quarta-feira, 12 de março de 2014

O Estado da anafa, e o Estado dos brócolos

 

A pseudo-informação diz-nos que o Estado alemão não é anafado, mas que o Estado socratino era anafado, e agora o Estado do PSD do Pernalonga já não é. Porém, o Estado alemão é mais anafado do que o Estado português, e por uma razão: a economia alemã pode suportar o Estado Social, ao passo que a economia portuguesa não pode. Até aqui estou de acordo com o escriba bovinotécnico.

sol na eira e chuva no nabalQuem diz que não existe Estado Social na Alemanha, ou é burro ou é burro; aliás, foram os alemães que inventaram o Estado Social ainda no século XIX. A economia alemã pode ter um Estado Social, porque tem recursos para pagar a anafa. Portugal não tem esses recursos, o que significa que Portugal tem que ter uma orientação política e cultural totalmente diferente da dos países do norte da Europa.

E é aqui que começa a contradição dos neoliberais da bovinotecnia. Como soe dizer-se, “aqui é que bate o malho” (salvo seja).

Os países da Europa do norte podem dar-se ao luxo de ter aborto à fartazana, "casamento" gay, imigração em barda para substituir a fornicação de pólvora seca, adopção de crianças por pares de invertidos, a cultura do divórcio expresso e na hora, etc. — porque as garantias do Estado Social (que Portugal não pode ter) compensam, até certo ponto, a destruição da cultura da família natural nesses países. Por exemplo, na Dinamarca, onde existe também Estado Social, mais de 50% das crianças nascidas têm pai incógnito (famílias monoparentais). Ou seja, nesses países do norte, a anafa substitui as nossas couves galegas e os brócolos.

Ora, Portugal não pode comer anafa: tem que se limitar aos brócolos do quinteiro. E é isto que o Partido Socialista não entendeu. E para que Portugal se limite aos brócolos do quintal, a sociedade tem que assentar, não na destruição dos valores da família natural (como acontece hoje no norte da Europa), mas antes no fortalecimento cultural da família natural como célula básica da sociedade.

Eu lembro-me de ver o João Miranda, por exemplo, a defender o aborto livre e o "casamento" gay: ou seja, na cultura antropológica, a bovinotecnia blasfema mal se distingue da socialite do Partido Socialista e da Esquerda.

Por isso é que Portugal está no clube errado (leia-se, União Europeia e zona Euro): Portugal está no clube dos anafados, mas só pode comer brócolos. E, por isso, Portugal faz de conta que os brócolos que come são anafa; vive na ilusão do pobre que pensa que pode cevar o porco caseiro com palha seca — e essa ilusão é tanto de esquerda como de “direita”, porque tanto a esquerda como a “direita” vêem a cultura antropológica de uma forma semelhante. E por isso é que os neoliberais de pacotilha entram em contradição.