Uma das razões por que a Teoria da Relatividade é criticada por alguns membros da comunidade “científica” é porque a dita teoria afirma (à partida, como condição) o valor absoluto das leis da natureza; ou seja, o absoluto é a condição da relatividade da teoria.
Mas o Anselmo Borges diz que não: que o relativo existe, mas que o absoluto não existe. Estamos em presença de um génio com pés de barro idolatrado pela elite medíocre portuguesa.
“Afinal, não há padrões absolutos de beleza: ser bonito é relativo.” → Anselmo Borges
Nem ironicamente se pode afirmar uma coisa destas — porque não é verdade. Ademais, o texto da avantesma é auto-contraditório: por um lado, começa por dizer que o absoluto é parte do relativo; e por outro lado, critica o relativismo da cultura antropológica contemporânea.
O relativismo é a crença que sustém a ideia de que o “absoluto” não existe ― assim como nada existe que seja permanente, seja a nível da realidade (objectividade) como a nível da mente (subjectividade). O relativismo implica a ausência da “verdade” quando defende que “a verdade é relativa” (penso que a involução do Anselmo Borges ainda não chegou aqui).
“Pluralismo” é relativismo [no sentido de “tudo é relativo”, “a verdade não existe”, etc.]; e pluralismo não é necessariamente “individualismo” [valoração do indivíduo enquanto tal].
“O relativismo é um dos muitos crimes dos intelectuais. É uma traição à razão e à humanidade”.
→ Karl Popper