sábado, 16 de maio de 2015

O feminismo sofisticado é o mais perigoso

 


Depois de ver este vídeo acima, o leitor em geral tenderá a ser tomado pela emoção transmitida pelo tipo de encenação teatral típica do feminino. Mas aqui não estamos a falar de qualquer mulher: trata-se da juíza americana Lynn Toler a passar um bigode a um réu — ou seja, trata-se de uma mulher que ascendeu a um cargo que seria impensável a uma mulher assumir há apenas trinta anos.

Não se trata aqui de um feminismo explícito e “hard core” do tipo jugular, que é muito mais fácil de combater porque não se esconde por detrás de conceitos culturais que são hoje considerados «démodés»; o feminismo de mulheres como o da juíza Toler é mais sofisticado, porque exige do homem actual aquilo que ele era em uma época em que a mãe dela cozinhava em casa para a prole. Os dois tipos de feminismo — o do jugular e o da juíza Toler — obedecem contudo ao mesmo princípio de ordem cronológica que podemos ver na imagem aqui em baixo.

feminismo

Convém dizer, acerca da encenação histriónica de superioridade moral feminista da juíza Toler, o seguinte:

1/ a cultura dos negros americanos ainda não perdeu a marca da sociedade matriarcal que veio de África para os Estados Unidos; a comunidade negra americana sofreu um choque cultural — que se mantém ainda hoje — entre a cultura matriarcal de origem africana, por um lado, e a cultura patriarcal europeia, por outro lado. Há tribos africanas (por exemplo, a tribo Macua, em Moçambique) que se estruturam em uma cultura matriarcal pura; mas, em geral, podemos dizer que o matriarcado marca quase todas as culturas africanas que não tenham influência do Islão.

É o resquício da cultura matriarcal dos negros americanos que caracteriza o discurso da juíza Toler. No discurso matriarcal, a mulher tem sempre razão (ver por exemplo a relação entre Obama e a sua – dele – mulher), não obstante a mulher poder ter o “privilégio” de se deitar com vários homens (na comunidade Macua de Moçambique, existe a poliandria). O choque cultural dos negros americanos em relação à sociedade patriarcal europeia foi realizado através da monogamia imposta pelo Cristianismo: manteve-se o matriarcado cultural no seio da família, mas prevaleceu o patriarcado monogâmico do puritanismo cristão nas relações entre a família e a sociedade em geral.

2/ para aquele réu ser (alegadamente) “indecente e fazer filhos em muitas mulheres sem qualquer responsabilidade” — nas palavras da juíza Toler —, terão que existir mulheres indecentes que fazem filhos com ele.

Mas o discurso matriarcal (em África, por exemplo, ou nos países nórdicos actualmente) não aceita qualquer responsabilidade moral da mulher; a mulher tem o direito de ceder à emoção fácil e deitar-se com vários homens e ter filhos deles, e aos putativos pais dos múltiplos filhos — e muitas vezes filhos de pai incógnito — impõe-se o dever de os sustentar. O matriarcado desvaloriza a linhagem paternal; não interessa saber bem de quem é o filho: basta que a mulher exija do suposto pai a assunção da paternidade. O matriarcado vai contra o conceito darwinista de “selecção natural” e de urgência de transmissão genética por parte do macho; o matriarcado é anti-natura. Por isso é que as sociedades matriarcais tendem a estagnar do ponto de vista civilizacional.

3/ deste choque cultural entre a herança cultural do matriarcado africano, por um lado, e por outro lado a influência cultural do patriarcado cristão europeu, surge o discurso da juíza Toler. A culpa não é das muitas mulheres da cultura matriarcal endógena afro-americana com quem o réu negro se deitou e com quem fez filhos: a culpa é do homem que perdeu a noção de “masculinidade” da cultura patriarcal.

As mulheres matriarcas permanecem impolutas; só os homens que não são  patriarcas são culpados.

4/ quando o pai da juíza Toler era, perante a sociedade, um bonus pater familias de acordo com a cultura da sociedade patriarcal puritana cristã, a mulher dele não tinha (ler este artigo de Olavo de Carvalho) acesso pleno ao mercado de trabalho, acesso esse defendido tanto por neoliberais como por comunistas. Esse homem “chefe de família” praticamente já não existe na cultura antropológica ocidental, e a extinção da figura do “bonus pater familias” foi uma cedência da sociedade, e principalmente do homem, em relação às reivindicações feministas. E foi graças às reivindicações feministas que a cidadã Lynn Toler chegou a juíza.

Com o pleno acesso da mulher ao mercado de trabalho, o homem sente muito mais dificuldade em arranjar trabalho e, com isso, estabilizar social- e familiarmente. Ou seja, existe hoje um caldo cultural que contribui decisivamente para que aquele réu seja aquilo que ele é, embora não se lhe possa retirar o livre-arbítrio. O corolário é o de que um “homem responsável”, hoje, tem que estar contra o sistema que a juíza Lyn Toler, enfiada na sua toga, defende do alto do púlpito do Direito Positivo. Ou então toda a gente é irresponsável e ou inimputável.

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