Mantenho aqui as críticas que fiz ao cardeal José Policarpo. A morte de uma pessoa não significa que a sua vida seja modificada. Não se trata, da minha parte, de juízos abstractos, mas antes de juízos acerca de factos.
Não é por acaso que a RTP dedicou ontem cerca de 3 horas (no mínimo) de emissão televisiva à vida do cardeal, e com a intervenção do infame Padre Anselmo Borges. Bateu tudo certo. Fiquei esclarecido. Bastou a presença, no dito programa da RTP, de Anselmo Borges — que defende o aborto e o "casamento" gay —, fazendo a apologia do cardeal José Policarpo, para percebermos todos o que esteve em causa com o cardinalato de José Policarpo.
Não me arrependo um minuto sobre as críticas que fiz ao cardeal. Um segundo. Mantenho-as até à eternidade. Não sou Deus para o julgar, mas sou um ser humano com a capacidade de crítica. Ninguém tem o direito de querer transformar a criatura de Deus em um ser acrítico.
Perante as dificuldades colocadas pela modernidade (como sempre existiram dificuldades, em todos os tempos), o cardeal preferiu o caminho mais fácil: o caminho da cedência em vez do da perseverança, o caminho da ambiguidade que se mascara em compromisso, caminho da ambivalência que confunde os fiéis, o caminho da prepotência de quem detém o Poder na Igreja Católica, o caminho da eminência parda que sustém a corrupção da política mundana. Que Deus permita que ele se possa reconciliar consigo mesmo.