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segunda-feira, 24 de maio de 2021

As contradições propositadas do Francisco Louçã


“Alles muss Anders sein !” → Adolf Hitler


Encontrei aqui o seguinte trecho da autoria de Francisco Louçã:

"O BE é um movimento socialista 1 e desse ponto de vista pretende uma revolução profunda na sociedade portuguesa.

O socialismo é uma crítica profunda que pretende substituir o capitalismo por uma forma de democracia social. A diferença é que o socialismo foi visto, por causa da experiência soviética, como a estatização de todas as relações sociais. E isso é inaceitável.

Uma é que os meios de produção fundamentais e de regulação da vida económica sejam democratizados 2  em igualdade de oportunidade pelas pessoas.

Outra é que a arte, a cultura e as escolhas de vida possam ser impostas por um Estado 3 . (...)

É preciso partir muita pedra e em Portugal é difícil. Custa mas temos de o fazer com convicção."


francisco-louca1Francisco Louçã defende aqui a ideia segundo a qual é possível separar a cultura, por um lado, e a economia, por outro lado.

Aliás, esta ideia não é monopólio do Bloco de Esquerda: por exemplo, os ditos “liberais” (por exemplo, o IL - Iniciativa Liberal) também defendem esta separação.

Francisco Louçã defende uma economia fortemente controlada pelo Estado, e simultaneamente uma cultura livre das amarras do Estado. Ou o Francisco Louçã mente, ou é estúpido. Eu penso que ele mente estupidamente.

Nós verificamos que uma das condições do incremento do Totalitarismo de Veludo a que assistimos, é exactamente o controlo da cultura por parte do Estado, com a criação coerciva de novos tabus em substituição de antigos tabus que se tornaram inconvenientes para a agenda política do Bloco de Esquerda.

Ou seja, não é possível limitar a liberdade na economia sem previamente limitar a liberdade na cultura: as duas áreas estão intimamente ligadas.


Notas
1. diferenciado da noção social-democracia, entenda-se - nota minha
2. atenção que o termo não tem equivalente semântico no ocidente e significa colectivização – idem
3. é esta a denúncia mais grave contra as posições ideológicas do PCP

terça-feira, 22 de setembro de 2015

As crenças de Darwin e de Francisco Louçã

 

Francisco Louçã diz “Darwin não acreditava na Bíblia como uma revelação divina nem que Jesus Cristo fosse filho de Deus”. E considera que a crença de Darwin é boa, em contraponto à crença má de quem acredita na Bíblia como uma revelação divina e que Jesus Cristo é filho de Deus.

Ou seja, Francisco Louçã considera que a sua (dele) crença é mais verdadeira do que a crença de biliões de cristãos, muçulmanos e judeus. Francisco Louçã considera-se uma espécie de super-homem, um ser superior ao comum dos mortais.

Francisco Louçã pretende fazer parte de uma elite gnóstica moderna, de uma nova espécie de Calvinismo que detém a verdade soteriológica (a verdade da salvação de uma casta de eleitos que passa pela negação histórica: a Utopia Negativa). Francisco Louçã faz parte da casta dos novos Pneumáticos.

Francisco Louçã deveria dedicar-se à economia de que sabe certamente alguma coisa, e deixar a metafísica para os filósofos e a religião para os teólogos.


Jesus Cristo e o Cristianismo introduziram na História uma diferenciação cultural positiva, não obstante as críticas de Nietzsche que foi mais um literato do que filósofo. Mas nem todas as diferenciações culturais são positivas: ao contrário do pensamento hegeliano de Francisco Louçã, o progresso não é uma lei da natureza, e muitas vezes aquilo que consideramos “evolução” pode ser “involução”. Basta uma geração de bárbaros da estirpe de Francisco Louçã para que o progresso desça pela pia abaixo.

Uma diferenciação cultural positiva não é uma revolução, no sentido, por exemplo, da Revolução Francesa que matou mais gente em apenas um mês e em França, do que a Inquisição católica em toda a Idade Média e em toda a Europa. Uma diferenciação cultural (que pode ser positiva ou negativa) é uma mudança de paradigma na mundividência colectiva — uma mudança de paradigma intersubjectiva.

Cada dogma — e até cada confissão — não pode ser senão expressão da experiência humana; e durante muitos anos prevaleceu o dogma darwinista das elites segundo o qual a vida teria surgido da matéria inerte. A maior fé que existe é a do cientista, porque é inconfessável. A diferença entre o dogma darwinista e alguns dogmas da religião católica é a de que os dogmas principais do catolicismo (por exemplo, o dogma da consubstanciação) são afirmações sobre a realidade que está para além daquilo que é alcançável através da linguagem.

Porém, e visto que cada dogma foi formulado na linguagem de determinada época, pode tornar-se eventualmente necessário adaptá-lo ao pensamento e à linguagem modernos — os dogmas adaptados à mentalidade moderna, que têm que ser necessariamente conquistados à realidade, e não substituindo os dados da realidade como tem feito a psicose darwinista. E, neste sentido, a física quântica vem em auxilio da Igreja Católica: hoje, é impossível falar em metafísica sem termos em conta a física quântica.


Se “evolução” é um processo através do qual o insondável (Deus) se apresenta no espaço-tempo, e por isso, se “evolução” subentende que o espírito, a alma e a razão são produtos de uma evolução, então o termo “evolução” não representa qualquer problema.

Mas se o termo “evolução” for entendido em termos meramente materialistas e darwinistas, então, o facto da verificação da autoconsciência, e a possibilidade de acesso à dimensão das verdades perenes, destrói este quadro e esta mundividência evolucionários.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

O discurso absurdo do politicamente correcto é que não tolera o absurdo no discurso

 

Uma das características nefastas do politicamente correcto é a incapacidade da assunção do absurdo, exactamente porque vive e alimenta-se do absurdo. Na companhia de um grupelho politicamente correcto, é impossível contar uma anedota de alentejanos sem que sejamos olhados de soslaio; e uma anedota de gays, então, nem sequer tem direito a um sorriso amarelo.

Muitas vezes as anedotas são de mau gosto; mas não deixam de ser anedotas. Mas Francisco Louçã, e outros da sua (dele) laia, entendem o anedotário à letra: não concebem o absurdo no discurso talvez porque pretendam ter o monopólio cultural do absurdo. E sem a imposição do absurdo “intelectual” na sociedade, teríamos o Francisco Louçã a cavar batatas.