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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

A legalização da eutanásia: a irracionalidade volta a estar na moda

Eu penso que a Manuela Ferreira Leite é socialista; aliás, o PEC (Pagamento Especial por Conta) foi uma das pérolas instituídas pela Manuela Ferreira Leite quando foi Ministra das Finanças do primeiro-ministro Durão Barroso (salvo erro). Ora, o PEC arrebentou sistematicamente com as pequenas empresas ao longo de quase duas décadas.

Porém, em questões de ética, Manuela Ferreira Leite não é de Esquerda; ou melhor dizendo: não é da Esquerda utilitarista — como por exemplo o Bloco de Esquerda, o Partido Socialista, o PAN (Pessoas-Animais-Natureza) ou o LIVRE.

Podemos ver aqui uma entrevista da Manuela Ferreira Leite à TVI acerca da legalização da eutanásia.



Em termos gerais, concordo com o que o João Távora escreveu aqui:


“A lógica da eutanásia (...) está directamente ligada à atomização da sociedade e ao desaparecimento progressivo das antigas comunidades de proximidade, nomeadamente a família alargada, coesa e solidária.”

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Porém, a “lógica da eutanásia” (se é que existe uma “lógica” subjacente à eutanásia que não seja a negação da própria Lógica) vai para além da anomia:

1/ em nome da promoção de uma putativa “liberdade individual”, os ditos “libertários” fortalecem o poder de vida e de morte em relação aos cidadãos, por parte do Estado — o que é uma contradição em termos.

Em boa verdade, a promoção da “liberdade individual” não passa certamente pela promoção do aumento do Poder do Estado sobre a vida e morte das pessoas — leia-se, pela promoção de uma cultura da eutanásia em hospitais do Estado.

2/ o marxismo cultural (ou o politicamente correcto actual) — ou seja, Bloco de Esquerda, LIVRE, PAN (Pessoas-Animais-Natureza), e parte do Partido Socialista e do PSD — é uma utopia negativa, porque se concentra na crítica dissolvente da nossa sociedade real.

A crítica feroz em relação à nossa sociedade, por parte do actual politicamente correcto — Bloco de Esquerda, PAN (Pessoas-Animais-Natureza), LIVRE, Partido Socialista e parte do PSD — , é negativa porque não possui conceitos capazes de superar a distância entre o presente e o futuro: quaisquer que sejam as possibilidades reais que a nossa sociedade actual apresente em relação ao futuro, o marxismo cultural (principalmente o Bloco de Esquerda) não nos revela quais são essas possibilidades, limitando-se a negar o sistema em que se baseia a nossa sociedade actual, e na sua totalidade. É uma agenda política totalitária.

Ou seja, a legalização da eutanásia faz parte de uma agenda política de acção destrutiva (aparentemente, sem pensar nas consequências) em relação ao sistema em que se baseia a nossa sociedade actual. É uma “política de picareta”. O que interessa (ao politicamente correcto) é destruir a cultura vigente (Gramsci).

“¿E quais as consequências da destruição da cultura antropológica actual? Bem... logo se verá!”

Para o Bloco de Esquerda, todos os meios (literalmente “todos”) são legítimos para destruir a cultura antropológica actual; trata-se da defesa do desmantelamento da Razão. A irracionalidade volta a estar na moda.

pilula-da-morte-web

segunda-feira, 14 de março de 2016

Comparação incomparável

 

A Helena Matos coloca Manuela Ferreira Leite e Assunção Cristas em uma mesma categoria; mas qualquer semelhança é pura coincidência. Manuela Ferreira Leite nunca defendeu qualquer sistema de quotas para mulheres, na política ou fora dela; Assunção Cristas defende sistemas de quotas para mulheres.

Para a Não-Esquerda, Assunção Cristas é muito mais perigosa do que Catarina Martins, porque esta última não engana ninguém.

ASSCRIS-WEB

sexta-feira, 11 de março de 2016

Assunção Cristas e o politicamente correcto

 

Assunção Cristas apoia, em geral, o sistema de quotas para as mulheres — não só no parlamento, mas em toda a vida social. Em contraponto, no Irão diz-se que “mulheres, burros e macacos não têm lugar no parlamento”. São duas visões radicais acerca da mulher.

Pode dar-se o caso de que Assunção Cristas não diga o que acredita, mas antes diga o que pensa ser mais eficaz; mas, “em política, o que parece, é”; e parece-me que Assunção Cristas vai ter neste blogue um crítico formidável.

O CDS sem PP prepara-se para ter na sua liderança duas mulheres, à moda do Bloco de Esquerda: Assunção Cristas e Teresa Caeiro. Obviamente que a primeira tem um alvará de inteligência: é doutorada. Parece que qualquer pessoa doutorada é tomaticamente inteligente e está apta para a liderança política.

Repare, caro leitor (extenditur ad speciem humanam): não tenho nada contra as mulheres: pelo contrário! O que me aborrece é que se concedam privilégios às mulheres apenas por serem mulheres e sem serem racionalmente fundamentados. Quando o CDS sem PP copia o Bloco de Esquerda, “alguma coisa está podre no reino da Dinamarca”.

A Assunção Cristas assume uma inferioridade ontológica da mulher — ao ser a favor do sistema de quotas para as mulheres —, ao mesmo tempo que, enquanto mulher, pretende liderar um partido político. Ou seja, a liderança da sociedade passa a existir em função de uma putativa inferioridade ontológica — o politicamente correcto no seu melhor.

A Assunção Cristas é a antítese, por exemplo, de Manuela Ferreira Leite em quem votei para primeiro-ministra. E por isso nunca votarei em Assunção Cristas. Manuela Ferreira Leite é uma mulher que não precisa de quotas; Assunção Cristas precisa do politicamente correcto para se afirmar na política. Precisamos de mais mulheres como Manuela Ferreira Leite, e dispensamos as “Assunções” politicamente correctas.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

A actual Direita portuguesa, no Poder, é revolucionária

 

o KapoUma característica da Esquerda é a de que não só respeita os mais velhos do seu grupo político, mas também aprende com a experiência deles. Por exemplo, vimos esse facto com o silêncio respeitoso da Esquerda em geral em relação às palavras escabrosas proferidas por Mário Soares quando foi visitar o seu (dele) amigo José Sócrates à prisão.

Já a Direita não segue o mesmo critério: a opinião dos mais velhos conta pouco.

Isto significa que é a actual Direita que é revolucionária, e que a Esquerda é conservadora — porque uma das características do conservadorismo é o respeito pela opinião, em princípio, mais experiente dos mais velhos.

Passos Coelho veio introduzir na política um espírito revolucionário que se opõe ao conservadorismo — a tal ponto que os prosélitos deste Partido Social Democrata de Passos Coelho (ou da ala de Paulo Portas do CDS/PP, o que vai dar no mesmo) tratam os seus compagnons de route mais velhos como “relapsos da revolução cultural”.

A actual Direita portuguesa, no Poder, é revolucionária.

passos-coelho-wrong-way-webA greve na TAP não tem justificação. Mas a teimosia do governo de Passos Coelho em não querer dialogar com os sindicatos também não tem justificação. Há três hipóteses em relação à privatização da TAP, a ver:

1/ uma questão puramente ideológica, da parte de Passos Coelho. Ele vê o mundo de certa forma, e essa mundividência é transformada em dogma: coloca uns antolhos e segue sempre em frente.

2/ a TAP não tem qualquer possibilidade de sobrevivência se não for privatizada a 100%. Esta hipótese já provou ser falsa, e por isso não passa de retórica de baixo coturno vinda do governo de Passos Coelho.

3/ há interesses obscuros, não só da parte do Passos Coelho, mas também de outros píncaros da actual coligação, que consiste em participação em negócio, tráfico de influências, corrupção e possível branqueamento de capitais.

Eu inclino-me mais para a terceira hipótese. Depois da TAP privatizada com dolo para os interesses de Portugal, vamos ver o Passos Coelho — e outros da actual elite política da Direita — na prisão de Évora a fazer companhia a José Sócrates.

E a democracia é isto.