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segunda-feira, 27 de julho de 2015

Para o José Pacheco Pereira, o Fim da História é (também) a União Europeia e o Euro

 


« O que é a “realidade” para a qual “não há alternativa”?

Em primeiro lugar, é o que há, o que existe, e a ideia de que o “que existe tem muita força” e legitima-se por existir. Neste pensamento do TINA existe uma espécie de congelamento da história, ? o que se compreende visto que chegou ao “fim”, ? no actual momento europeu, visto que é uma doutrina essencialmente europeia. Não é global, nem americana, nem dos BRICs, nem asiática, vem da Europa e fixa-se na Europa. Mais: fixa-se no estado de coisas europeu dos últimos anos, nem sequer uma década, desde a crise financeira (real) seguida da crise das dívidas soberanas (politicamente gerada). »

→ José Pacheco Pereira: A direita radical encontrou o "fim da história" e chama-lhe "realidade"

O José Pacheco Pereira opõe o seu (dele) Fim da História, por um lado, ao Fim da História neoliberal (segundo o “santo” Fukuyama), por outro  lado: são dois tipos diferentes de Fim da História. O que há em comum entre o Fim da História de José Pacheco Pereira e o dos neoliberais, é a necessidade da União Europeia e do Euro.

« When the episteme is ruined, men do not stop talking about politics; but they now must express themselves in the mode of doxa. » — Eric Voegelin


José Pacheco Pereira defendeu, na recente crise grega, que a União Europeia e o BCE [Banco Central Europeu] deveriam proceder de um determinado modo; e os neoliberais defenderam que as instituições deveriam proceder de modo diverso. São dois Fim da História que se opõem. Ou seja, o José Pacheco Pereira critica o determinismo histórico dos neoliberais opondo-lhe o seu (dele) próprio determinismo histórico: a União Europeia e o Euro fazem parte do seu (dele) Fim da História. Aliás, é sabido que o José Pacheco Pereira tem um arquétipo mental hegeliano, na esteira das opções políticas e ideológicas que o marcaram na juventude.

O José Pacheco Pereira é um federalista europeu, mas um federalista de tipo gramsciano: a União Europeia Federal (para ele) deverá ser construída a longo prazo através de uma democracia de base por intermédio de um “progresso da opinião pública” (leia-se, lenta lobotomia cultural, à boa maneira hegeliana de “progresso como uma lei da Natureza”). Em contraponto, os neoliberais e os socialistas (Partido Socialista) são também federalistas europeus, mas defendem que o federalismo deve ser uma espécie de leviatão que se impõe do cimo social e político, para baixo, para as massas anónimas e anódinas. O que difere, na posição de José Pacheco Pereira em relação à dos socialistas  e neoliberais em relação à União Europeia e ao Euro, é a forma, mas não o conteúdo: é a forma de se fazer as coisas, isto é, a forma de se atingir o federalismo europeu.

O que repugna ao José Pacheco Pereira é o conceito de Fim da História neoliberal, ou seja, a “realidade neoliberal”; e opõe-lhe os seu próprios conceitos de “realidade” e de Fim da História que apenas diferem do primeiro na sua forma: o conteúdo (o federalismo europeu) mantém-se comum aos dois tipos diferentes de “realidade”. Aqui, o José Pacheco Pereira está mais próximo do Bloco de Esquerda e do Livre do que do Partido Socialista (que também aceitou e ratificou o famigerado Tratado Orçamental).

O José Pacheco Pereira faz parte do actual “double blind” da política portuguesa, que apenas é “furado” — paradoxalmente! — pelo Partido Comunista que também tem o seu próprio Fim da História segundo Karl Marx.


Quando eu aqui critiquei o governo grego do Varoufucker e  do Tripas — e inclui nessa crítica a “puta da realidade” da União Europeia e do Euro que os gregos não aceitam —, essa minha crítica foi uma crítica ao determinismo histórico, ou seja, foi uma apologia à liberdade que passa sempre por povos que recusam a decadência e a subserviência canina em troca de um prato de lentilhas, e com elites corajosas e esclarecidas. Não existe um Eidos da História (Hegel estava errado!)  — pelo menos que seja perceptível pelo ser humano: os homens fazem a História que os faz; a História faz os homens que a fazem; os homens fazem a sua história sem a fazer.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

O alquimista das palavras

 

“Procura evitar essa gente (…) que está sempre a aprender, mas que é incapaz de chegar algum dia à verdade”.

— 2 Timóteo 3, 6-7

O José Pacheco Pereira é uma espécie de “alquimista das palavras”: tornando complexo aquilo que é simples, tenta transformar o chumbo da realidade em ouro da utopia.

Por exemplo, uma coisa é criticar o governo de Passos Coelho (eu próprio o tenho feito aqui); outra coisa é relacionar essa crítica — criando um falso nexo causal — com problema particular da Grécia: o alquimista das palavras pensa ter encontrado a síntese do mundo, uma espécie de TOE (Theory of Everything).

Tenhamos pena que os ódios de estimação do José Pacheco Pereira moldem a sua alquimia das palavras. E depois — diz ele — “os ressabiados são os outros”.

“Em partidos como o PSD e o CDS, mas em particular no PSD, houve uma clara deslocação à direita.”

Por um segundo pensei que o José Pacheco Pereira se estaria a referir ao Syriza quando falou em “deslocação à direita”. Ou melhor, “a deslocação política do Syriza conforme a puta da realidade!”.

Quando  o Partido Social Democrata e o CDS/PP se “deslocaram à direita”, a culpa é destes; quando o Syriza se “desloca à direita”, a culpa é dos Banksters, e o Syriza é uma vítima. O alquimista das palavras passa a vida a aprender, mas é incapaz de chegar a qualquer tipo de verdade.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

¿O que dirá o José Pacheco Pereira acerca da acção revolucionária do ministro grego Euclides Sókalotes?

 

“O novo ministro grego das Finanças escreveu o esboço das propostas gregas num papel do bloco de notas de um hotel e apresentou-o esta terça-feira na reunião do Eurogrupo.”

→  Tsakalotos apresenta propostas escritas em papel de hotel

Já estou a ver o José Pacheco Pereira reverberar a sua posição contra os “neo-filósofos”, afirmando: “a diferença é que no tempo de Karl Marx não existiam hotéis de luxo”.

Em 1985, a Grécia votou contra a entrada de Portugal na União Europeia


veto-grecia-portugal
« “Gregos mantêm veto contra alargamento”. Era esta a manchete do Diário de Lisboa a 28 de Março de 1985, quando Portugal e Espanha discutiam em Bruxelas a entrada na Comunidade Económica Europeia (CEE), antecessora da União Europeia. Era a Europa dos 10, antes de se tornar o clube dos 12 em 1986. Convencer os gregos, contudo, não foi fácil: o então primeiro-ministro, Andreas Papandreou, exigia mais fundos europeus para a Grécia como moeda de troca para aceitar o alargamento.

O processo de adesão de Portugal e Espanha estava há muito em cima da mesa, mas os gregos levantaram, desde o início, várias objecções, sobretudo em relação às dificuldades de competitividade económica que iriam enfrentar caso Portugal e Espanha entrassem na Comunidade. Em finais de Março, as negociações continuavam difíceis: “A Grécia entende que a sua economia não poderá fazer face ao alargamento da Comunidade sem receber os subsídios propostos pela Comissão e não aprovados para desenvolver as regiões agrícolas mais atrasadas”, escreveu o Diário de Lisboa na altura. »

→ Ler o resto: 1985: Quando a Grécia exigiu mais dinheiro para aceitar Portugal na CEE

Cá se fazem, cá se pagam.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

sábado, 4 de julho de 2015

A Fé Metastática de José Pacheco Pereira e o grau zero do pensamento

 

O José Pacheco Pereira confunde propositadamente a puta da realidade (ler verbete) que condiciona não só a Grécia mas qualquer outro país e/ou povos, por um lado, com “possibilidade”, por outro lado.

Vamos ver o que significa a “puta da realidade”:

“Realidade” vem do latim “res”, coisa. No sentido comum (que é o que nos interessa agora), a realidade é o conjunto das coisas que têm uma existência objectiva e constatável.

“Possibilidade” é outra coisa: é aquilo que não é, mas que poderia eventualmente ser — ou, por outras palavras, a possibilidade é tudo aquilo que não implica contradição lógica. Enquanto o possível não é, distingue-se da existência; enquanto o possível pode ser, distingue-se da necessidade.

Será possível que a Grécia mantenha o PIB per capita actual com a economia real que tem?

Em tese é possível. Por exemplo, se a Grécia convencer os outros países da Europa a  sustentar os gastos do Estado grego, é possível à Grécia continuar a ter o actual PIB per capita. O problema é o de saber se é possível que a democracia grega seja superior, em valor, às democracias dos outros países da Europa.

O José Pacheco Pereira compara a actual situação da Grécia, por um lado, com a situação de Portugal de 1640 sob domínio espanhol. É aqui que o pensamento de José Pacheco Pereira atinge o grau zero, porque compara coisas que não são comparáveis (não tem nada a ver o cu com as calças). E explico por quê.

Está implícito no pensamento do José Pacheco Pereira que a Grécia está hoje “dominada” pela Europa, tal qual estava “dominado” Portugal pelos espanhóis em 1640 (a noção marxista cultural de “domínio”). Porém, a Grécia tem hoje a liberdade de sair da União Europeia e do Euro — ao passo que Portugal não tinha a liberdade de se tornar independente de Espanha em 1640 (ficando mais pobre ou mais rico: para o caso não interessa).

No caso da Grécia actual, podemos dizer qualquer uma de três coisas:

  • é possível à Grécia sair do Euro (se quiser);
  • é verosímil que a Grécia possa sair do Euro (se quiser);
  • é provável que a Grécia possa sair do Euro (se quiser).

Em relação a Portugal de 1640, dada as condições políticas daquela época, só poderíamos dizer: “era possível a Portugal ser independente de Espanha (se quisesse)”. Em 1640 não havia verosimilhança nem probabilidade credível. Ou seja, a puta da realidade era diferente nos dois casos. A comparação do José Pacheco Pereira (entre a Grécia actual e o Portugal de 1640) é absurda e revela o grau zero do pensamento político da Esquerda portuguesa.

O que não é de espantar é que a populaça esquerdista aplauda o populismo do José Pacheco Pereira que ele tanto critica nos outros. Para o José Pacheco Pereira, o “populismo” é só de direita: quando o populismo é de esquerda, é “democracia”.

Tanto o José Pacheco Pereira como a populaça esquerdista padecem de Fé Metastática.

Fé Metastática é a crença de que é possível mudar a natureza fundamental da realidade.

Eric Voegelin usava o termo "fé metastática" para designar a crença ou esperança numa repentina transfiguração da estrutura da realidade e na subsequente emergência de uma ordem paradisíaca.

A expectativa dessa transformação perpassa toda a literatura revolucionária desde o século XVI. Com o tempo, acabou por se tornar uma figura de pensamento incorporada de tal modo nos usos populares, que a ela se pode recorrer com relativa certeza do efeito psicológico, a despeito do fracasso de todas as transfigurações anteriores.

(Olavo de Carvalho)

sexta-feira, 3 de julho de 2015

O problema da Grécia não é a dívida

 

Os comentadores dos me®dia (principalmente os do esquerdalho) têm dito que o principal problema da Grécia é a dívida. Nada mais falso! Tomara que o problema grego fosse a dívida.

¿Como explicamos que o Japão, por exemplo, que tem uma notação de “AA-” na Standard & Poors e uma notação “A” na Fitch, tenha, apesar disso, uma dívida pública de 237% do PIB?

O Japão é um exemplo de que a ligação entre a dívida, por um lado, e o crédito (e a credibilidade), por outro lado, é apenas indirecta. Ou seja, não se segue necessariamente que um país com uma grande dívida esteja em uma situação de dificuldade tal que lhe tolha o desenvolvimento. Naturalmente que é melhor não deixar crescer a dívida acima de um determinada percentagem do PIB; mas não é a dívida o principal problema da Grécia.

Os problemas da Grécia são o défice orçamental e a capacidade da economia grega para pagar. Quando não temos capacidade de pagar porque não produzimos o suficiente, normalmente dizemos que “o problema está na dívida”.

O problema grego é muitíssimo mais grave do que muita gente pensa.

sábado, 27 de junho de 2015

A postura Syrízica do José Pacheco Pereira


 

Quando Passos Coelho fala da “herança socialista”, José Pacheco Pereira faz ouvidos de mercador; mas a “herança do Syriza” já desculpa toda a ineficácia e o amadorismo da governança radical grega.

pereira-apcheco-marx-web-600-2 (1)Sinceramente, penso que o José Pacheco Pereira está a mais no Partido Social Democrata, e deveria ter a coragem de o assumir entregando o cartão do partido. Pelo menos seria coerente. Aliás, penso que  posição do José Pacheco Pereira em relação ao Partido Social Democrata é uma posição Syrízica: “se querem que eu saia do Partido Social Democrata, terão que me expulsar, para que eu possa atirar a culpa para cima de outros”. 

Temos o Frei Bento Domingues na Igreja Católica portuguesa e o José Pacheco Pereira no Partido Social Democrata.

O me espanta é que gente como o José Pacheco Pereira, alegadamente com muita experiência política, se revolte em relação ao que acontece no caso grego — porque o que se está a passar era obviamente previsível. Esta gente construiu uma utopia europeia, e quando a realidade não bate certo com o sonho, desancam na realidade! A culpa não é do sonho!: a culpa é da grande puta da realidade!

“A ideia de que a Grécia não é um Estado ou que é um “país falhado” é um absurdo.”

José Pacheco Pereira

Nunca ouvi ninguém dizer que “a Grécia é um Estado falhado”. No seu desespero, o José Pacheco Pereira recorre à falácia do espantalho.

O que devemos fazer é constatar o óbvio, reconhecer a evidência, aquilo que não necessita de demonstração: por exemplo, o contributo da indústria grega (sector secundário) para o PIB está abaixo de 15%; ora, um país com estas características nunca deveria ter entrado no Euro estruturado da forma que está. Portugal, obviamente, não está muito melhor que a Grécia: a contribuição da indústria portuguesa para o PIB é de cerca de 22%; mas, mesmo assim, existe uma grande diferença: Portugal tem a Espanha ao lado; a Grécia não tem vizinhos no Euro. 

Se para Portugal é muito difícil manter-se no Euro (nas actuais condições do Euro), para a Grécia é praticamente impossível. Isto não é “querer mal à Grécia”: em vez disso, é constatar factos.

Ora, são os factos frios, ou sejam, a puta da realidade, que o José Pacheco Pereira não aceita! Que a negação da realidade seja uma característica dos lunáticos radicais de Esquerda, já eu estaria avisado; mas que um militante do Partido Social Democrata, que apoiou Cavaco Silva, venha negar a realidade, já me surpreende.

O radical José Pacheco Pereira deveria aprender com Lenine: “Os factos são teimosos”.

sirizicos

O futuro da Grécia

 

quinta-feira, 18 de junho de 2015

A enorme dívida da Grécia impõe uma saída do Euro.

 

Em 26 de Janeiro p.p. escrevi que “o Syriza quer que a Grécia saia do Euro, embora sob determinadas condições”. Parece que sou candidato a bruxo.

As exigências dos credores não compensam, porque a dívida da Grécia é de tal modo alta que obedecer aos credores é literalmente liquidar o país. Por outro lado, os países europeus credores da dívida da Grécia ficarão a arder com 310 mil milhões de Euros.

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Portanto, provavelmente compensa uma falência (default) da Grécia à moda da Islândia, seguida de uma nacionalização da Banca. Logo a seguir será criado um “Banco Mau” onde ficarão os activos tóxicos (incluindo a dívida de 310 mil milhões de euros), e a circulação de capital para o exterior será estritamente controlada pelo novo Banco Central soberano.

A princípio haverá restrições de levantamento de dinheiro nas caixas de Multibanco, e existirão duas moedas em circulação: o Euro e o novo dracma; mas rapidamente o Euro será retirado de circulação e ficará apenas o novo dracma. Naturalmente que, nesta primeira fase, os Bancos gregos vão ao charco.

Mas depois do primeiro ano de confusão grega, com o novo dracma a Grécia vai passar a crescer a uma taxa impensável na zona Euro e em Portugal.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

O argumento ad Terrorem da saída da Grécia do Euro

 

O semanário “O Diabo” invoca aqui argumentos ad Terrorem para a possível saída da Grécia do Euro. O “clube do Euro” parece ser uma espécie de clube gay: toda a gente pode entrar, mas ninguém consegue sair.

Os argumentos ad Terrorem vão ao encontro do conceito neoliberal de “fim da história”, de Francis Fukuyama (que copiou o conceito de “fim da história” de Karl Marx): quem sair do Euro enfrenta o fim do mundo... !

Eu não sei como vive o cidadão grego médio, e portanto convém não especular. Normalmente, no que diz respeito à política, devemos falar daquilo que sabemos por experiência própria. Naturalmente que, à falta de experiência, temos que acreditar minimamente em alguma informação de terceiros:

  • a economia grega caiu 10% em 2 anos (2012 e 2013); a economia portuguesa caiu 5% no mesmo período. Isto significa que o PIB per capita grego era muito maior do que o português no início da crise das dívidas soberanas. Ou seja, os portugueses, antes da crise global, viviam mais de acordo com as suas possibilidades quando comparados com os gregos;
  • o peso da indústria na economia portuguesa é de 22,4%; o peso da indústria na economia grega é de 15,9%. por exemplo, na Itália é de 23,9%; na Alemanha é de 30,8%. O peso da indústria na economia grega é muito baixo para um país da zona Euro.
  • a taxa de poupança na Grécia é de 14,5%; em Portugal é de 16,3%; na Itália é de 18,6%; na Alemanha é de 23,9%.

Estes são apenas alguns dados que nos indicam claramente que não só a entrada da Grécia no Euro foi um erro, como a saída apoiada e sustentada do Euro será necessária. A permanência da Grécia no Euro é uma impossibilidade objectiva; e com a saída apoiada e sustentada da Grécia do Euro, e depois de uma desvalorização do dracma na ordem dos 50% em relação ao Euro, a sua economia começará a crescer a mais de 3% por ano.

A alternativa à saída da Grécia do Euro será um país em que os capitais gregos “fogem” para os países do norte, por um lado, e por outro  lado o PIB per capita grego tende a deteriorar-se até aos níveis do da Roménia. A Grécia não tem futuro dentro do Euro; e a situação de Portugal também é duvidosa, embora beneficie da dinâmica da economia espanhola (os gregos não têm um vizinho como Espanha dentro da zona Euro).

A manutenção da Grécia dentro do Euro será uma lenta agonia para aquele país. Com as taxas de crescimento médias da zona Euro de 0,5% (ou coisa que o valha), a Grécia nunca mais se levanta do chão se permanecer no Euro, nem nunca poderá pagar as suas dívidas. Admira que o semanário “O Diabo” não veja isto e siga o centrão político eurófilo.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

O medo da rebelião

 

A tendência natural de um qualquer governo para a tirania só se pode combater com o medo da rebelião.

Os governos são piores se os cidadãos adoptam a espécie de submissão defendida por Hobbes no “Leviatão”. Vemos como, no Brasil, a classe política subverteu e prostituiu os mecanismos democráticos de “check & balance”, o que significa que o regime democrático, por si só, não garante a tendência natural dos governos — controlados pelas elites — para a tirania. É preciso que as elites tenham medo da rebelião.

terça-feira, 7 de abril de 2015

A Grécia está a ser governada por doentes mentais

 

“Greece has demanded nearly €279bn in reparations from Germany, more than the value of its current bail-out, as the cash-strapped country continues to pursue compensation for crimes carried out by the Third Reich.”

Greece demands €279bn from Germany in Nazi war reparations

A Grécia é um manicómio. Dentro desta União Europeia pouco normal e nada homogénea, só nos faltava um país de malucos. Cheguei à conclusão de que é melhor que a Grécia saia do Euro, porque é impossível lidar com psicóticos que não reconhecem qualquer responsabilidade na sua doença. Este ambiente de manicómio europeu é insuportável.

Um dia destes, os psicóticos que governam a Grécia irão pedir compensações financeiras à Itália por causa da ocupação romana na Antiguidade Tardia.

terça-feira, 24 de março de 2015

O Varoufucker não usa gravata, mas abotoa-se bem !

“O ministro das Finanças grego colocou a sua casa de férias a arrendar por um preço semanal de cinco mil euros, noticia o Daily Mail.

Segundo este diário britânico, Varoufakis terá considerado que seria errado manter a luxuosa casa na sua posse, numa altura em que o país enfrenta elevadas medidas de austeridade e terá decidido que o melhor era livrar-se da mesma. Refere o Daily Mail, que a casa não 'condizia' com o seu novo cargo político.”

Varoufakis arrenda casa de luxo por cinco mil euros por semana

Para mim é claro que o BCE [Banco Central Europeu] prepara a saída da Grécia do Euro

 

“The European Central Bank is set to make it illegal for Greek lenders to add to their holdings of government debt in a move that effectively cuts off a key source of funding for Athens and heightens the risk of a sovereign default.”

ECB set to tighten rules for Greek banks on T-bills

terça-feira, 3 de março de 2015

O José Pacheco Pereira entre o milagre a utopia

 

Quem ler este texto do José Pacheco Pereira percebe que ele pensa que a União Europeia funciona mal. A diferença entre ele e o Passos Coelho é que este pensa que a União Europeia não funciona tão mal quanto isso; mas ambos pensam que a União Europeia funciona, embora o José Pacheco Pereira pense que poderia funcionar melhor.

Ambos recusam a ideia de que a União Europeia não funciona, porque não teria uma função (do latim functio, “cumprimento”, “execução”). Em biologia, função é o conjunto de propriedades activas de um órgão no seio de um ser vivo segundo leis endógenas. Para que um órgão funcione terá sempre que existir uma identidade entre variáveis que se aproxime da noção de lei. E quando essa identidade entre variáveis não existe a nível básico e fundamental (os povos da Europa), o “funcionamento” da União Europeia é uma ilusão ou uma utopia, e a lei é substituída por uma ordem mais ou menos provisória e desordenada.

O José Pacheco Pereira critica a União Europeia com o propósito de contribuir para que ela funcione melhor. Mas há uma diferença entre o milagre e a utopia: esta depende exclusivamente do ser humano. Eu prefiro acreditar em milagres.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

A Troika mudou de nome

 

A pedido do governo grego, a Troika mudou de nome: agora chama-se τρόϊκα.

Para a Esquerda, esta mudança de nome é muito importante, porque se acredita que mudando o nome das coisas, estas deixam de ser o que são. Por exemplo, se a Esquerda chama a uma pedra, “pau”, a pedra deixa automaticamente de ser pedra e “vira” pau (neste caso seria um varapau pelas costas deles abaixo!), como que por magia.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

O Rui Tavares diz que os gregos são meus concidadãos

 

«O Livre/Tempo de Avançar decidiu expressar o seu apoio às posições anti-austeridade do Governo grego. Numa carta, dirigida aos “concidadãos gregos”, que vai ser entregue esta sexta-feira de manhã na embaixada helénica em Lisboa, e publicada em dois jornais de Atenas, o Efimerida e o diário do Syriza, o novo movimento político português assegura que “vêm reforços a caminho”.»

"Gregos: aguentem firmes que vêm reforços a caminho"

¿ O que é um “concidadão”? Vamos ao dicionário:

Concidadão é um indivíduo que, em relação a outro ou outros, é da mesma cidade ou do mesmo país; patrício.

¿Desde quando um grego é meu concidadão?! O que é que se passa com esta gente?! Mesmo que fosse possível uma graduação na concidadania, seria mais meu concidadão um brasileiro ou um angolano do que um grego.

Que o Rui Tavares é um doente mental, é uma evidência: basta olhar para ele. Mas que os doentes mentais passem a ter acesso aos jornais, dá já a sensação de um país que pretende ser governado a partir de dentro de um manicómio.

rui tavares web

¿O Euro continua sem a Grécia?

 

Assistimos hoje a uma torre de babel nos me®dia em relação à  Grécia. Papagaios.

O problema fundamental é escondido do povo: não é possível uma moeda única sem uma unidade política — e já nem falo aqui em uma língua comum! “Unidade política” pressupõe representatividade legítima, e não só legal. Representatividade legítima pressupõe a nação.

Se quisermos identificar a representatividade legítima com a democracia, então é perfeitamente claro que não é possível a democracia senão em um contexto nacional (nação). Quem disser o contrário disto ou é estúpido ou vigarista político: são os casos de Paulo Rangel e de Fernando Rosas.

Quem disser o óbvio e o evidente — que a democracia só é possível em um contexto da nação —, é considerado, por aquelas duas supracitadas avantesmas, “radical” ou “fascista”. Defender a democracia e, por isso, defender a nação, é ser “fascista” ou “radical”.

Os termos políticos foram invertidos pelas bestas notórias da política actual: defender o leviatão da União Europeia (em que o parlamento europeu é praticamente um pró-forma) é ser “democrático”; defender a nação e a democracia é ser “faxista”.

Na Grécia, quer queiramos ou não e independentemente de gostarmos ou não do Syriza, há democracia porque fundada no contexto da nação grega. Não é possível a democracia sem a nação. Por isso, dizer que “a União Europeia é democrática” pressupõe que exista uma “nação europeia” — mas eu ainda não me apercebi dessa realidade nacional europeia. Talvez eu seja ceguinho de todo e o Paulo Rangel tenha um olho.

A probabilidade de acontecer, um dia, uma “nação europeia” é praticamente de zero. E sem nação europeia — ou seja, sem unidade política legítima — o Euro não pode demorar muito tempo.

O Euro foi concebido por políticos europeus lunáticos e/ou psicóticos, e depois foi bem aproveitado pela Alemanha para esmifrar as economias mais fracas da Europa. E os gregos, os irlandeses e os portugueses puseram-se a jeito e foram encavados pela Alemanha. Esta é a verdade pura e dura que resume aquilo que a classe política portuguesa e os apparatchiks do centrão político se recusam a reconhecer perante o povo.

Se a Grécia sair do Euro, é possível que o Euro continue a existir embora circunscrito aos países de língua alemã e afins — Alemanha, Áustria, Holanda, Finlândia, Luxemburgo, e talvez a Bélgica. Mas se a Grécia não sair agora do Euro, sairá mais tarde: estaremos apenas a empurrar com a barriga o problema da legitimidade democrática, à  espera de um milagre em política.