quinta-feira, 5 de maio de 2022
sexta-feira, 15 de abril de 2016
Prémio Unicórnio Natural para o António Piedade
Para António Gomes da Costa, presidente da SciCom Pt – Rede de Comunicação de Ciência e Tecnologia, “a COMCEPT desenvolve um trabalho essencial: exigir que as afirmações, julgamentos e decisões que fazemos requeiram sempre uma grande e salutar dose de lógica e de razão e, sobretudo, que se baseiem em factos concretos e bem demonstrados. Tudo o que assim não for não passa de uma opinião ou de uma crença e deve ser encarado com todas as reservas.”
1/ ¿O que é um “facto”? É algo que adquiriu uma estrutura na nossa consciência.
2/ Em ciência, os factos são intersubjectivos (ou seja, objectivos), por um lado, e sujeitos a verificação estatística, por outro lado.
3/ ¿O que é “verificação”? É o processo que permite estabelecer a verdade de uma proposição.
4/ ¿O que é “consciência”? É uma experiência originária — comprovável a nível intersubjectivo — que antecede a experiência objectiva, tanto em termos lógicos como também em termos existenciais.
5/ As estatísticas pertencem sempre ao passado (não existe tal coisa como “estatísticas feitas no futuro”); e não há qualquer garantia absoluta de que os fenómenos estatísticos, demonstrados por indução, se repitam exactamente no futuro.
6/ ¿O que é “indução”? Chama-se indução ao argumento em que, se as premissas forem verdadeiras, isto é, tiverem valor lógico de verdade, a conclusão não é necessariamente verdadeira, mas apenas provavelmente verdadeira. Em epistemologia, a indução é a inferência conjectural ou não-demonstrativa; é o raciocínio que obtém leis gerais a partir de casos particulares.
7/ A indução, a verificação, e os “factos” a que se refere o António Piedade, pertencem à realidade macroscópica determinada pela força entrópica da gravidade. Ou seja, na realidade quântica não existe lógica (tal qual a concebemos na realidade macroscópica), não existem “factos” mas apenas relações; e a verificação, na realidade quântica, só pode ser feita por aproximação grosseira. E apesar disso, a física quântica também pertence à ciência.
8/ O António Piedade parece dizer que a física quântica não pertence à ciência; e as ciências formais (que não necessitam de verificação empírica) também não: para o António Piedade, a ciência é confinada às ciências experimentais ou empíricas.
Ou seja, para o António Piedade “o critério da verdade científica é a verificação empírica”; mas esta proposição não é, ela mesma, verificável.
quarta-feira, 10 de setembro de 2014
O António Piedade Procrustes, e os cérebros da mulher e do homem
“É um assunto muito vulgar atribuir ao cérebro capacidades diferentes consoante o sexo. Contudo, e apesar das diferenças anatómicas e hormonais que distinguem o homem da mulher, não se encontrou até hoje nenhuma diferença distintiva na fisiologia e metabolismo do cérebro nos dois sexos. Há uma ligeira diferença de tamanhos mas, como já se disse, o tamanho não implica imediatamente uma função diferente.”
O António Piedade nega a realidade. Para ele, “diferença” é sinónimo de “hierarquia”, e por isso — segundo o arquétipo mental do bicho — é necessário que tudo seja igual para que não haja hierarquia.
Para que não hajam diferenças, o António Piedade olha para a realidade e nega-a, mediante um delírio interpretativo. Aquele cérebro nefelibático não consegue perceber que a diferença não é sinónimo de inferioridade ou de superioridade; e aqui é que se constata a incoerência do negaceiro endémico: para ele, tem que ser tudo igual porque, se assim não for, há gente inferior e outra superior. A própria negação das diferenças é uma forma de discriminação ontológica do ser humano.
Estudos científicos recentes revelam que os cérebros de mulheres e de homens são diferentes:
“Scientists now know that sex hormones begin to exert their influence during development of the fetus. A recent study by Israeli researchers that examined male and female brains found distinct differences in the developing fetus at just 26 weeks of pregnancy. The disparities could be seen when using an ultrasound scanner. The corpus callosum -- the bridge of nerve tissue that connects the right and left sides of the brain -- had a thicker measurement in female fetuses than in male fetuses.
Observations of adult brains show that this area may remain stronger in females. "Females seem to have language functioning in both sides of the brain," says Martha Bridge Denckla, PhD, a research scientist at Kennedy Krieger Institute.”
O António Piedade faz lembrar a história de Procrustes:
Juntaram-se os cidadãos e instituíram a democracia, e o areópago encarregou um membro da academia, Piedade Procrustes, da investigação empírica da desigualdade entre os cidadãos, com recurso a processos de aferição alegadamente baseados na ciência.
O Piedade Procrustes não se fez rogado e construiu, como instrumento de medição, a sua própria cama.
Depois de ter, com recurso a ela [à cama], esticado e decepado todos os voluntários que se apresentaram para os testes sobre a igualdade da cidadania, de forma a que já todos cabiam nela exactamente, o Piedade Procrustes informou a academia, baseado nos testes realizados, que todos os cidadãos da democracia tinham o mesmo tamanho ― o que significa que, entre outras coisas, as mulheres eram iguais aos homens.
Pensava o Piedade Procrustes que a igualdade perante a lei e a igualdade dos direitos políticos e civis tivessem por base a igualdade dos próprios seres humanos ― e como era um democrata fervoroso, eliminou todas as diferenças.
No entanto, a democracia não supõe igualdade dos homens e mulheres, mas antes ignora a sua desigualdade. A democracia não escamoteia a existência de diferenças de sexo, de origem, de cor, de religião, e de capacidade intelectual ou outras, mas torna as pessoas indiferentes face a elas ― o que faz com que se desligue, a natureza humana, por um lado, e a sociedade, por outro lado.
Precisamente porque a política despreza todas as diferenças naturais, estas podem ser aproveitadas noutras áreas: assim, a família fundamenta-se na diferença entre o homem e a mulher ― e daí o facto das mulheres preferirem contrair matrimónios com homens não constituir qualquer acto de discriminação.
quinta-feira, 4 de setembro de 2014
O flatus vocis do António Piedade
Quando o António Piedade fala de alimentação e de Aquecimento Global, a voz dele torna-se flatulenta.
“A new study from Lund University in Sweden has, for the first time, reconstructed solar activity during the last ice age. The study shows that the regional climate is influenced by the sun and offers opportunities to better predict future climate conditions in certain regions.
For the first time, a research team has been able to reconstruct the solar activity at the end of the last ice age, around 20 000–10 000 years ago, by analysing trace elements in ice cores in Greenland and cave formations from China.
During the last glacial maximum, Sweden was covered in a thick ice sheet that stretched all the way down to northern Germany and sea levels were more than 100 metres lower than they are today, because the water was frozen in the extensive ice caps. The new study shows that the sun’s variation influences the climate in a similar way regardless of whether the climate is extreme, as during the Ice Age, or as it is today.”
Qualquer pessoa com bom-senso é de opinião que se deve ter uma alimentação saudável que não dispense, por exemplo, alguma proteína animal. Repito: alguma. Mas quando o António Piedade escreve isto, não se trata de lapsus calami: em vez disso, é flatus vocis.
O que é espantoso é que, depois do escândalo do FCC (United Nations Framework Convention on Climate Change), em que “cientistas” ingleses inventaram dados e adulteraram outros para “provar” que existe um Aquecimento Global antropogénico, ainda existam idiotas como o António Piedade que seguem a cartilha de Malthus que se demonstrou não ter fundamento científico sólido.
terça-feira, 5 de agosto de 2014
O António Piedade, o neocórtex humano, os macacos e as relações sociais
“Há investigações sociais e biológicas que mostram haver um limite superior para o número de indivíduos com os quais conseguimos manter relações sociais frequentes e estáveis. Nos anos 90 do século passado, o cientista R.I.M Dunbar publicou uma série de artigos em que relacionava o número de indivíduos nos grupos sociais de espécies primatas (incluindo a nossa) com o tamanho do neocortex cerebral. E Dunbar chegou à conclusão de que cada um de nós não consegue gerir, em média, mais de 150 relações individuais. Há como que um limite da capacidade cognitiva de que dispomos para manter estáveis as nossas relações pessoais. Acima desse limite deixamos de conseguir sociabilizar. Esse limite, ou esse número, é desde então conhecido por número de Dunbar.”
Quando eu li a comparação que o António Piedade faz entre o ser humano e o macaco, por um momento quase acreditei nele.
Seguindo o raciocínio do António Piedade, o homem de Neanderthal — que tinha um neocórtex maior do que o homo sapiens — teria uma capacidade cognitiva maior do que o homo sapiens sapiens. E já não falo em outros mamíferos, como por exemplo, a baleia, que tem um neocórtex muitíssimo maior do que o ser humano.
As abelhas, que têm apenas 960 mil neurónios em todo o sistema nervoso (quando o ser humano tem cerca de 23 mil milhões de neurónios apenas no córtex cerebral), têm uma capacidade de relacionamento social muitíssimo superior à dos humanos, criando relacionamentos fortes na colmeia que seriam impossíveis na sociedade humana. Ou seja, qualquer ligação de causa/efeito entre o tamanho do neocórtex, ou do número de neurónios do neocórtex, por um lado, e a capacidade de relacionamento dentro da mesma espécie, por outro lado, é simplificadora.
Por exemplo, o chimpanzé tem cerca de 6 mil milhões de neurónios no córtex cerebral, ao passo que o elefante tem 11 mil milhões de neurónios no córtex cerebral. Ora — como dizem os darwinistas — se “o chimpanzé está mais perto do homem”, na realidade a quantidade de neurónios do elefante aproxima-se mais da quantidade de neurónios do ser humano, e em comparação com o chimpanzé.
Este tipo de raciocínio simplificador (a do António Piedade) é típica do cientismo e do blogue Rerum Natura. Cuidado!, porque essa gente tem opinião!: eles enganam facilmente os ignaros, e sentem-se felizes por os enganar. Gostam de enganar o povo, e em nome da “ciência”.
Eles fazem de conta de que o ser humano não é um sujeito, quando comparam o córtex do ser humano com o córtex de um macaco. A ideia deles é a de criar uma elite que sabe que é uma espécie de macaco através do conhecimento (gnosticismo), elite essa que se distingue dos ignorantes que não têm consciência de que são uma espécie de macacos. Ou seja, segundo o raciocínio do António Piedade, há duas categorias de seres humanos: os que sabem que são macacos (a elite cientificista e darwinista), e os que não sabem que são macacos (os seres humanos em geral e os símios); e apenas os da primeira categoria serão “salvos mediante o conhecimento”: são os Pneumáticos actuais.
Por fim: o António Piedade confunde os “relacionamentos fortes”, por um lado, com os “relacionamentos fracos” — sendo que, estes últimos, apenas o ser humano é capaz de elaborar. Ou seja, confunde “comunidade”, por um lado, e “rede social”, por outro lado. Na comunidade, os laços sociais são fortes; na rede social, predominam os “relacionamentos fracos”.
Os “relacionamentos fracos” permitem ao ser humano lidar com milhares de pessoas, dependendo das circunstâncias e da situação particulares em que ele (ser humano) se encontra a cada momento.
E quando eu vejo o blogue Rerum Natura — a que pertence o Carlos Fiolhais que tanto reclama contra o governo por causa dos “cortes na ciência” — defender posições destas, começo a dar razão a Passos Coelho quando quer acabar com aquela macacada toda.
terça-feira, 13 de maio de 2014
É bom voltar a Aristóteles, face a idiotas que escrevem sobre a ciência
O António Piedade, do blogue Rerum Natura, escreve o seguinte:
“Assim como há 400 anos o telescópio desvendou um universo novo e quebrou mitos e lendas antigas, pulverizando visões cosmológicas que se revelaram erradas, também estas novas tecnologias de visualização cerebral abrem miríades de horizontes sobre a mente humana, e estendem as possibilidades da sua interacção com a Natureza.”
O que o António Piedade pretende dizer é que o telescópio e toda a parafernália tecnológica ao dispôr do Homem, “depois de ter quebrado mitos e lendas antigas, pulverizando visões cosmológicas que se revelaram erradas”, revelaram a verdade acerca do universo. Hoje, a julgar pelo pensamento do António Piedade, já não há mitos nem lendas. Assim como Karl Marx engendrou o fim da História, o António Piedade chegou ao fim da ciência.
“O que, em princípio, moveu os homens a proceder as primeiras indagações filosóficas foi, e como é hoje, a admiração. Entre os objectos que admiravam e que não podiam dar-se razão, aplicaram-se primeiro aos que estavam ao seu alcance; depois, avançando passo a passo, quiseram explicar os fenómenos mais relevantes; por exemplo, as diversas fases da Lua, o curso do Sol e dos astros e, por último, a formação do universo. Ir em busca de uma explicação e admirar-se é reconhecer que se ignora. E assim, pode dizer-se que o amigo da ciência também é, de certa maneira, amigo dos mitos, porque o assunto dos mitos é o maravilhoso.”
Aristóteles, “Metafísica”, II
Para o António Piedade, o amigo da ciência não é amigo dos mitos; para ele, a ciência não tem mitos, já que as crenças dele são certezas coimbrinhas.
domingo, 26 de janeiro de 2014
A revolução coperniana da ciência, segundo o António Piedade
“Longe vão os tempos em que o avistamento de um cometa, um acontecimento astronómico, era associado, pelos homens na Terra, a mensagens dos deuses, a nascimentos de reis e salvadores, ou à queda de impérios e a catástrofes naturais. O desconhecimento e o medo obscureciam o brilho dos cometas que traçavam no céu um temor cósmico.
Hoje sabemos que os cometas são corpos celestes que orbitam o Sol com períodos translacionais de dezenas ou centenas de anos. Constituídos por núcleos rochosos e gelados, podendo ter até vários quilómetros de largura, são blocos da construção primeva do Sistema Solar.”
Mas o que é que tem a ver o cu com as calças?! Temos aqui um exemplo da falácia Ignoratio Elenchi.
O que é que tem a ver o facto de hoje sabemos que os cometas são corpos celestes que orbitam o Sol, por um lado, com a associação de um astro com as mensagens dos deuses, por outro lado? Será que porque hoje sabemos que os cometas são corpos celestes que orbitam o Sol, segue-se que os deuses deixam automaticamente de existir? O que é que tem uma coisa a ver com a outra?
Eu pensava que a ciência não podia demonstrar que uma coisa não existe — incluídos os deuses. Mas o António Piedade operou uma revolução coperniana na ciência: a partir de agora, a ciência passa a determinar que uma coisa não existe, mesmo que não tenha a mínima ideia do que é essa coisa.