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domingo, 2 de julho de 2023

O Nominalismo radical da Esquerda, o José Pacheco Pereira, e o repúdio em relação à ciência


O Nominalismo, no tempo de Guilherme de Ockham, tinha como intenção o foco na realidade das coisas concretas e no experimentalismo que fundamentassem a ciência.

Hoje, o Nominalismo radical é a recusa liminar do conceito de juízo universal e da indução, ou seja, é a recusa da própria ciência.


Aquilo a que chamamos “Wokismo” é, sem dúvida uma consequência do marxismo cultural (que o José Pacheco Pereira diz que não existe), mas é também a incapacidade de discernir entre os conceitos de “indivíduo” e de “comunidade”. Para as pessoas, como o Pacheco, que dizem que “o marxismo cultural não existe”, citamos o intelectual inglês Douglas Murray :

«O marxismo cultural é geralmente concebido como “inexplicável” somente por pessoas que adoptaram esse conceito ao longo das suas vidas; e depois fazem-se de estúpidos». douglas murray-marxismo cultural web

Esta frase vai direitinha para o José Pacheco Pereira e encaixa nele como uma luva.


Mas voltando ao Nominalismo:

nominalismo-webOs esquerdistas têm hoje grande dificuldade em generalizar; em epistemologia (ciência), a indução é uma inferência conjectural ou não-demonstrativa; é o raciocínio que obtém leis gerais a partir de casos particulares.

Ora, o esquerdopata actual não consegue extrapolar para leis gerais a partir de casos particulares. É-lhe muito difícil fazer esse exercício (narcisismo exacerbado).

O “caso particular”, que o esquerdista observa, é entendido por ele como uma realidade não-extrapolável — segue, no fundo, o arquétipo mental de Antístenes, que se dirigiu criticamente ao realismo de Platão, dizendo-lhe:

“Eu vejo aqui um cavalo, mas não vejo a 'cavalaridade'”.

Antístenes não conseguia ver a classe ou a categoria dos equídeos...!
Ele só conseguia ver um cavalo de cada vez, e o conceito de “categoria de equídeos” era-lhe totalmente estranho.

Ora, é isto que se passa, em geral, com o militante de base dos partidos de esquerda — refiro-me ao militante de base da ala mais radical do Partido Socialista, e do Bloco de Esquerda em geral; mas não só: este tipo de “cegueira” em relação ao geral/universal, a recusa da indução e da inferência como forma de categorizar a realidade, começa a ser parte do arquétipo mental de uma grande parte da população.

A ideia-base das elites de Esquerda é a seguinte: “não podemos generalizar!”.

A partir daqui, qualquer tipo de generalização passa a ser proibida, e o acólito ignaro esquerdista passa a olhar a indução científica como uma Expressão do Mal.

Porém, quando a ciência corrobora a ideologia política vigente, ou quando a ciência é retorcida e manipulada para acomodar a ideologia política, então o esquerdista aceita a ciência no sentido em que esta justifique a legitimidade ideológica e existencial do “Caso A”, do “Caso B”, “C”, “E”, etc. — um caso de cada vez, porque o esquerdopata só vê um caso de cada vez.

segunda-feira, 13 de junho de 2022

Para a Raquel Varela, “a separação entre ciências sociais e ciências exactas é fictícia”

Qualquer pessoa com um cursinho em filosofia sabe que as “ciências sociais” não são “ciências exactas”. Desde (pelo menos) David Hume que sabemos isso. Fernando Pessoa colocou esta questão de uma forma superior:

«Um hábito social, isto é, uma tradição, uma vez quebrado, nunca mais se reata, porque é na continuidade que está a substância da tradição. Além de que, não sabendo ninguém o que é a sociedade, nem quais são as leis naturais por que se rege, ninguém sabe se qualquer mudança não irá infringir essas leis. Em igual receio se fundamentam as superstições, que só os tolos não têm — no receio de infringir leis que desconhecemos, e que, como não as conhecemos, não sabemos se não operarão por vias aparentemente absurdas. A tradição é uma superstição. »

Mais adiante, escreveu:

«Só pode ser universalmente aplicável o que é universalmente verdadeiro, isto é, um facto científico.

Ora, em matéria social não há factos científicos. A única coisa certa em “ciência social” é que não há ciência social. Desconhecemos por completo o que seja uma sociedade; não sabemos como as sociedades se formam, nem como se mantêm nem como declinam. Não há uma única lei social até hoje descoberta; há só teorias e especulações, que, por definição, não são ciência. E onde não há ciência não há universalidade.»

→ Fernando Pessoa, “Obras em Prosa coligidas”, 1975, Tomo III, página 22 e seguintes


A Raquel Varela considera-se intelectualmente superior não só em relação a Fernando Pessoa, mas também em relação a todos os filósofos que tenham existido, quando escreveu o seguinte:

“A separação entre ciências sociais e ciências exactas é fictícia (…)”

Ora, se duas substâncias não são separáveis, infere-se que pertencem a uma mesma categoria.


O que é profundamente lamentável é que a intelectualidade portuguesa esteja basicamente entregue a gente da laia da Raquel Varela, José Pacheco Pereira e Isabel Moreira
— gente que não distingue entre “ciências sociais”, por um lado, e “ciências naturais” e/ou “ciências exactas”, por outro lado.

Segundo a Raquel Varela, as ciências sociais e as ciências exactas (ou ciências formais) pertencem a uma mesma categoria. Aqui, a “especialista” em “ciências sociais” ambiciona, antes de mais, quantificar o óbvio; e depois diz que é uma “ciência exacta”.

Alguém que tenha compreendido uma noção específica das ciências naturais (também chamadas de “ciências experimentais ou empíricas”), percebeu tudo o que havia para perceber; mas uma pessoa que compreendeu uma noção específica as ciências sociais, percebeu o que só ela pode perceber.

Nas ciências humanas e/ou sociais, a inteligência é o único método que nos protege do erro: se entregarmos a responsabilidade das ciências sociais a uma burrinha, o resultado será catastrófico.

A História (que é uma “ciência humana”) — tal como acontece com a “sociedade”, descrita por Fernando Pessoa — contém leis, mas não se rege por leis.

A ambição de transcender as representações empíricas da consciência alheia, transforma a História em uma mera projecção do historiador. A História não tem leis científicas que permitam fazer previsões — embora tenha contextos que permitem (até certo ponto) explicar, e tendências que permitem pressentir; mas o pressentimento não é falsificável.

Se existissem leis que regessem a História, a descoberta dessas leis torná-las-iam (a si próprias) nulas.

A História não tem sentido; ou melhor: o que dá sentido à aventura humana transcende a História.

A diversidade da História é o efeito de causas sempre iguais que actuam, ao longo do tempo, sobre individualidades sempre diferentes.

O que é profundamente lamentável é que a intelectualidade portuguesa esteja basicamente entregue a gente da laia da Raquel Varela, do José Pacheco Pereira ou da Isabel Moreira — gente que não distingue entre “ciências sociais”, por um lado, e “ciências naturais” e/ou “ciências exactas”, por outro lado.

Triste sina, a nossa... estamos fodidos!


Adenda: este é o meu último escrito acerca das “ideias” da Raquel Varela.

quarta-feira, 9 de junho de 2021

Não confundir “epistemologia” com “epidemiologia”


Ao contrário da literatura, que apenas interessa à pessoa particularizada (interessa ao indivíduo, enquanto tal, que lê a obra literária), a ciência interessa a todos, em geral (e não só ao indivíduo isolado). Ou seja: por definição, a ciência (refiro-me concretamente às Ciências da Natureza) tem, por finalidade, o interesse do colectivo humano.

Em todas as Ciências da Natureza, a epistemologia [epistemologia = estudo filosófico da evolução histórica de uma ciência em particular] é essencial para o seu desenvolvimento; e nesse sentido, podemos dizer que a filosofia (por exemplo, a filosofia da ciência) e a História são factores epistemológicos essenciais para as Ciências da Natureza. Mas isto não significa que a filosofia e a História façam parte das Ciências da Natureza!

Já não é a primeira vez que a Raquel Varela confunde “ciências humanas e sociais” com “Ciências da Natureza”, e com “ciências exactas” — por exemplo, quando ela escreveu que “a diferença entre ciências sociais” (por exemplo, a História), por um lado, “e ciências exactas” (por exemplo, a matemática), “é fictícia”.

As “ciências humanas e/ou sociais”, não são apenas ciências inexactas; são essencialmente ciências do inexacto.

Nas Ciências da Natureza, onde impera o princípio da falsificabilidade, apenas se arquivam os erros do passado; nas ciências sociais, onde impera a moda, os acertos também são arquivados à medida em que a moda “passa de moda”.

As ciências sociais (ou humanas) cristalizam-se em um sistema simplicíssimo, e não fluem através da História (ao contrário do que acontece com as Ciências da Natureza).

Nas Ciências da Natureza, uma pessoa que compreendeu uma determinada noção, compreendeu tudo o que é possível compreender acerca dessa noção; nas ciências ditas “humanas e sociais”, uma pessoa que compreendeu uma determinada noção, apenas compreendeu o que ela pôde (pessoalmente) compreender — nas ciências sociais e humanas, a inteligência (do indivíduo) é o único método que nos protege do erro; mas o problema é que muitos “cientistas sociais” são burros que nem portas!


karl popperNo sítio americano da C.D.C, “epidemiologia” é definida assim:

“By definition, epidemiology is the study (scientific, systematic, and data-driven) of the distribution (frequency, pattern) and determinants (causes, risk factors) of health-related states and events (not just diseases) in specified populations (neighborhood, school, city, state, country, global). It is also the application of this study to the control of health problems”.

A Raquel Varela escreveu o seguinte:


“Penso que 1 ano e meio depois ainda muitos não sabem que a epidemiologia não é uma ciência médica, muito menos matemática, certamente nunca uma ciência computacional. Tanto que a Associação Portuguesa de Epidemiologia tem no seu primeiro objectivo é, cito, “Estimular a abordagem multi-sectorial e interdisciplinar dos assuntos de âmbito epidemiológico”, ou seja, vários dos seus membros são das ciências sociais.”


Quando o conceito de “epidemiologia” se afasta das Ciências da Natureza (como defende a Raquel Varela), entra pela ideologia política adentro.

Epidemiologia é uma ciência da natureza que, como todas as ciências da natureza, conta com o apoio epistemológico da filosofia e da História. A ciência natural baseia-se sempre no passado (na experimentação, que pertence obviamente ao passado, e não apenas na experiência), e, por isso, a História e a filosofia são essenciais para o seu desenvolvimento.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

Ainda não batemos no fundo...

 

“Estive no Canal Q a debater a interpretação histórica do nazismo. Creio que o racismo não foi a causa mas a consequência, a causa foi a crise de 29 e o temor da revolução por parte quer da URSS quer do SPD”.

Raquel Varela


“A separação entre ciência fundamental e aplicada, ou entre ciências sociais e exactas é fictícia”.

Raquel Varela


1/ a Raquel Varela deverá estudar melhor a Idade Média na Alemanha. Em Portugal e em Espanha, o “problema judeu” não foi um problema de “raça”: foi um problema de conversão ao catolicismo. Na Alemanha medieval, a situação cultural foi totalmente diferente.

2/ toda a gente tem direito a “comes e bebes”; longe de mim querer tirar o tacho à Raquel Varela. Que se refastele à fartazana à mesa do Orçamento de Estado.

Mas se “a História está sujeita a interpretações”, então segue-se que as ciências sociais (por exemplo, a História) não são tão exactas quanto as ciências formais (a matemática), ou mesmo quanto as ciências da natureza.

Ou seja: ao contrário do que a Raquel Varela disse, a separação entre ciências sociais, por um lado, e as ciências exactas, por outro lado, não é fictícia.

raque-varela-wc-web

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

António Damásio é extremamente perigoso, porque personifica a falácia ad Verecundiam

 

Eu não li o livro de António Damásio com o título “A Estranha Ordem Das Coisas” citado aqui pela Helena Damião; nem vou comprá-lo, porque estaria a beneficiar alguém que detesto solenemente.

Há muitas formas de espalhar o ódio e de “fomentar o recrudescimento dos extremismos na Europa”, mas o Damásio (à semelhança de outros intelectuais de merda como, por exemplo, o José Pacheco Pereira) só se fixa num dos lados do problema — e por isso é que ele é extremamente perigoso; e também porque se aproveita do seu estatuto para abusar da falácia ad Verecundiam.

Não ouviremos nunca o Tonho Damásio (nem o Pacheco) criticar o Bloco de Esquerda, por exemplo, por este partido político pretender legalizar a “mudança de sexo” (como se fosse possível, do ponto de vista biológico, mudar de sexo) em crianças de 16 anos, e à revelia da opinião dos pais.

Para o Tonho Damásio, o Bloco de Esquerda não é um movimento político “extremista”; e “extremistas” são os que se opõem aos malucos da Esquerda.


Quando o Tonho Damásio diz que “o nosso sentimento de aceitar o outro” é a condição do “equilíbrio da sociedade”: aqui voltamos ao conceito de “autonomia” deturpado pelo politicamente correcto, em que o respeito pelo “princípio da autonomia” se torna mais importante do que o respeito pela pessoa em si mesma.

Por fim: quando o Tonho Damásio diz que a divisão entre Ciências Biológicas, por um lado, e as Humanidades, por outro lado, não faz sentido — o que ele pretende dizer é que o Positivismo se aplica de igual modo às Humanidades.

O Tonho colocou em causa a tese de Karl Popper segundo a qual as Ciências Sociais (as tais “Humanidades” a que o Tonho se refere) não podem ter o mesmo método de investigação das Ciências da Natureza.

Ou seja: o Tonho Damásio acaba de passar um atestado de burrice ao conhecido filósofo Karl Popper. O homúnculo Tonho tem que se lhe diga!

domingo, 25 de junho de 2017

O Júlio Machado Vaz e as “humanidades”

 

julio machado vaz webVinha, há pouco tempo, no carro e ouvi na rádio o Júlio Machado Vaz confundir “ciências sociais”, por um lado, e “humanidades”, por outro lado. Para o Júlio Machado Vaz, “humanidades” é sinónimo de “ciências sociais” — quando ele se referiu à sociologia como sendo um ramo das “humanidades”.

Ciências Sociais é um ramo das ciências, distinto das humanidades, que estuda os aspectos sociais do mundo humano, ou seja, a vida social de indivíduos e grupos humanos. Isso inclui antropologia, estudos da comunicação, marketing, administração, arqueologia, geografia humana, história, ciência política, ciência da religião, contabilidade, estatística, economia, direito, psicologia social, filosofia social, sociologia, e serviço social”.

Wikipédia

A sociologia faz parte das ciências sociais. Aconselho o Júlio Machado Vaz a ler a Wikipédia antes de ir dar lições para a Antena 1 da rádio pública.

Das “humanidades” ou “ciências humanas” fazem parte, por exemplo, a filologia ou o estudo de línguas vivas ou mortas (por exemplo, o latim ou o grego antigo), a filosofia, teoria da arte, cinema, administração, dança, teoria musical, design, literatura, etc..