“O pensamento que quer ser sempre justo, paralisa-se. O pensamento progride quando caminha entre injustiças simétricas, como entre duas filas de enforcados.” — Nicolás Gómez Dávila
A filosofia não é neutra: nem na ética, nem na metafísica, e nem na política — ao contrário do que o relativismo defende. Portanto, um seminário de filosofia (ou um curso de filosofia) depende não só da qualidade do professor, mas também da sua experiência de vida. Não há tal coisa de “filósofos jovens”, salvo, eventualmente, excepções que eu não conheça; quanto mais experiente for um pensador, maior a probabilidade de se revelar o filósofo.
“Para poder abusar da sua liberdade, o Homem necessita de se converter a doutrinas deterministas. O Homem só se rende aos seus demónios quando crê ceder a um decreto divino. O determinismo é a ideologia das perversões humanas” — Nicolás Gómez Dávila
O problema começa quando um aluno — ou grupo de alunos — entende um curso de filosofia como uma forma de acção política que privilegia a acção em detrimento da razão 1 . Um seminário de filosofia é, assim, concebido por esse aluno como um meio de acção política (e não como um meio de adquirir conhecimentos), como se o seminário fosse uma espécie de “partido político” imbuído de uma ideologia.
Ou seja: a criatura adere a um curso de filosofia pelas razões erradas, descobre que, afinal, o curso não é um meio directo de acção política — nem poderia ser! —; e, frustrado, encontra em uma determinada ideologia política uma forma de extravasar as suas frustrações em relação ao professor de filosofia que não lhe tinha oferecido a “lógica de uma ideia” (nas palavras de Hannah Arendt).
“O vulgo admira mais o confuso do que o complexo” — Nicolás Gómez Dávila
Quando a complexidade da realidade é substituída pela confusão da realidade, a criatura tende a simplificar a realidade em nome de uma tentativa de explicar o confuso — e não já de entender a complexidade do real. Em vez de admirar e respeitar o mundo pela sua complexidade que só pode ser parcialmente entendida quando “o pensamento progride enquanto caminha entre injustiças simétricas, como entre duas filas de enforcados”, a criatura reduz a complexidade do mundo a uma “lógica de uma ideia”, a uma qualquer ideologia, pensando que o mundo confuso se torna simples mediante uma qualquer racionalização.
Nota
1. “Os filósofos limitaram-se até agora a interpretar o mundo de diferentes modos; do que se trata é de o transformar.” — Karl Marx