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domingo, 14 de dezembro de 2025

O “progresso”, segundo a Esquerda : a criminalização da Bíblia


O “progresso”, segundo a Esquerda, passa pela criminalização da Bíblia: quem citar a Bíblia em público será punido criminalmente.

«passiones ignominiae », « usum contra naturam » et « turpitudinem operantes »

(Romanos 1, 26-27).

Não tarda nada, teremos uma directiva da União Europeia que criminalize os cristãos por serem cristãos, em alegada “defesa” de pequeníssimas minorias heterodoxas.

Veremos sacerdotes da Igreja Católica a serem presos por causa de homilias proferidas baseadas nas Escrituras bíblicas.

Isto, nem na extinta União Soviética aconteceu!

A política expressa a cultura, e a cultura expressa o culto. O culto é a raiz de tudo. O culto da Esquerda é luciferino, é diabólico.

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

¿Como é possível ser simultaneamente marxista e católico?


“José Manuel Pureza, 66 anos, professor universitário, coimbrinha e católico assumido, prepara-se para suceder a Mariana Mortágua na liderança do partido.”

O herdeiro sereno do caos bloquista

O Grande Acusador utiliza os mais sofisticados disfarces e tramas para nos enganar. Ao contrário do que aconteceu com o arcanjo católico e bíblico, os arcanjos marxistas impedem o Homem de escapar dos seus paraísos.

pele de cordeiro webPureza é um marxista; por definição e pelo princípio lógico da não-contradição, não pode ser católico — a não ser que o Pureza tenha repudiado o marxismo, o que não faz sentido porque se candidata a líder do Bloco de Esquerda: um líder do Bloco de Esquerda que não seja marxista é uma contradição com pernas.

O Grande Acusador triunfa completamente quando não deixa nem rasto nem impressão digital.

Pureza será o líder do Bloco de Esquerda mais perigoso desde a fundação daquele partido, porque é um lobo com pele de cordeiro: naturalmente que ele pode enganar muita gente, mas não deveria enganar o clero católico que (supostamente) tem formação teológica.

Porém, se o objectivo da actual Igreja Católica é simplesmente organizar um paraíso terrestre, os padres católicos não fazem falta: para esse desiderato, basta o diabo e os seus acólitos puritanos e/ou bloquistas.

O Pureza não resistiria a cinco minutos de debate comigo acerca da relação entre o marxismo e o catolicismo; mas tentará certamente aldrabar o povo. Parafraseando Augusto Santos Silva: “o Pureza quererá ser um Chico-esperto, mas fará figura de Aldrabilhas”.

terça-feira, 24 de dezembro de 2024

sexta-feira, 8 de julho de 2022

Só é possível ser reaccionário dentro de parâmetros católicos tradicionalistas


Devo dizer que eu não concordo, em muita coisa, com as ideias de António José de Brito — nomeadamente com o hegelianismo (de Direita) que ele apostolou. Durante toda a primeira metade do século XX, Hegel esteve na moda na Europa; e até uma certa Esquerda actual (por exemplo, com José Pacheco Pereira) foi influenciada por Hegel.

O monismo de Hegel é veneno ideológico. Ademais, a única forma de ser (realmente) “reaccionário” traduz-se na adopção de determinadas premissas católicas fundamentais e tradicionais.

Acerca deste texto de António José de Brito: naturalmente que ele tem razão quando critica a censura da opinião — o que não significa que todas as opiniões devam ou possam ser ensinadas ou divulgadas nos estabelecimentos de ensino pré-universitários — como escreveu Hannah Arendt (e eu concordo), a educação das crianças deve ser conservadora (no Ocidente, no sentido cristão):


“Porque a criança tem necessidade de ser protegida contra o mundo, o seu lugar tradicional é no seio da família.” (Hannah Arendt, Entre o Passado e o Futuro, 2006, pág. 196)

(…)

“A própria responsabilidade alargada pelo mundo que a educação assume, implica, como é óbvio, uma atitude conservadora.” (idem, pág. 202)


O professor António José de Brito escreve:

“Em nome da liberdade de opinião numerosas opiniões são banidas, sob o pretexto que não são opiniões. O monolitismo doutrinário instala-se sob a égide da luta contra o monolitismo doutrinário.”

Porém, o argumento do António José de Brito é o de Reductio ad Absurdum em relação ao conceito de “liberdade de opinião”; o raciocínio dele, mutatis mutandis, é o seguinte: “se a liberdade de opinião não existe de facto, fica então justificada a defesa da censura da opinião defendida pela ultra-direita”. Em António José de Brito, a crítica à “liberdade de opinião que não existe” é uma crítica determinista.

Uma das características principais do hegelianismo, é o determinismo. Uma das características principais do Cristianismo é o livre-arbítrio (liberdade).

O determinismo é a ideologia das perversões humanas: para poder abusar da sua liberdade, o ser humano necessita de se converter a doutrinas deterministas. O determinismo é invocado para exorcizar a Graça: com a ideia absolutista de “causa/efeito”, abafamos o nosso medo e emudecemos a nossa culpa. O determinismo histórico é ideologia de doutrinas que recusam a paternidade dos seus crimes.

O determinismo hegeliano, universal, seria concebível se não existisse a sua noção.

terça-feira, 5 de junho de 2018

A miopia presentista dos “intelectuais secularistas”

 

Temos aqui um texto curto de um tal Padre Fernando Calado Rodrigues (ver em ficheiro PDF, para memória futura), e pode ser lido num ápice. 1

Temos ali (no referido texto) um exemplo de uma “análise” presentista da realidade. Um dos enormes problemas do nosso tempo é o de que tanto queremos prever o futuro que nos esquecemos dos exemplos do passado. Existe de facto um corte epistemológico com o passado, e o surpreendente é que os sacerdotes, que supostamente têm uma formação em filosofia e em teologia, não escapam à vulgaridade que o espírito do nosso tempo nos impõe.

A ideia do Padre segundo a qual a Igreja Católica “habituou-se a coroar reis e imperadores e a impor as suas leis às sociedades” é análoga à ideia abstrusa de que “a galinha surgiu antes do ovo”, porque

1/ foi um político (o imperador Constantino) que impôs o Cristianismo a todo o império romano; a cristianização do império romano foi, antes de mais nada, um imperativo político.

2/ as relações entre a Igreja Católica e o poder político, na Europa Ocidental (as relações da Igreja Ortodoxa com o Estado foram diferentes), sempre foram marcadas por uma dissensão constante. A ideia de que “a Igreja Católica impôs as suas leis às sociedades europeias”, escamoteia o facto de os reis (o poder político) andarem constantemente “à porra e à massa” com os papas. O Cristianismo foi usado pelos políticos europeus para impôr às respectivas populações uma certa ordem política. A ideia simplista de que “foi a Igreja Católica que impôs as suas leis às sociedades” só pode vir de um radical jacobino.


“O mundo moderno parece invencível; como os dinossauros desaparecidos.”Nicolás Gómez Dávila 


A seguir, o Padre fala em “secularização” da mesma forma que os bolcheviques falavam de “revolução”: como um estádio político evolutivo, produto de uma dialéctica evolucionária da qual surgiu o secularismo soviético — que já se extinguiu. Aliás, durou menos de um século. E voltamos ao presentismo do Padre: o homem não enxerga grande coisa a dois palmos do nariz (dele).

A actual classe dita “intelectual” é míope.

Não se dão conta de que o “secularismo” é hoje uma religião política; não deixa de ser uma forma de religião. O problema é o de saber se essa forma de religião imanente  e monista  (o secularismo), entendida em si mesma e quando despreza a Lei Natural, poderá fundamentar a realidade social e cultural durante muito tempo — porque há aqui, desde logo, um problema demográfico: os secularistas, seguidores de religiões política imanentes, em geral, não se reproduzem ao mesmo ritmo dos seguidores de religiões transcendentais.

Portanto, por uma questão de ordem natural das coisas, o “secularismo” entendido como religião política, tende a desaparecer — e não o contrário disto, como diz o Padre. Aliás, já verificamos isso em alguns países europeus (Bélgica, Suécia), onde a população islâmica será maioritária dentro de duas ou três décadas.

Finalmente, está propalada a ideia de que a legalização da eutanásia não interfere minimamente com a liberdade implícita na cultura antropológica — por exemplo, quando o Padre escreve o seguinte:

“De qualquer forma, mesmo que seja lícito fazê-lo, os católicos não serão obrigados a pedir a eutanásia. Também os médicos católicos não serão obrigados a fazê-la.”

Há dias, o Supremo Tribunal de Justiça dos Estados Unidos teve que vir a terreiro defender os direitos de um padeiro cristão que se recusou a cozinhar um bolo para um "casamento" gay. Mas quando o "casamento" gay foi proposto à sociedade, disseram-nos que “a nossa liberdade não seria minimamente afectada com os casamentos dos gays”. A realidade diz-nos isso que não é verdade.

O que o Padre escamoteia — ou por ignorância, ou por estupidez, ou por malevolência — é que o próprio conceito de “católico” estará em causa a partir do momento em que a lei comum (o Direito Positivo) passe a ser anticatólica, como já vai acontecendo. Em uma sociedade em que a lei não é apenas “não-católica”, mas é sobretudo “anticatólica”, os católicos entram em espiral do silêncio e deixam de existir social- e culturalmente enquanto católicos — a não ser que se entre por uma resistência clandestina que envolverá um certo grau de violência articulada internacionalmente.

Ou seja: o que estamos a assistir na União Europeia do pós-cristianismo é a uma “sovietização” mas sem uma União Soviética.

Os maomedanos encarregar-se-ão de contradizer os jacobinos instalados nos corredores do Poder e no Vaticano.


Nota
1. Se o artigo 13 passar no paralamento europeu, terei provavelmente que pagar uma taxa por mencionar aqui a ligação para aquele artigo.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

A Igreja Católica e o dogma da Imaculada Conceição

 

O Padre Pio de Pietrelcina faz um resumo eloquente do papel teológico católico de Maria, Mãe de Jesus:

« Quando entrares numa igreja e vires a imagem de Maria, diz-lhe: “Eu te saúdo, Maria, e dá os meus cumprimentos a Teu Filho, Jesus” » .

Qualquer pessoa com dois dedos de testa entende intuitivamente (mesmo que não concorde com ele) este símbolo da função de Maria na teologia católica. Foi neste contexto simbólico (que já vinha desde os primórdios do Cristianismo) que o Papa Pio IX instituiu o dogma da Imaculada Conceição.

blessed-mother-mary-webUm dogma é uma afirmação (comunitária da experiência) humana sobre a Realidade que está para além daquilo que é alcançável através da linguagem.

Porém, não podemos esquecer que o Papa Pio IX foi alvo de violência vinda da maçonaria inimiga fidagal da Igreja Católica. A proclamação do dogma da Imaculada Conceição tem também — para além dos precedentes teológicos de que fala aqui o Domingos Faria — uma causa política.

Quase tudo o que escreveu o Domingos Faria acerca do dogma da Imaculada Conceição não tem importância relevante se compreendermos mensagem do Padre Pio de Pietrelcina acerca da função teológica de Maria — porque, em bom rigor, só podemos falar daquilo que não é individual. Não podemos falar, com autoridade, grande coisa acerca de Maria enquanto indivíduo.

Os dogmas delimitam o espaço de uma comunidade, e por isso o dogma só faz sentido dentro de uma comunidade (colectivo) — na tentativa de exprimir aquilo que não pode ser expresso, mas que “quer ser exprimido”.

Mas não é só o divino que é inexprimível: o individual também não pode ser compreendido através de palavras ou de pensamentos (por isso é que devemos julgar os seres humanos pelos seus actos, e não por meras manifestas intenções!), porque as palavras são uma forma de linguagem; e a linguagem consiste em conceitos universais (e não é possível exprimir o individual em conceitos universais).

domingo, 29 de outubro de 2017

França recusa estátua de João Paulo II; e a Polónia quer ficar com ela

 

O Conselho de Estado de França — obviamente controlado pela maçonaria — pretende retirar a cruz a uma estátua do Papa João Paulo II na cidade de Ploërmel.

Ploermel-estatua-joao-paulo-2-web

Entretanto, a primeira-ministra da Polónia, Beata Szydło, já veio dizer no Twitter que se os franceses não querem o monumento completo (com a cruz), a Polónia está desde já disponível para ficar com o dito (monumento que foi construído pelo artista russo Zurab Tsereteli em 2006).

Beata-Szydło-france-web

A nossa consolação é que os maçons franceses irão em breve andar de cu para o ar, sodomizados pelos maomedanos maioritários: em 2050, a maioria da população em França não será europeia e será muçulmana.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Um bom católico arrebenta sempre as fauces ao muçulmano que chateia

 

Um grupo de católicos franceses estava a protestar pelo encerramento de uma igreja local por parte do governo do Partido Socialista — ao que parece, a igreja será entregue pelo Partido Socialista à comunidade muçulmana para se transformar em uma mesquita.

Entretanto, os católicos franceses começaram a rezar o terço no local de protesto, e um muçulmano passou de carro e começou a importunar os católicos. Depois, o muçulmano saiu do carro e foi para o local das orações chatear os católicos …. e levou no focinho.

Pelo facto de se ser católico, não significa que os muçulmanos não levem no focinho.

Um bom católico arrebenta sempre as fauces ao muçulmano que chateia.

 

terça-feira, 7 de março de 2017

Maria da Luz Rodrigues: “mantra” é a puta que te pariu!

 

“A terapeuta de reiki, Maria da Luz Rodrigues, compara a (oração católica) Avé Maria com o ‘Om Mani Padme Hum’, um mantra relacionado com uma “mãe divina budista”, Kuan Yin, adorada na China, Japão, Coreia e Vietname, e que simboliza a compaixão e o amor”.

¿Pode uma Avé Maria ser um mantra?


Maria, mãe de Jesus, foi uma personagem histórica concreta; Maria existiu mesmo, em carne e osso: não é um mito ou uma invenção. Comparar uma pessoa que existiu e teve a sua própria vida, por um lado, com um mito budista, por outro lado, é estupidez.

Uma Avé Maria é uma oração transcendental, e não um mantra.

Um mantra é imanente; a oração católica, em geral, (como, por exemplo, o Credo) apela ao transcendente. Quando a Maria da Luz Rodrigues não sabe a diferença entre o transcendente  e o imanente , é caso para dizer que “mantra é a puta-que-pariu”.

quarta-feira, 1 de março de 2017

O Frei Bento Domingues é um modernista do passado

 

1/ Como sempre tem acontecido, não concordo com o Frei Bento Domingues: eu penso que O Livro do Desassossego, de Fernando Pessoa, em vez de desassossegar, sossega a crença religiosa racional — aquela crença racional que Santo Anselmo descreveu no Prolosgian. E O Livro do Desassossego não “abala certezas”, como diz positivamente o Frei Bento Domingues: pode abalar “verdades”, mas não devemos confundir as certezas e as verdades. Por exemplo, eu tenho a certeza de que o universo tem uma causa (que, por ser causa, não se confunde com o seu efeito): é uma certeza racional equiparável às certezas do formalismo matemática. E, baseando-se nessa certeza, o ser humano constrói várias “verdades”, incluindo a “verdade científica” segundo a qual uma baleia evoluiu a partir de uma espécie de ameba.

2/ O Frei Bento Domingues acredita, genericamente, na versão histórica progressista e de esquerda acerca dos acontecimentos principais desde o 25 de Abril de 1974 até hoje. Mas o Frei Bento Domingues diz que “nenhum católico está obrigado a acreditar no carácter sobrenatural” das aparições de Fátima.

Um dos problemas do Frei Bento Domingues é o de que ele não pode ser filósofo — embora ele o queira ser —, porque o filósofo questiona racionalmente as suas crenças; o Frei Bento Domingues tem a crença segundo a qual ele questiona as suas (dele) crenças. ¿O Frei Bento Domingues poderia ser teólogo? Também não, porque um teólogo tem que ser, hoje, também um cientista. O Frei Bento Domingues é um ideólogo, e nada mais do que isso. Trabalha em ideologia.

3/ o Frei Bento Domingues confunde um mito (como o de Santiago de Compostela) com um evento testemunhado por milhares de pessoas no século XX. O problema do Frei Bento Domingues é o de que ele não estava lá para testemunhar. Ver para crer, como o Tomé. E mesmo que o Frei Bento Domingues estivesse lá, naquele dia 13 de Outubro de 1917 em que “o Sol dançou” (segundo dezenas de milhar de testemunhas), ele chegaria ao fim do “espectáculo” e diria que tudo aquilo teria sido efeito da aguardente que teria bebido no fim do almoço.

4/ a mentalidade ou o arquétipo mental do Frei Bento Domingues é a de um modernista; ele pensa da mesma forma que o meu merceeiro aqui do bairro; ou pensa como o cauteleiro da baixa da cidade que me oferece a hipótese de enriquecer. Mas gente como o Frei Bento Domingues pensa que toda a gente hodierna é modernista como ele; mas há hoje muitos cientistas que não pensam como o Frei Bento Domingues, ou seja, são modernos mas não são modernistas.

Segundo a física quântica, a probabilidade de uma pessoa, ou de um grupo de pessoas, ver, por exemplo, uma pedra desaparecer de um sítio e aparecer noutro, não é nula (não é igual a zero).

A esse fenómeno de desaparecimento e reaparecimento da pedra, chama-se “salto quântico” ou “efeito de túnel”, e tem a característica de não ter uma garantia de repetição exacta. A razão por que um “salto quântico” pode ocorrer é desconhecida pela ciência (mas essa razão é objectiva, ou seja, não depende do nosso desconhecimento circunstancial sobre o fenómeno em causa).

E dado que não existe uma garantia de que o fenómeno do desaparecimento da pedra e o seu reaparecimento seja repetível, não existe uma possibilidade de estudo científico (ou histórico) desse fenómeno, uma vez que a ciência baseia-se na análise dos fenómenos que se repetem regularmente na natureza (sem estatística não há ciência propriamente dita).

Essa pessoa ou grupo de pessoas que observaram a pedra desaparecer de um sítio e reaparecer noutro, provavelmente correm o risco de ser apodadas de malucos, se revelarem o fenómeno observado.

Aqui entramos na área do “milagre”. Por exemplo, ainda hoje os ateus e materialistas dizem que os milhares de pessoas que observaram o fenómeno das aparições de Fátima, no início do século XX, foram vítimas de alucinações. Tal como o exemplo supracitado da pedra, o fenómeno de Fátima não é repetível de forma regular de modo a ser objecto da ciência (e das ciências sociais); a razão por que esse fenómeno ocorre é desconhecida da ciência. E, por isso, os ateus dizem que aqueles milhares de pessoas em Fátima eram malucas ou estavam bêbedas. É assim que pensa o Frade modernista.

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domingo, 19 de fevereiro de 2017

O 'Faith's Night Out' Blowed Their Minds Out

 

José Tolentino Mendonça desafiou os jovens presentes no 'Faith's Night Out' a serem “utópicos e sedentos”, acreditando na “força recriadora do amor” e rejeitando um “cristianismo insonso e por vezes também muito sonso, quando não aceita a dinâmica do serviço como a sua norma”.

«Faith's Night Out»: «Espero que não se esqueçam que são crentes» - Ricardo Araújo Pereira

“Utópicos e sedentos”, diz o Tolentino. ¿O que significa isso? Não sei. ¿Alguém sabe? E parece que há vários tipos de Cristianismo: por exemplo, o do 'Faith's Night Out', o do 'Faith's Day In', e a puta-que-pariu.

sábado, 18 de fevereiro de 2017

O Anselmo Borges fala do Silêncio

 

1/ Conta-se que o Padre Pio de Pietrelcina recusou a confissão, pelo menos em duas ocasiões e a duas pessoas diferentes. Disse-lhes o Padre: quando estiveres verdadeiramente arrependido, volta cá. ¿Significa isto que o Padre Pio de Pietrelcina desrespeitou essas duas pessoas ou “renegou-lhes a dignidade humana”? Claro que não. Significa apenas que o Padre Pio compreendia perfeitamente as relações causais metafisicas (causa / efeito místicos) e que ele estava “para além” destas.

2/ O Anselmo Borges escreveu:

“O livro e o filme [“Silêncio”, do escritor católico Shusaku Endo] são obras cimeiras, de rara intensidade dramática e comoção, mas não admira que hoje não se perceba essa intensidade, porque, numa sociedade do bem-estar material e numa cultura do provisório e da pós-verdade, não há abertura para as decisivas questões metafísico-religiosas.”

Essa sociedade “do bem-estar material e de uma cultura do provisório e da pós-verdade” é a sociedade defendida pela esquerda, em geral, que o Anselmo Borges apoia. [¿Qual é a diferença básica entre a Esquerda e a Direita?]

3/ não há religiões completas; o catolicismo é a religião mais completa de todas as que analisei. Mas isso não significa que o catolicismo, enquanto religião concreta (religião popular), seja perfeito ou completo.

Se entrarmos pelo esoterismo bíblico adentro, expresso nos Evangelhos (no “Reino De Deus”, segundo Jesus Cristo), percebemos que existem aspectos do Budismo, por exemplo, que são partilhados por esse Cristianismo que só a alguns pode ser dado a conhecer, porque só alguns se dispõem livremente (usando o seu livre-arbítrio, segundo o conceito de Santo Agostinho e de S. Tomás de Aquino) a abrir-se à exegese dos textos do Novo Testamento

[“¿Pregaste aos que estão adormecidos?” E uma resposta veio da cruz: “Sim.” (Pedro, 35-42)] — [“Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te iluminará”. (Efésios, 5,14)]

“Sei de um homem, em Cristo, que há 14 anos — ignoro se no corpo, ou fora dele, Deus o sabe — foi arrebatado até ao Terceiro Céu. E sei desse homem — se no corpo ou fora dele, não sei, Deus o sabe — que foi arrebatado ao Paraíso e ouviu palavras inexprimíveis que não é permitido a um homem divulgar”. → S. Paulo, 2 COR 12, 2-4

“Se alguém tem sede, venha a mim e beba”. → João 7, 37

“Porque não há nada oculto senão para que seja revelado, nem se fez secreto senão para vir à claridade”. → Marcos 4, 22

4/ é óbvio que Deus não existe, no mesmo sentido em que existe uma qualquer coisa no espaço-tempo.

5/ E se lermos as epístolas chamadas de “deuteropaulinas” [Efésios, Colossenses, 2 Tessalonicenses, 1 e 2 Timóteo, Tito], verificamos que o Cristianismo não tem a “dinâmica democratizante” que o Anselmo Borges reivindica.

6/ Finalmente, o Cristianismo tem uma componente transcendental (dualismo) que as religiões monistas (incluindo o marxismo) não têm; e essa é a maior dificuldade de “inculturação” do catolicismo na Ásia (e entre os socialistas que o Anselmo Borges aprecia).


Tania Mariam

Esta menina de 12 anos chama-se Tania Mariam, vivia no Paquistão e foi assassinada por ser cristã.

¿Viram alguma notícia nos jornais? Claro que não, não só por causa do “Silêncio” de fala o Anselmo Borges, mas também por causa da espiral do silêncio de que este papa é criminalmente cúmplice.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

A estupidez natural do Frei Bento Domingues

 

Quando leio o Frei Bento Domingues fico incomodado: não por qualquer dissonância cognitiva da minha parte, mas porque ele parece ter um sério problema cognitivo. E quando eu leio um burro, fico logo com a mosca.

“Seria, todavia, grave que, por causa das análises inadequadas do autor, não perguntássemos com insistência: o que aconteceu, ao longo dos séculos, para se esquecer, que numa das primeiras comunidades cristãs não havia, entre eles, nenhum indigente (…); distribuía-se a cada um segundo a sua necessidade? Hoje, o abismo entre ricos e pobres continua escandaloso. Alguns desses ricos e opressores ainda passam por benfeitores. Que enxertos perversos foram feitos na árvore cristã para dar frutos tão maus?”

Frei Bento Domingues

fbd-2-webO Frei Bento Domingues é um caso sério de burrice; se houvesse um doutoramento em burrice, ele seria até Honoris Causa. Ora, diz o burro que nas “primeiras comunidades cristãs não havia, entre eles, nenhum indigente (…); distribuía-se a cada um segundo a sua necessidade”; e é verdade.

Conforme referi anteriormente,

1/ Os historiadores (Boak, Russell, MacMullen, Wilken) apontam para uma população total de cerca de 60 milhões de pessoas em toda a área do império romano, após a crucificação de Jesus Cristo.

2/ O Cristianismo, então nascente, é considerado um fenómeno sociológico, que passou de 1.000 seguidores (no total) no ano 40 d.C., para 7.500 no ano 100 d.C., 218.000 no ano 200 d.C., e seis milhões no ano 300 d.C..

Isto são factos relativamente documentados (mais coisa, menos coisa).

Quando as comunidades cristãs atingiram as muitas centenas de milhares de pessoas, o comunitarismo de que fala o burro deixou de ser possível, em termos práticos, nas diversas comunidades cristãs no império romano.

Ou seja, o comunitarismo cristão do “tudo em comum”, segundo o burro, só foi praticamente possível enquanto a população cristã total, e em todo o império romano, era apenas de alguns milhares — no século I da nossa Era.

Comparar as comunidades dos cristãos do século I, por um lado, com a realidade do século III, por outro lado e por exemplo, ou com a realidade actual — como faz o asno —, é um sofisma; e só se compreende esse sofisma do Frei Bento Domingues por estupidez natural.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

O erro protestante do Anselmo Borges

 

O facto de o Anselmo Borges ser católico é um erro de casting: ele deveria assumir o seu protestantismo, e toda a gente ficaria a ganhar.

Os católicos assumem a figura do purgatório — que os protestantes não assumem. Para o Anselmo Borges e para os protestantes, o purgatório não faz parte das contas: as almas vão directamente ao encontro de Deus, ou vice-versa.

Para o Anselmo Borges, Mário Soares foi uma pessoa muito importante na política esquerdista e na democracia, e por isso foi directamente para o Céu (sem passar pela casa da Partida).

É assim que aquela mente desajeitada vê o destino das almas: se fores de esquerda e democrata, vais para o Céu; e fores como o Padre Pio de Pietrelcina, que de democrata tinha pouco e de esquerda nada, vais para o inferno.

sábado, 24 de dezembro de 2016

O Anselmo Borges é um muito optimista

 

politicamente-correcto-grafico-300-webA definição de politicamente correcto: é uma doutrina promovida por uma minoria ilógica e desfasada da realidade (psicótica), e radicalmente propagandeada pelos me®dia sem escrúpulos, que defende o princípio segundo o qual é perfeitamente possível agarrar um cagalhão pela sua parte mais limpa.

Ora, pretender agarrar um cagalhão pela sua parte mais limpa é ser muito optimista.

E o Anselmo Borges, nas suas crónicas no Diário de Notícias, não tem feito outra coisa senão ser muito optimista: tem sido muito optimista em relação à revolução do papa Chiquito, por exemplo; e para poder agarrar o cagalhão pela sua parte asséptica, o Anselmo Borges reinterpreta a realidade de forma heterodoxa: por exemplo, quando diz que Deus quis “ser aquele que está connosco na história da libertação” (¿do capitalismo?!), em vez de ser aquele que disse a Moisés: “Eu sou Aquele que sou” (O “Ser Intemporal”, a “Ordem do Ser que inclui o Não-Ser”).

O Anselmo Borges olha para um pau e vê uma pedra preciosa. É muito optimista. É tudo uma questão de interpretação da realidade; ou “voando sobre um ninho de cucos”. Por exemplo, quando compara Sócrates e S. Paulo:

“(…) de facto, segundo o filósofo grego Sócrates, por exemplo, "ninguém é mau voluntariamente", mas São Paulo queixa-se, porque "faço o mal que não quero e não faço o bem que quero". Portanto, fazer o mal depende só da ignorância ou também, e sobretudo, da vontade má?”

O que Sócrates quis dizer é que ninguém faz o mal pelo prazer de fazer o mal (a não ser que tenha perdido a razão e necessite de ser interditado): mesmo quem faz o mal aos outros, fá-lo para o seu próprio bem — e portanto, há sempre uma faceta positiva no negativo (o não-ser paz parte do Ser: “Eu Sou Aquele Que Sou”).

Assim interpretado correctamente, Sócrates não está em contradição com S. Paulo. Mas o Anselmo Borges, à semelhança do politicamente correcto, especializou-se em encontrar contradições onde elas não existem, para assim convencer toda a gente (através da estimulação contraditória) a pegar na parte mais limpa do cagalhão.

sábado, 10 de dezembro de 2016

O romantismo do catolicismo New Age

 

Há muito tempo que não comento os artigos do José Luís Martins Nunes, porque os ditos são elaborados a partir da preponderância da emoção que marca a cultura actual, por um lado, e por outro lado, os textos seguem a linha ideológica do Existencialismo pessimista e paralisante de Kierkegaard, que, juntamente com Karl Marx e com Nietzsche, marcaram o fim da Auctoritas na cultura antropológica da Europa.

Por exemplo: diz o Nunes que “ninguém nasce herói”. Eu penso o contrário: todo o ser humano (desde a concepção) é um herói — incluindo (e sobretudo) aquele que aparentemente nasce inferiorizado em relação ao vulgar dos homens. Somos todos heróis, mas há uns mais heróis que outros. Por exemplo, os seres humanos com síndroma de Down são heróis especiais; e de tal forma que, em França, o poder político proibiu que se falassem neles, porque de heróis passaram já à condição de super-heróis.

Escreve o Nunes:

“Para conhecer alguém devemos observá-lo com paciência durante bastante tempo, a fim de identificar qual a sua trajectória entre erros e acertoso tempo corre sempre a favor da verdade!”

Ora aqui está uma frase complicada!. O que para mim é erro, para outra pessoa pode não ser.

Por exemplo, para mim é erro a comunhão de recasados recasados recasados que se recasaram mais uma vez; para o papa Chico (e para o Nunes), a comunhão eucarística de recasados recasados recasados recasados recasados recasados recasados recasados recasados recasados que se tornaram a recasar, já não é erro.

A ideia segundo a qual “o tempo corre sempre a favor da verdade” induz-nos a noção historicista e errada segundo a qual “estamos do lado certo da História”: hoje, a guerra cultural é a de saber “quem está do lado certo da História”, como se o ser humano conhecesse o futuro.

E, normalmente, do lado certo da História faz parte o apelo à emoção em detrimento da razão — é este novo romantismo coevo que afirma (como faz o Nunes) que “ame e lute pelo amor, em qualquer circunstância... custe o que custar. A felicidade está nessa luta”sem se definir “amor”, generalizando o conceito de “amor” a tudo e mais alguma coisa, como convém aos românticos actuais.

domingo, 2 de outubro de 2016

O Frei Bento Domingues e o Padre Pio de Pietrelcina

 

Quem ler o que o Frei Bento Domingues escreve, e o que escreveu o Padre Pio de Pietrelcina, encontramos muitas discordâncias fundamentais entre os dois, acerca da religião.

“O dia especialmente consagrado a Deus tem de coincidir com o acontecimento da libertação, da alegria, da felicidade do ser humano. Deus não pode ser louvado à custa da humanidade. O Sábado é para o ser humano, não é o ser humano para o sábado. Deus quer misericórdia. Não se alimenta de sacrifícios humanos”.

A verdadeira religião é crítica

Padre-PioA forma como o Frei Bento Domingues apresenta o sacrifício humano perante Deus, é diabólica. O Frei Bento Domingues apresenta o deus comum dos católicos como uma espécie de leviatão bíblico que devora os seres humanos através do sacrifício, e depois diz que esse leviatão não é o Deus de Jesus Cristo.

E o Frei Bento Domingues faz referência ao livro do Anselmo Borges, pessoa que defendeu a legalização do aborto em Portugal (Les bons esprits se rencontrent...) — o aborto, que é o sacrifício supremo e involuntário do ser humano que alimenta o altar luciferino do dinheiro que ambos dizem combater. Como escreveu o poeta brasileiro Mário Quintana: “O aborto não é, como dizem, simplesmente um assassinato. É um roubo… Nem pode haver roubo maior. Porque, ao malogrado nascituro, rouba-se-lhe este mundo, o céu, as estrelas, o universo, tudo. O aborto é o roubo infinito”.

Se alguém perguntar ao Frei Bento Domingues ¿o que é “a felicidade do ser humano”? a que ele se refere no seu textículo, ele não terá certamente resposta objectiva — a não ser que se trate de um imbecil. E eu suspeito que o Frei Bento Domingues é um imbecil a quem os me®dia portugueses imbecilizados têm dado uma atenção muito especial.

Os católicos actuais estão em uma encruzilhada: ou seguem os conselhos dos Freis Bentos Domingues e dos Anselmos Borges deste mundo, ou escolhem seguir, por exemplo, os conselhos do Padre Pio de Pietrelcina. O princípio, aqui, é o do terceiro excluído.

sábado, 2 de julho de 2016

O Anselmo Borges e a privatização da religião

 

A privatização da religião — a remessa do culto religioso para os lares privados — é uma característica do protestantismo, em contraponto ao catolicismo tradicional. O catolicismo sempre celebrou a religião em locais públicos e em comunidade alargada.

Os primeiros cristãos celebravam a Eucaristia em casas particulares, com todos à volta da mesma mesa; ali, pela primeira vez na história, escravos e senhores sentaram-se uns ao lado dos outros. De acordo com o Novo Testamento, "nem sequer era o presbítero que presidia à celebração, embora pouco a pouco se tenha imposto que o presidente da Eucaristia fosse aquele que presidia à comunidade, talvez para aprender que devia exercer a autoridade não impositivamente, mas igualitariamente, e procurando o máximo de comunhão possível".

Quando os cristãos se tornaram multidão, foram necessários locais amplos, o latim deixou de ser entendido pelo povo, os assistentes já não participavam, com o celebrante de costas e à distância e as pessoas a fazerem "outra coisa" (rezar o terço...) enquanto "estão na Missa", atentos ao momento da "consagração" e, depois, alguns vão receber a hóstia. Tudo se centrou no culto da hóstia, "totalmente separado do gesto do partir, partilhar o pão". Da refeição passou-se a um acto de culto, com uma deturpação fundamental da Eucaristia: "Separar completamente a matéria (pão e vinho) do gesto (partilhá-los)", quando "partir o pão significa compartilhar a necessidade humana (da qual o pão é símbolo primário) e passar a taça é comunicar a alegria, da qual o vinho é outro símbolo humano ancestral". O corpo e o sangue são a pessoa e a vida de Jesus vivo.”

Anselmo Borges

1/ Convém dizer o seguinte: os historiadores (Boak, Russell, MacMullen, Wilken) apontam para uma população total de cerca de 60 milhões de pessoas em toda a área do império romano, após a crucificação de Jesus Cristo. O Cristianismo, então nascente, é considerado um fenómeno sociológico, que passou de 1.000 seguidores (no total) no ano 40 d.C., para 7.500 no ano 100 d.C., 218.000 no ano 200 d.C., e seis milhões no ano 300 d.C..

Quando as comunidades cristãs atingiram as muitas centenas de milhares de pessoas, o comunitarismo de que fala o Anselmo Borges deixou de ser possível, em termos práticos, nas diversas comunidades cristãs no império romano.

Ou seja, o comunitarismo cristão do “tudo em comum”, segundo o Anselmo Borges, só foi praticamente possível enquanto a população cristã total, e em todo o império romano, era apenas de alguns milhares — no século I da nossa Era.

Comparar as comunidades dos cristãos do século I, por um lado, com a realidade do século III, por outro lado e por exemplo, ou com a realidade actual — como faz o Anselmo Borges —, é um sofisma; e só se compreende esse sofisma do Anselmo Borges por má fé, porque se trata de um professor universitário. Por um lado, parece que o Anselmo Borges defende a remessa do culto cristão para as casas particulares; e por outro lado, o Anselmo Borges não tem em conta o aspecto místico da Eucaristia e só valoriza o aspecto político da repartição do pão e do vinho: para o Anselmo Borges, a Eucaristia é um rito estritamente político.

2/ O Anselmo Borges critica o “culto da hóstia” — como se pudesse existir religião propriamente dita sem culto. “Culto” vem de “cultura”. Sem cultura não há religião nem civilização. Encarar o “culto da hóstia” como coisa negativa é detractar a religião cristã — para além de retirar da Eucaristia o seu aspecto místico.

3/ Na Idade Média, antes da Reforma e da Contra-Reforma que tornaram o Cristianismo mundano, a comunhão eucarística nas paróquias efectuava-se na Páscoa, no Natal e no Pentecostes — emulando, aliás, Jesus Cristo que celebrou a Eucaristia uma só vez e na Páscoa. Muitas paróquias só comungavam na Páscoa; e a comunhão precisava de ser preparada com antecedência, pelo jejum, pela abstinência, e pela confissão (e a confissão era pública: o confessionário só surgiu no século XVI). E a comunhão eucarística terminava com a festa na paróquia.

A festa que se seguia à Eucaristia comunitária da Páscoa, nas paróquias, era muitas vezes realizada na própria nave da igreja (não existia outro espaço comunitário acolhedor), com um jantar comunitário de cordeiro Pascal ou coisa parecida.

Com o puritanismo protestante, e a imitação da Igreja Católica (da Contra-Reforma) em relação ao protestantismo, levou a que um acto ritual (a Eucaristia colectiva) que se realizava poucas vezes por ano, passou a realizar-se todos os Domingos, retirando-lhe a índole excepcional que tinha nos séculos anteriores.

4/ A ideia do Anselmo Borges segundo a qual a missa medieval só se realizava em latim, é falsa.

No fim da comunhão do sacerdote, a missa medieval continuava com orações em língua indígena — aquilo a que os ingleses chamavam de “bedes” e os franceses de “prone” —, orações ditas na própria língua em intenção da comunidade, familiares, amigos e inimigos, pelos vivos e pelos mortos. Portanto, é falso que a missa medieval fosse toda ela rezada em latim.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

O puritanos da Esquerda moderna, e os puritanos do século XVII (parte 1)

 

Os Ranters eram uma seita calvinista inglesa do século XVII. Juntamente com os Seekers e com os Quakers, formavam as principais seitas calvinistas em Inglaterra.

quakerOs Ranters, que interpretavam a sua própria vitória sobre o “corpo” e sobre a “carne” (sobre a “matéria”, em termos gerais) denominando-se a eles próprios como o “corpo de Deus” — defendiam o fim da hierarquia social e o fim da propriedade privada, para além de serem contra o casamento monogâmico e contra a privacidade da família nuclear tradicional, porque diziam eles que a propriedade privada e o casamento monogâmico eram obstáculos à formação de uma verdadeira comunidade (tal como Engels defenderia dois séculos mais tarde).

Mas, ao mesmo tempo que queriam abolir a hierarquia social e a propriedade privada, os Ranters acreditavam na predestinação da “salvação dos eleitos”; e eles consideravam-se a si próprios como os “eleitos”. Ou seja, só os eleitos — eles próprios — seriam salvos, e por isso toda a gente deveria pensar como eles para serem salvos.

Temos aqui a génese do pensamento totalitário da Esquerda moderna.

Os Quakers e os Seekers não diferiam muito dos Ranters. Os Seekers, para além de concordarem com a doutrina dos Ranters, eram uma seita terrorista: para eles, não era suficiente que os “eleitos” se mantivessem fora do mundo (vivendo em uma espécie de apartheid): deviam pegar em armas, destruir todos os governos existentes, e erigir um regime teocrático (totalitário), com uma disciplina divina.

Se retirarmos dessas crenças calvinistas os conceitos de “Cristo” e de “Espírito”, vemos semelhanças com a Esquerda. É neste sentido que Eric Voegelin tem razão quando relaciona espistemologicamente os gnósticos da Antiguidade Tardia, os movimentos puritanos do século XVI, e o movimento revolucionário do século XIX e seguintes.