terça-feira, 14 de julho de 2026

O perigo do Euro digital

O Euro digital significa, para o cidadão comum, perda de privacidade.

O dinheiro digital deixa vestígios digitais que permitem um regime de vigilância estatal constante sobre o cidadão. O anonimato desaparece — o que já foi até orgulhosamente confirmado pelo Banco Central Europeu, justificando a vigilância política sobre o cidadão com a necessidade de evitar a lavagem de dinheiro.

Por detrás de qualquer avanço totalitário no leviatão europeu, há sempre uma boa intenção qualquer.

Ademais, o Euro digital servirá para o governo e o leviatão europeu monitorizarem hábitos de consumo, por um lado, ou bloquear fundos de forma remota e teleguiada, por outro lado. De repente, vamos à nossa conta bancária e não temos lá dinheiro, por ordem do governo.

Não é despicienda a instabilidade do sistema bancário comercial que o Euro digital irá seguramente aportar à economia.

Por exemplo, o Euro digital promovido pelo Banco Central Europeu permitirá que os cidadãos retirem facilmente dinheiro em massa dos bancos comerciais para depositá-lo no Banco Central Europeu. Ou seja, em um cenário de crise económica, torna-se fácil as corridas bancárias de transferência de dinheiro dos bancos comerciais para o Banco Central Europeu.

Isto significa que os bancos comerciais podem reduzir a concessão de empréstimos aos cidadãos e encarecer as taxas de juro porque têm menos depósitos, em função da fuga de capitais para o Banco Central Europeu.

Por outro lado, o Banco Central Europeu já anunciou a aplicação de um tecto máximo de retenção por cidadão de entre 3.000 Euros e 4.000 Euros, alegadamente para “proteger os Bancos”.

Ao contrário do que acontece com as contas poupança actualmente existentes nos Bancos comerciais, as carteiras em Euro digital não irão gerar juros acumulados, o que irá empobrecer a dinâmica de investimento dos cidadãos. E o sistema do Euro digital é construído essencialmente para pagamento dos cidadãos às empresas, colocando limites às transacções entre empresas.

Com o Euro digital, os hackers informáticos irão viver nas suas maravilhosas “sete quintas”, em função da centralização financeira em torno da zona Euro que facilita os ciber-ataques a estruturas centralizadas. E executar transacções sem o uso da Internet exigirá chips de alta performance nos telemóveis, o que trará um risco de fraude enorme se o hardware for adulterado.

Por fim, o Euro digital irá excluir financeiramente as populações mais idosas, sem competências na área da informática, ou sem acesso a APPs sofisticadas nos telemóveis.