Da mesma forma que não é aceitável a utilização sistemática, por parte da Esquerda, dos epítetos de “homófobo” para quem coloca em causa o estilo de vida promíscuo gay, ou de “islamófobo” para quem ousa ter um olhar crítico em relação ao Islamismo — também não é aceitável que uma certa e actual “Direita” utilize sistematicamente o epíteto de “anti-semita” para quem ousa criticar a acção do governo israelita de Benjamin Netanyahu.
“Não concordas com o Netanyahu?! Então és anti-semita!” — passamos da prevalência política de uma Esquerda "Woke", para a afirmação política de uma Direita "Woke". Ambos os movimentos "Woke" (de Direita e/ou de Esquerda) pretendem condicionar ou mesmo eliminar a liberdade de expressão.
Sempre fui a favor da existência de Israel, nomeadamente por este país afirmar, no Oriente Médio, o respeito pelo Estado de Direito; mas quando o governo de Benjamin Netanyahu legalizou a pena-de-morte apenas para os cidadãos israelitas de etnia palestiniana, o Estado de Direito morreu em Israel.
Israel é hoje um país bárbaro; nem sequer podemos dizer que é um país democrático.
A actual lei de pena-de-morte em vigor em Israel reflecte o estado de apartheid em que este país vive. Imagine o leitor que, por exemplo, no Brasil existisse uma lei de pena-de-morte para negros que não se aplicaria aos brancos: poderíamos dizer, então, que o Estado de Direito teria sido extinto no Brasil.
Só não existe corrupção em uma sociedade quando a lei é igualmente válida para todos, e é aplicada para todos os cidadãos de forma equivalente e geral. Quando há uma lei para uns, e outra lei diferente para outros e nas mesmas condições, então vivemos em um Estado corrupto.