Mostrar mensagens com a etiqueta Leibniz. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Leibniz. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 29 de abril de 2019

O axioma da “razão suficiente”

 

“Nenhum facto pode ser verdadeiro ou real, ou nenhum juízo pode ser correcto, sem uma razão suficiente.”

Leibniz  

É praticamente unânime a consideração segundo a qual Leibniz e Newton foram dos europeus com mais elevado QI da História.

O princípio da “razão suficiente” [de Leibniz] é simplesmente genial, desde logo porque não se poderia deduzi-lo da experiência: este axioma foi e será sempre válido. A verdade deste axioma é intemporal: a sua verdade existe numa dimensão intemporal da consciência, na qual a Razão participa.

Ou seja, é pressuposta a validade daquilo que só deve ser comprovado pela dedução — independentemente do modo como os axiomas lógicos [que não são físicos!] surgiram ao longo da evolução humana, a validade desses axiomas transcende a realidade humana.


A ler:


“Mesmo que os axiomas de uma [qualquer] teoria [cientificamente válida] sejam formulados pelo ser humano, o sucesso de um tal empreendimento pressupõe uma elevada ordem do mundo objectivo, que não se podia esperar de maneira alguma. ”

→ Albert Einstein, “Worte in Zeit Und Raum”, 1992, pág. 92, Bonn.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

A lógica é imanente, e Causa Primeira é transcendente

 

O Domingos Faria invoca um burro com um alvará de inteligente que escreveu um livro, para citar um argumento que coloca em causa o princípio da razão suficiente de Leibniz (e não de Espinoza, como escreveu o Domingos Faria) que reza assim:

“Nenhum facto pode ser verdadeiro ou real, ou nenhum juízo pode ser correcto, sem uma razão suficiente.”


Há vários erros no raciocínio do burro letrado, mas talvez o principal seja o exarado no ponto 5:

“Se S é necessária, então P é necessária. [de PRS e necessidade da implicação]”

Acontece que se uma Causa Primeira é necessária, não se segue que um determinado efeito (dessa causa) seja necessário— desde logo porque a Causa não se confunde (como seria lógico) com um qualquer seu efeito.

A proposição supra só teria alguma legitimidade “lógica” se a Causa Primeira fosse imanente, ou seja, se ela pertencesse à mesma Realidade dos seus possíveis efeitos (possibilidade ou probabilidade) segundo o princípio da causalidade — mas então teríamos que explicar, por exemplo, por que razão as partículas elementares (que são efeitos de uma Causa, ou seja, existem por uma qualquer razão suficiente) aparecem e desaparecem do universo como que por magia, vindas do Nada e para o Nada.

¿De onde vêm, e para onde vão, essas partículas elementares que aparecem e desaparecem continuamente no universo?

Para qualquer pessoa “inteligente” é difícil aceitar que no centro da Física, que pretende ser a ciência dos fundamentos de todo o universo, as leis da nossa razão deveriam ser anuladas.

E isto porque, ao contrário do que defendeu Einstein, “Deus lança mesmo os dados” — no sentido em que os efeitos enquanto factos têm uma probabilidade objectiva (e não uma probabilidade subjectiva humana, devida à falta de conhecimento científico): a “casualidade” (os acontecimentos “por acaso”) e a “a-causalidade” (aquilo que parece não ter causa) não são expressão dos nossos conhecimentos limitados, mas sim são constitutivas da própria Realidade.

É neste sentido que se fala em probabilidade objectiva, por contraposição a uma probabilidade meramente subjectiva, baseada apenas numa falta de conhecimento das razões causais.

Ou seja, o princípio da causalidade (que é exclusivamente imanente) foi refutado pela própria ciência atómica.

Mas essa refutação não significa que, 1/ não exista uma Causa primeira que determina a existência de uma probabilidade objectiva que pode ser contingente na sua condição de causa segunda, e por isso, 2/ não significa que essa probabilidade objectiva, enquanto efeito, seja necessária. Aqui, David Hume tem razão.

Ademais, o raciocínio do lógico em causa é uma tautologia— a inferência pretende ser sempre verdadeira quaisquer que sejam os valores de verdade atribuídos a priori às proposições.

A lógica não se pode fechar em si mesma e fazer de conta que a ciência não existe. Quando isso acontece, aparecem lógicos burros que escrevem livros. Hoje, vivemos em um mundo em que é legítimo dar a uma pessoa estúpida uma resposta estúpida em relação a uma pergunta estúpida — porque o pensamento e as crenças não coincidem.

sábado, 27 de agosto de 2016

Convém misturar Giordano Bruno com Newton

 

O Carlos Fiolhais gosta de misturar coisas, principalmente quando uma das coisas misturadas é logicamente inconsistente mas adequa-se a uma determinada ideologia que ele perfilha. Neste caso, o Carlos Fiolhais mistura, no mesmo texto, o Giordano Bruno e Newton. A essencial diferença entre os dois é que Newton via Deus como transcendente em relação às leis da natureza e ao universo (embora Deus seja interventivo em relação ao universo), enquanto que o Giordano Bruno era um panteísta (panteísmo).

Vemos aqui um artigo que nos diz (por inferência) que Newton estava correcto e que Giordano Bruno estava errado:

“After measuring alpha in around 300 distant galaxies, a consistency emerged: this magic number, which tells us the strength of electromagnetism, is not the same everywhere as it is here on Earth, and seems to vary continuously along a preferred axis through the Universe,” said Webb.

The implications for our current understanding of science are profound. If the laws of physics turn out to be merely “local by-laws”, it might be that whilst our observable part of the Universe favors the existence of life and human beings, other far more distant regions may exist where different laws preclude the formation of life, at least as we know it.”

Our Solar System "Is in a Unique Place in the Universe -- Just Right for Life"

A “solução” panteísta de Giordano Bruno (e mais tarde de Espinoza, ou de Hegel) é uma forma de naturalismo; perante a assertividade da mundividência de Newton, o Carlos Fiolhais entra em uma dissonância cognitiva que tem que ser compensada pelo panteísmo do mártir naturalista Giordano Bruno.

É conhecida a polémica entre Leibniz e Newton, em que o primeiro defendia a ideia segundo a qual Deus criou o universo de uma vez por todas e depois retirou-se do mundo — ao passo que Newton defendia a ideia segundo a qual, sendo que Deus transcende o universo (é “exterior” ao universo), mas contudo Ele age constantemente (em termos de tempo cósmico) no universo apesar das leis da natureza por Ele definidas, e que sem a intervenção constante de Deus no universo não poderia haver a ordem e uma determinada constância das leis da natureza que permitem a existência da vida.