quinta-feira, 16 de julho de 2026

O optimismo revolucionário dos liberais

Há, no Telmo A. Fernandes, qualquer de um “optimismo revolucionário” que se traduz na ideia segundo a qual o ser humano, abandonado a si próprio e sem intervenção superior, raramente ou mesmo nunca comete erros (são os resquícios da “mão invisível”) — postura esta que vem de Rousseau, em primeiro lugar, do utilitarista Bentham mais tarde, e depois do super-utilitarista e liberal Stuart Mill. Quem estudou a História das Ideias sabe que existe uma ligação esconsa entre as ideias destes três “filósofos”.

Em 1754, Rousseau escreveu um livro com o título “Discurso Sobre a Desigualdade” em que afirmou que “o “homem [o ser humano] é naturalmente bom e só as instituições [da sociedade] o tornam mau”.

De modo semelhante, o Telmo A. Fernandes escreveu em 2026 que

“o espírito tecnocrático fascizoide moderno parte do princípio de que os proprietários [os indivíduos] não actuarão responsavelmente sem autorização estatal”.

Para o Telmo A. Fernandes, os proprietários são naturalmente bons e só as instituições humanas (o Estado) os tornam maus — e isto a propósito da piscina tipo “tanque” do ministro maçónico do Partido Social Democrata.

Em Portugal temos o “8” do Telmo A. Fernandes e libertários ditos de “Direita”, e depois temos o “80” do Partido Socialista, LIVRE, Partido Comunista e Bloco de Esquerda.

Os marxistas e afins (Esquerda) reduzem a burguesia a meros conceitos económicos para ocultar ao povo que pertencem a esta.

A burguesia é hoje qualquer classe revolucionária que possua propriedades em escala descomunal — com a industrialização da sociedade comunista, culmina a hegemonia burguesa: a burguesia não é tanto uma classe social, mas antes o próprio “ethos” da sociedade industrial.

Devemos, contudo, distinguir entre a burguesia “progressista” que prosperou com o decorrer do século XIX, e a burguesia tradicional que se extingue nesse século — mas isto dava outro texto.

Imaginemos, por absurdo que possa parecer, que um proprietário de um monte alentejano constrói uma piscina com 30 metros de fundura que aumentaria exponencialmente o risco de afogamento dos utilizadores da piscina. Em tese, o Telmo A. Fernandes defende a ideia de que o Estado não tem nada a ver com a fundura da piscina, porque (alegadamente) o Estado não tem que regulamentar piscinas dentro do monte alentejano.

O conservador típico é mais pessimista (do que o Telmo A. Fernandes) em relação à Natureza Humana — a verdade é que a Natureza Humana apanha sempre o liberal progressista de surpresa.

Entre o “oito” do liberal e libertário Telmo A. Fernandes, e o “oitenta” da Esquerda marxista e estatista, teremos que encontrar um meio-termo que introduza um cepticismo saudável em relação à Natureza Humana. O optimismo inteligente nunca é uma fé no progresso da Natureza Humana, mas antes é esperança num milagre.