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sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

A Raquel Varela, a historiadora da treta; e a falácia de Parménides

 

A falácia de Parménides consiste em uma falácia lógica que resulta da comparação de tempos diferentes, por exemplo, estabelecer a certeza de um determinado futuro baseando-se no presente, ou fazer juízos de valor acerca de um passado longínquo, estabelecendo como paradigmas de análise, os valores do presente.

É o tipo de argumentação que vai buscar ao passado as premissas que permitem a validação de uma determinada conclusão, no presente; como se o tempo não tivesse passado.


Dou um exemplo de falácia de Parménides: alguém dizer que “os políticos da Idade Média foram cruéis porque não empreenderam quaisquer iniciativas científicas no sentido de debelar a peste negra”.


A Raquel Varela, que se diz “historiadora”, utiliza muitas vezes a falácia de Parménides — por exemplo, quando ela diz que, no princípio da década de 1960, “em Lisboa as crianças ainda morriam de cólera e infecções provocadas por mordidas de ratos, porque 90 mil só na grande Lisboa viviam em Barracas”como se, em princípios da década de 1960, não tivessem existido barracas em Paris ou em Londres; ou como se, em princípios da década de 1960, a mortalidade infantil em Londres ou em Paris fosse a mesma que existe hoje nessas duas cidades (por exemplo).

A falácia de Parménides tem outro efeito pernicioso: a afirmação do contra-factual. Por exemplo, quando alguém diz: “se não fosse Portugal ter entrado no Euro, não haveria tanta gente com telemóveis em Portugal”. Trata-se da afirmação de um contra-facto — como se fosse possível afirmar que Portugal não teria evoluído economicamente se não tivesse entrado no Euro.

 

sábado, 30 de julho de 2016

É difícil entender o arquétipo mental da Raquel Varela

 

Por juízo universal (ver), dizemos que “a mulher e o homem são diferentes”. É claro que há mulheres e mulheres, e homens e homens: por isso é que falamos em juízo universal, conceito que o nominalismo radical do politicamente correcto tem imensa dificuldade em apreender.

“A pergunta é: será que para se ter o apoio das pessoas progressistas basta ser mulher? Mulher e negra?”Raquel Varela

¿O que é uma “pessoa progressista”? Ou antes, ¿o que é o “progresso”?

A experiência diz-nos o seguinte: só existe progresso, propriamente dito, na ciência. Mas, quando os factos parecem dar razão à tese de uma necessidade interna do progresso científico, esta necessidade começa a aparecer como uma obrigação (cientismo) que é preciso conseguir dominar.

Ou então existe de facto “progresso” na evolução da pessoa enquanto indivíduo (até Proudhon defendeu esta ideia!).

Em termos de sociedade, do que podemos falar não é de “progresso”, mas antes de “civilização”, que pode mais ou menos agradável ao nosso gosto.

A civilização é o conjunto de fenómenos sociais de ordem religiosa, moral, estética ou técnica e científica, que determinam o estado dos costumes e conhecimentos de uma sociedade. O conjunto coerente de regras, saberes e crenças que correspondem a uma determinada civilização, não podem ser hierarquizadas numa escala de “progresso”.

Talvez o que a Raquel Varela pretende dizer com “progresso” é a defesa de um tipo diferente de civilização. Mas então que fale claro e em uma “civilização diferente” (e explique qual é), e deixe de conceber o “progresso” como uma lei da Natureza e da História.