terça-feira, 11 de março de 2014

A cegueira partidária do João Távora

 

Por vezes pergunto-me como gente como o João Távora ganhou alguma visibilidade na opinião pública, quando vejo isto escrito. Com “líderes de opinião” deste calibre, prefiro ficar aqui no meu cantinho, escondidinho. Pelo menos não dou conselhos ao rei.

Mas alguém acredita que “um consenso entre as forças políticas teria repercussões na redução dos juros da dívida”?!

E mesmo que fosse verdade que “um consenso entre as forças políticas teria repercussões na redução dos juros da dívida”, que consenso seria esse? Um simulacro de democracia? Uma ditadura encapotada por um acordo de três partidos? Meu Deus! Até onde nos levou já o desespero!, a ponto de esta gente sacrificar a democracia em nome de uma partidocracia ainda mais acentuada! Já não chega a partidocracia que temos: é preciso transformar o regime em um simulacro de uma democracia.

É o maniqueísmo da tolerância repressiva invertida: tudo o que vem da Esquerda, sem excepção, é mau; e tudo o que vem da cúpula partidária da chamada Direita, é bom. Se, por absurdo, o Partido Comunista viesse agora defender restrições ao aborto, o João Távora viria a terreiro recusar a proposta porque “vem da esquerda”.

Repare-se que ninguém está a colocar em causa o controlo do défice público: o manifesto apenas fala em “reestruturação da dívida”. Sublinho, para mentecapto ler: ninguém está a colocar em causa o controlo do défice público! Mas o idiota do João Távora não consegue dissociar uma coisa da outra; não percebe que os juros da dívida dependem menos da reestruturação da dívida do que do controlo do défice. Não percebe que a principal causa da taxa de juro alta é o défice, e não a dívida. E depois, confunde défice e dívida; mete tudo no mesmo saco.

Esta gente idiota pensa que, um dia destes, a Alemanha virá negociar a dívida sem ser a “contragosto” — segundo o João Távora, veremos, um dia destes, os alemães alegres e contentes com a perspectiva da reestruturação da dívida; mas não agora! Só veremos os alemães a renegociar a dívida, segundo o João Távora, quando a cidadania se tornar abstracta mediante um pacto tri-partidário que transforme Portugal em uma espécie de Marrocos. Idiota!