quinta-feira, 4 de junho de 2015

FC Porto: o inimigo externo da capital-do-império-que-já-não-existe

 

José António Saraiva ataca ad Hominem o presidente do FC Porto, Jorge Nuno de Lima Pinto da Costa. Isto não é apenas futebol: é sobretudo política. O centralismo lisboeta não perdoou nem nunca perdoará a afronta do predomínio do FC Porto e, ipso facto, da zona norte, nos últimos trinta anos. Tudo o que não seja domínio de Lisboa, em qualquer área, é uma afronta à capital-do-império-que-já-não-existe.

pinto da costaAinda hoje não se sabe quem assassinou o sócio do presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, ; mas o José António Saraiva preocupa-se com o Apito Dourado cujas escutas telefónicas efectuadas pela Polícia Judiciária abaixo de Coimbra foram escamoteadas pelo poder centralista de Lisboa. Luís Filipe Vieira foi condenado em tribunal por roubo, mas o José António Saraiva preocupa-se com um processo na justiça desportiva contra Jorge Nuno de Lima Pinto da Costa em que este saiu absolvido. Por isso é que salta à vista que isto não é só futebol: é política, e da dura!

José António Saraiva critica o FC Porto por ter investido em jogadores de futebol; mas esquece-se que Luís Filipe Vieira pagou ao treinador Jorge Jesus, durante pelo menos três anos, cerca de 4 milhões de Euros por época. Ou seja, os gastos do FC Porto são maus, mas já os dos Benfica são bons.

Esta gente ainda não compreendeu que Lisboa já não tem cultura própria (como se viu recentemente nos festejos do título de campeão na praça Marquês de Pombal): Lisboa é um albergue espanhol, onde campeia o multiculturalismo. Aqui, no norte, mantemos ainda genuínas as raízes culturais portuguesas que fundaram a nacionalidade. Lisboa tem o Terreiro do Paço mas não tem o poder real que está fora de Lisboa — por muito que o queiram abafar e ostracizar. O poder real de um país não é apenas uma amálgama identitária de 3 milhões de pessoas: é sobretudo o poder da tradição e de uma cultura ancestral que talhou Portugal.

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