O Nuno Melo escreveu aqui um textículo a desancar no IL (Iniciativa Liberal) e no CHEGA; parece-me que ele pretende fazer tábua rasa do CDS, como se o passado não existisse, em uma espécie de afirmação presentista da realidade política. Aliás, o presentismo é uma característica da União Europeia que temos: a alienação do passado e da História dos povos da Europa é a maior preocupação do leviatão europeu que o Nuno Melo serve.
Nas “Confissões”, Livro XI, Santo Agostinho diz que há três modos de tempo: “o presente das coisas passadas, o presente das coisas presentes, e o presente das coisas futuras”: ou seja, o presente não existe mais do que existem o passado ou o futuro — o momento presente desaparece em cada instante e torna-se passado, embora o presente não possa ser reduzido a um simples limite sem duração. Segundo Santo Agostinho, o presente revela, portanto, a natureza paradoxal do tempo que é a de ser a condição do não ser.
Ora, no CDS também existe um “presente das coisas passadas”; por exemplo, Assunção Cristas, Adolfo Mesquita Nunes, Paulo Portas, Nuno Melo, entre muitos outros. Ou o Nuno Melo renega esse “presente das coisas recentes passadas” do CDS, ou então não tem legitimidade e credibilidade para falar em reconstrução do CDS. Mas o Nuno Melo não renega esse passado recente e hipócrita do CDS, porque faz parte activa dele.
Não vale a pena fazer aqui uma análise crítica do texto de Nuno Melo, porque é um vira-o-disco-e-toca-o-mesmo de um partido que apoiou (pelo menos tacitamente) o "casamento" gay, a adopção de crianças por pares de invertidos (Adolfo Mesquita Nunes), as quotas (anti-mérito) nas administrações das empresas (Assunção Cristas).
Votar no CDS é apoiar, de forma indirecta, o centrão socialista composto pelo Partido Socialista e Partido Social Democrata, porque o CDS de Nuno Melo fecha a Esquerda à direita.