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domingo, 14 de julho de 2024

Maçonaria é uma forma actualizada de gnosticismo


O livrinho “Pensamento Maçónico de Fernando Pessoa”, de Jorge de Matos (Editora Sete Caminhos), é essencial para se entender como pensa a elite maçónica portuguesa.

A maçonaria é (em juízo universal) anticatólica — mas, o anticatolicismo, entendido apenas e só em si mesmo, não é relevante: o que é relevante é o anticatolicismo (que Fernando Pessoa chama de “Cristismo”, e “igreja romana”) aliado a uma visão prometaica e evolutiva da Natureza Humana, que caracteriza o anticatolicismo maçónico.

Para a maçonaria, a Lógica e a Natureza Humana, “evoluem” — o que é extraordinário!

Fernando Pessoa chama ao catolicismo (e seus fiéis) de “forças involutivas”, por um lado, e por outro lado faz a apologia do protestantismo. Ou seja, a maçonaria é nítida- e claramente (também) uma vergôntea do protestantismo mais radical.

Ademais, há na maçonaria portuguesa uma aversão à ruralidade e à economia agrícola — vem daqui a crítica de Marcelo Rebelo de Sousa a Luís Montenegro, apodando-o de alguém com “comportamentos rurais”: apesar de Luís Montenegro ser membro da maçonaria dita “regular”, é alvo de crítica de Marcelo Rebelo de Sousa por causa do seu perfil não-coetâneo e de repúdio pela ruralidade. Para o maçon que se preze, ser “rural” é pertencer à Idade da Pedra.

A maçonaria detém um misticismo gnóstico (também por isso podemos dizer que a maçonaria é uma religião).

Devemos distinguir o misticismo teísta (catolicismo), o misticismo naturalista (monismos, panteísmo) e o misticismo personalista (gnosticismo, maçonaria): o primeiro, manifesta a experiência da realidade de Deus; o segundo, a experiência da incorrupção do mundo; e o terceiro, a experiência da sempiternidade do Eu.

O misticismo teísta (católico) é incorruptível; mas o misticismo naturalista (monismos) é pervertido em panteísmo, quando a consciência extática identifica o esplendor da criação intacta, por um lado, com o esplendor do próprio Criador, por outro lado; e o misticismo personalista (maçonaria) é pervertido em gnosticismo, quando a consciência egocêntrica identifica a eternidade da alma com a eternidade de Deus (chamado de “Arquitecto”, pelos maçons).

(a continuar, se Deus quiser).

sábado, 15 de junho de 2024

O gnosticismo maçónico de Fernando Pessoa (1)


“Mais do que uma melhoria das condições biológico-profissionais das populações, o conceito maçónico de Regeneração Social representa a redenção do Género Humano enquanto processo de transformação elevatória do nível de vibração dos veículos físicos e subtis da Humanidade, permitindo um despertar progressivo de capacidades latentes e uma expansão crescente e acelerada do grau de consciência intuitiva e supra-intelectual, bem como além-fronteiras do contexto global de integração planetária e das relações individuais e grupais que com ele se mantêm, até atingir o Grupo Perfeito e Divino, a Fraternidade Universal, que deve ser conscientemente vivida no espaço sagrado da Loja maçónica, como célula básica do trabalho espiritual grupal — livre de quaisquer conotações filosóficas eventuais exclusivistas, contra o seu carácter fraternalmente internacionalista”.

→ “ O Pensamento Maçónico de Fernando Pessoa”, de Jorge de Matos, 2006, página 16



Escrevendo o trecho supracitado, Jorge de Matos não estava a ironizar: acreditava mesmo que é possível, ao ser humano, só por si e apenas pelos seus próprios meios, atingir “a redenção do Género Humano”, neutralizando e superando a própria Natureza Humana, atingindo o Grupo Perfeito e Divino (leia-se: atingindo a perfeição divina).

Olavo de Carvalho diria que esta visão da Natureza Humana retrata  uma “mundividência prometaica”.

Trata-se de uma crença — porém, a contrario sensu da crença científica e/ou da religiosa (que são crenças racionais, embora em graus de racionalidade diferentes), trata-se de um crença irracional, porque é racionalista (o racionalismo decorre de uma doença mental incurável: o Delírio Interpretativo).

O racionalismo é a expressão intelectual por excelência da irracionalidade humana — racionalismo entendido aqui como sendo proveniente da doutrina gnóstica e parasitária da Antiguidade Tardia que afirma que o pensamento racional é capaz de atingir a verdade absoluta porque as suas próprias leis são também as leis dos objectos do conhecimento (por exemplo, em Hegel: “Tudo o que é racional é [efectivamente] real, e tudo o que é real é [efectivamente] racional”).

Este racionalismo, de Hegel, provém da tradição do racionalismo do judeu Espinoza, que privilegia a Razão como Princípio Prometaico de explicação do universo, por oposição à fé religiosa, por um lado, e por oposição ao empirismo científico de origem aristotélica, por outro lado; e, simultaneamente, este racionalismo afirma o carácter racional da realidade e do sentido da História — o determinismo histórico da Cabala, que gerou o “Fim da História” de Hegel, Marx, Hayek ou Fukuyama, que se caracteriza por ser a ideologia das doutrinas que recusam a paternidade dos seus próprios crimes.

O indivíduo mentalmente deformado (por uma interpretação delirante) crê no “sentido da História” quando o futuro previsível parece ser favorável à realização das suas paixões e das suas crenças. Neste racionalismo cabalístico, a origem psicológica da razão é deixada na sombra: a sua vontade é eliminada, ou desviada para o irracional (e, portanto, negada ou rejeitada).

Por sua vez, o racionalismo panteísta (ou seja, imanente e ateísta) de Espinoza provém directamente da Cabala judaica.

Portanto, vemos aqui papel secular e importantíssimo do judeu na irracionalização do ser humano através da destruição das instituições da civilização europeia, de que a maçonaria (operativa e especulativa) foi e é uma parte predominante.

Toda a filosofia alemã depois de Kant (Kant não faz parte do Idealismo alemão!) é cabalística e irracionalista. A origem hegeliana da dialéctica marxista é cabalística, e por isso, irracional:

“A negação dialéctica não existe entre realidades, mas apenas entre definições. A síntese em que a relação se resolve não é um estado real, mas apenas verbal. O propósito do discurso move o processo dialéctico, e a sua arbitrariedade assegura o seu êxito.

Sendo possível, com efeito, definir qualquer coisa como contrária a outra coisa qualquer; sendo também possível abstrair um atributo qualquer de uma coisa para a opôr a outros atributos seus, ou a atributos igualmente abstractos de outra coisa; sendo possível, enfim, contrapôr, no tempo, toda a coisa a si mesma — a dialéctica é o mais engenhoso instrumento para extrair da realidade o esquema que tínhamos previamente escondido nela.” → Nicolás Gómez Dávila.

A dialéctica cabalística de Hegel (proveniente da Cabala Yetzira e do seu conceito de “Árvore da Vida”) levanta um problema sério: se o pensamento passa de si próprio ao seu oposto, a resolução das duas contradições (a síntese) é inconciliável com o termo inicial (que, segundo determinados exegetas, mais não faria do que reforçar, pela negação da negação), ou arrasta incessantemente de negação em negação até um pensamento “radicalmente diferente” — o que conduziria de facto a um cepticismo relativista total.

Fica a aqui a demonstração sucinta e cabal de que as doutrinas do marxismo, do liberalismo e da maçonaria (ou seja, a chamada “modernidade”) têm a mesma origem epistemológica: o movimento intelectual parasitário da gnose, da Antiguidade Tardia.

(continua)

sexta-feira, 2 de abril de 2021

O Totalitarismo de Veludo aperta o cerco político


«A civilização pode, de facto, avançar e declinar em simultaneidade ― mas não para sempre. Existe um limite em relação ao qual se dirige este ambíguo processo; o limite é alcançado quando uma seita activista que representa a verdade gnóstica, organiza a civilização em forma de um império sob seu controlo. O totalitarismo, definido como o governo existencial dos activistas gnósticos, é a forma final da civilização progressista.»

Eric Voegelin, “Nova Ciência da Política” (página 133)


No início da década de 1970, quando eu era estudante (no Liceu Salazar, em Lourenço Marques), fui “incomodado” pela PIDE — porque eu ansiava por mais liberdade de expressão; hoje, sou implicitamente considerado “fassista” pela NOVA-PIDE da opinião pública e publicada do actual regime político — nomeadamente porque eu apoio o partido CHEGA que é agora alvo de tentativa de ilegalização pelos novos aprendizes de ditadores ditos “democratas”.

Atenção: apoiar um partido não é a mesma coisa que militar nele. Nunca militei em um qualquer partido político.

Muita gente como eu, que foi a favor da liberdade de expressão no tempo de Marcello Caetano, é hoje alvo de discriminação (e, em alguns casos, mesmo de perseguição) política por parte dos protagonistas ( da “vanguarda”, como se diz aqui) do regime actual.

No Portugal me®diático de hoje, quem defende claramente a liberdade de expressão, é “fassista”.

Quando nós verificamos, por exemplo, que gente como o José Pacheco Pereira diz que o conceito de “marxismo cultural” é teoria da conspiração, ou o Francisco Louçã que diz que “o Holodomor não existiu” — entre muitos outros exemplos, como é o caso do “senhor intelectual” Guilherme Valente que tece loas ao totalitarismo chinês —, percebemos como o ar político se torna paulatinamente irrespirável, à medida que os gnósticos actuais vão reforçando o seu Poder.

Temos aqui um texto que identifica claramente o politicamente correcto (ou marxismo cultural, vai dar no mesmo) com os “gnósticos modernos”.

TOTALITARISMO-VOEGELIN

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

O gnosticismo abjecto do Anselmo Borges

O Anselmo Borges não se dá conta das suas contradições — acho extraordinário que um indivíduo destes seja professor universitário de filosofia e “teólogo”.

1. A concepção de “cristianismo”, segundo o Anselmo Borges e comandita, é (escandalosamente) gnóstica: baseia-se no conhecimento, por um lado, e coloca em segundo plano ou elimina a graça, por outro lado. E sendo gnóstica, não pode ser cristã. Um “gnóstico cristão” é uma contradição com pernas.

"o cristão do futuro será místico, isto é, alguém que "experienciou" algo, ou não será cristão, porque a espiritualidade do futuro já não se apoiará num ambiente religioso generalizado, anterior à experiência e à decisão da pessoa."

Segundo este conceito de “Cristianismo”, o “cristão do futuro” não será cristão (porque o Cristianismo será extinto), desde logo porque a “experiência” religiosa (do indivíduo) é subjectiva — não pode ser medida, de forma objectiva —, e por isso ela não pode ser um critério de aferição da religiosidade da pessoa; o conceito de “Cristianismo”, segundo o Anselmo Borges e sequazes, conduz inexoravelmente à abolição objectiva do Cristianismo enquanto tal — porque, do ponto de vista social, a religião deixará de existir.

Celso e Porfírio inventaram o Jesus revolucionário. 

O dogma da bondade natural do Homem formula, em termos éticos, a experiência central do gnóstico: o Homem é naturalmente bom porque é naturalmente deus (Spinoza).

O Anselmo Borges é objectivamente um inimigo da Igreja Católica. Ou então, é burrinho e não se dá conta das suas (dele) contradições.


Vamos definir “religião”.

A religião é um conjunto de crenças e de ritos que compreendem um aspecto subjectivo (o sentimento religioso ou a fé) e um aspecto objectivo (as cerimónias, as instituições, os ritos, e um templo).


O conceito de “Cristianismo do futuro” — segundo o Anselmo Borges, os seus sequazes da Nova Teologia e da Teologia da Libertação, e também segundo o Frei Bento Domingues (é tudo a mesma tropa fandanga!) — diz que a parte subjectiva da religião (ou seja, o sentimento religioso ou a fé) constitui a experiência individual, por um lado, e por outro lado pretende abolir o aspecto objectivo da religião (ou seja, as cerimónias, as instituições, os ritos, e um templo).

Ora, a abolição do aspecto objectivo do Cristianismo implica o fim deste enquanto religião. É isto que o Anselmo Borges objectivamente defende.

2. Na Idade Média, a noção de “religião” não existia (do ponto de vista da cultura antropológica). Para o homem medieval, falar de “religião” seria como falar do ar que ele respirava: não lhe lembraria isso, e nem ao careca!

¿Conseguem imaginar um homem medieval (clérigo, paisano ou fidalgo) a conjecturar sobre o ar circundante?
Pois, de modo semelhante, não lhe passaria pela cabeça falar de “religião” — porque a religião (cristã) fazia parte da sua própria realidade em termos idênticos ao do ar que ele respirava.

Foi com a “reforma” protestante que o Cristianismo (a religião) passou a estar separado do indivíduo e da sociedade; e foi graças à “reforma” protestante que surgiu a Nova Teologia e a Teologia da Libertação .

A missão (satânica) do papa Chico e dos seus sequazes (entre os quais o Anselmo Borges) é o de protestantizar a Igreja Católica.

Acho extraordinário que alguém (como é o caso do Anselmo Borges e do Frei Bento Domingues) que faz a apologia da Nova Teologia se possa afirmar como “católico”. Extraordinário! A que ponto chegamos !

gnosticismo-web3. Se retirarmos à religião o seu aspecto objectivo — as cerimónias, as instituições, e os ritos a que o burrinho Anselmo Borges chama de “ritualismos secos” —, deixa de ser religião (ver definição de “religião”).

Estamos em presença (no conceito de “religião” do Borges) da versão actual de gnosticismo e de puritanismo: a recusa de contemplar Deus, e/ou o Bem, senão através do intelecto e da “experiência” alegadamente “privilegiada” e elitista.

O Racionalismo é o pseudónimo oficial de Gnosticismo.

O puritano (religioso, neste caso, porque há hoje puritanos ateus) é um homem cuja mente não tem férias; e não deixa que nada se interponha entre ele e o seu deus (e vem daqui o conceito de “experiência” individual, de Anselmo Borges e dos protestantes católicos): uma atitude que implica um desprezo elitista em relação aos modernos Hílicos (que são aqueles católicos “chãos e básicos”, os tais que se envolvem em “ritualismos secos”).

Para os actuais gnósticos e puritanos (da laia do Anselmo Borges e do papa Chicozinho ), é muito melhor rezar num palheiro do que numa catedral gótica, pela simples razão de que a catedral é bela e de construção dispendiosa: para os novos gnósticos e puritanos, a beleza física é um símbolo falso e sensual que se interpõe entre o intelecto e o objecto de adoração (o deus deles).

Ademais, para os novos gnósticos e puritanos (como é o caso do Anselmo Borges), Deus só pode ser adorado através de uma directa contemplação (sem qualquer tipo de intermediação, e vem daí a iconoclastia do puritano Anselmo Borges): para eles, é perversa a adoração de Deus por intermediação dos santos católicos ou da Mãe de Jesus Cristo, e/ou mediante o hábito dos ritos, e/ou através do instinto humano em relação à Beleza.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

O Frei Bento Domingues é um doente mental; ou então é um filho-de-puta

 

“Estamos na quadra litúrgica do Advento, mas tudo parece encenado e polarizado apenas pela memória do nascimento de Jesus, alimentando um terno imaginário da infância, com alguma e passageira solidariedade, própria da estação, sem, no entanto, tocar nos alicerces da sociedade. É como se nada estivesse para acontecer.”

Frei Bento Domingues

“Tocar nos alicerces da sociedade”, escreve o doente mental. Um doente mental da igualha dos que mataram mais de 100 milhões de pessoas inocentes no século XX: os doentes mentais ou/e psicopatas que quiseram “tocar nos alicerces da sociedade” tentando alterar a Natureza Humana, e acabaram com mais de uma centena de milhões de mortos em nome de uma utopia.

“O meu reino não é deste mundo” — afirmou Jesus Cristo (João 18, 36)

Das duas, uma: ou o Frei Bento Domingues não percebeu patavina do que está escrito nos Evangelhos; ou é um grande filho-de-puta.

A imanentização do éschatos se justifica vindo da parte de um doente mental, ou então de um filho-de-puta psicopata.


« Quando o coração é sensível e o espírito contundente, basta lançar um olhar sobre o mundo para ver a miséria da criatura e pressentir as vias da redenção; se são insensíveis e embotados, serão necessárias perturbações maciças para desencadear sensações fracas.

É assim que um príncipe mimado se apercebeu pela primeira vez de um mendigo, de um doente e de um morto ― e tornou-se assim em Buda; em contrapartida, um escritor contemporâneo vive a experiência de montanhas de cadáveres e do horroroso aniquilamento de milhares de indivíduos nas conturbações do pós-guerra na Rússia ― e conclui que o mundo não está em ordem e tira daí uma série de romances muito comedidos.

Um, vê no sofrimento a essência do ser e procura uma libertação no fundamento do mundo; o outro, vê-a como uma situação de infelicidade à qual se pode, e deve, remediar activamente. Tal alma sentir-se-á mais fortemente interpelada pela imperfeição do mundo, enquanto a outra sê-lo-á pelo esplendor da criação.

Um, só vive o além como verdadeiro se ele se apresentar com brilho e com grande barulho, com a violência e o pavor de um poder superior sob a forma de uma pessoa soberana e de uma organização; para o outro, o rosto e os gestos de cada homem são transparentes e deixam transparecer nele a solidão de Deus. »

→ Eric Voegelin

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quinta-feira, 11 de maio de 2017

Gente iconoclasta ( Anselmo Borges, Torgal Ferreira, Frei Bento Domingues) que se diz “católica” mas que é avessa a símbolos

 

Chego a sentir pena do Frei Bento Domingues, do Bispo Torgal Ferreira, do Anselmo Borges, e de outros; pena, como a que se sente em relação a gente inconsciente, gente a quem Jesus Cristo se referiu, dizendo: “Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem!”.

Vamos chamar, a essa casta de gente, de “católicos gnósticos”, porque se julgam acima do povo ignaro que vai a Fátima manifestar a sua fé.

Os “católicos gnósticos” têm o conhecimento que lhes permite “pairar” acima do comum dos católicos (são os Pneumáticos da modernidade do Concílio do Vaticano II e da Nova Teologia), fazer-lhes críticas desveladas, tratá-los como animais irracionais — enquanto se auto-outorgam a capacidade sobranceira de fazer juízos metafísicos definitivos sobre todo e qualquer fenómeno ou facto da Igreja Católica.


O Torgal Ferreira — o Bispo vermelho, comunista inveterado, hipócrita marxistaterá afirmado:

“Não quero exagerar e dizer que é idolatria, mas o facto de a fé das pessoas em Nossa Senhora se prender tanto com uma imagem, que até vai pelo mundo, em digressão, obriga-me a perguntar: será que não educámos mal o povo? Escandaliza-me que as pessoas só rezem àquela imagem, que se despeçam dela a chorar, na Procissão do Adeus. Eu nunca me despeço de Nossa Senhora, porque ela está sempre comigo. Aquilo para mim não é nada, é um pedaço de barro!”

torgal-ferreira-web¿Como é possível que aquela mente não compreenda o que nos parece evidente?

Seguindo o raciocínio do Bispo Torgal, a cruz de Cristo de cada igreja é um pedaço de madeira“Aquilo não é nada!: é um pedaço de madeira!”, diria o Bispo. Aliás, nem sei o que está a fazer o madeiro na igreja, porque Jesus Cristo está sempre comigo, e eu nunca me despeço da cruz de pau quando saio da igreja.

¿Por que razão és idiota, Torgal? ¿Por que não vais à bardamerda e nos deixas em paz?!

  • Pergunta: ¿O fenómeno de Fátima transformou-se em negócio para muita gente? (hotéis, restaurantes, etc.).
  • Resposta: Sim, é verdade.

Mas não devemos ser estúpidos — como o Torgal e o Anselmo Borges — e confundir o cu com as calças.

Os estúpidos pretendem criticar o fenómeno de Fátima; mas, em vez disso, criticam o negócio à volta do fenómeno de Fátima, julgando que, dessa forma, criticam também o fenómeno de Fátima — como é o caso do atoleimado e senil Padre Mário de Oliveira; ou seja, incorrem na falácia lógica Ignoratio Elenchi, que consiste em querer provar a veracidade de um argumento ou de um facto, mas em vez disso, o raciocínio da argumentação chega a um conclusão que não prova o facto ou a situação que se pretendia; ou então, prova outra coisa qualquer.

Em bom português, quando nos deparamos com a falácia Ignoratio Elenchi, normalmente dizemos que “o cu não tem nada a ver com as calças”. Pois não tem nada a ver (directamente) o negócio de Fátima, por um lado, com o fenómeno religioso de Fátima que teve origem em 1917, por outro lado.

Não é racional que se critique o fenómeno religioso de Fátima mediante a crítica ao negócio à volta de Fátima. “O cu não tem nada a ver com as calças”.


Até o Islamismo, que se diz iconoclasta, tem um livro como símbolo (o Alcorão) religioso; esse símbolo do Alcorão existe por si mesmo, e não depende directamente do seu conteúdo que assume outras formas simbólicas. Para que o muçulmano iconoclasta fosse totalmente coerente, teria que abolir também o símbolo do livro alcorânico — porque, de facto, os maomedanos adoram Alá através do livro Alcorão que é, em si mesmo, um símbolo.

O símbolo é a intermediação; neste caso, o Alcorão é um símbolo, é a intermediação da fé dos maomedanos.

É tão iconoclasta o muçulmano que “adora” o livro Alcorão para “chegar” a Alá (tentem queimar um livro do Alcorão em frente a um muçulmano, a ver o que dá), como é iconoclasta o católico que “adora” a imagem de Maria para “chegar” a Jesus Cristo. São ambos, símbolos.

O que nos interessa saber, em qualquer religião, é o valor do símbolo — o que vale o símbolo, qual é o valor da sua representação e do seu representado, se esse valor é positivo ou negativo, pior ou melhor.

E o que deve preocupar os católicos é a sanha anticatólica de alguns “católicos gnósticos” infiltrados no Poder do Vaticano por intermédio do papa Chiquitito, cuja sapiência teológica dispensa a simbologia na prática religiosa. São os novos iconoclastas puritanos.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Cátaros, albigenses e valdenses eram seitas gnósticas

 

O problema da narrativa histórica é o de que depende da interpretação dos factos, e não dos factos em si mesmos; ou melhor dizendo, os factos documentados apenas servem para fundamentar uma qualquer interpretação deles. Os historiadores contam uma história que não tem necessariamente uma relação causal e, sobretudo, não vai à essência dos factos.

Temos aqui uma narrativa histórica acerca dos cátaros, albigenses e valdenses; os factos citados (datas, eventos, nomes de pessoas) correspondem, grosso modo, à verdade histórica. Mas o erro da narrativa está na essência: parte-se do princípio (na narrativa) de que as seitas da Antiguidade Tardia que deram origem aos cátaros, albigenses e valdenses, eram cristãs — o que é absolutamente falso.

O problema dos historiadores em geral é o de não terem estudado suficientemente filosofia. Afirmar que as seitas gnósticas da Antiguidade Tardia eram cristãs, é um erro de palmatória.

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

O José Pacheco Pereira e o conceito marxista cultural de “tolerância repressiva”

 

« Doutor Pacheco Pereira, ouvi-o há pouco na Quadratura do Círculo em choque com a linguagem vernacular usada para descrever a sacrossanta esquerda, área conhecida pelo rol de intelectuais com eloquência para arrasar com os calceteiros da direita, essa cambada de incultos para com as bondades virginais das soluções que a esquerda una tem para o nosso santo país. Estou solidário com esta denúncia e gostaria de expressar que a culpa é de quem lançou o “manso é a tua tia” para a discussão parlamentar: desde então tem sido esta desgraça. Uma pessoa vai ao talho e ouve coisas terríveis sobre a mãe do António Costa, coitada; ouvem-se até coisas sobre si, doutor Pacheco Pereira, mas não tantas como sobre o doutor Costa, admito, para mágoa de ambos.

Sinceramente, eu metia-os a todos no Campo Pequeno, que era para aprenderem a escrever nos blogues de acordo com o códice de Abrantes: porque desde Abrantes ninguém escreve como dantes.»

Bandalhos, não sejam malcriados, seus estupores

Eu já não vejo o programa Quadratura do Círculo, porque com a chegada do Jorge Coelho aquilo parece um monólogo de um surdo. Deviam colocar os discursos do Jorge Coelho nas celas solitárias das prisões.

jpp-marxMas, por aquilo que conheço do José Pacheco Pereira, acredito que ele esteja “em choque com a linguagem vernacular usada pela direita para descrever a sacrossanta esquerda” — até porque o vernáculo, alegadamente, não faz parte da língua portuguesa: por isso é que ele não o utiliza, porque ele tem à Esquerda quem o faça por ele.

O princípio que orienta o José Pacheco Pereira é o da tolerância repressiva segundo o marxista Herbert Marcuse: “tudo o que vem da Esquerda é bom (incluindo a linguagem vernacular); e tudo o que vem da Direita é mau (mesmo que não seja vernáculo)”.

A tolerância em relação à Esquerda desculpa tudo, até a violência dita “revolucionária” (“coitadinho do crucudilú!”), e a intolerância em relação à Direita assenta na oposição violenta em relação às instituições da civilização e à oposição ao socialismo.

A liberdade de expressão (segundo o conceito de tolerância repressiva) não é coisa boa porque permite a propagação do erro — Marcuse e o José Pacheco Pereira têm o monopólio da verdade; e acreditam que o "telos" da tolerância é a verdade (deles): a minoria revolucionária (os Pneumáticos modernos) é dona da verdade, e a maioria (os Hílicos modernos) tem que ser libertada do erro e reeducados na senda da verdade pelos novos Pneumáticos. A minoria revolucionária tem o direito natural de reprimir as opiniões rivais que causam danos.

Quando o José Pacheco Pereira não tem razão, não discute as ideias: prefere sublinhar a “linguagem vernacular” dos novos Hílicos que têm que ser reeducados na senda da verdade.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

O gnosticismo de Frei Bento Domingues

 

“Alguns leitores reagindo ao meu texto do domingo passado, disseram-me: se o panorama da família em desconstrução e reconstrução é tão caótico, como poderão as famílias agrupar-se para evangelizar, encher de alegria, antigos e novos projectos familiares?

Podem. Com diferentes configurações, existem, por todo o mundo, milhões de famílias que o amor reuniu - de avós a netos - que sem alarido, já vivem antigos e novos processos de alimentar e renovar a esperança das futuras gerações. Por outro lado, a graça do Evangelho não contraria os trabalhos escondidos da natureza e da cultura, como certa apologética pouco católica, ignorante e sectária, insiste em proclamar”.

Frei Bento Domingues : Que temos nós a ver com os migrantes?

Ao contrário do que o Frei Bento Domingues declara sobre quem não concorda com ele, eu não considero que o Frei Bento Domingues seja ignorante; de ignorante, ele tem pouco. O ignorante não age com dolo, exactamente porque ignora.

Em contraponto, a perversidade não é ignorante, porque a intencionalidade do perverso revela-se nas suas ideias e acções — ao passo que o ignorante não age em função de uma causa. O moto do ignorante é a doxa, ao passo que o do perverso é a manipulação e adulteração do episteme.

Uma das características marcantes do politicamente correcto  é o de rotular de “ignorante” toda a gente que tenha ideias diferentes da norma politicamente correcta. ¿Não concordas com o "casamento" gay? Então és ignorante!. ¿Não concordas com as “famílias arco-íris”? Então és ignorante!. E por aí afora. O Frei Bento Domingues enquadra-se perfeitamente no espírito da Esquerda politicamente correcta mais radical. O mais que poderei dizer de Frei Bento Domingues é que ele parece ser psicótico; mas nunca “ignorante”.


Repare-se no trecho supracitado de Frei Bento Domingues. ¿O que é que ele quer dizer com “com diferentes configurações, existem, por todo o mundo, milhões de famílias que o amor reuniu”? ¿Refere-se ele (Frei Bento Domingues), por exemplo, às famílias poligâmicas que prevalecem no Islão? ¿Frei Bento Domingues avaliza a poligamia? Ele não o diz explicitamente. Mas ¿será que a poligamia vai ao encontro do critério do “amor” que o Frei Bento Domingues refere? ¿Será que, em nome de um pretenso “amor”, vale tudo?

¿E o que é que o Frei Bento Domingues quer dizer com “a graça do Evangelho não contraria os trabalhos escondidos da natureza e da cultura”? ¿Será que, na opinião do Frei Bento Domingues, a Natureza determina a ética e a moral? O Frei Bento Domingues não diz quase nada de concreto: em vez disso, “atira umas coisas para o ar”. A ambiguidade é uma característica do perverso.

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Pequeno diálogo entre Sócrates e Nietzsche

 

Sócrates – Nietzsche, você que é um literato, e diz que estudou a retórica e a linguagem, diga-me: ¿o que é a “verdade”?

Nietzsche – A verdade é um exército móvel de metáforas, metonímias e antropomorfismos, em suma, um conjunto de relações humanas que foram poética- e retoricamente consagradas, transpostas e ornadas, e que, no termo de um longo uso, parecem firmes a um povo, canónicas e obrigatórias. As verdades são ilusões que esquecemos que o são, metáforas que perderam a sua força sensível, moedas que perderam o seu cunho e passam a ser consideradas, não moedas, mas metal.1

Sócrates – ¿E será que a sua definição de “verdade” é verdadeira?

Nietzsche – Sem dúvida alguma! A “verdade”, para o comum dos mortais, é conforme a acabei de definir.

Sócrates — Mas os critérios dessa definição de “verdade”, ¿também não se aplicam à sua “verdade”?

Nietzsche – Claro que não! Eu não sou um mortal comum: sou um super-homem.


Nota
1. Definição retirada do ensaio de Nietzsche “Da Verdade e da Mentira na acepção extra-moral”.

domingo, 17 de maio de 2015

A religião gnóstica do esquerdalho

 

“The trend of politics in the Western nations since Eric Voegelin’s death in 1986 has made his work increasingly relevant to any philosophically rigorous Conservatism or Traditionalism. In particular, Voegelin’s argument that liberalism and its Leftwing metastases constitute an evangelical religious movement, mimicking and distorting Christianity, has gained currency.

The pronounced irrational character of the “Global Warming” cult and the obvious messianism of Barack Hussein Obama’s presidency have together sharpened the perception that contemporary Leftwing politics shares with history’s specimen-type doctrinally intransigent sects an absolute intolerance for dissent, even for discussion, along with a conviction of perfect certainty in all things.

The sudden experience of Leftwing triumph attests that, indeed, utopian radicalism draws its strength from a deep well of resentment that puts it in conflict, not merely with those whom it regards as heterodox, but also with the unalterable structure of reality.”

Plotinus and Augustine on Gnosticism (Thomas F. Bertonneau )

Quando vemos e ouvimos o esquerdalho na voz, por exemplo, de Ricardo Araújo Pereira ou do Nuno Markl, ou ainda muitas das opiniões ditas “científicas” auto-contraditórias do blogue Rerum Natura — não nos devemos esquecer que essas opiniões são guiadas por uma espécie de religião cuja ortodoxia não admite qualquer dissensão; e, como diz Thomas F. Bertonneau, esse tipo de religião política traduz um ressentimento em relação à inalterável estrutura da realidade.

esquerdalho-webConforme demonstrado por Eric Voegelin, e que Thomas F. Bertonneau sublinha, a rebelião do esquerdalho — que inclui o marxismo e o nazismo — contra a realidade é uma aflição recorrente da vida civilizada, tendo embora como paradigma as seitas gnósticas anti-cósmicas da Antiguidade Tardia. Hoje, o esquerdalho reduz o universo inteiro ao mundo sub-lunar limitado pelos satélites artificiais, o que é uma característica moderna da posição anti-cósmica dos gnósticos antigos. O culto religioso do Aquecimento Global e/ou o culto neolítico moderno e ctónico da Mãe-terra traduzem a redução contemporânea do conceito de “universo” ao mundo sub-lunar.

Quando verificamos que a juventude portuguesa maioritariamente não se interessa pela política, constatamos que o que se passa é uma indiferença em relação às seitas religiosas puritanas, ortodoxas, intolerantes e contemporâneas que em conjunto coordenam a política: o esquerdalho.

É possível que surja na Europa um cepticismo profundo em relação à política, assim como aconteceu um cepticismo profundo em relação às seitas religiosas puritanas depois de Cromwell ter assumido o Poder em Inglaterra, cepticismo esse manifesto no golpe-de-estado inglês de 1688 e na posterior filosofia política de Locke.

O que está em causa hoje é a forma como a política é dogmaticamente concebida, e como o escrutínio político é realizado obedecendo sobretudo à vontade das elites gnósticas contemporâneas (o esquerdalho) através da manipulação dos me®dia e da imposição totalitária de uma espiral do silêncio.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Os gnósticos modernos

 

A Gnose foi um movimento religioso da Antiguidade Tardia que teve as suas raízes em uma visão dualista (dualismo ontológico, e não propriamente um dualismo cartesiano) proveniente do Oriente [por exemplo, do Parsismo e do Maniqueísmo], e de acordo com a qual existe uma contradição entre o espírito e a matéria, bem e mal, luz e trevas. Os primeiros textos gnósticos datam do século II d.C.; as suas origens são obscuras; mas, provavelmente, a Gnose desenvolveu-se, no império romano, paralelamente ao Cristianismo e como uma grandeza religiosa independente.

(texto longo, com 1900 palavras)