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sábado, 5 de outubro de 2024

O Poder ilegítimo das minorias




“Bandidos da pior espécie, (…) gatunos com o seu quanto de ideal verdadeiro, anarquistas natos com grandes patriotismos íntimos — de tudo isto vimos na açorda falsa que se seguiu à implantação do regime [republicano].”

“A monarquia havia abusado das ditaduras; os republicanos passaram a legislar em ditadura, fazendo em ditadura as suas leis mais importantes, e nunca as submetendo a Cortes constituintes ou a qualquer espécie de Cortes.”

“A monarquia havia desperdiçado, estúpida e imoralmente, os dinheiros públicos. O país, disse Dias Ferreira, era governado por uma quadrilha de ladrões. E a república que veio multiplicou por qualquer coisa — concedamos generosamente que foi só por dois (e basta) — os escândalos financeiros da monarquia.”

“A monarquia, desagradando à Nação, e não saindo espontaneamente, criara um estado revolucionário. A república veio e criou dois ou três estados revolucionários. (…) A monarquia não conseguira resolver os problemas da ordem pública; a república instituiu a desordem pública.”

“É alguém, capaz de indicar um benefício, por leve que seja, que nos tenha advindo da proclamação da república? Não melhoramos em administração financeira, não melhoramos em administração geral, não temos mais paz, não temos sequer mais liberdade. Na monarquia era possível insultar por escrito e impresso o rei; na república não era possível, porque era perigoso, insultar até verbalmente o Sr. Afonso Costa.”

“O regime [republicano] está, na verdade, expresso naquele ignóbil trapo que, imposto por uma reduzidíssima minoria de esfarrapados morais, nos serve de bandeira nacional — trapo contrário à heráldica e à estética, porque duas cores se justapõem sem intervenção de um metal e porque é a mais feia coisa que se pode inventar em cor. Está ali contudo a alma do republicano português — o encarnado do sangue que derramaram e fizeram derramar, o verde da erva de que, por direito mental, devem alimentar-se.”

“Este regime [republicano] é uma conspurcação espiritual. A monarquia, ainda que má, tem ao menos, de seu, ser decorativa. Será pouco socialmente, será nada nacionalmente. Mas é alguma coisa em comparação com o nada absoluto em que a república veio a ser.”

[citações de Fernando Pessoa: “Balanço Crítico”, textos em prosa].

sábado, 15 de abril de 2017

D. Duarte Pio é o rei, e não um cortesão

 

Dizem que D. Duarte Pio é “o pretendente ao trono” de Portugal; ora, isto é absurdo: nasce-se rei, por direito natural; não se torna rei sem esse direito prévio senão por embuste. E dizem que “o trono é o poder político”, confundindo o poder, por um lado, e a autoridade, por outro lado. Ou seja, D. Duarte Pio não é o “pretendente ao trono de Portugal”: ele é o rei de Portugal. O facto de não estar sentado em um trono coroado é absolutamente irrelevante.

Sendo D. Duarte Pio rei de Portugal, é absurdo que ele seja cortesão de uma Corte que não seja a sua.

casal realA república está moralmente morta. E por isso não me admira que um maçon ultra-montano (mas hipócrita, como soe ser-se republicano) do calibre de Adelino Maltez defenda a inclusão de D. Duarte Pio em uma Corte republicana em que o rei é cortesão.

Ou seja, os republicanos corruptos e anti-patriotas precisam do rei para rejuvenescer a boa fama da ética republicana que caiu na lama e em que os portugueses já não confiam. Querem transformar o rei num cortesão que lhes dê algum prestígio que já não têm.

Surgiu uma petição que pretende que o rei seja equiparado a uma espécie de presidente da assembleia da república. Um monárquico com dois dedos de testa não assina essa petição; aliás, bastaria o Maltez tê-la assinado para nos colocar em estado de alerta: o maçon empedernido não dá ponto sem nó.

Se quiserem convidar o rei para qualquer cerimónia oficial, ele aceitará ou não, segundo critérios próprios. Mas transformar o rei em uma espécie de Ferro Rodrigues, é um insulto à memória histórica de Portugal.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Apagar a História

 

“Atacar uma igreja, matar um Padre, é profanar a república” → François Hollande

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A maior parte dos sacerdotes católicos mártires franceses foram assassinados pela república.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Viva o progresso!

 

Pela primeira vez temos um presidente da república divorciado (não há primeira-dama).

O próximo presidente da república será uma lésbica “casada” com outra (uma marida com uma marida) e com um filho anónimo, produto de inseminação artificial (um filho-de-puta).

E depois teremos um gay poliândrico como presidente da república, que transformará o palácio de Belém em uma sauna gay. Há que ser moderno!

E para sermos ainda mais progressistas, iremos eleger para presidente da república um transsexual negro em uma relação poliamórica com 27 homens e mulheres de género neutro. Não há fome que não dê em fartura!

Ser progressista é fixe.


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terça-feira, 23 de junho de 2015

Qual a bandeira portuguesa mais bonita?

 

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Clique aqui para votar.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

A alma do republicano José Alberto Carvalho

 

“Informam-me que José Alberto Carvalho terminou o Telejornal da TVI em directo do novo Museu dos Coches ao lado do Landau do Rei Dom Carlos a citar o testamento do Buiça, louvando o facto de ele saber que ia dar a vida pelo futuro dos seus filhos ao assassinar um Chefe de Estado constitucional e o Príncipe Real (por sinal marido e filho da fundadora do Museu) como exemplo dos "valores republicanos". Ainda há quem acredite na evolução da humanidade. Tenho o estômago revirado.”

→ Tenho o estômago revirado de nojo

Eu vi e ouvi o encómio ao crime. Lembrei-me então de Fernando Pessoa:

“O regime [republicano] está, na verdade, expresso naquele ignóbil trapo que, imposto por uma reduzidíssima minoria de esfarrapados morais, nos serve de bandeira nacional — trapo contrário à heráldica e à estética, porque duas cores se justapõem sem intervenção de um metal e porque é a mais feia coisa que se pode inventar em cor. Está ali contudo a alma do republicano português — o encarnado do sangue que derramaram e fizeram derramar, o verde da erva de que, por direito mental, devem alimentar-se.”

domingo, 11 de janeiro de 2015

O fascínio da república pelo Islão

 

“Maomé teve uma visão muito saudável, ligou bem o seu sistema político na medida em que o seu tipo de governo foi garantido pelos califas, e esta governação resultou exactamente naquilo que ele pretendia.”

→ Jean-Jacques Rousseau, “Contrato Social” (4,8).

domingo, 29 de junho de 2014

Quando os democratas são contra a democracia

 

“Se Portugal hoje é uma Nação de rastos e incapaz de resistir à demência neoliberal que nos tomou a todos de assalto, é graças em grande parte à escumalha marxista que destruiu os alicerces económicos da soberania nacional logo durante o PREC.

Pessoas que não tinham a mínima noção de como um País se governa ou de como se gere uma economia, foram de um momento para o outro projectadas para o poder. Mercenários e traidores à Pátria que num outro qualquer País decente seriam presos ou fuzilados, não tardaram a apossar-se de cargos-chave essências ao funcionamento da Nação.”

→ Varela, Cravo e Canela

A Esquerda, em geral, utiliza hoje uma estratégia política similar à do partido republicano depois de 1890 (depois do Ultimato inglês) e até 1910; optou pela imbecilização da opinião. A imbecilização da opinião é feita por políticos — que se dizem democratas — que combatem a democracia em nome da democracia.

Por exemplo, em 1899 aconteceu um surto de peste negra na cidade do Porto, surto esse provocado pelo tráfego de navios do Oriente que traziam a doença. Depois de alguma hesitação, e para evitar a contaminação geral da doença, a cidade foi isolada e o comércio fechado.

O desemprego disparou na cidade; começou a fome; e o partido republicano dizia então que a culpa do surto da peste negra na cidade do Porto era do Rei Dom Carlos! Mas não se ficou por aqui! O republicano Afonso Costa declarou no parlamento1:

“Os cento e onze óbitos motivados pela epidemia [de peste negra] não valem os milhares de contos perdidos pelo comércio e pela indústria [da cidade do Porto], e os mil contos gastos com as medidas adoptadas”.

Colocar em uma mesma categoria de análise política a vida de seres humanos, por um lado, e o dinheiro gasto para a salvar ou para a proteger, por outro lado, é próprio de gente inqualificável eticamente — e foi esta gente que governou Portugal durante a I república e que ainda hoje são eminência parda do Poder que se esconde pelas lojas maçónicas do país.

E não é que a imbecilização da opinião deu resultado?! Nas eleições que se seguiram, o partido republicano conseguiu eleger, pela primeira vez, três deputados.

E se analisarmos o que se passou nos 16 anos da I república, não sabemos se rir ou chorar; mas podemos afirmar sem rebuço que foi vergonhosa! A I república foi uma vergonha nacional! Ao lermos a história da I república, temos a sensação de que estamos a ler uma obra de ficção — aquilo não pode ter sido real! — e uma tragicomédia que explora o absurdo até ao insuportável. Mas o absurdo da I república vem de quase todos os quadrantes da política portuguesa, incluindo algumas seitas de monárquicos: parecia que a política portuguesa se tinha transformado em um manicómio aberto ao público.

Nota
1. “História de Portugal”, José Hermano Saraiva, Volume VIII, Lisboa, 2004

segunda-feira, 23 de junho de 2014

O bi-partidarismo da monarquia constitucional e a entrada do Portugal republicano na I Guerra Mundial

 

Este verbete no Corta-fitas “embrulha” uma série de ideias.

1/ A ideia de Pulido Valente segundo a qual “a monarquia caiu por duas razões. Primeiro, porque os partidos "rotativos", o Regenerador e o Progressista, que não podiam sobreviver numa sociedade urbana (no fundo, Lisboa, e um pouco o Porto), se começaram a dividir no reinado de D. Carlos”, não está correcta, conquanto que a segunda razão esteja.

O bi-partidarismo, entendido em si mesmo, é um sistema tão bom ou melhor do que o multi-partidarismo (ver a opinião de Karl Popper acerca do bi-partidarismo). O problema da monarquia constitucional do século XIX esteve no tipo de cultura política, e não no sistema político entendido em si mesmo.

“A tirania do Senhor Dom Carlos procede de feras mais obesas: do porco. Que o porco esmague o lodo é natural. O que é inaudito é que o ventre de um porco esmague uma nação e dez arrobas de cebo achatem 4 milhões de almas”. — Guerra Junqueiro, publicado no jornal “Voz Pública”, de Lisboa.

O texto supracitado revela a cultura política dos intelectuais portugueses daquela época. “Liberdade” era sinónimo de “possibilidade de insulto público e publicado sem reservas e sem lei”. Aliás, a esmagadora maioria dos intelectuais portugueses ou era republicana, ou pertencia à maçonaria, ou as duas coisas. E quando não eram republicanos ou/e maçónicos, os poucos intelectuais portugueses faziam o jogo político do inimigo.

Por exemplo, em 1876, o partido Reformista, liderado pelo Bispo de Viseu, e o partido Histórico, liderado pelo duque de Palmela, celebraram o Pacto da Granja, através do qual os dois partidos se fundiam e fundavam um novo partido: o partido Progressista (um dos dois partidos do futuro rotativismo). Repare-se que os dois partidos eram liderados por um membro do alto clero português e por um alto membro da nobreza!

Nos dias seguintes ao nascimento do partido Progressista, o governo “caiu”, e o novo Partido Progressista tentou influenciar o Rei D. Luís no sentido de que preferisse a sua política à de Fontes Pereira de Melo; porém, o Rei optou novamente pelo Fontes. Seguiu-se que o partido Progressista, liderado por um Bispo e por um duque, entrou por uma série de impropérios publicados contra o Rei que fariam corar um carroceiro! Portanto, este é um dos muitos exemplos de como os monárquicos foram igualmente responsáveis pela queda monarquia.

Por outro lado, embora os dois partidos do rotativismo tivessem uma implantação nacional, a política real e efectiva era feita em Lisboa — e por isso é que a ideia segundo a qual os partidos "rotativos", o Regenerador e o Progressista, que não podiam sobreviver numa sociedade urbana, é simplista.

2/ Estou de acordo com a segunda ideia de Pulido Valente: a corrupção do sistema político — a começar pela Casa Real na famigerada querela dos “adiantamentos”. Os monárquicos actuais (como eu) têm que reconhecer os erros próprios cometidos no passado. “A verdade liberta”.

3/ A ameaça da Alemanha (e outros países continentais) em relação aos territórios ultramarinos portugueses foi real, e foi a principal razão por que Portugal entrou na I Guerra Mundial.

“A Alemanha apossa-se de Quionga e o conde alemão de Azfeld entra em combinações com o ministro inglês Balfour sobre a partilha do nosso património (colonial português). Como os Estados Unidos também quisessem parte do espólio, sobretudo desejando o arquipélago açoriano de tão grande importância estratégica, a operação foi adiada para melhor oportunidade, não sem a intervenção do Marquês de Soveral, nosso ministro em Londres, imensamente facilitada por aquela pretensão da grande república. As ameaças não cessavam, todavia.

Alguns anos depois, quando, em 1904, decorria a guerra russo-japonesa, parece que um acordo secreto entre a Itália, França, Alemanha e Rússia, que procuravam evitar a intervenção da Inglaterra a favor do Japão, fazia de Portugal e da Bélgica os bodes expiatórios. A Alemanha ficaria com as nossas colónias, enquanto a Espanha nos limitaria na metrópole a soberania”.

→ “História de Portugal”, José Hermano Saraiva, 2004, volume VII.

É claro que a entrada do Portugal republicano — e independentemente das querelas com os monárquicos — na I Guerra Mundial teve como principal razão a manutenção das colónias.

domingo, 18 de maio de 2014

Monarquia, República, Nação e Estado

 

Quando Mário Soares diz que “o Estado Novo não foi uma república”, tem, em parte, razão. A república pressupõe a existência dos partidos políticos e as eleições ao serviço do movimento revolucionário que tem a certeza do futuro (Historicismo: o progresso é visto como uma lei da natureza).

Parte-se do princípio de que o conceito de “república” assenta em princípios jacobinos (provenientes da revolução francesa), em que os partidos políticos e as eleições são meios políticos de transformação da sociedade rumo à criação do “Homem Novo”.

A república (propriamente dita) coloca a Nação ao serviço do Estado; a monarquia (propriamente dita) coloca o Estado ao serviço da Nação.

Por isso é que um monárquico não o pode ser apenas por tradição: há uma filosofia por detrás da monarquia: o rei, e exactamente porque não é eleito, é um símbolo da Nação (ninguém se lembraria de submeter a eleições, por exemplo, a bandeira nacional!, ou o hino nacional; e note-se que um plebiscito não é uma eleição); e o presidente da república, mesmo sendo eleito, é sobretudo um símbolo do Estado.

sábado, 17 de maio de 2014

Salazar: era ¿monárquico ou republicano?

 

“(…) era certo que [Salazar] temia que o regime republicano viesse a descambar no sistema de partidos e na confusão de que nos libertáramos havia 30 anos. Mas tinha ainda mais dúvidas do que eu acerca da viabilidade e da idoneidade da Monarquia, pois às que eu formulara se juntavam as dele sobre a dinastia. Não lhe parecia que D. Duarte Nuno possuísse as qualidades necessárias para o reatamento do regime monárquico, e as provas até então dadas pelos filhos ainda eram piores.

No seu discurso [de Salazar], a referência à eventualidade de a solução monárquica vir a ser uma solução nacional queria dizer que poderia chegar um momento em que, à consciência da Nação, a restauração da Monarquia surgisse como forma única de salvaguardar a sua existência e o seu património moral. Nada mais do que isso.”

Marcello Caetano, “Minhas Memórias de Salazar”, Lisboa, 2006, página 733

Salazar, antes de ser um economista, era um professor de Direito na Universidade de Coimbra. Salazar foi bastante influenciado, na sua formação, pela Filosofia do Direito, de Hegel — como, aliás, a esmagadora maioria dos seus contemporâneos. Salazar substituiu o conceito de “Ideia” (imanente, e proveniente do protestantismo), de Hegel, pelo conceito católico e tradicional de “Providência” (transcendente). Ou seja, Salazar não seguiu exactamente a metafísica de Hegel, mas é certo que foi influenciado, de forma marcada, pela Filosofia do Direito do filósofo alemão.