“A desigualdade injusta não se cura com igualdade, mas antes com desigualdade justa”.
No último texto do Miguel Esteves Cardoso que eu li, há anos, ele defendeu a tese segundo a qual o D. Afonso Henriques era guei. Portanto, da opinião do Miguel Esteves Cardoso podemos esperar tudo.
Chamaram-me à atenção para este artigo no jornal Púbico, com o título “Antiwokismo Primário” (ver imagem em baixo).
Ele começa por se referir a “uma sociedade mais inclusiva”, mas não diz o que isso significa.
Pessoas como o Cardoso são “campeãs” de indefinições de conceitos, porque é por intermédio da imprecisão terminológica, da ambiguidade ou da ambivalência de juízos, que elas fazem sucesso nos me®dia — a indefinição do Miguel Esteves Cardoso é o “vestido preto” da Ivone Silva: “com um vestido preto, nunca me comprometo”.
Em princípio, o Miguel Esteves Cardoso defende uma “sociedade mais inclusiva” que exclui os que, alegadamente, não defendem uma “sociedade mais inclusiva”.
Ou seja, os que pretendem “incluir” têm o monopólio da “inclusão”.
Portanto, o Miguel Esteves Cardoso defende uma sociedade que inclua (a tal “inclusividade”) toda a gente excepto aquelas pessoas que ele exclui da sociedade. Isto significa que a “inclusividade”, segundo o Miguel Esteves Cardoso, é um conceito subjectivo.
Os valores tradicionais que trouxeram a nossa sociedade até à modernidade deverão ser preteridos, segundo o Esteves, em beneficio de novos mandamentos: a não-discriminação e/ou indiscriminação, a “inclusividade” e o orgulho na transgressão moral.
Não é possível incluir uma coisa sem excluir outra coisa. E só um burro, como o Esteves, não vê isso.
O Esteves, em busca da igualdade, passa uma bitola sobre a sociedade inteira, para cortar o que diferencia: a cabeça. Decapitar é o rito central da missa "Woke" .
Como podemos constatar, através da História, as formações de massa de cariz igualitarista (puritanismo) constituíram-se sempre como a condição psicológica prévia de decapitações colectivas, científicas e frias (por exemplo, formação de massa na Revolução Francesa, no nazismo, no estalinismo — e no aquecimentismo actual e no Wokismo que, para já, apenas “decapita” simbolicamente através do “cancelamento” ideológico).
O Miguel Esteves Cardoso entra em contradição (ou é burro): a cultura "Woke", que ele defende, sacrifica a verdadeira diversidade de pensamento, à boa maneira marxista: hoje, as pessoas têm medo de se expressar. A inclusividade "Woke" é a antítese de diversidade de pensamento. A cultura “Woke”, que era suposta ser uma condutora de diversidade e inclusão, tornou-se no oposto da diversidade e da inclusão.
A cultura “Woke” (também chamado de “politicamente correcto”), que o Esteves defende, pretende institucionalizar sistemas de pensamento, de expressão e de comportamento uniformes e exclusivistas. Qualquer pessoa que não se conforme com esses sistemas "Woke" é considerada persona non grata na sociedade (através do chamado “Woke Washing”).
Um segundo termo impreciso, utilizado pelo Esteves, é o conceito de “igualdade” (“igualdade de oportunidade”). O Esteves não se refere, ali, à igualdade perante a lei: o Esteves quer que a lei se foda. O Esteves pretende a imposição de privilégios “ao contrário” — conforme anúncio do jornal Púbico aqui em baixo —, ou seja, a prevalência dos privilégios para as minorias.
Aquele que reclama “igualdade de oportunidades” acaba, por fim, a exigir que se penalize o melhor dotado.
A “igualdade” segundo o Esteves, não é a “igualdade natural” entre os homens, que não significa que todos tenham o mesmo Poder ou as mesmas características: a “igualdade natural” significa “dignidade igual”, que não é o mesmo que “igualdade social” (igualdade de condições) que a cultura "Woke" (que o Esteves defende) pretende implementar na nossa sociedade.
O Esteves não defende a igualdade de direitos: para ele, a igualdade de direitos é insuficiente (tal como defendido por Karl Marx). A igualdade, a que o Esteves chama “de oportunidades”, orienta-se em direcção de um igualitarismo que procura igualar os meios e as condições de existência — ou seja, o Esteves favorece a igualdade em detrimento da liberdade individual, por um lado, e por outro lado, confunde igualdade e identidade — porque, em bom rigor, a igualdade parte do princípio de que os indivíduos têm dignidade igual, mas não que são semelhantes em todos os outros aspectos. Em boa verdade, igualdade e diferença são perfeitamente conciliáveis — só o burro do Esteves não compreende isto.
Outro conceito emburrado pelo Esteves é o de “justiça”: o burro não consegue distinguir “igualdade”, por um lado, e “justiça”, por outro lado. Em rigor, a desigualdade social não é necessariamente injusta, entendida em si mesma.