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terça-feira, 29 de setembro de 2020

Escrever merda não é “argumentar”


Os anglo-saxónicos utilizam o termo “troll”, que em português “correcto” significa “escrever merda”.

troll-webA Wikipédia define assim: “o comportamento do escrevinhador de merda pode ser encarado como alguém que busca constantemente atrapalhar o discurso racional”.

Normalmente utiliza-se o seguinte argumento de merda: “eu sou de Direita, e por isso posso escrever qualquer tipo de comentário num blogue de Direita”.

Em primeiro lugar, ninguém é de Direita apenas por diz de si mesmo que “é de Direita”; e depois, aplica-se (aos escrevinhadores de merda da “Direita”) a seguinte proposição de G. K. Chesterton:

“Oponho-me veementemente a argumentos errados vindos do lado certo da contenda. Acho que me oponho a estes mais do que aos argumentos errados vindos do lado errado.”

Eu admito perfeitamente que alguém possa ter uma opinião diferente da minha; aliás, eu “alimento-me” (intelectualmente) das opiniões diferentes das minhas.

O que eu não admito (nem compreendo, nem à Direita, nem à Esquerda) é a opinião (doxa) que pretende ou tende a “atrapalhar o discurso racional”.

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Um exemplo da discussão blogosférica

 

Neste caso não propriamente é discussão blogosférica: é blogo-quadrada: o bloguista ganha a razão, porque insulta.

A condição sine qua non da razão é o insulto que vem antes de qualquer argumento que o justifique.

Eu posso chegar à conclusão de que um indivíduo é burro através de um determinado raciocínio que pode ser logicamente coerente; mas (na blogosfera) isso não me dá razão: para ter razão, eu tenho que partir do princípio de que ele é burro, e construir depois uma narrativa qualquer que justifique o meu preconceito; só assim terei razão.