sábado, 7 de março de 2026

A indignação do liberal Henrique Pereira dos Santos com a falta de “liberdade de contratação”


Trabalhei numa empresa têxtil na década de 1980 cujo patrão tinha muitas estórias contadas pelos empregados mais antigos. Um exemplo de uma estória recorrente que me contaram: a do felatio (vulgo “broche”) como castigo para as operárias.

Foi admitida uma nova operária, “boa como o milho”, casada e com filhos; e, vai daí, o patrão deu ordens ao senhor Brites, que era o chefe de produção: “Ó Brites!, castiga-a!”.Mas castigo-a por que razão?”, retorquiu o Brites. “Inventa qualquer razão!” — responde o patrão.

Assim, o Brites castigou a operária “boa como o milho” por “dá cá aquela palha” com uma suspensão e ameaça de perda do posto de trabalho; mas o patrão, magnânimo e benevolente, mandou chamar a operária ao seu gabinete para uma entrevista para se evitar o despedimento.

Era aí que o patrão confrontava a operária “boa como o milho”: “ou me fazes um broche, ou és despedida”. Naturalmente que a operária tinha uma família, marido, e filhos para sustentar.

É este tipo de Portugal que os liberais, o PSD e o CDS de Henrique Pereira dos Santos muito subliminarmente defendem. E como o CHEGA se opõe à decadência moral do patronato em nome de uma putativa “liberdade de contratação”, o Henrique Pereira dos Santos indigna-se.