Vemos aqui em baixo uma fotografia actual de uma carruagem de um comboio da linha de Sintra, arredores de Lisboa.
Eu tinha 15 anos de idade quando fui expulso de Moçambique, pelo governo da Frelimo, pelo simples facto de eu ser de raça branca.
Estava eu sentado (com um grupo de colegas, depois das aulas no Liceu Salazar) na esplanada da pastelaria Princesa, na avenida 24 de Julho em Lourenço Marquês, quando uma brigada do exército da Frelimo cercou a área e começou a pedir identificação (Bilhete de Identidade). Como eu não tinha trazido o Bilhete de Identidade, fui preso e enviado para um campo de concentração perto da cidade do Xai-xai, onde estive cerca de três meses detido, sem culpa formada.
Repito: eu tinha 15 anos de idade.
Ao fim desse tempo de prisão sem culpa formada, a Frelimo concordou em libertar-me, mas com a condição de eu abandonar imediatamente o país (Moçambique). O meu passaporte (português) levou um carimbo vermelho de “persona non grata”, sendo que o meu “crime”, aos 15 anos de idade, foi o de não trazer comigo o Bilhete de Identidade.
Naquela época, pensei: “Moçambique é dos pretos”; e, de certo modo, aceitei a minha expulsão como o corolário da afirmação política da negritude em um país de pretos.
Porém, longe de mim estava a ideia de verificar que, os que me expulsaram de Moçambique, viriam mais tarde para Portugal para substituir a população portuguesa, em uma última e final humilhação dos brancos.