quarta-feira, 20 de maio de 2026

A crise demográfica e a aliança entre os liberais e a Esquerda radical

Primeiro submeteram o aborto a referendo por duas vezes (em 1998 e depois em 2007) — e mais vezes seriam, se a resposta do povo ao aborto teimasse em ser negativa: teríamos referendos todos os anos até que o povo se calasse e/ou anuísse.

Depois, e no seguimento da legalização do aborto “à vontadinha”, a demografia portuguesa ressentiu-se — não só pelo aborto livre entendido em si mesmo, mas sobretudo por questões culturais: o aborto patrocinado pelo Estado desvaloriza a vida humana na cultura antropológica, e torna a vida humana descartável. Ter um filho passou a ser simbólica- e culturalmente equivalente a comprar um cão.

Em todo este processo de involução civilizacional, tivemos os ditos “liberais” de mãos dadas com a Esquerda mais radical. Isto é um facto insofismável.

A Cristina Miranda (liberal) faz aqui uma análise que aborda apenas as questões técnicas / políticas da crise demográfica; mas não devemos ignorar a cultura antropológica, que está a montante da política e da economia. Ignorar ostensivamente a importância da cultura antropológica é uma característica dos liberais e da Esquerda radical, embora por razões diferentes.

“Durante anos repetiu-se o mesmo argumento para justificar quase todas as decisões difíceis sobre pensões, impostos e idade da reforma: o problema é demográfico. Vivemos mais, logo temos de trabalhar mais. A fórmula parece científica e quase neutra. Mas é uma simplificação conveniente que esconde uma realidade muito mais complexa e politicamente mais incómoda.”

A Crise das Pensões Não se Resolve Empurrando a Reforma Para a Frente

andre-ventura-reformas-web