sábado, 16 de janeiro de 2016

O espírito de manada da classe política portuguesa

 

No recente debate televisionado entre Maria de Belém e Marcelo Rebelo de Sousa, a primeira disse o seguinte acerca de uma eventual lei da eutanásia:


“É preciso ter cuidado com a questão da eutanásia, até porque só existem dois países da União Europeia que aprovaram uma lei da eutanásia”.

Esta frase passou despercebida a muita gente; e significa o seguinte:

Se a maioria dos países da União Europeia tivesse já aprovada uma lei da eutanásia, a questão seria diferente e Portugal poderia adoptar também uma lei idêntica.

A preocupação da Maria de Belém com aquilo que os outros países da União Europeia fazem, é evidente; se a maioria dos países da União Europeia se atirar a um poço, a Maria de Belém vai a seguir. Isto revela um espírito de manada por parte da nossa classe política. Não são indivíduos: são bois e vacas que nos representam e que nos controlam.

No espírito de manada, os indivíduos (políticos) actuam colectivamente sem uma direcção centralizada, ou seja, actuam em roda livre. A manada (da nossa classe política) aparece como uma unidade em movimento, mas a sua função resulta de um comportamento descoordenado de indivíduos em regime de auto-gestão.

Kierkegaard e Nietzsche criticaram o espírito de manada. A classe política portuguesa, que supostamente deveria ser um melhor exemplo para a sociedade, é um grupo de pessoas que imita os membros de outro grupo que consideram superior — as classes políticas dos outros países da União Europeia.

O ser humano não pode escapar ao mimetismo cultural. Mas em questões fundamentais da cultura, como por exemplo na estética ou na ética, o espírito de manada é a antítese de civilização.

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