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sexta-feira, 19 de maio de 2023

A função heurística do Contrato Social de John Rawls


“¿A experiência hipotética de Rawls é a maneira correcta de abordar a questão da justiça? ¿Como podem princípios da justiça resultar de um acordo que não aconteceu de facto?”

Será que um contrato social hipotético dá alguma garantia de justiça?

John Rawls reconhece (“O Liberalismo Político”) que não foi celebrado nenhum contrato social real (na sua teoria do “véu da ignorância”): a função do “contrato” (diz ele) é de mera avaliação da maior ou menor justiça das convenções sociais.

Um contrato social (propriamente dito) define, à partida, o que é justo; John Rawls diz que não é isso que ele quer: pretende ele utilizar o “processo contratualista” como um meio (e não como um fim, em si mesmo) para se descobrir o que é justo. Portanto, a natureza do “contrato” do “Véu da Ignorância” de Rawls é apenas heurística.

Ainda assim, teoria contratual de John Rawls não resistiu ao pragmatismo que caracteriza Michael Sandel.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

A crítica ao anti-utilitarismo de John Rawls

 

Este verbete do Aires de Almeida faz a crítica ao anti-utilitarismo de John Rawls.

A melhor crítica que podemos fazer ao utilitarismo é a de que é condicionado por duas proposições antitéticas ou contraditórias entre si:

  • uma proposição positiva, que diz que os homens devem ser considerados como indivíduos egoístas, calculadores e racionais, e que tudo deve ser pensado e elaborado a partir do seu ponto de vista;
  • e uma proposição normativa, que afirma que os interesses dos indivíduos, a começar pelo meu próprio, devem ser subordinados e mesmo sacrificados à felicidade geral ou do "maior número".

Todo o utilitarismo mistura, em proporções infinitamente variáveis e dependente apenas da discricionariedade política das elites da sociedade, uma axiomática do interesse e uma axiomática sacrificialista, que é simultaneamente um encantamento pelo egoísmo (individualismo) e uma apologia do altruísmo, e tentativa de reconciliar um ponto de vista ferozmente individualista e uma vertente globalizada e holista.

Ou seja, a melhor crítica ao utilitarismo é reduzi-lo ao absurdo, por um lado, e por outro lado sublinhar a importância do sacrifício voluntário, consciente e racional do interesse próprio que só a religião transcendental (até certo ponto) pode conseguir.