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sexta-feira, 19 de abril de 2024

Eugénio Lisboa não respeita a métrica poética


Alguém, por favor, que informe postumamente o Eugénio Lisboa que os sonetos têm métrica.

Obrigado.

terça-feira, 27 de julho de 2021

Otelo, a audácia de mandar (matar e roubar)

Era suposto eu não dizer mais nada acerca do Otelo, mas este artigo (ver ficheiro PDF) de Eugénio Lisboa, publicado pelo Carlos Fiolhais (que devia ter um pouco de vergonha na cara) causou-me náuseas.

Especialmente dedicada ao professor Eugénio Lisboa, aqui vai a lista dos crimes do “herói Otelo”:


Sequência cronológica dos atentados


1980

  • Março - Formação da coligação Força de Unidade Popular;
  • 20 de Abril - Apresentação pública da organização Forças Populares 25 de Abril com o rebentamento por todo o país de dezenas de engenhos explosivos de fraca potência contendo o documento “Manifesto ao Povo Trabalhador”;
  • 3 de Maio - Assalto simultâneo a dois bancos no Cacém, Banco Totta e Açores e Crédito Predial Português que resulta na morte do soldado da GNR Henrique do Nascimento Hipólito, durante a confrontação com elementos da organização; Neste assalto foi roubado 5.141.982$00.
  • 9 de Maio - Assalto ao Banco Espírito Santos em Paço de Arcos e colocação de uma bomba- relógio contra o administrador da fábrica Alfa. Esta bomba não chegou a deflagrar.
  • 13 de Maio - Morte do militar da GNR Agostinho Francisco Ferreira, por tiros de pistola metralhadora, durante a detenção de elementos de um comando da organização em Martim Longo, Algarve;
  • 9 de Julho - Assalto ao Banco Borges e Irmão na Cruz de Pau. Neste assalto foram roubados 1.340.207$00;
  • Julho - Destruição por incêndio de viaturas da PSP;
  • 22 de Julho - Assalto à Conservatória do Registo Civil de Vila Nova de Gaia tendo sido roubados impressos para bilhetes de identidade;
  • 30 de Julho - Assalto ao Caixa Geral de Depósitos em Xabregas. Neste assalto foram roubados 113.500$00;
  • 12 de Setembro - Rebentamento de explosivos no consulado e na embaixada do Chile respectivamente no Porto e em Lisboa;
  • 4 de Outubro - Rebentamento de explosivos nas sedes dos ex-Comandos em Faro e Guimarães e Porto; esta associação era considerada pelas FP-25 como a tropa de choque das desocupações de terras no Alentejo;
  • 6 de Outubro - Assalto simultâneo a dois bancos na Malveira na sequência do qual são mortos três pessoas: dois elementos da organização mortos durante a fuga, (Vítor Oliveira David e Carlos Alberto Caldas) um morto por tiros de caçadeira por um comerciante local e outro linchado pela população. Nesse assalto viria ainda a morrer um cliente de um dos Bancos (José Lobo dos Santos), baleado na cabeça quando tentava desarmar um dos terroristas, ficando ainda feridos dois elementos da população local; Neste assalto foram roubados 2.854.822$00;
  • 5 de Novembro de 1980 - Troca de tiros com PJ na Cova da Piedade;
  • 24 de Novembro de 1980 - Assalto ao Banco Pinto e Sotto Mayor no Fogueteiro. Neste assalto foram roubados 3.200.787$00;
  • 28 de Novembro de 1980 - Tentativa de assalto ao Banco Totta e Açores em São Roque da Lameira, Porto. Na troca de tiros com a PSP é morto o terrorista Carlos Pé Curto. Na fuga os terroristas atiram uma granada para baixo de um dos carros da PSP, provocando ferimentos graves em dois agentes e seis transeuntes.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Eugénio Lisboa e George Bernard Shaw

 

Depois do tempo dos maus médicos António Guterres e José Sócrates, chegou o tempo do cangalheiro Passos Coelho.

O blogue Rerum Natura transcreve aqui um texto de Eugénio Lisboa no qual este faz uma série de transcrições de frases de pensadores e autores acerca do “vil metal”. Eu complementaria esse rol de sentenças comedidas citadas por Eugénio Lisboa com uma letra de uma canção de Neil Diamond: “O dinheiro fala, mas não canta, não dança nem anda” — também existem, na contemporaneidade da pós-literacia, algumas sentenças que podem fazer uma síntese de uma determinada realidade.

Surpreendeu-me que na lista dos autores citados por Eugénio Lisboa esteja Bernard Shaw que, como se sabe, foi um eugenista e socialista que criticou o cristianismo. Aliás, o socialismo e o eugenismo estão histórica e intimamente ligados. Não é porque alguém foi um escritor ou literato que deve ser citado: fazendo uma analogia (mas não uma comparação!), não me passaria pela cabeça citar o “Mein Kampf” de Hitler de uma forma apologética.

G. K. Chesterton escreveu, referindo-se às ideias do eugenista Bernard Shaw:

“Pensemos em todas as épocas em que o homem teve a coragem de morrer, e depois lembrem-se que hoje se fala em coragem de viver.”

“Nenhum filósofo céptico pode fazer quaisquer perguntas que não possam igualmente ser feitas por uma criança cansada em uma noite quente de Verão.”

Eugénio Lisboa pode ter alguma razão naquilo que escreve, embora pelas piores razões. Como dizia Nicolás Gómez Dávila, “a esquerda acertou no diagnóstico mas errou na receita”; e quando erramos na receita, o doente morre pela (tentativa de) cura.

E por isso é que chegamos à situação que Eugénio Lisboa critica com tanta veemência: a receita que ele defende, ainda hoje, revelou-se errada e estamos moribundos devido à terapêutica e à posologia políticas adoptadas.
Ou, como diria alguém: “pusémo-nos a jeito” com as políticas socialistas, e houve depois quem se aproveitasse da nossa “posição”. Depois do tempo dos maus médicos António Guterres e José Sócrates, chegou o tempo do cangalheiro Passos Coelho.