terça-feira, 11 de março de 2014

A economia coimbrinha é muito complicada

 

Quando uma discussão começa com uma pergunta: “qual é o teu interesse particular, ao defenderes a tua posição?”estamos em presença de um estúpido. E mais estúpido é quando nos vem dizer o óbvio: que a dívida pública é dívida do Estado: só de um discípulo de Lucrécio poderíamos esperar tamanha eloquência...!

Se o PIB de um país é 100 unidades de valor, e se a dívida pública é de 120 unidades do mesmo valor, o burro diz que não é possível estabelecer qualquer relação quantitativa entre os dois números. Diz o burro que não!, que não se pode estabelecer qualquer relação — simbólica, que seja, para que nos dê uma noção de valor — entre os números 100 e 120, porque alegadamente “as duas coisas não são relativas à mesma entidade”. Arre!

O burro não percebe que o actual escalonamento da dívida pública não permite baixar impostos, por exemplo; e não percebe que para que se tenha uma noção do valor da dívida pública é que se estabelece uma relação entre esta e o PIB. Quando se diz que a dívida pública é de 120% do valor do PIB, o que se quer dizer é que o PIB é de 100 unidades de valor, e a dívida pública é de 120 unidades do mesmo valor. Mas o burro tinha que complicar, para mostrar “sabeduria”.

Se, por exemplo, a dívida total de Portugal andar pelas 400 unidades de valor, e se a dívida pública for de 120 unidades de valor, então podemos deduzir que a dívida privada = dívida total – dívida pública, ou seja, a dívida privada é 280 unidades de valor. Simples; mas o burro tinha que complicar. Ou seja, conclui o burro que a dívida pública não conta nada para se fazerem as contas.

Depois, o burro diz que a taxa de juro é indiferente para o crescimento do PIB do país. Por exemplo, segundo asno graduado em Coimbra, se a taxa de juro for de 20% ou de 0%, isso em nada influi no crescimento do PIB.

Depois, o asno diz a reestruturação da dívida significa necessária e infalivelmente “subir juros”. Anda tudo louco!

Ficheiro PDF do discípulo de Lucrécio