Mostrar mensagens com a etiqueta Fernando Pessoa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Fernando Pessoa. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 1 de julho de 2026

O antipatriotismo progressista

Temos aqui um texto de Carlos Bobone que aborda a questão do Patriotismo, na linha de pensamento de Fernando Pessoa. Aconselho a leitura.

Ora, sabemos que Fernando Pessoa foi (e é) odiado por uma certa Direita corporativista, mas hoje também é odiado — mais ou menos dissimuladamente — pela Esquerda radical (Bloco de Esquerda, Partido Comunista, LIVRE, e ala Esquerda radical do Partido Socialista).

Pobre Fernando, leva pancada de todo o lado...

O antipatriotismo dos “progressistas” actuais é directamente promovido, na cultura, pelo núcleo duro que conduz a política da União Europeia.

Porém, é perfeitamente possível construir uma União Europeia sólida sem colocar em causa os patriotismos dos países da união — de forma semelhante, os clubismos no futebol não impedem o apoio à selecção nacional de futebol. Dizer que o “clubismo é inimigo da selecção nacional” é próprio de uma estupidez que confunde planos de categorização da realidade.

“O patriotismo, vimos nós e demonstrámos, é a base do instinto social — é, mesmo, o único instinto social verdadeiro; não é, de resto, mais que um egoísmo colectivo, ou, melhor, a forma colectiva do egoísmo, base de toda a vida psíquica”.

→ Fernando Pessoa (“Obras em Prosa”, “Do sufrágio político e da opinião pública”)


«A primeira verdade da sociologia (...) é que a humanidade não existe. Existe, sim, a espécie humana, mas num sentido somente zoológico: há a espécie humana como há a espécie canina. Fora disso, a expressão “humanidade” pode ter somente um sentido religioso ― o de sermos todos irmãos em Deus, ou em Cristo.

(...)

Na realidade social há só dois entes reais ― o indivíduo, porque é deveras vivo, e a nação, porque é a única maneira como esses entes vivos, chamados indivíduos, se podem agrupar socialmente de um modo estável e fecundo. A base mental do indivíduo (...) é o egoísmo (...). Esse egoísmo é o da Pátria, em que nos reintegramos em nós através dos outros, fortes do que não somos. »

→ Fernando Pessoa (“Obras em Prosa”, “Sobre Portugal”, III Volume, Edição do Círculo dos Leitores, 1987, página 316).

sábado, 5 de outubro de 2024

O Poder ilegítimo das minorias




“Bandidos da pior espécie, (…) gatunos com o seu quanto de ideal verdadeiro, anarquistas natos com grandes patriotismos íntimos — de tudo isto vimos na açorda falsa que se seguiu à implantação do regime [republicano].”

“A monarquia havia abusado das ditaduras; os republicanos passaram a legislar em ditadura, fazendo em ditadura as suas leis mais importantes, e nunca as submetendo a Cortes constituintes ou a qualquer espécie de Cortes.”

“A monarquia havia desperdiçado, estúpida e imoralmente, os dinheiros públicos. O país, disse Dias Ferreira, era governado por uma quadrilha de ladrões. E a república que veio multiplicou por qualquer coisa — concedamos generosamente que foi só por dois (e basta) — os escândalos financeiros da monarquia.”

“A monarquia, desagradando à Nação, e não saindo espontaneamente, criara um estado revolucionário. A república veio e criou dois ou três estados revolucionários. (…) A monarquia não conseguira resolver os problemas da ordem pública; a república instituiu a desordem pública.”

“É alguém, capaz de indicar um benefício, por leve que seja, que nos tenha advindo da proclamação da república? Não melhoramos em administração financeira, não melhoramos em administração geral, não temos mais paz, não temos sequer mais liberdade. Na monarquia era possível insultar por escrito e impresso o rei; na república não era possível, porque era perigoso, insultar até verbalmente o Sr. Afonso Costa.”

“O regime [republicano] está, na verdade, expresso naquele ignóbil trapo que, imposto por uma reduzidíssima minoria de esfarrapados morais, nos serve de bandeira nacional — trapo contrário à heráldica e à estética, porque duas cores se justapõem sem intervenção de um metal e porque é a mais feia coisa que se pode inventar em cor. Está ali contudo a alma do republicano português — o encarnado do sangue que derramaram e fizeram derramar, o verde da erva de que, por direito mental, devem alimentar-se.”

“Este regime [republicano] é uma conspurcação espiritual. A monarquia, ainda que má, tem ao menos, de seu, ser decorativa. Será pouco socialmente, será nada nacionalmente. Mas é alguma coisa em comparação com o nada absoluto em que a república veio a ser.”

[citações de Fernando Pessoa: “Balanço Crítico”, textos em prosa].

domingo, 14 de julho de 2024

Maçonaria é uma forma actualizada de gnosticismo


O livrinho “Pensamento Maçónico de Fernando Pessoa”, de Jorge de Matos (Editora Sete Caminhos), é essencial para se entender como pensa a elite maçónica portuguesa.

A maçonaria é (em juízo universal) anticatólica — mas, o anticatolicismo, entendido apenas e só em si mesmo, não é relevante: o que é relevante é o anticatolicismo (que Fernando Pessoa chama de “Cristismo”, e “igreja romana”) aliado a uma visão prometaica e evolutiva da Natureza Humana, que caracteriza o anticatolicismo maçónico.

Para a maçonaria, a Lógica e a Natureza Humana, “evoluem” — o que é extraordinário!

Fernando Pessoa chama ao catolicismo (e seus fiéis) de “forças involutivas”, por um lado, e por outro lado faz a apologia do protestantismo. Ou seja, a maçonaria é nítida- e claramente (também) uma vergôntea do protestantismo mais radical.

Ademais, há na maçonaria portuguesa uma aversão à ruralidade e à economia agrícola — vem daqui a crítica de Marcelo Rebelo de Sousa a Luís Montenegro, apodando-o de alguém com “comportamentos rurais”: apesar de Luís Montenegro ser membro da maçonaria dita “regular”, é alvo de crítica de Marcelo Rebelo de Sousa por causa do seu perfil não-coetâneo e de repúdio pela ruralidade. Para o maçon que se preze, ser “rural” é pertencer à Idade da Pedra.

A maçonaria detém um misticismo gnóstico (também por isso podemos dizer que a maçonaria é uma religião).

Devemos distinguir o misticismo teísta (catolicismo), o misticismo naturalista (monismos, panteísmo) e o misticismo personalista (gnosticismo, maçonaria): o primeiro, manifesta a experiência da realidade de Deus; o segundo, a experiência da incorrupção do mundo; e o terceiro, a experiência da sempiternidade do Eu.

O misticismo teísta (católico) é incorruptível; mas o misticismo naturalista (monismos) é pervertido em panteísmo, quando a consciência extática identifica o esplendor da criação intacta, por um lado, com o esplendor do próprio Criador, por outro lado; e o misticismo personalista (maçonaria) é pervertido em gnosticismo, quando a consciência egocêntrica identifica a eternidade da alma com a eternidade de Deus (chamado de “Arquitecto”, pelos maçons).

(a continuar, se Deus quiser).

sábado, 15 de junho de 2024

O gnosticismo maçónico de Fernando Pessoa (1)


“Mais do que uma melhoria das condições biológico-profissionais das populações, o conceito maçónico de Regeneração Social representa a redenção do Género Humano enquanto processo de transformação elevatória do nível de vibração dos veículos físicos e subtis da Humanidade, permitindo um despertar progressivo de capacidades latentes e uma expansão crescente e acelerada do grau de consciência intuitiva e supra-intelectual, bem como além-fronteiras do contexto global de integração planetária e das relações individuais e grupais que com ele se mantêm, até atingir o Grupo Perfeito e Divino, a Fraternidade Universal, que deve ser conscientemente vivida no espaço sagrado da Loja maçónica, como célula básica do trabalho espiritual grupal — livre de quaisquer conotações filosóficas eventuais exclusivistas, contra o seu carácter fraternalmente internacionalista”.

→ “ O Pensamento Maçónico de Fernando Pessoa”, de Jorge de Matos, 2006, página 16



Escrevendo o trecho supracitado, Jorge de Matos não estava a ironizar: acreditava mesmo que é possível, ao ser humano, só por si e apenas pelos seus próprios meios, atingir “a redenção do Género Humano”, neutralizando e superando a própria Natureza Humana, atingindo o Grupo Perfeito e Divino (leia-se: atingindo a perfeição divina).

Olavo de Carvalho diria que esta visão da Natureza Humana retrata  uma “mundividência prometaica”.

Trata-se de uma crença — porém, a contrario sensu da crença científica e/ou da fé religiosa (que são crenças racionais, embora em graus de racionalidade diferentes), trata-se de um crença irracional, porque é racionalista (o racionalismo decorre de uma doença mental incurável: o Delírio Interpretativo).

O racionalismo é a expressão intelectual por excelência da irracionalidade humana — racionalismo entendido aqui como sendo proveniente da doutrina gnóstica e parasitária da Antiguidade Tardia que afirma que o pensamento racional é capaz de atingir a verdade absoluta porque as suas próprias leis são também as leis dos objectos do conhecimento (por exemplo, em Hegel: “Tudo o que é racional é [efectivamente] real, e tudo o que é real é [efectivamente] racional”).

Este racionalismo, de Hegel, provém da tradição do racionalismo do judeu Espinoza, que privilegia a Razão como Princípio Prometaico de explicação do universo, por oposição à fé religiosa, por um lado, e por oposição ao empirismo científico de origem aristotélica, por outro lado; e, simultaneamente, este racionalismo afirma o carácter racional da realidade e do sentido da História — o determinismo histórico da Cabala, que gerou o “Fim da História” de Hegel, Marx, Hayek ou Fukuyama, que se caracteriza por ser a ideologia das doutrinas que recusam a paternidade dos seus próprios crimes.

O indivíduo mentalmente deformado (por uma interpretação delirante) crê no “sentido da História” quando o futuro previsível parece ser favorável à realização das suas paixões e das suas crenças. Neste racionalismo cabalístico, a origem psicológica da razão é deixada na sombra: a sua vontade é eliminada, ou desviada para o irracional (e, portanto, negada ou rejeitada).

Por sua vez, o racionalismo panteísta (ou seja, imanente e ateísta) de Espinoza provém directamente da Cabala judaica.

Portanto, vemos aqui papel secular e importantíssimo do judeu na irracionalização do ser humano através da destruição das instituições da civilização europeia, de que a maçonaria (operativa e especulativa) foi e é uma parte predominante.

Toda a filosofia alemã depois de Kant (Kant não faz parte do Idealismo alemão!) é cabalística e irracionalista. A origem hegeliana da dialéctica marxista é cabalística, e por isso, irracional:

“A negação dialéctica não existe entre realidades, mas apenas entre definições. A síntese em que a relação se resolve não é um estado real, mas apenas verbal. O propósito do discurso move o processo dialéctico, e a sua arbitrariedade assegura o seu êxito.

Sendo possível, com efeito, definir qualquer coisa como contrária a outra coisa qualquer; sendo também possível abstrair um atributo qualquer de uma coisa para a opôr a outros atributos seus, ou a atributos igualmente abstractos de outra coisa; sendo possível, enfim, contrapôr, no tempo, toda a coisa a si mesma — a dialéctica é o mais engenhoso instrumento para extrair da realidade o esquema que tínhamos previamente escondido nela.” → Nicolás Gómez Dávila.

A dialéctica cabalística de Hegel (proveniente da Cabala Yetzira e do seu conceito de “Árvore da Vida”) levanta um problema sério: se o pensamento passa de si próprio ao seu oposto, a resolução das duas contradições (a síntese) é inconciliável com o termo inicial (que, segundo determinados exegetas, mais não faria do que reforçar, pela negação da negação), ou arrasta incessantemente de negação em negação até um pensamento “radicalmente diferente” — o que conduziria de facto a um cepticismo relativista total.

Fica a aqui a demonstração sucinta e cabal de que as doutrinas do marxismo, do liberalismo e da maçonaria (ou seja, a chamada “modernidade”) têm a mesma origem epistemológica: o movimento intelectual parasitário da gnose, da Antiguidade Tardia.

(continua)

terça-feira, 4 de junho de 2024

Estamos a caminhar para um Planeta Prisão


Olavo de Carvalho escreveu que a Esquerda actual trabalha para um conjunto de bilionários, e que a maior parte dos militantes de partidos de Esquerda (de base) não tem consciência desse facto: só a elite dos movimentos políticos de Esquerda estão cientes da dependência esquerdista em relação aos bilionários globalistas.

Fernando Pessoa chegou às mesmas conclusões, em 1930, quando escreveu acerca do Grupo dos Trezentos.

Em uma recente entrevista televisiva, o financeiro Edward Dowd (que trabalhou por mais de 10 anos para o empório financeiro BlackRock) explicou qual o objectivo da Esquerda internacionalista controlada e manipulada pelos bilionários mundialistas / globalistas: “é um planeta prisão, com um sistema de controlo final” — afirmou.

“Uma vez que o dinheiro digital esteja ligado a todos os cartões de crédito e débito, e a todas as contas bancárias, o controlo social totalitário será um facto” — disse Edward Dowd.

Os bilionários globalistas, controlando os caciques locais de Esquerda no Poder e em conluio com estes, poderão decidir proibir (por exemplo) o consumo de carne de vaca se forem de opinião que “os peidos dos bovinos são coisa importante”, ou “bloquear a tua conta bancária” se pensares fora da caixa politicamente correcta, e controlar, sob critérios totalmente arbitrários e caprichosos, todas as escolhas individuais dos cidadãos.

A ideia segundo a qual “os carros eléctricos são mais amigos do ambiente” é a maior mentira dos tempos actuais, propalada nos me®dia controlados pelos globalistas (do Grupo dos Trezentos) aliados aos caciques locais de Esquerda.

A ideia segundo a qual é possível substituir os carros de motor atmosférico (fósseis) por carros eléctricos é outra grande mentira propagandeada pelos me®dia controlados pelos bilionários globalistas e manipulados pela Esquerda.

Por exemplo, na Europa e em Espanha, a venda de carros eléctricos tem vindo a baixar paulatinamente, por razões de fraca procura (mercado). E mesmo que a procura aumentasse, não seria (jamais!) possível que cada europeu tivesse apenas e só um carro eléctrico.

Estamos a caminhar para um Planeta Prisão. Ou para um novo tipo de feudalismo.

segunda-feira, 13 de junho de 2022

Para a Raquel Varela, “a separação entre ciências sociais e ciências exactas é fictícia”

Qualquer pessoa com um cursinho em filosofia sabe que as “ciências sociais” não são “ciências exactas”. Desde (pelo menos) David Hume que sabemos isso. Fernando Pessoa colocou esta questão de uma forma superior:

«Um hábito social, isto é, uma tradição, uma vez quebrado, nunca mais se reata, porque é na continuidade que está a substância da tradição. Além de que, não sabendo ninguém o que é a sociedade, nem quais são as leis naturais por que se rege, ninguém sabe se qualquer mudança não irá infringir essas leis. Em igual receio se fundamentam as superstições, que só os tolos não têm — no receio de infringir leis que desconhecemos, e que, como não as conhecemos, não sabemos se não operarão por vias aparentemente absurdas. A tradição é uma superstição. »

Mais adiante, escreveu:

«Só pode ser universalmente aplicável o que é universalmente verdadeiro, isto é, um facto científico.

Ora, em matéria social não há factos científicos. A única coisa certa em “ciência social” é que não há ciência social. Desconhecemos por completo o que seja uma sociedade; não sabemos como as sociedades se formam, nem como se mantêm nem como declinam. Não há uma única lei social até hoje descoberta; há só teorias e especulações, que, por definição, não são ciência. E onde não há ciência não há universalidade.»

→ Fernando Pessoa, “Obras em Prosa coligidas”, 1975, Tomo III, página 22 e seguintes


A Raquel Varela considera-se intelectualmente superior não só em relação a Fernando Pessoa, mas também em relação a todos os filósofos que tenham existido, quando escreveu o seguinte:

“A separação entre ciências sociais e ciências exactas é fictícia (…)”

Ora, se duas substâncias não são separáveis, infere-se que pertencem a uma mesma categoria.


O que é profundamente lamentável é que a intelectualidade portuguesa esteja basicamente entregue a gente da laia da Raquel Varela, José Pacheco Pereira e Isabel Moreira
— gente que não distingue entre “ciências sociais”, por um lado, e “ciências naturais” e/ou “ciências exactas”, por outro lado.

Segundo a Raquel Varela, as ciências sociais e as ciências exactas (ou ciências formais) pertencem a uma mesma categoria. Aqui, a “especialista” em “ciências sociais” ambiciona, antes de mais, quantificar o óbvio; e depois diz que é uma “ciência exacta”.

Alguém que tenha compreendido uma noção específica das ciências naturais (também chamadas de “ciências experimentais ou empíricas”), percebeu tudo o que havia para perceber; mas uma pessoa que compreendeu uma noção específica as ciências sociais, percebeu o que só ela pode perceber.

Nas ciências humanas e/ou sociais, a inteligência é o único método que nos protege do erro: se entregarmos a responsabilidade das ciências sociais a uma burrinha, o resultado será catastrófico.

A História (que é uma “ciência humana”) — tal como acontece com a “sociedade”, descrita por Fernando Pessoa — contém leis, mas não se rege por leis.

A ambição de transcender as representações empíricas da consciência alheia, transforma a História em uma mera projecção do historiador. A História não tem leis científicas que permitam fazer previsões — embora tenha contextos que permitem (até certo ponto) explicar, e tendências que permitem pressentir; mas o pressentimento não é falsificável.

Se existissem leis que regessem a História, a descoberta dessas leis torná-las-iam (a si próprias) nulas.

A História não tem sentido; ou melhor: o que dá sentido à aventura humana transcende a História.

A diversidade da História é o efeito de causas sempre iguais que actuam, ao longo do tempo, sobre individualidades sempre diferentes.

O que é profundamente lamentável é que a intelectualidade portuguesa esteja basicamente entregue a gente da laia da Raquel Varela, do José Pacheco Pereira ou da Isabel Moreira — gente que não distingue entre “ciências sociais”, por um lado, e “ciências naturais” e/ou “ciências exactas”, por outro lado.

Triste sina, a nossa... estamos fodidos!


Adenda: este é o meu último escrito acerca das “ideias” da Raquel Varela.

domingo, 27 de setembro de 2020

Fernando Pessoa y El Internacionalismo Militante


fernando-pessoa-web«La primera verdad de la sociología es que “la humanidad” no existe. Existe, eso si, la “especie humana” pero en un sentido meramente zoológico: la especie humana, como la especie canina.

Además, la expresión “humanidad” solo puede tener un sentido religioso --- lo de que seamos hermanos en Dios, o en Cristo.

En la realidad social, solo existen dos entes reales –- el individuo, por que es vivo de verdad, y la nación por que es la única manera como eses entes vivos, a que llamamos individuos, se pueden agrupar socialmente de un modo estable y fecundo.

La base mental del individuo es el egoísmo; ese egoísmo es lo de la Patria, en lo que nos reintegramos a nosotros por intermedio de los demás, fuertes de lo que no somos.

La humanidad no existe sociológicamente, no existe frente a la civilización.

Considerar la humanidad como un Todo es, virtualmente, considerarla como una nación; pero una nación que deja de ser nación se vuelve absolutamente su propio entorno. Ahora bien, un cuerpo que resulta absolutamente perteneciendo al entorno en que vive es un cuerpo muerto.

La muerte es eso – la absoluta entrega de si proprio al exterior, la absoluta absorción en lo que lo cerca. Por eso, el “humanitarismo” y el “internacionalismo” son conceptos de muerte, sólo las mentes nostálgicas de lo inorgánico pueden concebirlos agradablemente.

Todo el internacionalista debería ser fusilado para que obtenga lo que pretende: la integración verdadera en el entorno a lo que tiende a pertenecer. Solo existen naciones, no existe humanidad.»


(Fernando Pessoa, “Obras em Prosa”, “Sobre Portugal”, III Volume, Edição do Círculo dos Leitores, 1987, página 316) – Tradução da minha lavra

terça-feira, 15 de outubro de 2019

A diferença entre “escol” e “classe política”

A Cristina Miranda escreveu o seguinte, a propósito do fenómeno político “André Ventura”:

« O problema dos intelectuais que andam na política é mesmo esse: não entendem o segredo por trás da popularidade. Todos pensam que tem a ver com palavras eruditas contidas num discurso pomposo (que quase só de dicionário ao lado e manuais sobre economia conseguem ser entendidos), politicamente correcto, que agrada a todos e quando não agrada, tem flexibilidade suficiente para se contorcer até agradar.

E quando vêem alguém com uma mensagem mais simples, mais transparente, mais assertiva, mais forte, mais abrangente, ficam atónitos e perguntam-se: como foi possível aquela pessoa tão “básica” chegar a tanta gente? Não percebem porque para se perceber tem-se de ser genuinamente do povo ou ter pelo menos vivido com ele ou perto dele.»


Fernando Pessoa estabeleceu o conceito político de “escol”.

“Populismo” é a palavra que a classe política utiliza quando a democracia a assusta.

Em primeiro lugar, “um escol não quer dizer uma classe, mas antes é uma série de indivíduos”. A classe política não é um escol; a classe dos “intelectuais” (seja o que isso for) não é um escol.

O escol é composto por indivíduos que se distinguem claramente um dos outros e são independentes entre si.

Em segundo lugar, “o escol é diferente do resto da população em grau de tudo”, por um lado; mas, por outro lado, “o escol está unido ao povo pelo interesse nacional”.

Ou seja, o escol é composto por indivíduos (que não constituem, em si mesmos, uma classe social) que estão unidos ao povo pelo interesse nacional — interesse nacional que, no povo, é instintivo — , mas que, em tudo o resto, se distinguem do povo.

Ora, a “intelectualidade” a que se refere a Cristina Miranda é a da classe política, ou a de aspirantes à inclusão na classe política. Essa “intelectualidade” não constitui um escol: em vez disso, é uma classe ou uma corporação (com interesses corporativos).

O escol é “a parte mais forte, mais audaz, mais competente da nação” — ou seja, um membro do escol também é “intelectual”: só que é uma intelectualidade liberta em relação às modas e ao “espírito do tempo”, por um lado, e por outro lado é uma intelectualidade que está perfeitamente alinhada com o instinto do povo (interesse nacional); e por isso, a classe política chama de “populismo” a essa identificação do escol com o interesse nacional.

“Populismo” é a palavra que a classe política utiliza quando a democracia a assusta.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

O Portugal da democracia representativa não tem futuro

 

“A estratégia de um Estado tem a ver com a concepção, organização, desenvolvimento e aplicação de Poder para fazer face e ultrapassar os obstáculos que se apresentem, em cada momento, e que dificultem a realização dos objectivos do mesmo.

Qualquer Estado deve possuir, portanto, um instrumento que, por de cima dos diferentes ângulos de visão política partidária e sectorial, estabeleça os objectivos permanentes da nação, que representa, e a estratégia a seguir para os alcançar. Um Plano Estratégico Nacional”.

→ Miguel Mattos Chaves

O Plano Estratégico Nacional, segundo os critérios de Miguel Mattos Chaves, ¿será possível em Portugal? Vou tentar demonstrar aqui que não é possível. Para que seja possível em Portugal um Plano Estratégico Nacional terão que existir elites, ou melhor, aquilo a que Fernando Pessoa chama de “escol”:

“A crise central da nacionalidade portuguesa deriva da sua impotência para formar escóis. Uma nação vale o que vale o seu escol.

As descobertas e as conquistas que se lhe seguiram, a emigração e as guerras que ambas motivaram, arrastavam consigo, como é natural, a parte mais forte, mais audaz, mais competente da nação. Assim se foi destruindo o escol.

O pior é que o escol se não renovou. Quer isto dizer que não tornaram a haver circunstâncias criadoras de um escol, ou, pelo menos, de um escol perfeito.

¿Quais são as circunstâncias criadoras de um escol? Um escol é tanto mais perfeito quanto mais: diferente é do resto da população em grau de tudo; quanto mais está contudo unido a esse resto da população por um interesse nacional; acção que tem sobre esse resto da população.

O escol não quer dizer uma classe, mas uma série de indivíduos.

Condições auxiliares do escol: a aristocracia de sangue, pois estabelece a cisão no país; um país democratizado baixa imediatamente o nível do escol.

Condições biológicas: não intervenção do Estado em matéria biológica ou demótica. Condições económicas: regime concorrencial o mais apertado possível”.

Portugal não tem um escol, mas antes classes, sejam estas oligárquicas na economia ou na política que controlam o Estado. Por exemplo, existe uma classe política, mas não um escol; ou se este existe um escol, é cultural-  e socialmente invisível ou subalterno.

“A chamada 'democracia' é apenas uma oligarquia complexa, ou uma complexidade de oligarquias”. — Fernando Pessoa

Sem um escol interveniente e politicamente decisivo, Portugal não tem futuro enquanto país e enquanto nação, e por isso o Plano Estratégico Nacional de Miguel Mattos Chaves é uma utopia.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

O politicamente correcto é a burocracia do espírito

 

“Ontem.

O dia em que novamente, uma piada minha - repito, PIADA - foi censurada e apagada pelo Facebook. Não será com certeza a última vez.

Que existam atrasados mentais que não compreendem piadas e no meio da depressão e tristeza que representam as suas vidas, queiram calar o que não gostam, abafar o que não compreendem e moldar a sociedade ao reduzido tamanho das suas mentes, não me espanta. O Mundo é dos estúpidos e a sede da estupidez fica em Portugal.

Já o Facebook, tem sede nos Estados Unidos, a terra da Liberdade. Da civilização. Do progresso.

Por estes dias, o Facebook representa uma das organizações mais autoritárias, retrógradas e pidescas de que há memória.

A liberdade de expressão é um mito. A razão, uma sorte. O Salazar, ao pé do Zuckerberg, um menino.”

→ Rui Sinel de Cordes, no FaceBook


Há dias apareceu a seguinte imagem no FaceBook acerca da possibilidade do comentário:

lei da rolha

Se seguirmos à risca os critérios da possibilidade de comentário estabelecidos neste esquema, segue-se que ninguém comenta: desde logo porque se teria que se definir previamente se o comentário é “útil”; se o comentário é útil ou não, pertence ao domínio da subjectividade de quem comenta.

Depois, a condição do comentário é o de “não ofender alguém”; este critério também é impossível de se estabelecer de forma objectiva, porque existe sempre a possibilidade de alguém poder sentir-se ofendido por um qualquer comentário.

E por aí afora.

A imagem do esquema dos critérios do comentário” ilustra bem a burocracia do espírito que caracteriza o politicamente correcto; o politicamente correcto é fascizante. O politicamente correcto elimina qualquer tipo de humor, com a fobia de se “ofender alguém”.

A delitofobia é uma característica de uma sociedade sitiada pela burocracia do espírito imposta pelo politicamente correcto através da espiral do silêncio. Com medo de cometer algum delito de opinião, o cidadão tende a manter-se em silêncio.

Dado que o humor é também crítica social, qualquer tipo de crítica que não corresponda à burocracia do espírito é censurada. O humor é castrado pelo politicamente correcto.

As pessoas são, assim, convidadas ao silêncio; mas o critério da imposição do silêncio não é a racionalidade do comentário: em vez disso, é o medo em relação a uma possível verdade revelada em um qualquer comentário. A mera possibilidade de uma qualquer verdade apavora a burocracia do espírito, porque o politicamente correcto é uma forma de totalitarismo.


Theodore Dalrymple escreveu o seguinte acerca do politicamente correcto:

“O politicamente correcto é propaganda comunista em pequena escala. Nos meus estudos acerca das sociedades comunistas, cheguei à conclusão que o propósito da propaganda comunista não era o de persuadir ou convencer, nem sequer informar, mas era o de humilhar; e, por isso, quanto menos ela (a propaganda) corresponder à realidade, melhor serve o seu propósito de humilhar.

Quando uma pessoa é obrigada permanecer em silêncio quando lhe dizem as mentiras mais óbvias e evidentes, ou ainda pior quando ela própria é obrigada a repetir as mentiras que lhe dizem, ela perde, de uma vez por todas, o seu senso de probidade.

O assentimento de uma pessoa em relação a mentiras óbvias significa cooperar com o mal e, em pequeno grau, essa pessoa personifica o próprio mal. A sua capacidade de resistir a qualquer situação fica, por isso, corrompida, e mesmo destruída. Uma sociedade de mentirosos emasculados é fácil de controlar. Penso que se analisarem o politicamente correcto, este tem o mesmo efeito e propósito.”


¿Por que razão o multimilionário Zuckerberg colabora com o politicamente correcto?

A resposta a esta pergunta é sintetizada no conceito do grupo dos trezentos, de Fernando Pessoa, que se mantém mais actual do que nunca. O lucro justifica tudo, incluindo o apoio aos comunistas.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

A alma do republicano José Alberto Carvalho

 

“Informam-me que José Alberto Carvalho terminou o Telejornal da TVI em directo do novo Museu dos Coches ao lado do Landau do Rei Dom Carlos a citar o testamento do Buiça, louvando o facto de ele saber que ia dar a vida pelo futuro dos seus filhos ao assassinar um Chefe de Estado constitucional e o Príncipe Real (por sinal marido e filho da fundadora do Museu) como exemplo dos "valores republicanos". Ainda há quem acredite na evolução da humanidade. Tenho o estômago revirado.”

→ Tenho o estômago revirado de nojo

Eu vi e ouvi o encómio ao crime. Lembrei-me então de Fernando Pessoa:

“O regime [republicano] está, na verdade, expresso naquele ignóbil trapo que, imposto por uma reduzidíssima minoria de esfarrapados morais, nos serve de bandeira nacional — trapo contrário à heráldica e à estética, porque duas cores se justapõem sem intervenção de um metal e porque é a mais feia coisa que se pode inventar em cor. Está ali contudo a alma do republicano português — o encarnado do sangue que derramaram e fizeram derramar, o verde da erva de que, por direito mental, devem alimentar-se.”

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Fernando Pessoa, a Maçonaria e os Templários

 

Um leitor enviou-me a seguinte mensagem electrónica (vulgo “email”):

«

só hj li um texto antigo seu Fernando pessoa e a era da Gnose

Nele vc escreve o seguinte trecho:

"...Com o advento da revolução francesa e do Positivismo, entramos todos na Era da Gnose, o tempo de predomino cultural e social dos novos gnósticos, em que se misturou a Gnose da antiguidade tardia, com a nova Gnose cientificista. É assim, por exemplo, que Fernando Pessoa consegue ser um acérrimo defensor da ciência positivista e, simultaneamente, anunciar o seu místico apoio à maçonaria, por um lado, e por outro lado defender a veracidade absoluta das profecias do Bandarra e de Nostradamus — para além de se dizer, ele próprio, membro da Ordem dos Templários que, como sabemos, foi o esteio medieval da maçonaria operativa. ..."

Nunca levei a sério essa questão dos templários com a maçonaria, mas como vc é uma pessoa de confiança, gostaria de uma sugestão sua de bibliografia/textos sobre o assunto.

»

Um dos livros que é absolutamente essencial para se compreender a história da maçonaria — se bem que relata essa história de uma forma apologética — é o livro “A Maçonaria Universal — Uma Irmandade de Carácter Secreto”, Lisboa 2003, de autoria do maçon Miguel Martín-Albo. O livro não nos diz tudo, mas diz-nos o essencial acerca da maçonaria. O conteúdo do livro é insuspeito porque foi escrito por um maçon inveterado e lobotomizado.

No livro, chamo à atenção das páginas 60 a 69, em que Miguel Martín-Albo se refere ao papel dos Templários na formação da maçonaria. Portanto, ou o maçon Miguel Martín-Albo mente, ou existe uma ligação entre os Templários e a maçonaria.

Fernando Pessoa, de burro não tinha nada. Ele conhecia a ligação dos Templários à “formatação” da maçonaria. Para se conhecer o pensamento de Fernando Pessoa sobre este assunto, há que ler as “Obras em Prosa” de Fernando Pessoa.

Por último: eu não sou uma “pessoa de confiança”; aliás, ninguém é.

domingo, 5 de janeiro de 2014

Fernando Pessoa e o conceito de “Ordem”

 

«Entre os vários preconceitos que salpicam as teses dos neomonárquicos avulta, como grande mancha, o preconceito da Ordem.

A ordem é nas sociedades o que a saúde é no indivíduo. Não é uma coisa: é um estado. Resulta do bom funcionamento do organismo, mas não é esse bom funcionamento.

Evidentemente que por “ordem” os seus defensores não entendem a mera ordem material e ostensiva, aquela que a polícia guarda. Entendem a ordem nos espíritos também, a disciplina íntima de onde resulta o bom funcionamento, físico como psíquico, da engrenagem social. Eles compreendem, de resto, que não há ordem só material, que é nos espíritos que a ordem começa.

Posto isto, porém, há ainda a reparar que o conceito de ordem pode ser tomado em dois sentidos, consoante se entenda que ela existe, ou essencialmente na própria íntima constituição das forças sociais, ou essencialmente apenas no modo de essas forças se manifestarem.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

A razão por que o Daniel Oliveira é um radical

 

Qualquer pessoa que tenha convicções sólidas é um “radical”. O problema é o de saber se essas convicções são (minimamente) racionais, ou não. Aqui, “racional” tem uma conotação com “racionalidade”, e não com “racionalismo”.

A Razão é a modalidade de pensamento inteligente que se considera capaz de servir de norma a toda a inteligência particular, ou de planear a imagem dessa norma.

A razão e a lógica estão intimamente ligadas. A lógica tem o seu fundamento abstracto — e a sua justificação — no exercício da Razão que não é uma faculdade particular, mas antes é a capacidade de o espírito ultrapassar a distância empírica entre o subjectivo e o objectivo, entre as ideias particulares e as ideias gerais. Espinoza escreve:

“Não pertence à natureza da Razão considerar as coisas como contingentes: ela toma-as, pelo contrário, como necessárias”.

Portanto, um “ser racional” tende a considerar as coisas como necessárias (necessidade), e é esta característica do ser racional que o faz ser “radical”. O problema é o de saber se aquilo que uma pessoa pensa (ou a sua convicção) é racional, ou não — se a “necessidade das coisas” é real, ou não. Ou melhor dizendo: existem radicais racionais (os que tentam seguir a Razão e a lógica) e radicais irracionais (os que agem quase sempre e apenas por instinto ou por sentimento).

Fernando Pessoa escreveu o seguinte:

“O progresso é uma revolta contra a espécie humana.”

daniel oliveira dark vaderOu seja, o progresso moderno é uma revolta contra a natureza — incluindo a natureza humana. Aqui, Fernando Pessoa é um radical propriamente dito (um radical racional), porque usa a Razão  e a lógica  para tentar descrever objectivamente a realidade da sociedade moderna. Mas ficamos sem saber se essa revolta contra a espécie humana — o progresso — é considerada, por Fernando Pessoa, negativa ou positiva; e muito menos podemos saber, segundo ele, se essa revolta contra a espécie humana é passível de transformar a própria natureza humana.

Normalmente, e na linguagem corrente, chamamos de “radicais” às pessoas que assentam as suas convicções no instinto ou no sentimento (a opinião ou a doxa, em oposição ao episteme), por um lado; e, por outro lado, os “radicais” são os que defendem uma concepção de “progresso” segundo a definição de Fernando Pessoa, ou seja, o progresso como a negação ou recusa da natureza humana. É o caso do Daniel Oliveira.