Um tal David Pontes escreveu o seguinte no pasquim Púbico:
“Sem os novos habitantes, o envelhecimento demográfico seria ainda mais acentuado e muitos trabalhos essenciais não teriam mão-de-obra disponível.”
O comunista Daniel Oliveira escreveu o seguinte no semanário Espesso:
“Foi a economia, mais do que a lei, que determinou as oscilações migratórias. Mesmo assim, envelhecemos e a população activa só cresceu graças aos imigrantes. A questão não é se 14% é demais. É o que seríamos sem eles. Pressionam serviços públicos porque os preparámos para o deserto demográfico. Recebemos imigração pouco qualificada e desintegrada porque é isso que o modelo económico extractivista e com pouco valor acrescentado absorve. A questão não é quem entra. É mudar o que o país oferece. A eles e a nós”.
Tanto o David Pontes como o Daniel Oliveira são exemplos chapados do chamado Efeito Dunning-Kruger que, basicamente, é a transposição do conceito de Sócrates (o grego) da frase “só sei que nada sei”, e da eliminação das certezas.
O indivíduo inteligente tem dúvidas: os estúpidos da Esquerda só têm certezas — incluindo as certezas acerca do futuro. Faz parte da mente revolucionária (a certeza do futuro).
Com o advento da Inteligência Artificial, o David Pontes irá em breve fazer de conta que não escreveu aquilo.
A certeza do futuro que ele tem hoje irá ser colocada em causa pelos factos oriundos da Realidade. A ideia segundo a qual teremos que duplicar a população para manter uma performance na economia é já contraditada pela realidade imposta pela Inteligência Artificial. Muito provavelmente, o David Pontes está errado.
Já o Daniel Oliveira, como bom marxista, reduz a Realidade inteira à economia — para além de também ignorar os ventos da mudança que a Inteligência Artificial nos traz.
Segundo os especialistas, virá um tempo em que a mão-de-obra operária e agrícola será essencial para sobrevivência da população portuguesa autóctone. E de nada nos valerá ter, por exemplo, 20 milhões de habitantes em Portugal — a não ser que a nova Esquerda radical continue a alimentar a utopia da revolução dirigida pelo Lumpemproletariado enquanto nova classe revolucionária.
As opiniões do David Pontes e do Daniel Oliveira nada têm de científicas ou lógicas.
São ditadas por ideologia. A falta de conhecimento leva-os a tirar conclusões erradas baseando-se na ideologia enquanto Ersatz da Razão, e impede-os de ver que estão errados. Eles têm certezas. E nós temos que levar com elas.