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sábado, 28 de fevereiro de 2015

Theodore Dalrymple, e a hipocondria como um problema religioso e filosófico


São psiquiatras como Theodore Dalrymple que metem outros — como, por exemplo, o Júlio Machado Vaz — no bolso mínimo das moedas das minhas calças de ganga.

“There is no doubt that hypochondriacs are boring; you fear to ask them how they are in case they should tell you.

But one cannot help but suspect that their excessive concern with the state of their health is a defence against something worse, an existential fear that life has no meaning beyond itself, and that therefore the achievement of health, the avoidance of illness, is the highest goal possible.

(..)

In the absence of a transcendent purpose in life, staving off death becomes all-important. Hypochondriasis, then, is in part a religious or philosophical problem.”

The cure for hypochondria

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

A Ordem dos Psicólogos e a traição dos intelectuais

 

O psicólogo Abel Matos Santos escreveu um artigo no Jornal “I” que pode ser lido aqui. Em resposta, a Ordem dos Psicólogos, que apoia a adopção de crianças por pares de invertidos, reagiu e escreveu isto. Abel Matos Santos exerceu o seu direito de defesa com um texto que pode ser lido aqui em PDF.


1/ Não existe uma ciência de observação pura. Todas as ciências são teorizantes (estão imbuídas de uma qualquer teoria), incluindo as chamadas ciências sociais.

2/ Os “estudos” que a Ordem dos Psicólogos invoca em favor da adopção de crianças por pares de invertidos são basicamente assentes no behaviourismo que é uma forma de positivismo: nesses “estudos”, o sujeito (a subjectividade da criança) é sempre relegada para segundo plano ou mesmo inexistente. Trata-se de um naturalismo metodológico errado — uma forma de cientismo — que exige que as ciências sociais recorram exclusivamente às ciências da natureza e ao seu método científico (como se um ser humano não tivesse subjectividade).

Este naturalismo, que não respeita a subjectividade da criança, estabelece algumas exigências, como por exemplo, partir de observações e medições (como se o ser humano se reduzisse a um fenómeno físico) ou através de levantamentos estatísticos formais e exteriores; e depois avança indutivamente para generalizações (como se a criança fosse um animal irracional) e para a elaboração de teorias.

É este o tipo de “estudos” que a Ordem dos Psicólogos utiliza para defender a adopção de crianças por pares de invertidos.

3/ Nas ciências sociais, é muito mais difícil atingir o ideal de objectividade científica, quando comparadas com as ciências da natureza — se é que a objectividade científica é possível nas ciências sociais! —, uma vez que a objectividade implica despojamento de valores; e o cientista social só raramente consegue libertar-se das valorações da sua própria camada social, cultural, ideológica e política, por forma a adquirir a independência valorativa que a objectividade impõe.

Este naturalismo errado — que reduz a análise de uma criança ao seu comportamento exterior (behaviourismo), como se a criança fosse uma espécie de cão ou gato — assenta em um mal-entendido relativamente ao método científico, mal-entendido esse que reduz a ciência a uma narrativa dos factos (positivismo) manipulável pela ideologia política (cientismo).

4/ O testemunho do psicólogo Abel Matos Santos é relevante porque nos diz basicamente o seguinte: é preciso ter cuidado com aquilo que pensamos que sabemos acerca da adopção de crianças por pares de invertidos. Aliás, o psiquiatra Daniel Sampaio afirmou há dias, em uma entrevista na RTPn, que quaisquer estudos nesta matéria não são seguros. Ou seja, Abel Matos Santos parece ser um psicólogo honesto.

Em contraponto, a Ordem dos Psicólogos é o exemplo acabado do conceito de Julien Benda de Traição dos Intelectuais.