, a Igreja Católica do tempo de Galileu defendeu a concepção científica mais moderna (a ciência do paradigma), embora tenha errado tanto quanto erra a ciência actual.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

O 'Faith's Night Out' Blowed Their Minds Out

 

José Tolentino Mendonça desafiou os jovens presentes no 'Faith's Night Out' a serem “utópicos e sedentos”, acreditando na “força recriadora do amor” e rejeitando um “cristianismo insonso e por vezes também muito sonso, quando não aceita a dinâmica do serviço como a sua norma”.

«Faith's Night Out»: «Espero que não se esqueçam que são crentes» - Ricardo Araújo Pereira

“Utópicos e sedentos”, diz o Tolentino. ¿O que significa isso? Não sei. ¿Alguém sabe? E parece que há vários tipos de Cristianismo: por exemplo, o do 'Faith's Night Out', o do 'Faith's Day In', e a puta-que-pariu.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

O Anselmo Borges fala do Silêncio

 

1/ Conta-se que o Padre Pio de Pietrelcina recusou a confissão, pelo menos em duas ocasiões e a duas pessoas diferentes. Disse-lhes o Padre: quando estiveres verdadeiramente arrependido, volta cá. ¿Significa isto que o Padre Pio de Pietrelcina desrespeitou essas duas pessoas ou “renegou-lhes a dignidade humana”? Claro que não. Significa apenas que o Padre Pio compreendia perfeitamente as relações causais metafisicas (causa / efeito místicos) e que ele estava “para além” destas.

2/ O Anselmo Borges escreveu:

“O livro e o filme [“Silêncio”, do escritor católico Shusaku Endo] são obras cimeiras, de rara intensidade dramática e comoção, mas não admira que hoje não se perceba essa intensidade, porque, numa sociedade do bem-estar material e numa cultura do provisório e da pós-verdade, não há abertura para as decisivas questões metafísico-religiosas.”

Essa sociedade “do bem-estar material e de uma cultura do provisório e da pós-verdade” é a sociedade defendida pela esquerda, em geral, que o Anselmo Borges apoia. [¿Qual é a diferença básica entre a Esquerda e a Direita?]

3/ não há religiões completas; o catolicismo é a religião mais completa de todas as que analisei. Mas isso não significa que o catolicismo, enquanto religião concreta (religião popular), seja perfeito ou completo.

Se entrarmos pelo esoterismo bíblico adentro, expresso nos Evangelhos (no “Reino De Deus”, segundo Jesus Cristo), percebemos que existem aspectos do Budismo, por exemplo, que são partilhados por esse Cristianismo que só a alguns pode ser dado a conhecer, porque só alguns se dispõem livremente (usando o seu livre-arbítrio, segundo o conceito de Santo Agostinho e de S. Tomás de Aquino) a abrir-se à exegese dos textos do Novo Testamento

[“¿Pregaste aos que estão adormecidos?” E uma resposta veio da cruz: “Sim.” (Pedro, 35-42)] — [“Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará”. (Efésios, 5,14)]

“Sei de um homem, em Cristo, que há 14 anos — ignoro se no corpo, ou fora dele, Deus o sabe — foi arrebatado até ao Terceiro Céu. E sei desse homem — se no corpo ou fora dele, não sei, Deus o sabe — que foi arrebatado ao Paraíso e ouviu palavras inexprimíveis que não é permitido a um homem divulgar”. → S. Paulo, 2 COR 12, 2-4

“Se alguém tem sede, venha a mim e beba”. → João 7, 37

“Porque não há nada oculto senão para que seja revelado, nem se fez secreto senão para vir à claridade”. → Marcos 4, 22

4/ é óbvio que Deus não existe, no mesmo sentido em que existe uma qualquer coisa no espaço-tempo.

5/ E se lermos as epístolas chamadas de “deuteropaulinas” [Efésios, Colossenses, 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Timóteo, Tito], verificamos que o Cristianismo não tem a “dinâmica democratizante” que o Anselmo Borges reivindica.

6/ Finalmente, o Cristianismo tem uma componente transcendental (dualismo) que as religiões monistas (incluindo o marxismo) não têm; e essa é a maior dificuldade de “inculturação” do catolicismo na Ásia (e entre os socialistas que o Anselmo Borges aprecia).


Tania Mariam

Esta menina de 12 anos chama-se Tania Mariam, vivia no Paquistão e foi assassinada por ser cristã.

¿Viram alguma notícia nos jornais? Claro que não, não só por causa do “Silêncio” de fala o Anselmo Borges, mas também por causa da espiral do silêncio de que este papa é criminalmente cúmplice.