“O pior totalitarismo não é o estatal, nem o nacional; em vez disso, é o totalitarismo social: a sociedade como meta englobante de todas as metas” — Nicolás Gómez Dávila
O totalitarismo do Bloco de Esquerda não é nacional — porque o Bloco de Esquerda é internacionalista; também não é apenas um totalitarismo estatal — porque o Bloco de Esquerda defende (demagogicamente) a supremacia da “autonomia do indivíduo” como forma de afirmação do pior totalitarismo de todos: o totalitarismo social.
Para o Bloco de Esquerda, o conceito de “autonomia do indivíduo” é, em si mesmo, a afirmação exigente de um conformismo social.
A principal razão por que o nazismo foi um totalitarismo pior do que o comunismo, foi a de que o nazismo — para além de ser um totalitarismo estatal e nacional — foi um totalitarismo social: a alegada “pureza” da sociedade alemã (o eugenismo ariano) foi entendida, pelo nazismo, como uma “meta englobante de todas as metas”.
Na sociedade alemã nazi, o conformismo social (o totalitarismo social) fez com que o povo alemão se mostrasse insensível aos crimes do holocausto — mesmo sabendo de que esses crimes estavam a acontecer: acima do humanismo civilizacional da herança cultural cristã, estavam os valores do totalitarismo social impostos pela ideologia nazi.
O conceito de “autonomia do indivíduo”, entendido segundo o Bloco de Esquerda, conduz à atomização da sociedade e à anomia, o que é meio caminho andado para o totalitarismo social — o que, de forma semelhante, aconteceu na Alemanha com o advento do nazismo.
O individuo entendido como um “átomo” social, separado dos seus concidadãos por um conceito radical de “autonomia” (como é defendido pelo Bloco de Esquerda), é a condição necessária para a imposição de um totalitarismo social — em que os laços sociais são anulados para que a ideologia em vigor possa impôr na cultura um conceito de “sociedade como meta englobante de todas as metas”.
Para o Bloco de Esquerda, o conceito de “autonomia” é apenas uma forma de transformar a alegada autonomia em uma forma de conformismo social.
É nesta aparente contradição (entre a alegada “autonomia”, por um lado, e o conformismo social, por outro lado) que consiste a perversidade da nova forma de totalitarismo social que o Bloco de Esquerda nos quer impôr.
Vou fazer uma analogia, e não propriamente uma comparação: tal como a Igreja Católica alemã do tempo do nazismo se submeteu caninamente ao regime totalitário nazi, também a Igreja Católica portuguesa faz das opiniões enviesadas do Bloco de Esquerda, uma espécie de oráculo.