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domingo, 22 de março de 2015

¿Um maluco é livre de escolher a sua própria morte?

 

Entre 50 a 60 pessoas são eutanasiadas na Bélgica, a cada ano, por terem problemas psicológicos ou depressões.

Um dos problemas da psiquiatria actual é o de que depende muito da neuro-biologia que, por sua vez, já não distingue — em termos práticos — os problemas somáticos (por exemplo, a depressão que se traduz numa incapacidade de estabelecer laços sociais sem uma razão clara, sociopatia) e os problemas psíquicos (a depressão por infelicidade, porque morreu um familiar, porque perdeu o emprego, etc.).

A depressão psicológica tende hoje a ser reduzida a um problema físico de mau funcionamento de neuro-transmissores: é assim que raciocina o psiquiatra, por muito que o negue: enche o doente depressivo com químicos, na esperança que os neuro-transmissores voltem a funcionar ou que sejam desbloqueados. E quando os neuro-transmissores não voltam a funcionar, aceita-se a eutanásia como um “acto de liberdade” do alegado doente mental.

Ora, se uma pessoa é alegadamente maluca (os neuro-transmissores não funcionam bem), ¿como pode ser “livre de escolher” a eutanásia?

Na Bélgica, 18% dos doentes que morrem são assassinados pelos seus médicos. Temos a barbárie dentro da União Europeia, mas a classe política mantém-se calada. Mas se alguém vai contra o "casamento" gay e contra a adopção de crianças por pares de invertidos — aqui d'El Rei! porque não se pode contrariar os fanchonos.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Theodore Dalrymple, e a hipocondria como um problema religioso e filosófico


São psiquiatras como Theodore Dalrymple que metem outros — como, por exemplo, o Júlio Machado Vaz — no bolso mínimo das moedas das minhas calças de ganga.

“There is no doubt that hypochondriacs are boring; you fear to ask them how they are in case they should tell you.

But one cannot help but suspect that their excessive concern with the state of their health is a defence against something worse, an existential fear that life has no meaning beyond itself, and that therefore the achievement of health, the avoidance of illness, is the highest goal possible.

(..)

In the absence of a transcendent purpose in life, staving off death becomes all-important. Hypochondriasis, then, is in part a religious or philosophical problem.”

The cure for hypochondria

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

A Ordem dos Psicólogos e a traição dos intelectuais

 

O psicólogo Abel Matos Santos escreveu um artigo no Jornal “I” que pode ser lido aqui. Em resposta, a Ordem dos Psicólogos, que apoia a adopção de crianças por pares de invertidos, reagiu e escreveu isto. Abel Matos Santos exerceu o seu direito de defesa com um texto que pode ser lido aqui em PDF.


1/ Não existe uma ciência de observação pura. Todas as ciências são teorizantes (estão imbuídas de uma qualquer teoria), incluindo as chamadas ciências sociais.

2/ Os “estudos” que a Ordem dos Psicólogos invoca em favor da adopção de crianças por pares de invertidos são basicamente assentes no behaviourismo que é uma forma de positivismo: nesses “estudos”, o sujeito (a subjectividade da criança) é sempre relegada para segundo plano ou mesmo inexistente. Trata-se de um naturalismo metodológico errado — uma forma de cientismo — que exige que as ciências sociais recorram exclusivamente às ciências da natureza e ao seu método científico (como se um ser humano não tivesse subjectividade).

Este naturalismo, que não respeita a subjectividade da criança, estabelece algumas exigências, como por exemplo, partir de observações e medições (como se o ser humano se reduzisse a um fenómeno físico) ou através de levantamentos estatísticos formais e exteriores; e depois avança indutivamente para generalizações (como se a criança fosse um animal irracional) e para a elaboração de teorias.

É este o tipo de “estudos” que a Ordem dos Psicólogos utiliza para defender a adopção de crianças por pares de invertidos.

3/ Nas ciências sociais, é muito mais difícil atingir o ideal de objectividade científica, quando comparadas com as ciências da natureza — se é que a objectividade científica é possível nas ciências sociais! —, uma vez que a objectividade implica despojamento de valores; e o cientista social só raramente consegue libertar-se das valorações da sua própria camada social, cultural, ideológica e política, por forma a adquirir a independência valorativa que a objectividade impõe.

Este naturalismo errado — que reduz a análise de uma criança ao seu comportamento exterior (behaviourismo), como se a criança fosse uma espécie de cão ou gato — assenta em um mal-entendido relativamente ao método científico, mal-entendido esse que reduz a ciência a uma narrativa dos factos (positivismo) manipulável pela ideologia política (cientismo).

4/ O testemunho do psicólogo Abel Matos Santos é relevante porque nos diz basicamente o seguinte: é preciso ter cuidado com aquilo que pensamos que sabemos acerca da adopção de crianças por pares de invertidos. Aliás, o psiquiatra Daniel Sampaio afirmou há dias, em uma entrevista na RTPn, que quaisquer estudos nesta matéria não são seguros. Ou seja, Abel Matos Santos parece ser um psicólogo honesto.

Em contraponto, a Ordem dos Psicólogos é o exemplo acabado do conceito de Julien Benda de Traição dos Intelectuais.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Segundo a nova psiquiatria, as pessoas inteligentes são “doentes mentais”

 

O manual de DSM (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders) de 2013, da APA (Associação Americana de Psiquiatria), inventou uma nova doença mental: a ODD (Oppositional Defiant Disorder), que é definida como “um padrão comportamental de desobediência e de desafio” em relação ao pensamento cultural e político instituído pelas elites. Os sintomas dessa nova “doença mental” incluem o desafio e o questionar das autoridades de direito e uma grande capacidade de argumentação. Ou seja, para a psiquiatria actual, uma pessoa inteligente e com sentido crítico é uma doente mental.

A estratégia política da nova psiquiatria e da APA (Associação Americana de Psiquiatria) é a seguinte: se toda a gente for maluca, então segue-se que toda a gente é “saudavelmente maluca”, o que significa que não há malucos porque todas as pessoas são malucas: se toda a gente é doida, ¿como é que podemos distinguir os doidos, por um lado, dos normais, por outro lado?

Sendo que a loucura passa a ser um estado normal do ser humano, então, todos os comportamentos, por mais aberrantes que sejam, passam a ser normais. A loucura passa a ser a normalidade.

Porém, ao mesmo tempo que a APA (Associação Americana de Psiquiatria) considera as pessoas com senso crítico como “doentes mentais”, já não considera o comportamento homossexual como consequência de uma doença mental. Ou seja, segundo a nova ciência psiquiátrica, tomar no cu é coisa normal, mas questionar a autoridade política (por exemplo) já é doença mental.

(Fonte)

(ficheiro PDF da notícia)