sábado, 4 de janeiro de 2014

A “Olavofobia”

 

Olavo de Carvalho alterou completamente a ideia que eu tinha da cultura brasileira. E a ideia que eu tinha era a de que os grandes intelectuais brasileiros das décadas de 1920 a 1950 tinham desaparecido sem deixar rasto. Por exemplo, foi através dele (do Olavo de Carvalho) que eu conheci alguma coisa da obra de Mário Ferreira dos Santos que é totalmente desconhecida em Portugal.

Por aquilo que me foi dado observar (ninguém me contou: eu constatei factos), existe de facto um ódio, por parte de uma certa nomenklatura brasileira, em relação a Olavo de Carvalho. Esse ódio revela a impotência da irracionalidade: o ódio é uma emoção negativa, e as emoções — ao contrário das paixões — não são pensadas: são irracionais. Podemos mesmo falar de “Olavofobia”.

A Olavofobia, sendo a expressão inconsciente de uma emoção negativa, explica que ela se apresente na maior das desordens argumentativas e associando-se sistematicamente de forma contraditória. Sartre tinha alguma razão quando concebeu a emoção como uma atitude mágica que consiste numa reacção de autodefesa contra o mundo; e, para uma certa “elite” brasileira, a Olavofobia é uma reacção de autodefesa contra Olavo de Carvalho que representa, de uma certa maneira, o contraditório ideológico de um pensamento único que se instalou no Brasil.

O problema dos “olavófobos” é o de que é muito difícil refutar Olavo de Carvalho. E, por isso, é mais fácil utilizar o ataque ad Hominem e o apelo à galeria — talvez porque Olavo de Carvalho tem uma característica que não é comum no Brasil: é frontal. O culto da frontalidade não é propriamente uma qualidade brasileira endógena, pelo menos nas grandes cidades que determinam a cultura oficial brasileira.

Aqui, em Portugal, Olavo de Carvalho não é tão conhecido como no Brasil, como é normal; mas, as pessoas que o conhecem, apreciam o pensamento dele. É pena que os livros dele não tenham sido ainda publicados aqui.

6 comentários:

  1. Os olavofobicos do Brasil (pelo que tenho constatado) nunca leram sequer uma obra dele. Estes animais limitam-se a ver meia dúzia de excertos (note que vêm apenas os excertos) do programa "true outspeak" e a histeria entra logo em cena. É verdade que os livros não foram publicados em Portugal mas quem tiver muita vontade há maneira de os arranjar pela Internet, eu mesmo comprei alguns: "O mínimo que precisa saber para não ser um idiota"; "Apoteose da vigarice" e "A filosofia e o seu inverso". Não paguei nada por ai alem de portes e foi bastante rápido. Claro que para uma melhor difusão o ideal seria a sua publicação.

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  2. Se alguém quiser comprar os livros do Olavo de Carvalho ou outras edições brasileiras pode encomendar em:
    http://livraria.seminariodefilosofia.org/
    As encomendas para fora do Brasil têm de ser feitas por email. É de aproveitar que o real está a 0.31 € (convém comprar mais do que um para dividir os portes).

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  3. Caro Orlando,

    O Olavo de Carvalho é como o vinho: quanto mais velho melhor!

    Quanto ao Mário Ferreira dos Santos, é de facto uma pena que tenha sido não apenas ostracizado, como também praticamente esquecido no Brasil e no Mundo.

    Publiquei:

    http://www.historiamaximus.blogspot.pt/2014/01/a-olavofobia_6.html

    Contacto: historiamaximus@hotmail.com

    Cumpts,
    João José Horta Nobre

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  4. Falando em Mário Ferreira dos Santos, meu caro, segue a obra dele para download, se ainda não a possui:
    http://portalconservador.com/mario-ferreira-dos-santos/

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  5. Tenho lido ultimamente boa parte da obra do professor Olavo de Carvalho, e posso testemunhar que o autor se baseia em muitos estudos, tem uma visão muito ampla dos processos sociais, como também uma abordagem da Filosofia que está faltando no ensino em geral. Desejo-lhe muitos anos de vida, e que continue suas críticas e observações contundentes,
    Atentamente.

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