Trabalhei numa empresa têxtil na década de 1980 cujo patrão tinha muitas estórias contadas pelos empregados mais antigos. Um exemplo de uma estória recorrente que me contaram: a do felatio (vulgo “broche”) como castigo para as operárias.
Foi admitida uma nova operária, “boa como o milho”, casada e com filhos; e, vai daí, o patrão deu ordens ao senhor Brites, que era o chefe de produção: “Ó Brites!, castiga-a!”. “Mas castigo-a por que razão?”, retorquiu o Brites. “Inventa qualquer razão!” — responde o patrão.
Assim, o Brites castigou a operária “boa como o milho” por “dá cá aquela palha” com uma suspensão e ameaça de perda do posto de trabalho; mas o patrão, magnânimo e benevolente, mandou chamar a operária ao seu gabinete para uma entrevista para se evitar o despedimento.
Era aí que o patrão confrontava a operária “boa como o milho”: “ou me fazes um broche, ou és despedida”. Naturalmente que a operária tinha uma família, marido, e filhos para sustentar.
É este tipo de Portugal que os liberais, o PSD e o CDS de Henrique Pereira dos Santos muito subliminarmente defendem. E como o CHEGA se opõe à decadência moral do patronato em nome de uma putativa “liberdade de contratação”, o Henrique Pereira dos Santos indigna-se.