
O patronato “liberal” adopta a linguagem da Esquerda mais radical. Por exemplo, o uso do adjectivo “migrante”, em lugar de “imigrante”, por parte do patrão Francisco Calheiros.
Há várias razões para a substituição de “imigrante” por “migrante”.
Desde logo porque o adjectivo “migrante” pressupõe uma deslocação de um território para outro mas com carácter provisório: os migrantes, em princípio, não se fixam definitivamente no território de arribação. Neste sentido, o substantivo “migração” é sinónimo de “transumância” — que também se aplica aos animais: por exemplo, às aves de arribação, ou à migração de aves.
Por outro lado, o adjectivo “migrante” não significa necessariamente a deslocação de um país para outro: pode significar a deslocação de uma região para outra região dentro de um mesmo país — ao passo que “imigrante” tem uma conotação internacional: o imigrante/emigrante passa sempre fronteiras nacionais.
Por exemplo, uma pessoa que tenha vivido em Lisboa e vá viver para o Porto, é um “migrante” — e não um “imigrante”: um imigrante e/ou um emigrante passam sempre fronteiras nacionais.
Portanto, o patronato e a extrema-esquerda estão de acordo em suavizar o impacto brutal do fenómeno da imigração na cultura antropológica e na coesão social portuguesas através da substituição de conceitos que possam colocar em risco as suas estratégias políticas “liberais” e antipatriotas.
Ainda irei ver o Francisco Calheiros como deputado do LIVRE, e a Cláudia Azevedo como coordenadora do Bloco de Esquerda.