→ Nicolás Gómez Dávila
Razão tinha o mestre Nicolás Gómez Dávila: se as pessoas se convencem de que o diabo não existe, isso dá muito jeito à acção diabólica.
Tal como ao diabo lhe dá jeito ocultar a sua acção (através da divulgação da sua morte), ao José Pacheco Pereira também lhe convém que o marxismo cultural não exista; mas ele não é o primeiro burro que nega as evidências de uma doutrina a que os mais comedidos e prudentes lentes em filosofia chamam de “Utopia Negativa”.
É uma questão de semântica. Por exemplo, o termo “interseccionalidade” é muito usado hoje nos Estados Unidos para para traduzir a “práxis” (a prática política) marxista cultural que tem (entre outros conceitos) como base o conceito de “tolerância repressiva” de Marcuse.
Se o José Pacheco Pereira diz que “o marxismo cultural não existe”, então induzo eu a teoria segundo a qual ele também pensa (¿será que ele pensa?!) que Gramsci e Lukacs não existiram; ou então o Pacheco “pensa” que Gramsci e Lukacs não eram marxistas; e que ambos não insistiram na instrumentalização da cultura na acção política (em vez da acção política de classes do marxismo clássico).
É claro que “marxismo cultural” é um conceito abrangente: representa uma corrente política e ideológica que “se desviou”, por assim dizer, do marxismo clássico, seja através da Escola de Frankfurt, seja através de Gramsci e Lukacs.
Caros leitores: o José Pacheco Pereira é uma fraude intelectual. O rei vai nu!.
Porém, ele tem uma virtude: assim como o bom carioca consegue escrever um samba partindo do simbolismo de uma casca de amendoim, assim o Pacheco escreve um longo texto a partir de uma merda qualquer. É obra desenganada!
Eu não vou aqui entrar na crítica que o Pacheco fez a um determinado texto de Nuno Melo, pela simples razão de que não li o texto deste último. Porém, seja qual for a pertinência da crítica do Pacheco ao Nuno Melo, não se lhe dá o direito ao burro de afirmar que “o marxismo cultural não existe”. É burrice. Ou truculência política e desonestidade intelectual.