A Esquerda esquece-se de Antónia, a quem mataram o filho, na manhã de 12 de Março de 1975, em frente ao RALIS, em Lisboa. Já ninguém se lembra dela e do seu filho, assassinado pela Esquerda.
“Vivemos num país, Antónia, em que em vez de te protegerem, te metem na prisão. Vivemos num país, Antónia, Antónia, em que em vez de julgarem os assassinos do teu filho, te metem na prisão. Vivemos num país, Antónia, Antónia, em que, ao fim do terceiro ano do crime sem perdão, tivemos de ser nós, as tuas amigas, que fomos pôr flores na campa do teu filho, porque até isso te é vedado.”
→ Vera Lagoa, “A Cambada”, 1978, página 145