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sábado, 19 de março de 2016

A mentalidade New Age do Anselmo Borges

 

O Anselmo Borges escreve:

Jesus é condenado em primeiro lugar pela religião oficial, cujos sacerdotes viram os seus poderes e privilégios ameaçados. Do pior que há: viver à custa da religião e condenar à humilhação, à submissão e indignidade, à violência, à morte, utilizando o santo nome de Deus”.


Para o Anselmo Borges, clero e religião são incompatíveis — conforme podemos constatar pelas palavras que ele próprio escreveu: Jesus Cristo é condenado pelos sacerdotes. Isto não é apenas uma interpretação minha: decorre da leitura literal do trecho de Anselmo Borges, ou seja, é um facto.

Por definição, “religião” é um conjunto de crenças e de ritos que compreendem um aspecto subjectivo (o sentimento religioso) e um aspecto objectivo (as cerimónias, as instituições, os ritos, e um templo).

Mas, para o Anselmo Borges, religião é apenas o conjunto de crenças e de ritos que compreendem um aspecto subjectivo; o aspecto objectivo da religião é classificado negativamente pelo Anselmo Borges — a não ser que as instituições, as cerimónias e os ritos sirvam apenas para valorizar o aspecto subjectivo da religião. Ou seja, segundo o Anselmo Borges e na esteira do papa-açorda Francisco, o aspecto objectivo da religião deve anular-se (niilismo).

Esta forma de pensar — a de Anselmo Borges — é uma forma de negação da religião.

Enquanto que o Cristianismo parte do princípio de que Jesus Cristo é um exemplo a seguir (dada a excentricidade e excepcionalidade de Jesus Cristo em relação ao humano), a “religião” do Anselmo Borges e do papa-açorda Francisco parte do princípio de que Jesus Cristo é um exemplo a assumir (na medida em que a natureza de Jesus Cristo é vista como humanamente possível, e, por isso, perfeitamente passível de ser emulada pelo ser humano).

Anselmo Borges parte da defesa subjectiva do Cristianismo para a negação objectiva do Cristianismo — tirando partido dos erros humanos:se o clero católico erra, e se o ser humano pode e deve ser perfeito tal como Jesus Cristo foi, então segue-se que o clero não faz sentido, e o aspecto objectivo da religião deve ser eliminado”.

sábado, 28 de junho de 2014

O problema de Dugin é mais grave do que eu pensava

 

“René GUÉNON é o emissário do supremo centro para a última época, para o período de Kali Yuga, e os princípios da Tradição por ele formulados (o conjunto dos “conhecimentos não humanos transmitidos de uma geração à outra pela casta dos sacerdotes ou por outras instituições semelhantes) servirão de baluarte de salvação para aqueles que terão que, lutar contra “este Mundo” e seu “Príncipe”, fazer renascer a Tradição na sua dimensão autêntica, não humana e “angelical” e, fechando o ciclo, elaborar os fundamentos sagrados da Idade do Ouro que se aproxima.”

Aleksandr Dugin

Eu não estou a ver a relação entre o muçulmano Guénon, por um lado, e por outro lado o conceito de Kali Yuga de uma certa elite laica hindu; mas talvez seja eu o ignorante. Ou talvez ele esteja a confundir Guénon com Julius Evola que, este sim, defendia o advento da Idade de Ouro que supostamente teria existido antes do homo sapiens ter surgido.

Por outro lado, o anacoreta medieval Joaquim de Fiore era um aprendiz de feiticeiro, quando comparado com Dugin. Joaquim de Fiore apenas profetizou a vinda do Reino do Espírito Santo (depois do Reino do Pai e do do Filho); Aleksandr Dugin vai mais longe: profetiza um apocalipse não-cristão, um fim-do-mundo hindu e pagão baseado em uma fé metastática. Se Obama pudesse, chamaria o Dugin para seu conselheiro espiritual.

«Dentro dos limites da Tradição mencionada, DUGIN reconhece a primazia do não-ser: “qualquer metafísica tradicional de pleno valor reconhece a prioridade do não-ser sobre o ser”. »

Mas isto é Hegel escarrado, meu caro! Sempre afirmei que Dugin é hegeliano, com tudo o que isso implica. Aleksandr Dugin passou da Esquerda Hegeliana (Feuerbach → Karl Marx) para a Direita Hegeliana que nega a Metaxia e que, por isso, concebe os pólos da existência como objectos separados da própria existência.

“O ser apareceu como prova de que o não-ser, que o continha antes de sua aparição, não é a última instância, e de que, além de seus limites está presente o Outro, que não coincide nem com o ser, nem com o não-ser. Do seu ponto de vista o ser “não pode também afirmar sua própria primazia sobre o não-ser, pois contradiria a verdade, já que o ser puro não é outra coisa senão a tradução na realidade, sob sua forma lógica, das possibilidade do não-ser que o precedeu.”

Continua a ser Hegel: o não-ser é imanente. O “Outro” é o Absoluto hegeliano, a ser construído na História por um determinismo total que a rege (Historicismo: “o progresso é uma lei da Natureza”).

O momento anterior ao Big Bang (ou o momento anterior à criação do universo) é concebido por Dugin como “não-ser” que “não é o Outro” (a linguagem de Dugin é esquizofrénica). Ou seja, Aleksandr Dugin perfilha uma forma de monismo. O “Outro” é um princípio fundamental impessoal (Hinduísmo do Bramam, em contraposição ao Hinduísmo do Brama).

Não nos podemos esquecer que a filosofia alemã foi buscar muita coisa ao Budismo (Schopenhauer, Schelling) ao Hinduísmo (Nietzsche) e à Cabala (desde Jakob Böhme a Hegel). Este monismo de Dugin é marcadamente hegeliano.

Para o cristão (e para qualquer pessoa com pensamento lógico saudável), ao contrário do que defende Dugin, o “não-ser hegeliano” é uma forma de ser; o “não-ser hegeliano” é apenas uma forma diferente de ser.

“As normas e as estruturas esotéricas da Tradição transformam-se em conformidade com a situação do ambiente cósmico, e, por conseguinte, aparecem novas religiões e tradições, novas redacções do culto e novas práticas.”

Podemos afirmar que Aleksandr Dugin pretende ser um guru New Age de uma nova religião apocalíptica. O caso é grave. Por muito menos do que isto já vi gente interditada.

sábado, 21 de junho de 2014

O bom-mocismo do Padre Gonçalo Portocarrero de Almada

 

O Padre Gonçalo Portocarrero de Almada recorre muitas vezes a um expediente que também é utilizado pelo politicamente correcto: o apelo à emoção. Para justificar o espírito New Age do "papa Francisco", o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada recorre ao “amor” e à “paz” que são, muitas vezes, palavras-chaves do politicamente correcto que tentam justificar o injustificável.

Existe uma certa “ambivalência” no Padre Gonçalo Portocarrero de Almada — e não a “ambiguidade” que caracteriza o "papa Francisco". A ambivalência é psicológica; a ambiguidade é ideológica. A ambivalência do Padre Gonçalo Portocarrero de Almada existe em relação à ambiguidade do "papa Francisco".

A essa ambivalência em relação à ambiguidade ideológica em geral, os brasileiros chamam de “bom-mocismo”. O Padre Gonçalo Portocarrero de Almada é um “bom moço”, segundo os brasileiros.

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→ O imã muçulmano convidado pelo "papa Francisco" para rezar nos jardins do Vaticano orou pela vitória dos muçulmanos sobre os “infiéis católicos”.

Para o "papa Francisco" não existe qualquer ambivalência: antes, existe a ambiguidade que é própria dos sincretismos, nomeadamente dos sincretismos das religiões New Age. Temos um “papa New Age”; só lhe falta transformar o Vaticano em um mosteiro budista.

A Igreja Católica pode contribuir para a paz através da conversão, e não através de uma “invocação para a paz” em nome de um deus que não sabemos se é judeu, maomedano ou marciano. Não será através do sincretismo New Age do "papa Francisco" e de orações a um deus poliforme que se conseguirá a paz. O Padre Gonçalo Portocarrero de Almada sabe disto; mas a ambivalência cala-lhe a voz.