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quinta-feira, 24 de abril de 2025

quarta-feira, 31 de julho de 2024

Precisamos de um Estado Novo

Entro na repartição de Finanças de Vila Nova de Gaia (1910) antes das 11 da manhã.

Vemos, na primeira foto, cinco pessoas a ser atendidas ao balcão, e outras cinco pessoas à espera de ser atendidas.

Na segunda foto, vemos a máquina de tirar senhas com a informação de que não há mais senhas — e isto, antes das 11 horas da manhã, e com cinco pessoas em espera de atendimento.

Existem duas categorias de portugueses: os funcionários do Estado, e o outros.





quarta-feira, 17 de maio de 2023

O Estado laico

fatima-estado-web

segunda-feira, 20 de julho de 2020

A longa viagem da Maria João Marques: do libertarismo do Insurgente → à defesa das posições políticas do Bloco de Esquerda


Através do método de indução (método científico) cheguei à conclusão de que a seguinte proposição é verdadeira: “quem discorda da Maria João Marques é por ela bloqueado no Twitter”.

Por isso, a Maria João Marques não merece credibilidade; os seus (dela) correligionários do Insurgente devem conhecê-la melhor do que eu; aliás, não consigo empreender como foi possível a Maria João Marques escrever no blogue libertário Insurgente ... porém, no caso deste tuite (ver abaixo a imagem), vou abrir uma excepção e vou comentar — mais até pelos comentários que se seguem ao referido tuite.

mjm-direitos

A Maria João Marques refere-se ao caso de um pai e de uma mãe que recusam a interferência do Estado na formação ética e moral dos seus filhos — o caso do cidadão Artur Mesquita Guimarães & Família, contra o Estado português.

artur-mesquita-guimaraes-web


1/ O primeiro argumento daquela criatura é o seguinte:

Os pais não têm direitos sobre os filhos; só têm deveres. E os filhos só têm direitos (não têm deveres em relação aos pais).

O que está implícito na proposição daquela criatura é o seguinte: “apenas o Estado tem direitos sobre as crianças”.

Os direitos que a Maria João Marques nega aos pais das crianças são (por ela) transferidos para o Estado.

Contudo, neste caso concreto, é o próprio Estado que nega direitos às duas crianças em causa, quando o Estado anula dois anos de escolaridade das ditas crianças, e apenas para afirmar a sua autoridade face aos respectivos pais.

Se o Estado estivesse preocupado com os direitos das crianças em causa, teria encontrado outra forma de lidar com a situação da família Mesquita Guimarães.

É claro que o Estado não se preocupa com os “direitos das crianças”; o Estado preocupa-se, isso sim, com os direitos e os interesses das elites políticas (da ruling class).


2/ há que distinguir entre “dever”, por um lado, e “obrigação”, por outro lado. Aquela criatura parece não saber a diferença entre uma coisa e outra.

Um dever é normalmente concebido como algo de pessoal: dizemos: “cumprir o seu dever”, mas não damos tanto ênfase a “cumprir as suas obrigações”.

Um dever é ético e/ou moral; uma obrigação é essencialmente legal (implica uma relação jurídica) — que pode não ser legítima: não nos esqueçamos de que o holocausto nazi, por exemplo, foi legal. Um qualquer fenómeno social, apenas por ser legal, não significa que seja uma coisa boa.

Por exemplo, ¿se, no futuro (e por absurdo), um governo do Bloco de Esquerda decidir incluir, no currículo escolar de educação sexual, a tese segundo a qual “a pedofilia é uma orientação sexual equivalente a outra qualquer” — ¿será que (por exemplo), apenas por ser legal, a promoção da pedofilia entre as crianças passa a ser legítima? A julgar pelo “raciocínio” da Maria João Marques, tudo leva a crer que sim.


3/ existe um princípio (básico) jurídico que é o seguinte: “quem não tem direitos, não tem obrigações”.

Do ponto de vista jurídico, uma obrigação implica direito. Uma obrigação sem reciprocidade de direito(s) é coisa própria de uma sociedade esclavagista.

Quem afirma que “os pais não têm direitos sobre os filhos; só têm obrigações”, tem um problema cognitivo profundo (um problema de percepção da realidade): não se trata apenas de ignorância ou falta de instrução, mas trata-se sobretudo de falta de sensibilidade que a intuição nos providencia.

Qualquer criatura minimamente sensível intui a reciprocidade entre o direito e a obrigação.

“O intelecto e a razão diferem no que respeita ao modo de conhecer — porque o intelecto conhece por simples intuição, ao passo que a razão conhece através do processo discursivo” (dedução , indução , inferência) “de uma coisa para outra” (S. Tomás de Aquino).

O problema da Maria João Marques não é só a irracionalidade manifesta; é também uma pobre intuição que revela um intelecto limitado.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

A caridade tem que cuidar da dignidade moral do pobre

El_Greco_St_Martin_of_Tours-webO Homem moderno — incluindo os cristãos actuais — já perdeu a noção cristã medieval de “caridade”; para o homem moderno, a caridade é dar (mas) sem cuidar da dignidade moral de quem recebe.

Na Idade Média, os mendigos andavam livres nas ruas das povoações; e quando pediam esmola a um rico burguês ou nobre que passava, quem lhes dava a esmola pedia em troca uma oração pela sua alma. Ou seja, a mendicidade medieval era uma profissão socialmente útil, porque quem dava a esmola ao pobre recebia qualquer coisa em troca.

A partir do momento em que a Reforma protestante retirou à penitência religiosa, por um lado, e à acção moral individual, por outro lado, a sua importância tradicional medieval, o Estado passou a controlar a acção altruísta dos indivíduos.

E como a mendicidade não acabava, o Estado protestante — Alemanha, Inglaterra — passou a restringir a liberdade dos mendigos naquilo a que Foucault chamou de “Grande Encarceramento”: os mendigos deixaram de ser úteis à sociedade, e passaram a ser reprimidos e encarcerados.

Através da rotulagem do “pobre” e de sinais distintivos afins, a caridade da Idade Média que se caracterizava por um modo de relação, transformava-se, no mundo moderno da Reforma e dos “direitos humanos”, em um modo de segregação.


Na imagem: S. Martinho partilha a sua capa com um pobre (pintura de El Greco).

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

A roubalheira da empresa Águas de Gaia Empresa Municipal, SA


A empresa Águas de Gaia não necessita de aplicar dinheiro em contas bancárias a prazo, ou fazer aplicações financeiras com mais-valias: basta-lhe chular o consumidor de água.

aguas-de-gaia-webBasta ao consumidor atrasar-se em seis dias no pagamento de uma factura, a empresa Águas de Gaia debita logo 08,31€ (+ IVA) de coima na factura seguinte.

Por exemplo, o meu consumo de água, na última factura, foi de 11,08 € (IVA incluído); e porque me atrasei mais de seis dias no pagamento da factura, tive que pagar um suplemento de 10,22 € de coima. Ou seja, o valor da coima é semelhante ao valor do consumo de água.

Neste caso particular, o “lucro” da empresa Águas de Gaia é de quase 100%. A chular assim o consumidor, a empresa Águas de Gaia não precisa de contas bancárias a prazo.

Mas, por exemplo, se um consumidor tiver uma factura de 500 Euros de água, paga os mesmos 10,22 € de coima.

É esta a lógica socialista da Câmara Municipal de Gaia: o tubarão que consome muita água paga a mesma coima que o peixe miúdo.

sábado, 22 de dezembro de 2018

O problema nosso não é só o de pagar demasiados impostos: é que ainda por cima somos gozados pelo corporativismo fiscal

 

Estou de acordo com o João Távora em relação às Finanças — mas vou mais longe: o comportamento dos funcionários das Finanças, em geral, atingiu a raia do inimaginável em termos de sadismo.

Por vezes dá-me a sensação de que o normal funcionário das Finanças tem um prazer mórbido em gozar com o Zé Pagode: é com um sorrisinho nos olhos que nos dizem que estamos fornicados por um qualquer motivo fiscal. E quando reclamamos um mau serviço por parte dos funcionários das Finanças (o célebre “Livro Amarelo”), a resposta vem pronta e sempre corporativista: sempre contra o povo e a favor da corporação.

O problema nosso não é só o de pagar demasiados impostos: é que, ainda por cima, somos gozados pelo corporativismo fiscal: eles (os funcionários das Finanças) divertem-se à fartazana quando nos sentem fodidos pela máquina trituradora fiscal.

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sexta-feira, 3 de agosto de 2018

O individualismo, o bom e o mau

 

Para que não digam que “estou sempre no contra”, desta feita estou de acordo com este verbete que critica o individualismo.

Mas a crítica é feita ao “fanatismo da independência individual”, e por isso é que eu estou de acordo com ela — porque o “individualismo” enquanto concepção segundo a qual o indivíduo constitui uma realidade primeira, essencial e fundadora de qualquer valor, é uma das premissas do Cristianismo (o “princípio de individuação”).

Hoje é preciso ter muito cuidado quando abordamos um qualquer conceito, porque uma má interpretação pode gerar mais confusão do que esclarecimento.

Para Jesus Cristo, o indivíduo é a base soteriológica; ao contrário do que dizem certos intelectualóides de urinol da Esquerda, Jesus Cristo foi tudo menos comunista, porque baseou a sua mensagem de salvação espiritual, no indivíduo. Para Jesus Cristo, o indivíduo é mais importante do que o colectivo, embora o colectivo também seja importante. Há parábolas de Jesus Cristo que fazem sobressair a importância do indivíduo face ao colectivo.

Portanto, um colectivista não pode ser cristão. Ser cristão e colocar o colectivo acima do indivíduo é uma contradição em termos. Mas ser cristão não significa ser “fanático da independência individual”.


O problema do “fanatismo da independência individual” começou, em primeiro lugar, com a radicalização política da concepção de Razão de Estado, e na sequência desta, o Absolutismo Monárquico da Idade Moderna que acabou por destruir a monarquia em muitos países da Europa.

Na Idade Média, por exemplo, o indivíduo existia independentemente do colectivo, embora agregado em guildas ou associações. E a nobreza constituía um escol — um escol não é uma classe, mas antes é uma colecção de indivíduos. Pelo menos em Portugal, nunca na Idade Média os indivíduos tiveram que abdicar da afirmação da sua identidade individual para se sujeitarem e anularem em relação ao colectivo — como aconteceu no século XX com o nazismo ou com o comunismo.

pierce-webO problema do “fanatismo da independência individual” começou com a radicalização do conceito de Razão de Estado, com o Absolutismo Monárquico e com o Romantismo. Todo este problema se desenvolveu entre meados de 1600 e meados de 1800.

Muita gente critica os iluministas continentais europeus (porque não existiu Iluminismo propriamente dito no Reino Unido), e principalmente Kant, pela criação do problema do “fanatismo da independência individual”. Mas trata-se de um erro.

O princípio da autonomia de Kant não defendeu um “fanatismo da independência individual”. O princípio da autonomia, segundo Kant, caracteriza-se por 1/ como liberdade no sentido negativo, isto é, como independência em relação a qualquer coacção exterior (o cidadão), 2/ mas também no sentido positivo, como legislação da própria Razão pura prática (o legislador). Ou seja, segundo Kant, o indivíduo autónomo ou independente é chamado a assumir as suas responsabilidades sociais e colectivas, aliás, na linha da tradição cristã.

Porém, não devemos opôr o Estatismo ao individualismo (enquanto “fanatismo da independência individual”) : trata-se de uma falsa dicotomia.

Há determinadas forças políticas — por exemplo, o Partido Comunista, o Bloco de Esquerda ou o PNR (Partido Nacional Renovador) — que criticam o individualismo para assim poderem defender a legitimidade de uma qualquer forma de Estatismo (defendem um Estado plenipotenciário e um Absolutismo político).

terça-feira, 29 de agosto de 2017

A explicação da teoria da igualdade do Pedro Tadeu

 

Há um burro (com alvará de inteligente) que escreve no Diário de Notícias que dá pelo nome de Pedro Tadeu e que, neste artigo, coloca em causa o alegado Poder dos homens sobre as mulheres, e dos brancos sobre as outras raças; e, colocando em causa esse (alegado) Poder, ele chega à conclusão de que é legítima (para além de dever ser legal) a restrição (ou mesmo abolição) da liberdade de expressão em nome da “igualdade”.

No entanto, o conceito de “igualdade” diz-nos que os homens, mulheres e as raças — que alegadamente e segundo os igualitaristas radicais, não existemnão são diferentes; e, por isso, esse tal “Poder” tem logicamente que ser ilusório.

Por isso é que (segundo o politicamente correcto que o burro do Tadeu perfilha) os homens que pensam que as mulheres e homens são diferentes, ou aqueles homens que dizem que existem raças, devem ser reprimidos política- e judicialmente, e mesmo despedidos dos seus postos de trabalho, para que não possam deter aquele perigoso Poder que eles, em teoria, não podem de facto ter.

E, o politicamente correcto do burro Tadeu vai mais longe: as acções do marxismo cultural em nome do reforço da “diversidade” (e para além da “igualdade”) — por exemplo, proibindo a livre expressão de opinião, de alguém que diga as raças existem e são diferentes, ou que o homem é diferente da mulher — não é uma manifestação de Poder, porque (alegadamente) o Poder só pode ser detido por aqueles que são contra a “diversidade”.

Sob o “chapéu” da “diversidade”, só encontramos vítimas.

Se não existem diferenças entre pessoas (independentemente da raça e do sexo que, alegadamente, não existem de facto), não é possível distinguir ou diferenciar as pessoas: de facto, os indivíduos (e “indíviduas”) são (alegadamente) intermutáveis; e é por isso que, sob o signo da “diversidade”, devemos então ter que criar novas categorias através das quais o comportamento humano se torna indiferenciado (seja qual for o acto): essas categorias (como sexo e/ou raça) são potencialmente infinitas.

Nenhuma das características de diferenciação humana pode então ter qualquer significado, e qualquer tentativa de categorização dessas características humanas só pode ser levado a cabo por forças reaccionárias contra a “igualdade” e contra a “diversidade”.

E porque não pode haver qualquer diferenciação intrínseca entre o comportamento de um determinado grupo de pessoas em relação a um qualquer outro grupo, os resultados dos comportamentos e das acções são imutáveis e idênticos — uma vez que a “diversidade” esteja a ser aplicada.


“A desigualdade injusta não se cura com igualdade, mas com desigualdade justa.”

Nicolas Gomez Dávila

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Em Portugal, mais vale fugir aos impostos

 

Se eu (na qualidade de senhorio) alugo um T2, pago 28% de imposto ao Estado sobre a renda líquida recebida; mas se eu alugo dois quatros separados, não pago imposto nenhum ao Estado porque ninguém paga. Vejam o exemplo de desta página no FaceBook.

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O Estado quer tanto chular os senhorios, que acaba por incentivar a fuga aos impostos através do aluguer de quartos separados.

quarta-feira, 30 de março de 2016

O I.M.T. (Instituto da Mobilidade e dos Transportes, IP) deve ser privatizado

 

Deixei caducar a carta de condução e tive que fazer um exame de condução; para este efeito foi necessário um atestado médico. Não vou discutir a lei em vigor, que me parece um saque ao contribuinte.

Estar à espera de ser atendido no I.M.T (no Porto) é um dia inteiro. Muita gente vai lá da parte de manhã, retira a senha, e volta depois do almoço. A lista-de-espera acumula. De repente, antes das 16 horas (que é a hora de fecho dos serviços), é um “ver se te avias”: os funcionários acordam. Em meia hora atendem a lista inteira que durou o dia a acumular.

Quem espera, desespera. Pergunto a um dos desesperados: “¿Ninguém reclama?”. “¿Para quê?” — responde-me — “Só cá volto daqui a cinco anos...!”. É a lógica do “deixa andar, porque o povo é quem mais ordenha” …

Se o Estado facultasse a base-de-dados necessária, poderia conceder a uma empresa privada (mediante concurso público) a gestão de alguns serviços do I.M.T. (Instituto da Mobilidade e dos Transportes) — como acontece lá fora, por exemplo, no Canadá.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

A Isabel Moreira e a preocupação com o Estado

 

foi cesarianaA Isabel Moreira sabe bem que a lei é a melhor forma de exercer a tirania; e a tirania é o poder de uma minoria sobre a maioria. Por isso é que ela se preocupa tanto com a lei e com o Estado que a impõe.

Ela sabe que a “celebração” que ela invoca é minoritária, e por isso é que a adopção de crianças por pares de invertidos não foi referendada. E retira deste facto a necessidade de o Estado impôr coercivamente a toda a sociedade — sobretudo aos “prevaricadores”, que são maioritários — ou o silêncio dos medrosos ou a anuência dos emasculados.

O texto da Isabel Moreira é um manifesto totalitário, embora em nome da “igualdade”; ou seja, é uma contradição em termos. “O esquerdista modifica as definições, para nos persuadir que transformou as coisas.” — Nicolás Gómez Dávila

E é em nome dessa “igualdade” auto-contraditória que ela compara a raça e a dita “orientação sexual”: ou seja, segundo ela, um negro existe na mesma condição de um gay — negros que são casados, têm família natural e filhos, são comparados com pessoas que optam por um estilo de vida sexualmente promíscuo e niilista.

A Isabel Moreira insulta os negros com a mesma desfaçatez com que pretende impôr à maioria a ideia de que a igualdade é sinónimo de medo imposto pela força bruta do Estado; ela  modifica as noções do senso-comum para nos persuadir (à maioria) que as coisas são transformadas.

A sociedade que a geringonça do António Costa nos quer impôr

 

Um grupo de pessoas fez uma experiência na Suécia (ver vídeo): uma mulher simulava que estava a ser violada dentro de um automóvel; 85% das pessoas que passavam não acudiram à vítima de violação e nem chamaram a polícia, e as 15% que quiseram intervir deixaram que o violador escapasse com a vítima dentro do carro.

A Suécia é o país com maior índice de violação de mulheres per capita e em todo o mundo, mas continua a ser o paradigma ideal da Esquerda portuguesa. E por quê? Porque a atomização da sociedade conduz ao fortalecimento do Estado, e a absolutização do Estado é o objectivo da Esquerda. O cidadão passa a ser um átomo desligado da sociedade e que existe apenas em função do Estado. A coesão e solidariedade sociais passariam a ser asseguradas apenas e só pelo Estado; fora do Estado, o indivíduo não existiria.

Ora, é este tipo de sociedade que a geringonça liderada por António Costa nos quer impôr.

 

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

O problema do Estado

 

Da palestra de Paul Gottfried podemos retirar as seguintes e principais conclusões:

  • O domínio da Esquerda no ocidente só vai parar quando as populações imigrantes (muçulmanas, na maioria) assumirem um papel preponderante nos países ocidentais.

A partir do momento em que a população islâmica na Europa, por exemplo, atingir uma determinada percentagem — a singularidade islâmica  —, todas as “vitórias” sociais e culturais da Esquerda serão revertidas e abolidas.

  • A única forma de derrotar a Esquerda (sem a contribuição islâmica) consiste no combate contra o Estado.

A Esquerda serve-se do Estado para prosseguir uma política de engenharias sociais e culturais; os partidos políticos legalizados existentes são extensões do Estado, sem excepção; a cultura antropológica é modelada pelo Estado e pela Administração Pública centralizada. O multiculturalismo, a burocracia e a Administração Pública centralizada são instrumentos políticos da Esquerda.

Neste contexto, por exemplo, a União Europeia é um instrumento político de Esquerda. Os partidos ditos de Direita que existem na maioria dos países da União Europeia são apenas instrumentos do maniqueísmo político da Esquerda, que se serve deles (dos partidos da dita Direita) para implementar uma política de “progresso da opinião pública”, em que a dita Direita é demonizada por forma a justificar a radicalização crescente do aprofundamento da intervenção do Estado na sociedade, e o aumento do Poder burocrático sem rosto.

É neste sentido que eu digo que Paulo Portas (com a ajuda de Adolfo Mesquita Nunes) “fechou a Esquerda à direita”. E Assunção Cristas vai continuar a mesma política de Paulo Portas de fechamento da Esquerda à direita (o CDS/PP transformado em um partido tampão que tenta impedir a formação de partidos políticos paleo-conservadores fora deste sistema político controlado pela Esquerda). Neste sentido podemos dizer que o CDS/PP é um partido político de Esquerda.

  • O combate contra o Estado consiste na redução drástica do seu Poder.

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A receita foi dada por Tocqueville em finais do século XIX: o Estado tem que ser apenas mais uma instituição da sociedade civil. Não se trata apenas de uma descentralização do Poder do Estado: é também a transformação do Estado em um mero parceiro da sociedade civil, dando liberdade às comunidades locais e instituições da sociedade civil de se organizarem autonomamente.

Dado o Poder actual e crescente concentrado no Estado que serve a Esquerda, esta mudança não se fará sem violência — porque é todo o sistema político actual que está em causa. A actual “democracia” não é democrática: serve apenas uma elite de iluminados esquerdistas.

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Karl Popper, acerca do Estado-providência

 

“A luta contra a pobreza deu origem, em alguns países, a um Estado-providência com uma enorme burocracia na assistência social e uma burocratização quase grotesca do sector médico e hospitalar, tendo como resultado evidente que apenas uma fracção das quantias afectadas à previdência social reverte a favor dos que dela necessitam.

Porém, ao criticarmos o Estado-providência — e devemos e temos de o criticar —, não podemos esquecer nunca que ele tem origem num pressuposto extremamente humanitário, e que uma sociedade disposta a fazer pesados sacrifícios materiais (e alguns sacrifícios inúteis) demonstra ter assumido com seriedade este princípio.

Uma sociedade disposta a fazer tais sacrifícios em nome de uma convicção moral tem também o direito de concretizar as suas ideias. A nossa crítica ao Estado-providência deve, pois, apontar o modo como essas ideias poderiam ser melhor executadas”.

→ Karl Popper, em uma conferência em Zurique, 1958

sábado, 1 de agosto de 2015

Os sargentos da polícia

 

« Actualmente, por mês, são aviadas cerca de sete milhões de receitas médicas em Portugal, mas sabe-se que uma parte significativa, "15%", não são levantadas por várias razões, por exemplo, porque o cidadão não tem dinheiro ou porque não segue a posologia recomendada.

Quando o novo sistema estiver completamente operacional, os médicos passam a poder perceber se os seus pacientes compraram ou não os medicamentos receitados, diz. “Uma das grandes vantagens para o médico é a de perceber se o doente comprou ou não os medicamentos", enfatiza. »

Os polícias da saúde

Por detrás de cada progressista está um sargento da polícia. Nada pode curar o progressista: nem sequer os frequentes ataques de pânico causados pelo progresso.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Os magistrados do politicamente correcto, e a estatização da sociedade

 

Está aqui um texto do Alberto Gonçalves (ex “Homem a Dias”) que reflecte o aumento dos poderes dos juízes. Os juízes já começam a decidir sobre detalhes íntimos da nossa vida privada. Parece que a tendência é a de que o cidadão só terá vida privada quando estiver a dormir. Mas o cidadão também é culpado quando não respeita a sua própria privacidade: temos, portanto, uma pescadinha de rabo na boca que alimenta a estatização do cidadão, nomeadamente através dos juízes que desempenham o papel dos magistrados na República de Platão.

Platão divide a sociedade em três classes: povo, militares e magistrados. Só estes últimos detêm o poder político e são em número muitíssimo inferior ao das outras classes. Os magistrados são escolhidos a dedo pelo Legislador (o Rei-filósofo). Platão está certo de que os magistrados seguirão sempre as intenções do Legislador (o que é um absurdo), e considera que os magistrados são uma classe à parte (como eram os membros do Partido Comunista na URSS). Parece ser esse o papel dos juízes que se prepara para a nossa sociedade.

“ (…) custa perceber a recente decisão dos tribunais de Setúbal e Évora, que proibiram um casal de exibir a filha nas 'redes sociais' (…)

A segunda razão [do tribunal] é um primor: 'os filhos não são coisas ou objectos pertencentes aos pais e de que estes podem dispor a seu belo sic prazer'.”

A coisificação das crianças tende a ser um direito monopolista do Estado patrocinado pelos magistrados que, alegadamente, seguem as instruções do Legislador. “Alegadamente”, dizemos nós - porque na realidade os magistrados tendem a actuar em roda livre. Os magistrados acusam os pais de coisificação das crianças, justificando assim que passe a ser o Estado a deter o exclusivo da coisificação das crianças.

Para que esta estratégia de estatização da sociedade tenha sucesso, o Legislador e os magistrados têm, em primeiro lugar, de classificar toda e qualquer dissidência politicamente incorrecta (em geral e em abstracto) como sendo doença mental. A seguir, os magistrados decidirão que os malucos dissidentes (politicamente incorrectos) devem ser interditados e internados em hospitais psiquiátricos. Será nesta altura que o Júlio Machado Vaz (ou quejando) assumirá as funções de Ministro da Sanidade Mental.

Por exemplo: ¿não gostas da ideia do "casamento" gay e manifestas a tua opinião em público? Então, por decisão do magistrado, tens que ser internado, porque certamente estás maluco.


Na República de Platão, por exemplo, mães e amas só podem contar às crianças histórias autorizadas pelos magistrados que, alegadamente, seguem as instruções do Legislador; também não podem ser contadas histórias em que as pessoas politicamente incorrectas são felizes e em que as politicamente correctas são infelizes — porque o efeito moral entre os espíritos tenros pode ser desastroso. Impõe-se também uma austera alimentação das crianças: a politicamente correcta, se possível vegetariana; peixe e carne só assados, sem molhos nem doçuras; diz Platão que as crianças que seguem este regime não precisam de médico.

No fulcro da estatização das crianças está a abolição (em termos práticos) do casamento — tal como previra Platão na sua utopia: “Estas mulheres serão, sem excepção, esposas comuns, e ninguém terá mulher sua”.

Todas as crianças devem ser separadas dos pais ao nascer ou em tenra idade, e ter-se-á todo o cuidado em que os pais não as conheçam, nem elas aos pais. Crianças deformadas são eutanasiadas (já está acontecer hoje na Holanda e na Bélgica). Os filhos de uma união não sancionada pelo Estado são considerados ilegítimos. Nos casamentos controlados pelo Estado, as pessoas não têm direito a opinião: têm que pensar segundo o seu dever para com o Estado e não segundo aquelas emoções vulgares como, por exemplo, o afecto maternal — isto já é defendido hoje pela deputada socialista Isabel Moreira: procura-se diminuir as emoções privadas, removendo obstáculos ao domínio do espírito público estatal e concordar-se com a ausência da propriedade privada (não veremos, por exemplo, o José Pacheco Pereira a discordar disto).

Como ninguém sabe quem sãos os pais, pode-se chamar “pai” a quem quiser e que tenha idade conveniente, e o mesmo quanto à “mãe”, “irmão” e “irmã”.


A coisa política vai por este caminho. O actual aumento do poder dos juízes (dos actuais magistrados da República de Platão) deve-se essencialmente a uma concepção determinista do ser humano fundamentada pela ideia (errada!), e que está na moda, de que as ciências sociais são ciências exactas. Não existindo (alegadamente) livre-arbítrio no ser humano, aumenta o poder discricionário dos juízes (que são os únicos que têm livre-arbítrio!). Do que estamos aqui a falar é de liberdade, e do Estado que no-la quer tirar.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

O Observador e a defesa do super-estado da União Europeia

 

“Por nacionalismo entende-se um grupo de indivíduos que partilham a mesma lealdade a um grupo étnico ou nacional”.

O Nacionalismo é a Guerra (via).


1/

O idiota que concebeu esta definição de “nacionalismo” escreve no Observador — como não podia deixar de ser. Imaginem que eu definia assim “luz”:

“A luz é o movimento luminoso dos corpos luminosos”.

Trata-se de uma tautologia. Por exemplo, outra tautologia só possível em uma articulista do Observador: “o liberalismo é um movimento político e económico liberal a favor do liberalismo político e económico”. E os leitores do Observador, na sua maioria ignaros, batem palmas.

Portanto, a definição de “nacionalismo”, por parte do idiota do Observador, é uma tautologia. Por outro lado, não é possível definir “nacionalismo” sem primeiro definir “nação”:

“Uma nação é uma comunidade natural em que cada indivíduo se inscreve em função do seu nascimento, da existência de uma História, de uma língua e de uma cultura antropológica comuns.”

A nação (e, por isso, a nacionalidade) é, por definição e natureza, imposta ao indivíduo por nascimento. Mas o indivíduo pode mudar de nação e de nacionalidade — é livre de adquirir outra nacionalidade que não a original. Neste caso, o indivíduo tem a possibilidade de escolher entre a nação originária e uma outra nação de adopção que raramente deixará de ser adoptiva enquanto prevalecer nele a memória da cultura e a língua da nação de origem.

Portanto, temos dois tipos de nacionalidade: 1/ a que decorre da comunidade de origem, e 2/ a que pode decorrer de um contrato em relação a determinados princípios fundamentais celebrado com uma determinada comunidade nacional diferente e de emigração.

2/

Napoleão foi o campeão do liberalismo — económico e político. E foi também o campeão das nações: por isso é que Napoleão fez a guerra contra os conglomerados aristocráticos da Europa de finais do século XVIII, destruindo os impérios monárquicos e instaurando as várias nacionalidades europeias. Ou seja, o liberalismo económico e político foi fundado na nação.

Agora está na moda — como se verifica pelo idiota do Observadorser liberal mas contra a nação. Ou seja, a própria origem histórica e conceptual do liberalismo (“liberalismo” no sentido europeu o termo, ou seja, económico e político, mas não no sentido americano) é negada em nome do liberalismo. Esta contradição pode ser apenas aparente — a não ser que o escriba do Observador, para além de idiota, seja estúpido —, porque o que se pretende é diabolizar as nações europeias para que se possa formar uma super-nação: o leviatão da União Europeia sob a égide de um alegado “federalismo”. O idiota observador pretende a criação de uma super-nação sem fundamentos nacionais: mas essa super-nação já é boa!

3/

O idiota identifica necessariamente “nação” e “Estado”.

“O Estado é o conjunto das instituições – políticas, jurídicas, militares, administrativas, económicas – que organizam uma sociedade num determinado território.”

A noção de Estado pressupõe, em primeiro lugar, a permanência do Poder: o Estado apenas surge quando o Poder se institucionaliza, ou seja, quando deixa de estar exclusivamente incorporado na pessoa de um chefe: é esta permanência do Poder que exprime a seguinte fórmula: “O Rei morreu, Viva o Rei!” (por isso é que o Absolutismo monárquico foi contra o Estado).

Em segundo lugar, o Estado pressupõe a “coisa pública”: se o Poder do Estado não pertence a um seu detentor, se não é sua propriedade pessoal (não há tal coisa como “dono do Estado”), é porque define um espaço público, comum a todos. Neste sentido, podemos dizer que qualquer Estado é uma “res publica” (do latim, “coisa pública”), mesmo tratando-se de uma monarquia. Por exemplo, a monarquia inglesa ou a dinamarquesa são “res publicae”.

Para além da confusão entre “nação”, por um lado, e “Estado”, por outro lado, o idiota observador defende implicitamente um super-estado que é a União Europeia — um super-estado sem rosto e sem identificação com uma qualquer nação propriamente dita.

4/

Se tomarmos por exemplo o movimento radical islâmico I.S.I.S., este faz a guerra em nome de um Estado islâmico que não tem uma nação, mas antes é um aglomerado de nacionalidades. Ademais, Napoleão, como campeão do liberalismo, fez a guerra contra os não-liberais do século XVIII. Ou seja, segundo o observador idiota, parece que há uma guerra boa e uma guerra má; e parece que o Estado islâmico faz a guerra porque é uma nação (o Estado islâmico é, alegadamente, “nacionalista”).

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Já vos falei aqui do que é o Observador, ressalvadas raras excepções: uma merda.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Corrupção no Estado é altíssima em Portugal

 

A Ernst & Young publicou um relatório sobre a corrupção na Europa, e Portugal está atrás de países como a Roménia e a Hungria. Trata-se de uma sondagem feita a cerca de 3.500 empresas em todo o mundo sobre os subornos pagos a funcionários públicos para “fazer andar as coisas”.

Enquanto Portugal não fizer baixar a corrupção no Estado, não saímos da cepa torta.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Centros de competência de políticas públicas

 

Um “centro de competência” é um termo politicamente correcto para o conceito tradicional de “think tank”; “centro de competência” é um termo renovado que encerra novos significados ainda obscuros para a opinião pública.

É aceitável que um partido político, por exemplo, organize e disponha de um “centro de competência” (think tank); é normal que uma empresa tenha o seu “centro de competência”; ou que um grupo de entidades, organizações e pessoas se reúnam em torno de um “centro de competência”, como é o caso, por exemplo, do “centro de competência” do tomate português.

Mas quando se fala de centros de competência de políticas públicas”, saco logo da pistola, porque cheira a neo-camaralismo e a um incremento da burocracia de Estado.

Immanuel Kant escreveu o seguinte acerca do Camaralismo ou Wohlfahrtsstaat:

“Um governo que fosse fundado sobre o princípio da benevolência para com o povo — tal o do pai para com os seus filhos, quer dizer, um governo paternal —, onde, por consequência, os sujeitos, tais filhos menores, incapazes de decidir acerca do que lhes é verdadeiramente útil ou nocivo, são obrigados a comportar-se de um modo unicamente passivo, a fim de esperar, apenas do juízo do chefe do Estado, a maneira como devem ser felizes, e unicamente da sua bondade que ele o queira igualmente — um tal governo, digo, é o maior despotismo que se pode conceber.” 1

 

Na mesma época, o filósofo Guilherme Humboldt, no seu ensaio sobre “Os Limites da Acção do Estado”  2 recusava qualquer pretensão do poder público a intervir no sentido do “bem positivo” dos súbditos (saúde, riqueza, educação, moralidade, assistência, etc.), afirmando que o papel do Estado deveria limitar-se estritamente a garantir o seu “bem negativo”, ou seja, a segurança no quadro das leis: “o princípio segundo o qual o governo deve cuidar nos planos material e moral da felicidade e do bem-estar (das Glück und Wohl) da nação constitui o despotismo mais terrível e mais opressivo” 2.

O cidadão comum ainda não se apercebeu disso, mas António Costa é extremamente perigoso — tão perigoso quanto um dirigente do Bloco de Esquerda ou do Livre. A diferença entre um e os outros é mínima. Quando vemos uma mentalidade burocrática radical de Esquerda a tecer loas a António Costa e ao conceito de “centros de competência de políticas públicas”, não devemos hesitar e sacar logo da pistola.


Notas
1.  [“Teoria e Prática”, 1793, II, pág. 31]
2. [Editora Rés, Porto, 1990]