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sexta-feira, 5 de junho de 2015

It's the market, stupid!

 

Quando li isto no blogue Blasfémias  pensei que se tratasse de ironia; um blasfemo a falar de moral e de ética no caso “Jorge Jesus” (?).

Quando interessa, o mercado vende e compra tudo, inclusivamente o ser humano; quando não interessa por qualquer razão subjectiva, então o mercado já precisa de ética. Aquilo que é considerado “útil” só o é quando vai de encontro ao nosso interesse próprio.

Por um lado dizem que “o limite do mercado é a lei e só a lei positiva, sem interferências metajurídicas jusnaturalistas”; por outro  lado dizem que “a lei e o Estado não devem imiscuir-se no mercado”; fazem de conta que não sabem que o caso JJ é o reflexo chapado do conceito de “mercado” reduzido ao Direito Positivo.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

A amálgama da Helena Matos

 


Hoje está na moda, em França, utilizar na política o substantivo “amálgama”: sempre que o governo socialista francês mistura coisas que não são misturáveis (e fá-lo muitas vezes), a oposição fala em “amálgama”.

É também o caso da Helena Matos: faz aqui uma amálgama quando compara, por exemplo, uma rectoscopia, por um lado, e uma “aspersão láctea mamilar” — “amálgama” porque a gravidez não é uma doença e a amamentação não é uma patologia.

Parece que a Helena Matos considera a gravidez uma doença e a amamentação uma patologia que deve ser verificada pelo Estado para justificar uma falta ao trabalho.

Para ela parece ser igual que um indivíduo vá fazer uma rectoscopia para verificação de um cancro na próstata que justifique um estado de incapacidade para o trabalho, ou que uma mãe faça esguichar as tetas em frente a um médico para provar que ela está a amamentar e que merece uma hora de folga por dia (ou coisa que o valha). Para ela parece ser tudo uma questão de doença.

Esta amálgama é confrangedora e está em contradição com as medidas de apoio à natalidade do governo de Passos Coelho: por um lado dizem que apoiam a natalidade, mas por outro  lado metem as mamas das mães de fora para provarem que estão a amamentar.

Decidam-se! Ou a amamentação é, por princípio, um direito que carrega em si mesmo um delito em potência (jus gentium), a vigiar pela ASAE ou por organizações afins do Estado; ou é por princípio uma virtude e um direito natural (jus naturale).

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

O que nos levou à crise: meios de produção obsoletos

 

“O que nos leva à verdadeira causa da crise de 2008: a crise de 2008 deveu-se ao sucesso do capitalismo em revolucionar os processos de produção nos 30 anos anteriores, tornando obsoletos uma grande variedade de meios de produção, de actividades económicas e de produção. Tudo o resto é circunstancial, e poderá ter retardado a transição para um novo sistema económico, tornando inevitável uma transição abrupta.

Por exemplo, baixas taxas de juro impostas pelos bancos centrais são uma tentativa de manter rentáveis processos de produção obsoletos. Essas baixas taxas de juro prolongam artificialmente a vida de projectos que deviam ser desmantelados e abandonados para assegurar uma transição suave.

Mas não foram os bancos centrais que tornaram o fax, o CD, a máquina fotográfica ou a livraria obsoletos. Foi o capitalismo.”

João Miranda

Feliz Natal !

domingo, 7 de dezembro de 2014

O João Miranda defende uma igualdade cínica

 

O João Miranda tem, em relação à igualdade, uma relação esquizofrénica: normalmente acha que as pessoas não são todas iguais — e eu concordo! —, mas por vezes defende a ideia marxista de igualdade de meios e condições de existência.

“O governo introduziu um quociente familiar para determinação do rendimento colectável no calculo do IRS. Se bem percebi o rendimento de um casal passa a dividir por 2+0.3N em que N é o número de filhos. Num sistema de impostos progressivos, o resultado desta alteração é o aumento de transferências de quem não tem filhos para quem os tem. O que implica um agravamento das perversões causadas pela progressividade.”

mijando no copoOu seja, o governo de Passos Coelho — honra lhe seja feita! — passou a considerar que uma criança, que é um ser humano, vale 30% do valor de um adulto. E o João Miranda acha que é muito, que uma criança inserida no contexto familiar deveria valer zero em matéria de impostos.

Ou seja, o João Miranda considera que quando o governo atribui o valor de 30% de humanidade a uma criança está a conceder um privilégio à sua família — e não um direito.

Para o João Miranda, a igualdade perante a lei exigiria que a criança valesse zero em termos de dedução nos impostos. O conceito de “igualdade liberal” já é, neste caso, inconveniente para o João Miranda — porque a igualdade de direitos, segundo o liberalismo, não significa que todos tenham o mesmo poder ou as mesmas características, mas antes que têm uma dignidade igual. E retirar qualquer valor a uma criança é retirar a dignidade a um ser humano, independentemente de este pode pagar impostos, ou não.

O conceito de “igualdade” do João Miranda parece-me mais do tipo marxista, embora virado do avesso. Há ali um marxista apóstata!. É uma igualdade social ou de condições, uma espécie de igualitarismo marxista enviesado e do reviralho.

Ainda vou ver o João Miranda defender a eutanásia para os outros — porque, para ele, nunca!: pimenta no cu dos outros é chupa-chupa! — em nome da necessidade de limitar as transferências de fundos públicos de uns para outros.

Ou, como dizia o poeta Óscar Wilde: “O cínico é aquele que conhece o preço de tudo, mas não sabe o valor de nada”.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

A Helena Matos precisa de visitar a Suíça ao Domingo

 

A Helena Matos precisar de fazer uma visita à Suíça, mas ao fim-de-semana, para apanhar um Domingo. Estou certo de que ela virá de lá mal impressionada com esse país anti-capitalista.

E se ela quiser fazer compras em um super-mercado suíço ao Domingo, vai dar com o nariz na porta; bem fica sem comer o dia inteiro. Ou, em alternativa, vai comer ao McDonalds — aqueles que estão abertos ao Domingo, porque nem todos estão.

Mas isso só acontece num país atrasado e comunista como é a Suíça. No país maravilhoso, liberal, capitalista, desenvolvido e prá-frentex como é Portugal, o Domingo é como outro dia qualquer.

sábado, 20 de setembro de 2014

O João Miranda e a Raquel Varela

 

Perante uma mundividência absurda sobre a realidade, o João Miranda argumenta com cinismo. Face ao absurdo, só o cinismo faz algum sentido. Eu não simpatizo com Karl Marx, mas ele tinha razão quando dizia que pessoas como o João Miranda têm uma “moral de merceeiro”.

Não passa pela cabeça do João Miranda que terá havido outras razões, para além das razões de contabilidade de mercearia, para que escoceses votassem sim ou não à independência da Escócia.

A única diferença entre o João Miranda e, por exemplo, a Raquel Varela, é a concepção que os dois têm do Estado; de resto, são iguaizinhos: reduzem toda a realidade à economia. O João Miranda é uma espécie de “comunista do reviralho”.

Tanto um como a outra vêem a realidade de uma forma determinista (mas em nome da “liberdade” !) — uma vez que (toda) a realidade é determinada absolutamente pela economia. O futuro está determinado; não existe escapatória para os “amanhãs que cantam”, de um lado e doutro. Ambos defendem o fim da História, cada um à sua maneira. O futuro é uma certeza e o passado é uma incerteza; a moral é invertida em nome desse determinismo. O João Miranda e a Raquel Varela fazem parte do mesmo problema, e não são solução para nada.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

O João Miranda, a liberdade e a opressão da mulher

 

O João Miranda concebe a sua subjectividade como um facto objectivo e científico; e depois diz que “a objectividade dos outros é subjectiva”.

duas faces da mesma moeda web

Vamos ver o que conseguimos “tirar” deste texto do João Miranda — porque o discurso dele é sinuoso, uma espécie de lengalenga que mistura propositadamente alhos com bugalhos no sentido de parecer original.

Talvez por que o João Miranda não se importaria de ver gajas nuas a andar na rua, também não vê problema em ver gajas tapadas com Burka. Para ele, uma gaja nua na rua é “expressão de liberdade”. Não lhe passa pela cabeça que uma gaja nua na rua seja oprimida: pelo contrário, ela anda nua na rua porque é livre! A liberdade, segundo o João Miranda, tem destas coisas: tanto pode dar para se andar nua como com Burka.

Ou, se interpretarmos o texto do João Miranda de outra maneira: a mulher muçulmana que usa Burka, sendo oprimida, fica entregue à sua sorte no seu ambiente privado e familiar, para gáudio da maioria da população que “fica satisfeita com ela própria” por não ver mulheres com Burka na rua. As mulheres que usam Burka — segundo o João Miranda — “são empurradas para um gueto”.

Nesta segunda interpretação — e em contraposição à primeira que se baseia na “liberdade” — é falta de liberdade (opressão) da mulher que é colocada em equação. Com os textos do João Miranda temos sempre que analisar a “coisa” e o seu contrário.

Se seguirmos o raciocínio do João Miranda, e se o levarmos até às últimas consequências, a proibição da excisão feminina conduz as mulheres muçulmanas para um gueto — para gáudio da maioria da população que “fica satisfeita com ela própria” por saber que não existem mulheres com o clitóris amputado.

terça-feira, 8 de abril de 2014

O P.S.D de Passos Coelho e a versão oficiosa acerca do salário mínimo

 

No tempo da URSS, o Partido Comunista dizia que esse país era o “sol do mundo”. Hoje, o Partido Social Democrata de Passos Coelho diz que a Alemanha de Angela Merkel é a “luz do universo”. Mas este Partido Social Democrata consegue ser mais merkeliano que a própria Angela Merkel — como os comunistas conseguem ser mais marxistas que o próprio Karl Marx: agora que a Alemanha já tem um salário mínimo nacional (de 8,50 Euros / Hora!), a bovinotecnia coelhista sai da lura para defender que não deve haver aumento do salário mínimo nacional. E vejamos os argumentos (o verbete foi apagado pelo seu autor, tamanho era o absurdo).

«Sátão, Aguiar da Beira, Sernancelhe, Fornos de Algodres, Paços de Ferreira, Lousada, Ourique, Góis, Mondim de Basto, Vimioso, Vila de Rei, Felgueiras, Vizela, Celorico da Beira, Boticas, Barrancos, Sousel, Vila Nova de Paiva, Cinfães, Alandroal, Fafe, São Pedro do Sul, Tábua, Vinhais, Marvão, Cabeceiras de Basto, Penamacor, Oleiros, Freixo de Espada à Cinta, Arronches, Sabugal, Ponte de Lima, Pampilhosa da Serra, Castro Daire, Mesão Frio, Almodôvar, Almeida, Sardoal, Alfândega da Fé, Moimenta da Beira, Crato, Meda, Valpaços, Armamar, Paredes de Coura, Alviázere e Santa Marta de Penaguião. São os municípios que, de acordo com números de 2011, têm diferença entre o salário mínimo nacional e a remuneração base média mensal superior a –160.

O Bloco quer um salário mínimo de 545€. Isto corresponde a um aumento superior a 12%. Nos municípios apontados significaria um aumento de desemprego verdadeiramente brutal: o efeito de um aumento de salário mínimo no município de Lisboa não é particularmente relevante para o desemprego mas, em regiões cujos salários médios estão perto do salário mínimo, significa uma destruição cega pelo centralismo socializante-controlador.»

os brioches da bovinotecnicaEste raciocínio tem diversas anormalidades, mas só me vou reter em algumas.

1/ defende a ideia segundo a qual deve existir em Portugal realidades estatutárias de cidadania conforme se vive em Lisboa ou na “província”. Ou seja, “Portugal é Lisboa e o resto é paisagem”. Deve haver um salário mínimo lisboeta e nenhum salário mínimo para a “paisagem”.

2/ defende a ideia segundo a qual uma empresa que não pode ou não quer pagar o salário mínimo deve continuar no mercado a competir com aquelas empresas que o pagam (de Lisboa ou não).

3/ defende a ideia segundo a qual um cidadão que trabalhe pode viver em Portugal com 300 Euros mensais.

4/ defende a ideia segundo a qual é legal pagar menos do que o salário mínimo.

5/ defende a ideia segundo a qual o ideal seria que uma pessoa trabalhasse sem receber qualquer salário, para que o desemprego fosse debelado. O problema da economia portuguesa está nos salários: se os portugueses ganharem menos do que os chineses, a economia salva-se.

quarta-feira, 26 de março de 2014

O blogue Blasfémias virou à esquerda

 

Assinalo uma viragem à esquerda do blogue Blasfémias: quando a pobreza é geral, então é igual para todos e significa uma pobreza justa.

 

liderança e igualdade web

segunda-feira, 24 de março de 2014

Outra filha-da-putice do blogue Blasfémias

 

amigo da onçaEsta merda escrita no blogue Blasfémias (ver imagem) revela bem o que está por detrás do Partido Social Democrata de Passos Coelho. Não se trata só de cinismo: resvala já para a filha-da-putice. Ora, a obragem de uma filha-da-putice é obra do respectivo obrador que tem um adjectivo próprio bem conhecido no vernáculo da língua portuguesa.

A reportagem jornalística acerca da realidade da dificuldade dos 5 Euros para pagar o serviço de transporte de bombeiros incomoda aos obreiros da actual filha-da-putice portuguesa, encarnada neste Partido Social Democrata de Passos Coelho.

Hão-de morrer como os grilos: com os cornos espetados no chão e de cu para o ar.

sexta-feira, 21 de março de 2014

E ele a “dar-lhe”!

 

Mas onde é que, no Manifesto dos 70, se fala em “cortes na dívida” ou em “haircuts”? ¿Por qué no te callas?

quinta-feira, 13 de março de 2014

As leis laborais bovinotécnicas e blasfemas

 

a sociedade ideal blasfema

Trabalho em troca de comida. E não digam que vêm daqui.

O critério bovinotécnico para a reestruturação da dívida pública portuguesa

 

O blogue Blasfémias faz depender a reestruturação da dívida pública das condições de manutenção das infraestruturas do país, quando publica esta imagem abaixo:

manifesto-70

Vejamos agora outra imagem (desta vez, da minha lavra):

a divida e as intraestruturas web

Em uma situação de infraestruturas de luxo e pedintes em massa, a lógica do blogue Blasfémias também é aplicável. Quando não são as pessoas que contam, mas antes são as infraestruturas que nos merecem atenção, por um lado, e por outro lado a cidadania transforma-se em um conceito abstracto, isso significa que Passos Coelho tem que sair, já, e a toque de caixa.

quarta-feira, 12 de março de 2014

A lógica bovinotécnica do João Miranda: “um erro justifica sempre outro erro”

 

O manifesto dos 70 é o reconhecimento por parte da elite cainesiana portuguesa de que a dívida prejudica o crescimento. Depois de andarem anos a dizer que não há crescimento sem défice e dívida, agora dizem que com tanta dívida não pode haver crescimento. Levaram uns 10 ou 20 anos a perceber, mas finalmente perceberam os custos do endividamento.

Esta evolução positiva leva-me a crer que dentro de 10 ou 20 anos percebam que um país que tem como estratégia o regresso aos mercados não pode ameaçar os credores com reestruturações.”

1/ o keynesiano-mor da nossa praça é Cavaco Silva, e não me consta de que ele faça parte do Manifesto dos 70 — pelo contrário: o apoio caquéctico de Cavaco Silva à aparente irracionalidade de Passos Coelho, é evidente. Digo “aparente irracionalidade” porque me parece que Passos Coelho está já a contar com uma espécie de gamela “à Vítor Gaspar”.

2/ os erros de José Sócrates não justificam os erros de Passos Coelho. Mas o João Miranda parece pensar de outra maneira: Passos Coelho, à semelhança de Cavaco Silva, “nunca tem dúvidas e raramente se engana”.

3/ um dia, se Deus quiser, há-de vir a público o que move o ideário do João Miranda e de outros seus comparsas bovinotécnicos. O tempo encarregar-se-á de revelar a agenda inconfessa de quem não hesita em colocar interesses (ainda) obscuros acima do interesse da esmagadora maioria da população portuguesa.

(*) A bovinotecnia é a arte de tratar do "gado" de uma forma tal que se consiga fazer crer aos "bovinos" que serão livres se abandonarem o seu estatuto de bovinidade.

terça-feira, 11 de março de 2014

Pior do que um comunista, só um neoliberal

 

O neoliberal é a única criatura que é capaz de colocar o vil metal acima da família, dos amigos e do seu país.

mad man

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Estou bastante dividido entre dois tipos de ladroagem

 

Um tal Jorge Bateira, que por sinal é um ladrão de bicicletas, lançou uma diatribe à bovinotécnica Helena Matos. Estou dividido, nesta polémica. Por um lado, concordo com a seguinte proposição do salteador de velocípedes:

“Porém, tenho de lhe lembrar que foi o baixo crescimento da economia portuguesa desde que aderimos ao euro, agravado pela actual política de austeridade, que produziu um nível de desemprego que tornará insustentável a segurança social. Apesar de não ter lugar no seu discurso, afinal é a moeda única, com tudo o que implica, que está a comprometer o futuro dos nossos jovens. Não são os seus pais e avós, nem o nosso modesto Estado social.”

Só não vê quem não quer ver:

PIB e defice no Euro

Mas, por outro lado, o ladrão de veículos de duas rodas escreve o seguinte:

“Depois, o que diz sobre o Estado, a demografia e a segurança social é pura ideologia. A Helena Matos diz que o Estado tomou conta das pessoas e as desresponsabilizou. Pois eu digo-lhe que um Estado social forte, administrado em função do interesse público, é um Estado que garante a provisão de serviços sociais de qualidade e protege os cidadãos de diversos riscos sociais. Liberta-os da insegurança económica, do receio de não terem recursos para enfrentar esses riscos.”

¿O que é “interesse público”? Alguém, por favor, que me defina “interesse público”, para que saibamos exactamente do que estamos a falar. E ¿desde quando é defensável que a “função do Estado” seja a de tratar os cidadãos como se de mentecaptos se tratassem?

Nem o ladrão de bicicletas, nem a bovinotécnica Helena Matos, têm razão — porque partem da mesma base de raciocínio: a economia. Quando a realidade social é reduzida à economia, deixamos de saber quem é ladrão e quem não é.