“O manifesto dos 70 é o reconhecimento por parte da elite cainesiana portuguesa de que a dívida prejudica o crescimento. Depois de andarem anos a dizer que não há crescimento sem défice e dívida, agora dizem que com tanta dívida não pode haver crescimento. Levaram uns 10 ou 20 anos a perceber, mas finalmente perceberam os custos do endividamento.
Esta evolução positiva leva-me a crer que dentro de 10 ou 20 anos percebam que um país que tem como estratégia o regresso aos mercados não pode ameaçar os credores com reestruturações.”
1/ o keynesiano-mor da nossa praça é Cavaco Silva, e não me consta de que ele faça parte do Manifesto dos 70 — pelo contrário: o apoio caquéctico de Cavaco Silva à aparente irracionalidade de Passos Coelho, é evidente. Digo “aparente irracionalidade” porque me parece que Passos Coelho está já a contar com uma espécie de gamela “à Vítor Gaspar”.
2/ os erros de José Sócrates não justificam os erros de Passos Coelho. Mas o João Miranda parece pensar de outra maneira: Passos Coelho, à semelhança de Cavaco Silva, “nunca tem dúvidas e raramente se engana”.
3/ um dia, se Deus quiser, há-de vir a público o que move o ideário do João Miranda e de outros seus comparsas bovinotécnicos. O tempo encarregar-se-á de revelar a agenda inconfessa de quem não hesita em colocar interesses (ainda) obscuros acima do interesse da esmagadora maioria da população portuguesa.
(*) A bovinotecnia é a arte de tratar do "gado" de uma forma tal que se consiga fazer crer aos "bovinos" que serão livres se abandonarem o seu estatuto de bovinidade.