quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

A nova plutocracia

 

«O plutocrata não é, pois, nem o grande industrial nem o financeiro: é uma espécie híbrida, intermediária entre a economia e a finança; é a «flor do mal» do pior capitalismo.

Na produção não lhe interessa a produção, mas a operação financeira a que pode dar lugar; na finança não lhe interessa a regular administração dos seus capitais, mas a sua multiplicação por jogos ousados contra os interesses alheios. O seu campo de acção está fora da produção organizada de qualquer riqueza e fora do giro normal dos capitais em moeda; não conhece os direitos do trabalho, as exigências da moral, as leis da humanidade.

Se funda sociedades é para lucrar apports e passá-las a outros; se obtém uma concessão gratuita é para a transferir já como um valor; se se apodera de uma empresa é para que esta lhe tome os prejuízos que sofreu noutras.

Para tanto, o plutocrata age no meio económico e no meio político sempre pelo mesmo processo — corrompendo. Porque estes indivíduos, a quem alguns também chamam grandes homens de negócios, vivem precisamente de três condições dos nossos dias: a instabilidade das condições económicas; a falta de organização da economia nacional; a corrupção política. — Quem tenha os olhos abertos para o que se passou aqui e para o que se passa lá fora não pode duvidar do que afirmei.»

SALAZAR, António de Oliveira - Problemas da organização corporativa. Conferência no S. P. N., em 13 de Janeiro de 1934, Discursos, Vol. 1, pp. 292-294

O conceito de “plutocrata”, segundo Salazar, era adequado à década de 1930, e continua, em grande parte, válido. Mas deve-lhe ser acrescentado (ao conceito de plutocrata) alguns elementos que decorrem do globalismo (e não da “globalização” que começou no século XV) que não existiam na época em que Salazar proferiu aquela conferência.

Vamos dar como exemplos de plutocratas, Bill Gates e George Soros; mas, antes de mais, vamos ver a raiz etimológica da palavra “plutocracia”, que vem do grego Pluto (ou o deus Plutão, que era o deus dos ricos) + cratia (“poder”, ''governo''). Ou seja, uma plutocracia é um governo coordenado e dirigido por ricos e segundo os seus interesses, e um plutocrata ou é um membro desse governo, ou é alguém que defende a legitimidade desse tipo de governo.

Não podemos confundir uma plutocracia com uma aristocracia que vem do grego aristoi (“os melhores”, no sentido das virtudes que não se reduzem ao dinheiro) + cratia (poder, governo). Uma aristocracia é um “governo dos melhores em virtudes”; um aristocrata pode ser rico ou não. Por exemplo, em Inglaterra, existem aristocratas que o são na medida em que recebem o título de “Sir”, mas que não têm que ser ricos — como acontece com o prémio Nobel James Watson que tem o título de “Sir” e vive praticamente na pobreza.

Vemos, portanto, como a noção de “plutocrata”, segundo Salazar, se afastava da raiz etimológica da palavra. Para Salazar, um plutocrata era apenas uma espécie de oportunista, de um parasita da economia e das finanças. Se a noção de Salazar de “plutocrata” se pode aplicar literalmente a George Soros, já não se aplica a Bill Gates; e, no entanto, este também é um plutocrata no sentido globalista actual.

As acções políticas e globalistas de Bill Gates e sua mulher, por um lado, e de George Soros, por outro lado, têm as seguintes características: 1/ a necessidade de afirmação do acto gratuito como manifestação de Poder; a vontade dos plutocratas passa a ser um fim em si mesma, destituída de qualquer ética universal e de qualquer verdade partilhada, ou a vontade passa a fundamentar o direito de imposição, a toda a humanidade, de um qualquer tipo subjectivista de ética; 2/ a obliteração do poder político e das hierarquias sociais tradicionais em favor de um novo tipo de fascismo, a que podemos chamar de sinificação global.

Um plutocrata não é apenas um parasita; também é alguém que pretende moldar o futuro da humanidade segundo critérios exclusivamente utilitaristas ou subjectivistas.

1 comentário:

  1. Divulguei:

    http://algolminima.blogspot.pt/2014/12/a-nova-plutocracia.html

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